Work Out escrita por Nyuu D


Capítulo 2
Reconhecendo-se




A ideia de Mariko de visitar Nami em seu apartamento acabou sendo adiada por conta dos planos malucos que a ruiva tinha em mente. Ela havia sugerido que as duas readquirissem suas melhores formas físicas e emocionais, de forma a garantir uma estabilidade na hora em que fosse encontrar Robin e Kori em algum momento, seja lá ele qual fosse, dentro do prédio.

Sendo assim, Mariko apenas começou uma dieta com a ajuda de Nami. Ela mesma sugeriu alguns cardápios variados para que a perda de peso fosse saudável, e a loira não mais ficou desmaiando na academia porque não comia nada—embora ela levasse uma ou duas broncas da ruiva por ter comido muito pouco no almoço.

Mariko também tinha o apoio fervoroso de sua amiga Yumi e do namorado dela, Zoro. Ele constantemente a incentivava com alguns exercícios direcionados, visto que tinha um condicionamento físico invejável. Yumi tinha jogado na loteria e ganhado sozinha quando conseguiu aquele homem. Porque ele era bonito mesmo, até Mariko tinha que admitir. Embora não fosse dos mais inteligentes. Mas Yumi gostava dele, isso que importava.

– Mas você tá bem melhor mesmo. – Yumi disse enquanto comia direto do pote de sorvete. Ela não tinha problemas semelhantes, apenas dava umas extrapoladas de vez em quando. Mas também fazia exercícios todo dia, então não saía prejudicada. Mariko, porém, ainda estava evitando essas porcarias, então ficou apenas olhando. – Dois meses e olha só. Perdeu até mais do que o esperado.

– Bom. De alguma coisa a Kori vai se arrepender. Sou muito mais bonita que aquela girafa.

Yumi deu risada, achando engraçado. – Claro que é, minha filha. Não sei o que passou na cabeça da Kori. Francamente. – Complementou, dando uma força para a amiga. Era melhor não discordar de nenhuma forma do que Mariko dizia, ou iam acabar brigando por idiotice. Yumi realmente não entendia os motivos de Kori ao terminar com Mariko para ficar com a outra mulher, mas ela devia tê-los. Até tentou explicar, mas não funcionou muito bem.

E, de qualquer forma, Yumi era bastante tendenciosa quando se tratava de Mariko. Havia conhecido Kori por intermédio dela, e apesar da amizade que cresceu, Mariko ainda era Mariko. E ficaria ao lado dela.

– O que você e a Nami vão fazer? – Zoro perguntou; elas estavam no apartamento dele, e o rapaz estava ali perto, jogando God of War no Playstation 2.

– Bom, a ideia dela é aparecer junto comigo na frente das duas.

– Tipo fingir que vocês tão juntas agora?

– Isso.

Zoro olhou por cima do ombro com uma expressão sarcástica, depois voltou a concentrar-se no videogame. – Eu achei que vocês estivessem. Você não desgruda dela agora. Nem sei por que diabos ainda se preocupa com a Kori, devia era ficar com a Nami mesmo.

Mariko sentiu o sangue ferver e atirou uma almofada na cabeça de Zoro, fazendo Yumi gargalhar. – Seu idiota, o meu objetivo aqui não é esse!

Zoro murmurou qualquer palavrão baixinho e continuou concentrado no videogame, enquanto Yumi parava de rir.

Mariko não podia mentir que já havia pensado nessa hipótese diversas vezes; quer dizer, na história de, quem sabe, ficar com Nami ao invés de continuar se sacrificando por causa de Kori e da nova namorada dela (porque agora elas haviam oficializado a relação). Do ponto de vista da loira, ela e Nami estavam agindo de forma bastante pedante ao continuar insistindo na ideia fixa de deixar as duas enfurecidas com o que perderam.

Também não podia negar que a ideia da vingança era sim muito agradável aos ouvidos e ao ego, porém, no fundo achava perda de tempo. Ao final do primeiro mês de dieta e exercícios, Mariko só continuava mesmo com aquela história maluca porque sabia que Nami queria mesmo fazer aquilo, e queria ficar ao lado dela.

