Prometidos escrita por Carolina Muniz


Capítulo 25
Capítulo XXIV


Notas iniciais do capítulo

Heeeeeey, vou responder aos comentários, prometo ♥



Este capítulo também está disponível no +Fiction: plusfiction.com/book/760985/chapter/25

|24|

Ana estava sentada na ponta da cama de seu quarto, seu nariz vermelho de tanto que ela fungou, os olhos ainda com lágrimas caindo. Ela não se importava com seu pulso marcado, ou com o chupão em seu pescoço. Ela não se importava com o possível trauma que havia ganhado naquela tarde. Apenas uma coisa estava em sua mente: outro homem havia a tocado.

A morena sentiu a presença mais do que ouviu os passos no corredor. E a porta do quarto foi aberta com violência. A expressão de Christian era pura raiva, os olhos ao menos demonstravam o cinzento, tomados pela ira.

Ana sentiu medo dele, pela primeira vez.

Aquele ali era o único homem que ela não poderia rebater, revidar ou gritar.

Era o único homem que decidia tudo sobre ela.

E ela não sabia o que esperar daquela vez.

A morena se levantou, as mãos tremendo, mais lágrimas caindo.

Sentia sua vida aos poucos ser levada de si. Era trágico, um sentimento sufocante.

Christian a olhou de cima a baixo.

— Eu juro, eu juro que não fiz nada - começou ela quase em desespero. - Foi ele, ele quem começou. Eu não fiz nada, não queria que ele fizesse aquilo.

Ela falava atropelando as palavras com a rapidez que as reproduzia, batendo o pé no chão com um mania irritante de quando estava nervosa. Ela falava apenas, nem mesmo percebia tudo ao redor, só precisava que Christian acreditasse nela, apenas isso.

Por que se ele não acreditasse, ela estaria perdida. Tudo estaria.

Ela ao menos percebeu a cortina do quarto se mexendo furiosa com o vento que batia lá fora junto da neve que caía de repente, não percebeu o barulho alto lá embaixo com as buzinas e o trânsito, e muito menos percebeu o suspiro de alívio que Christian deu após olhá-la minuciosamente.

— ...e ele veio para cima de mim quando tentei me afastar - ela continuou, o tom parecia cada vez mais desesperado, e Christian teve medo que a garota tivesse um ataque cardíaco bem ali.

Ana só parou de falar - mais por choque que qualquer outra coisa - quando Christian a abraçou, apertando-a contra si de forma sufocante e protetora.

— Eu fiquei com tanto medo de ele ter te machucado - ele sussurrou contra seu cabelo. - Eu nunca me perdoaria se alguma coisa acontecesse com você.

A garota fechou os olhos com força, timidamente levantando os braços e passando pela cintura do outro, tendo a cabeça apoiada contra seu peito, sentido seu coração batendo forte e acelerado.

— Está tudo bem - garantiu ele.

Christian segurou seu rosto com as duas mãos, olhando-a nos olhos.

— Eu prometo que nada nem ninguém nunca mais vai te machucar - prometeu.

Foi alívio, foi proteção e acima de tudo, foi amor. A sensação extremamente boa de ser amada.

E ela sorriu para ele.

Mesmo com o rosto vermelho, inchado e molhado, foi a coisa mais linda que ele já viu na vida.

Ele beijou o rosto dela, cada bochecha, a ponta do nariz, a testa, o queixo e por um fim selou seus lábios delicadamente, apenas para sentir a maciez, e voltou a abraçá-la, apoiando o queixo no topo de sua cabeça, não tendo a mínima coragem de soltá-la.

Com certeza foi ali, naquele exato segundo, momento, instante, que Ana começou a ter sentimentos certos e com nomes por Christian. Tudo antes era tão confuso, sempre. Ela nunca sabia. Mas naquele abraço ela soube, com aquelas palavras sendo sussurradas para si, ela sentiu a proteção, sentiu o carinho, a gentileza. Sentiu que nada de ruim aconteceria se dependesse de Christian.

Não importava as tradições, os costumes, não importava Elena, Jack Hyde, as brigas, a falta de conhecimento um sobre o outro. Não importava nada. Nada antes era certo. Nem podia ser, não é mesmo?

Se amar fosse um momento, aquele dali foi onde ela amou Christian.

Duas horas mais tarde, Ana finalmente havia dormido, e Sawyer ainda estava nervoso mesmo depois de a garota estar em segurança em seu quarto e o Sr. Grey já estar com ela. Ele sentia que havia falhado em algum ponto. Houve um momento naquela tarde, em que estivera distraído e só se dera conta que Ana não havia saído junto com os outros quando já era tarde demais.

Ele falhou com certeza.