Seu celular apitou naquele momento e ela pegou-o para ver o que era. Nami havia mandado uma mensagem, dizendo que estava por ali, e poderia passar ali para que fossem juntas ao prédio. Mariko havia dito a ela anteriormente que vira, na página da rede social de Kori, que ela e Robin iriam a um bar naquela noite, e estavam convidando o pessoal que quisesse para ir junto.

Inicialmente Mariko sugeriu a Nami que elas fossem, como quem não quer nada, até o bar. Mas, Nami parecia ser mais objetiva, e queria insinuar que as duas ficariam a noite inteira em casa, comendo pizza e transando no sofá.

Mariko não achava a ideia ruim, mas provavelmente Nami só estava mesmo planejando isso como insinuação, não estava pensando em concretizar a ideia.

A loira respondeu à outra dizendo para ligar quando chegasse, que ela descia do apartamento.

– Como a gente vai fazer isso? – Nami perguntou com um ar ligeiramente confuso, torcendo o rosto de forma pensativa. Mariko estava encostada na parede do corredor ao lado do elevador, olhando enquanto a ruiva espiava do outro lado da rua e nas esquinas a cada minuto, para ver se Kori e Robin já estavam chegando.

– Não entendi.

– Como elas vão saber que estamos juntas?!

– Não estamos juntas – disse a loira num tom sarcástico.

Nami estreitou os olhos, descontente com a falta de cooperação da amiga. – Olha aqui, você tá comigo nessa. Então me ajuda, tá legal?!

Mariko bufou em desistência e afastou-se da parede, espiando também. As duas haviam chegado, e estavam olhando alguma coisa do outro lado da rua. – Bom, nós podemos ficar de mãos dadas. Ou eu fico te abraçando, sei lá. Se bem que, talvez, nem precise de nada. – Ela olhou por cima do ombro. Nami estava apoiada em suas costas, olhando para fora também. – Só estarmos juntas deve ser baque suficiente.

– Tá, olha elas vindo.

Nami puxou Mariko rapidamente para a área frontal do prédio. Kori e Robin atravessaram a rua; elas falavam e riam, divertindo-se com o que quer que fosse. Nami apertou o botão do elevador.

– Então, Mariko, é como eu te falei, foram cinco doses de—ah, oi. – Disse a ruiva casualmente quando as outras duas se aproximaram. Mariko ergueu a sobrancelha e olhou para elas também. A expressão de Robin não mudou muito ao vê-las juntas, mas Kori pareceu torcer um pouco o nariz. – Oi, Robin, há quanto tempo.

– Pois é, Nami-chan, como você está?

– Ótima. – Ela sorriu.

Mariko e Kori ficaram se olhando.

– Então. – Mariko agitou a cabeça com uma expressão cínica de surpresa. O elevador chegou e elas foram entrando para irem aos seus respectivos andares: 10 e 5. – Quanto tempo, né?

– Pois é, você tá diferente. Parece que perdeu uns quilos.

A loira teve que fechar os punhos, porque sentiu as mãos ficarem em garras. Só faltou mesmo agarrar o pescoço de Kori. Mas, era idiotice de sua parte; ela não estava sendo sarcástica, parecia totalmente sincera. Apenas não havia falado uma coisa adequada.

– Aham, eu ando malhando.

– De onde vocês se conhecem? – Perguntou Robin, olhando para ambas com uma expressão curiosa. Das duas, ela parecia realmente a menos afetada. Aliás, parecia que não havia feito mesmo nenhuma diferença real vê-las juntas.

– Da academia – explicou Nami. – Eu também tenho malhado.

Mariko apertou as sobrancelhas e olhou para o sorriso de Kori. Isso fez a careta desaparecer. Ela não estava completamente satisfeita, talvez ver Mariko com outra pessoa a afetasse da mesma forma que afetava o outro lado, entretanto, ela ainda parecia feliz ao lado de Robin.

E Mariko repentinamente percebia que, às vezes, a felicidade daqueles que amamos vai por cima da nossa própria.

Ela olhou para Nami, que parecia inquieta, ansiosa para que o elevador chegasse logo ao 5º andar. E tão logo isso aconteceu, a mulher soltou a respiração e fez um aceno para as duas, despedindo-se. Mariko sorriu para Kori, que mandou uma piscadela e saiu do elevador acompanhada da outra.

Quando a porta do elevador fechou, Nami deu uns pulinhos.

– Acho que isso não adiantou nada!

– Hum, pra mim adiantou. – Mariko cruzou os braços. A ruiva a encarou, aborrecida. – Eu não fiquei com raiva dela. Nem nada. Só fiquei irritada quando ela perguntou se eu tinha emagrecido, mas foi só rancor por eu ter engordado... Eu não me senti mal olhando pra ela.

Nami ficou confusa, e começou a andar para fora do elevador quando ele chegou ao 10º andar. Pegou a chave do apartamento e foi entrando. Mariko nunca havia estado lá antes. Ela e Nami só se viam na academia, ou em lugares públicos no fim de semana, às vezes, quando iam ao parque tomar café, ou decidiam correr no sábado.

Aquele prédio era bastante grande, e com vários apartamentos; logo, eram todos de pequeno porte. O de Nami era particularmente bem estreito. Na entrada, um corredor acumulava uma máquina de lavar e secar, pia com fogão e forno elétricos, duas pequenas bancadas de cozinha, uma com micro-ondas e outra com cafeteira e algumas outras coisas, e por fim, uma geladeira. Tudo enfileirado de forma a criar um ambiente novo no corredor de entrada.

A área mais ampla, que aparecia através de uma porta de correr branca, era o quarto, com uma cama de casal bem baixinha, uma televisão sobre uma estante, cômoda e um sofá de dois lugares no canto, acompanhado por um pufe bem confortável. Havia também uma mesa mais próxima da porta, com duas cadeiras, para as refeições, talvez. Mas, não estava sendo utilizada para isso, visto que havia vários papéis e lápis espalhados sobre ela.

Havia também duas portas no final do corredor anterior, uma ao lado da do quarto, e outra bem no final; a primeira dava para a área de banho, e a segunda, para o banheiro. Era bem minúsculo, Mariko espiou ao chegar.

Ficou olhando o ambiente. Nami era bastante organizada. A única coisa que parecia mesmo segurar algo fora do lugar era em cima da mesa no quarto. Nami havia mencionado anteriormente que era uma geóloga em ascensão, procurando um bom espaço no mercado. Mas, estava difícil.

– Ainda não tô feliz com isso. – Nami trancou a porta.

– Bom, eu realmente não senti nada. Acho que tudo isso foi inútil. – Mariko foi entrando no quarto e sentou-se no pufe laranja. Cruzou as pernas e ficou olhando enquanto Nami colocava água na cafeteira. A ruiva foi até a cama e jogou-se de costas no colchão, esticando o corpo todo.

Mariko ficou olhando as curvas do corpo de Nami, que se salientavam pelo short e a camiseta com estampa floral que ela usava. Os olhos estreitaram quando Nami levantou o tecido estampado e coçou a barriga, perto do umbigo.

– Mas eu tô infeliz. Parece que tem alguma coisa errada.

Os olhos verdes da loira giraram de um lado para o outro, mas inconscientemente voltaram para os cabelos ondulados de Nami, que se esparramavam pelo colchão.

– O que tá errado? Você já recuperou sua boa forma, se vingou da sua ex-namorada...

Nami virou o rosto e olhou Mariko, que havia cruzado os braços sobre o abdômen no pufe. Ajeitou os óculos no rosto e ficou esperando pela sua resposta, muito embora parecesse que a garota não tivesse nenhuma satisfatória.

– Eu não tava com expectativa nenhuma.

– Aham.

– Que droga – Miou a ruiva, rolando na cama para levantar-se e ir pegar o café. Ela serviu em duas canecas, adoçou e voltou para o quarto, entregando uma delas para Mariko. A loira mexeu um pouco o líquido e bebericou um gole. – Por que será, né?

– Não sei. – Disse a outra, mordendo de leve a língua queimada pelo café quente. – Talvez você tenha sentido a mesma coisa que eu.

– O quê? – Ela sentou-se no sofá, sentando em cima do pé.

– A Kori estava bem. Sabe? Ela parecia feliz daquele jeito. Eu não acho que ela tenha feito nada pra me prejudicar, eu que exagerei demais na dose de emotividade. – Mariko encostou o lábio na caneca, assoprando lá dentro.

Nami baixou os olhos e fez um bico, pensativa. Ela não sabia se havia faltado alguma coisa na hora de completar aquela missão, ou se simplesmente o resultado não fez assim tanta diferença para ela.

– Bom. – Nami mexeu os ombros e levantou. – Não sei mais o que fazer.

– Eu sei o que podemos fazer, por enquanto. – Mariko pegou o telefone celular e começou a digitar uma mensagem para Yumi, perguntando se ela ainda iria com Zoro até um bar com música ao vivo no centro da cidade. Nami ficou perguntando infinitas vezes do que a loira estava falando, mas Mariko só respondeu após receber uma resposta positiva. – A Yumi vai com o Zoro num bar no centro, quer ir? É bem barata a bebida lá, e a música é boa.

– Legal. – Nami se animou. – Vou escolher umas roupas, daí a gente passa na sua casa e depois vai pra lá.

Mariko sorriu, acatando as ordens de Nami e observando-a vasculhar a cômoda atrás de roupas que ela considerasse adequadas para a ocasião. Não que a loira achasse que muita coisa fosse exigida, já que Nami ficava bem com qualquer roupa que vestisse.

– Vamos descer aqui – Mariko puxou a ruiva antes que a porta do trem se fechasse. Nami não teve muitos problemas com o salto, porque estava acostumada com eles. Mariko estava com botas de montaria, porque havia optado pelo conforto, pensando em adiantamento que ficaria muito bêbada. E voltar para casa, de metrô, nessas condições, ainda com salto, era um pouco complicado.

Nami soltou da mão da loira e ajeitou o vestido verde-musgo tomara-que-caia. Estava bem apertadinho, e ela havia combinado com um sapato preto. Não carregava bolsa porque havia colocado tudo na de Mariko. Duas pulseiras douradas tilintavam no pulso esquerdo. – Onde é?

– É umas quatro quadras da estação. – Mariko empurrou a catraca e foi saindo. Ela estava com shorts jeans, uma regata preta soltinha e um colar comprido, além de algumas pulseiras. Ficou de óculos mesmo, estava com preguiça de colocar lentes de contato. – Tá doendo o sapato? Eu falei pra vir sem salto.

– Eu gosto de saltos. Não tá doendo, não. Minhas pernas são preparadas.

– Tô vendo. – Disse a loira num tom sarcástico. Não porque ela achava que era mentira, mas porque as pernas de Nami eram puro músculo. – Vem, vamos virar aqui. É na próxima esquina.

Elas avistaram Zoro e Yumi mais à frente; eles estavam na fila para entrar. Não estava tão grande, e não foi necessário arranjar confusão para furar, porque o casal estava por último, mesmo.

Os dois haviam conhecido Nami anteriormente, quando Mariko os apresentou. Então, dessa vez, não foi necessário nenhum tipo de formalidades.

– E aí, como foi? – Yumi perguntou, bastante curiosa. – Deu algum resultado essa loucura toda de vocês?

– Não exatamente – Mariko acendeu um cigarro, e assoprou a fumaça. – Elas não ligaram muito, eu acho.

– Você acha, Mariko? Não seja tão gentil. – Nami fez um gesto de desdém com a mão, e Mariko revirou os olhos. – Pareceu que a Robin estava falando com qualquer pessoa, não com alguém que ela jurou amar até o fim.

Yumi fez uma expressão de condolência, como se não esperasse um desfecho do gênero. Conhecendo a amiga como conhecia, Mariko sabia que ela estava sendo sarcástica, porém, sem deixar Nami constrangida demais. Além disso, Nami sequer estava olhando para ela, então não houve muitos problemas. Zoro estava distraído, cuidando da fila, e empurrou Yumi para frente quando a fila começou a andar.

Eles brigaram um pouquinho porque ela disse que ele era muito bruto, mas depois começaram a se beijar.

Mariko achou graça, e olhou para Nami em seguida. Ela estava tão bonita, mas tão bonita, que o cérebro da loira parecia não funcionar em sua capacidade de sempre. Seu rancor de Kori já havia passado e, realmente, ela ficava mais atraída por Nami a cada dia que passava, inevitavelmente, só de estar ao lado dela.

O problema, é que Nami parecia não ter superado a perda de Robin. Ou talvez estivesse se agarrando a isso apenas para não ficar sem objetivo nenhum.

Se bem que, isso poderia indicar que ela não estava mesmo interessada em Mariko.

 Depois de alguns minutos, os quatro entraram no bar. Não havia mesa, então eles ficaram no balcão. Eles pediram um balde de cerveja e ficaram por ali, bebendo goles longos e, eventualmente, dançando com uma música ou outra. Se bem que, Zoro mais parecia o segurança delas do que qualquer outra coisa, porque ele não se mexia muito. Mesmo assim, parecia bem confortável naquele ambiente.

As três iam cantando e dançando juntas, uma olhando para a outra e fazendo gestos como se fossem parte da banda; isso tudo porque as cervejas começavam a subir a cada música que tocava. Mariko estava bebendo sem parar, e não havia comido nada antes de sair, o que justificava ela já estar meio bêbada.

Nami ainda estava completamente sóbria, já que era praticamente um touro com álcool, como havia mencionado meses antes. Yumi estava bebendo pouco, mas já estava feliz, e havia se afastado das duas para ir lá agarrar Zoro antes que alguma oferecida viesse para cima do seu homem.

A música mudou e Nami se agitou, fazendo os cabelos ruivos sacudirem de um lado para o outro. – Eu amo essa música. Vem cá, dança comigo. – Ela abriu os braços na direção de Mariko. Os olhos verdes baixaram para o colo dos seios, totalmente nu. Não havia sequer um colar ali, mas não fazia falta nenhuma, porque as clavículas dela eram lindas.

Ops, quando esses pensamentos pipocam na cabeça de Mariko, ela sabe que as coisas estão mudando de figura.

Mariko forjou uma expressão de aborrecimento, como se concordasse a contra-gosto, e segurou os quadris de Nami com as mãos, para depois escorregá-las até cruzá-las nas costas da mulher, escondidas pelos cabelos longos. Nami a abraçou pelos ombros e deitou a cabeça no ombro dela, sentindo Mariko com o queixo no seu.

A loira fechou os olhos e esqueceu que a música estava tocando, porque todos seus sentidos foram apagados pelo cheiro cítrico de Nami. Era tão gostoso, e ela era tão boa de abraçar... Tsc. Mariko ajeitou os óculos e parou de pensar que Nami não estava interessada. Isso não tinha muita importância no momento. Estar ao lado dela parecia bom o suficiente.

Elas ficaram dançando devagar, ou melhor, mexendo os pés de um lado para o outro, acompanhando a música.

Nami não estava captando nenhum sinal, ou pensando em algo em particular, ela estava apenas aproveitando a companhia de Mariko. Ela era uma boa pessoa, apesar de todas as pequenas diferenças entre as duas. Nami gostava de ficar perto dela, o que favorecia muito a relação que elas criaram.

Quando a música acabou, Nami se afastou devagarzinho e Mariko fez o mesmo, ajeitando a bolsa no ombro.

– Eu vou no banheiro, me empresta a bolsa. – A ruiva disse, pegando-a da mão da outra. Afastou-se em seguida, abrindo caminho pela multidão. Mariko foi até onde estavam Yumi e Zoro, e pegou uma cerveja long neck do balde de gelo. Zoro estava enfiando a mão nos bolsos traseiros do short de cetim de Yumi, que reclamava vigorosamente, puxando os braços do rapaz. Mas, ele ignorava, e insistia.

Mariko ficou rindo dos dois, enquanto ia bebendo a cerveja. Seus sentidos estavam afetados novamente, mas era mesmo pelo álcool. Precisava comer alguma coisa. Devia ter algo no cardápio, mas ela ia esperar Nami, para que pudessem escolher algo.

Embora ela soubesse que, no final das contas, quem ia pagar era ela mesma, porque Nami era totalmente sovina.

Mariko esperou mais um tempo, mas Nami não voltava. Ela se esticou um pouco para olhar mais adiante, porém, não encontrava a ruiva em lugar nenhum. Pensou em pedir ajuda para Yumi, mas ela estava ocupada demais com Zoro. Sendo assim, a loira foi sozinha mesmo.

Ela caminhou um pouco no meio das pessoas, mas Nami parecia ter desaparecido do mapa. O bar era relativamente pequeno para o número de frequentadores, mas não era nada fora do normal para um local conhecido como aquele. Mariko foi usando o cotovelo para afastar alguns, e pedindo educadamente para outros, sem fazer uso de qualquer julgamento, foi tudo aleatório.

Não muito longe dali, Mariko viu Nami parada perto das caixas de som do palco, e havia um homem loiro com ela. Ele a estava cercando, e Mariko preferiu ficar parada olhando um pouco antes de se aproximar—muito embora seu coração tivesse disparado loucamente com aquilo, como se ele a estivesse ofendendo diretamente rondando Nami daquela forma.

Nami fez uma careta e um sinal para que ele saísse de sua frente, mas ele não a deixou passar. Bem, isso parecia motivo suficiente para Mariko intervir. Ela andou até eles e puxou o homem pelo ombro, fazendo-o virar em sua direção.

– O que você pensa que tá fazendo? – Mariko gritou, por causa do barulho da música.

– E quem é você?! – Ele fez uma expressão de confusão. A iluminação ali era melhor, por causa do palco, e Mariko conseguia ver os olhos ligeiramente avermelhados dele. Devia estar bêbado. – Eu só tô tentando arranjar uma mulher pra mim.

– Pois escolheu a mulher errada. Sai fora!

Mariko tinha a péssima mania de achar que conseguia lidar com um homem sozinha, independente do tamanho. Aquele não era exatamente grande, mas certamente era mais forte que ela.

– Mariko, deixa quieto.

– Por que, deixa quieto? Você vai me dar um fora?

– Eu já dei, você que não notou! – Nami fez uma expressão de obviedade para o rapaz, que não engoliu a ideia muito bem.

– Escutou, né? Então sai de perto dela!

– Qual é? – Ele riu com um tom de desdém. – Você é sapatão? Com esse corpo aí? – Ele olhou para Nami, num tom que indicava que para ser lésbica, ela não podia ser bonita daquele jeito. Mariko enfureceu, o álcool subiu à cabeça e ela resolveu dar um empurrão no sujeito.

Nami gritou para que ela não fizesse idiotices, mas Mariko ignorou. Só que o rapaz novamente não engoliu a ideia muito bem, e dessa vez, ele ficou mais irritado. Avançou na direção de Mariko e a pegou pelos ombros, sacudindo e empurrando para o outro lado. A loira tentou se livrar, batendo no peito dele com as mãos. A cerveja caiu, e ela quase perdeu o equilíbrio por estar andando de marcha ré, sem saber aonde ia.

Mas, tudo se interrompeu quando ela viu um punho passar por cima de sua cabeça e acertar o rapaz, praticamente enterrando o nariz na cara.

Mariko sentiu as costas chocarem-se em Zoro e virou-se para olhá-lo, com Yumi ao seu encalço.

– Vocês sumiram e eu estranhei – disse ela, segurando Mariko com força. – O que você tá fazendo, arrumando briga com um cara?!

Nami se aproximou quando teve a oportunidade e puxou Mariko em sua direção, sacudindo-a como se fosse um saco de pancadas. – Sua louca, como você faz isso?! Se mete em confusão desse jeito, eu sei me cuidar, já sou grandinha!

Zoro passou por elas e foi dar um jeito de fazer o indivíduo ficar bem longe delas, ou ia levar outro murro. Yumi foi atrás dele, gritando palavrões, embora Zoro a mandasse calar a boca.

– Interrompi alguma coisa? – Ironizou Mariko, erguendo a sobrancelha.

Nami a olhou com descrença. – Pode parar aí. Você tá com ciúme?

A loira revirou os olhos e afastou as mãos de Nami, pensando seriamente em arrancar a bolsa da mão dela e ir embora. Mas, as coisas dela estavam lá dentro. Não dava para simplesmente largá-la sozinha. A ruiva insistiu na pergunta, esperando uma resposta esclarecedora, mas Mariko ficou em silêncio, porque não sabia o que dizer.

Zoro e Yumi se aproximaram. – Tá tudo bem, Mariko? Eu conheço o dono do bar, o Sanji, sabe? Ele tirou o cara daqui. – Zoro foi dizendo, com os braços cruzados. Mariko assentiu com a cabeça. Ela realmente não sabia o que falar, porque não havia justificativa plausível para ter ido defender Nami do fulano como se ela fosse uma donzela em apuros. Nami era uma mulher adulta e bem persuasiva, se nada desse certo, ela provavelmente teria dado uma joelhada no saco do cara.

De qualquer forma, estava feito. Agora ela tinha que arcar com as consequências óbvias de seu ataque. Estava com ciúme, ponto. O jeito era aceitar.

– Acho que eu não tô muito legal. – Mariko agitou a cabeça. Yumi estreitou os olhos na direção dela, mostrando sua irritação. – Vou no banheiro, depois vou embora. Obrigada pela ajuda, Zoro. – Ela fez um carinho no braço do amigo e saiu de perto deles. Nami ficou injuriada, exclamou ao casal que ia atrás daquela maluca e foi, seguindo-a até o banheiro.

Mariko entrou e furou a fila, trancando-se num box e ignorando as reclamações das outras mulheres. Nami pediu gentilmente para que todas se calassem porque sua amiga estava passando mal, e ninguém mais falou nada. Talvez por solidariedade, ou talvez porque Nami era mesmo meio assustadora.

Ela bateu na porta do box e chamou pelo nome da loira várias vezes. Mariko havia apenas baixado a tampa do vaso sanitário e estava sentada ali, esperando a loucura passar. Como se fosse mesmo algo do gênero.

– Deixa eu entrar, Mariko. – Nami começou a esmurrar a porta, e a outra se viu obrigada a abrir. Destrancou e esperou a ruiva entrar, para em seguida trancar novamente. Nami encostou-se na porta e ficou olhando para ela, aguardando alguma reação.

Mariko ficou olhando para as coxas de Nami, depois ergueu os olhos, encarando-a. Ela parecia chateada, mas isso não era novidade.

– Desculpe, eu acho que fiquei meio louca.

– O que foi que deu em você, hein? Desde mais cedo você tá desse jeito aí. Me olhando com essa cara.

– Não sei, como eu disse, posso estar ficando louca. Talvez ter perdido a Kori pra sua ex-namorada me faça ficar atraída por você por causa da vingança.

Nami apertou os olhos. – Como assim? Eu só te atraio porque você quer se vingar? Achei que isso já tinha passado.

– Já passou, idiota. Só tô procurando uma justificativa.

– A justificativa é que você gosta de mim. Qual outra poderia ser?!

Mariko revirou os olhos com a arrogância de Nami. Mas, isso também não era novidade. Ao longo dos meses que as duas se aproximaram, Mariko percebeu que o fato de Nami ficar tão indignada por ser trocada era que ela confiava tanto em si mesma, que não aceitava o fato de Robin poder, por ventura, achar Kori mais bonita do que ela.

– Bom, mesmo que eu goste, não faz diferença. Você ainda é louca pela Robin, lá.

Nami pôs as mãos nos quadris e ficou olhando para Mariko, como se ela fosse uma imbecil. A loira não gostou muito daquela expressão, mas talvez ela tivesse um significado diferente.

– A Robin foi a primeira pessoa que eu gostei. Eu posso ainda gostar dela, quem sabe ela até goste um pouco de mim, ainda. Mas está mais do que óbvio que eu não tenho mais esperanças com ela.

– Tá, e daí por isso você vai pular no meu colo?

Nami deu um risinho sarcástico. – Se você me pagar uma cerveja.

Mariko tombou a cabeça, olhando sem acreditar. Nami deu uma gargalhada e andou um pouquinho para o lado, sentando de lado no colo de Mariko. Torceu um pouco o corpo e olhou para ela de frente, deixando a loira constrangida com aqueles seios, ainda maiores que os seus, projetando-se embaixo de seu queixo.

– Eu gosto de você, Mariko. Toda vez que eu estava com você, apesar do assunto às vezes chegar na Robin e na Kori, eu estava me divertindo.

Nami ficou olhando para Mariko, pensando que, no fundo, talvez tenha levado essa história adiante porque era algo que as unia. Quem sabe o final desse assunto as afastasse novamente, ou algo do gênero. E ela estava bem daquela forma.

– Bom. Eu não vou dar às duas o crédito por ter me feito te conhecer. A culpa de tudo foi do Usopp, por ter errado a entrega do pedido.

Nami deu risada e Mariko sorriu, colocando uma das mãos sobre o colo da ruiva. Nami segurou-a e ficou olhando para o anel que ela tinha no polegar.

– Vamos indo, os dois devem estar preocupados. – Nami levantou e puxou Mariko pelas mãos. Destrancou o box e saiu, vendo que uma das mulheres na fila adiantou-se. Ela parecia bem apurada, então Nami deixou que ela passasse logo. Foi trazendo Mariko consigo pela mão, até que saíssem do banheiro.

Foram abrindo passagem até que chegassem onde os quatro estavam reunidos anteriormente. Zoro e Yumi estavam lá, virando de uma vez as duas últimas cervejas do balde.  Mariko falou para Nami que eles sempre faziam isso, disputando quem engolia mais rápido, mas Zoro sempre ganhava. Porém, Yumi não se dava por vencida, e insistia sempre.

Depois de eles terminarem e baterem as cervejas no balcão, Zoro viu as duas logo atrás, e chamou a atenção de Yumi.

– Ah, oi. Tá tudo bem? Tá se sentindo melhor, Riiko?

– Sim. – Mariko fez um sinal com as mãos. – Não foi nada. Acho que preciso comer alguma coisa.

– Eu também tô com fome, vamos ali ver o cardápio. – Nami foi andando e Mariko revirou os olhos. Foi obrigada a ir atrás; vai que algum outro marmanjo maluco resolve atacá-la. Ninguém mandou ir com aquele vestido curto. Não que estivesse reclamando.

Nami escorou-se no balcão e Mariko parou atrás dela, olhando a silhueta da ruiva e os cabelos alcançando o quadril. Pensou um pouco, mas acabou dando-se por vencida. Era meio difícil lutar contra instintos. Passou os braços pela cintura de Nami e abraçou por trás, apoiando o queixo no ombro dela.

Nami a olhou rapidamente e voltou a atenção para o cardápio. – Tem batatinha frita, uns bolinhos de polvo, essas coisas básicas. O que você quer?

A loira virou o rosto e escondeu o nariz por entre os fios de cabelo ondulado. – Escolhe o que quiser. Eu pago. Tô boazinha. – Ela beijou a nuca de Nami.

– Ah, Mariko, para. Assim eu me derreto. – Ela mexeu um pouco os ombros com o arrepio e deu risada.

Mariko foi obrigada a ficar na dúvida: quer dizer, Nami se derretia com o beijinho na nuca, ou com a comida gratuita?

Bem. Isso talvez fosse uma dúvida eterna.





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