Havia entrado na universidade em disparada. A menina nunca se atrasava e se precisasse ficar mais, mandaria mensagem, ou ligaria avisando.

Ela era assim, sempre dando notícias, sempre dizendo o que estava acontecendo. Durante as aulas, a morena se preocupava em lhe mandar mensagem dizendo que estava almoçando no campus, ou que estava atrás do prédio, sempre lhe dizendo o lugar exato em que estava. Ele não sabia se era por medo de se perder e ninguém encontrá-la, ou por a menina apenas ser preocupada em dizer. De qualquer forma, aquilo ajudava e muito. Então, quando o relógio marcou 15h32min e Ana não havia ao menos saído do prédio e sem mandar nenhuma notícia, Sawyer soube que tinha algo errado. O segurança foi ao primeiro lugar que pensou: a sala de aula em que ela estava.

Graças ao céus - e ao karatê— não havia acontecido o pior.

Mas ele viu as marcas, viu como a garota tinha hematomas nos pulsos e no pescoço, viu os olhos cheios de medo e pavor, cheios de angústia e desespero.

Ele tinha uma lista já gravada em sua mente com os nomes e rostos das pessoas que ficaram próximas a Ana, o que incluía seus professores também.

E aquele deitado no chão da sala de aula, gemendo de dor, era Jack Hyde, o professor de Literatura Moderna, a qual estava com Ana às segundas e quintas durante dias aulas.

Sawyer não conseguiu se conter, após tirar a garota da sala, deu um chute tão forte em Hyde que pôde ouvir o barulho de pelo menos duas costelas se quebrando. Ele queria fazer, muito mais, porém não o fez. Apenas informou à Taylor e recebeu instruções para não deixar o professor sair do lugar e chamar o diretor.

Não foi fácil sair do prédio e deixar Hyde nas mãos do diretor e mais um segurança, ele queria ficar ali, garantir que o outro não sairia impune, queria esperar Taylor e o Sr. Grey, mas Ana era mais importante que qualquer preço que Hyde tinha que pagar.

O segurança estava em seus aposentos, um dos quartos da ala dos empregados. Era uma coisa sofisticada demais apenas para os empregados, ele sempre achou. Foi uma surpresa quando o mesmo viu o Sr. Grey na porta - que deixou aberta no desespero de quando entrou - do quarto.

— Sr. Grey - saudou.

O segurança engoliu em seco. Sabia que ia ser demitido. E quando o fosse não questionaria. Claro que não.

— Sawyer. Posso? - perguntou o outro, se referindo ao quarto.

— Claro, Sr. Grey, é claro - respondeu de imediato.

Christian entrou no recinto e fechou a porta atrás de si.

— Foi um dia bem agitado hoje - comentou Christian, colocando as mãos no bolso.

Sawyer concordou com um aceno de cabeça.

Naquela quinta, Christian tinha uma reunião importante com os acionistas de uma empresa em Dubai. Ele estava na sala com os estrangeiros quando Taylor entrou sem pedir licença e o encarou. Ele sabia que algo estava errado, algo grave havia acontecido. E com a urgência que os olhos do segurança transmitia, Ana era o assunto. Christian não sabia que se preocupava tanto com a garota até sair da sala de reunião, sem ao menos se explicar ou tentar remarcar, deixando os estrangeiros lá, consequentemente perdendo um negócio que o daria no mínimo duzentos milhões de dólares só no primeiro mês.

Ele seguiu pelo corredor já questionando Taylor, caminhando em direção ao elevador enquanto o segurança lhe dizia tudo o que Sawyer lhe contou. Taylor lhe disse que Sawyer mesmo não tinha certeza do que aconteceu, mas que Ana estava bastante nervosa, que o professor Jack Hyde havia levado um nocaute da garota e que ela tinha marcas pelo corpo. Não era difícil deduzir a cena, o difícil era aceitar que ela havia de fato acontecido.

Christian saiu com Taylor da empresa sem dizer nada aos funcionários, e nem mesmo Taylor teve cabeça de avisar a secretária do patrão que o mesmo estava de saída, que não tinha hora para voltar.

Taylor dirigiu rápido e de relance era possível ver a expressão carrancuda e irritada, a raiva brilhando em seus olhos como nos de Christian.

— Ele levou ela para casa? - Grey perguntou.

— Eu instruí que a levasse e que fizesse o diretor segurar Hyde na universidade, para que o senhor decidisse o que iria fazer.

Christian já segurava o celular qual já foi discado o número que precisava.

— Sr. Grey, é um prazer receber sua ligação - o homem do outro la linha disse assim que atendeu.

Christian revirou os olhos, segurança o celular com um pouco mais de força.

— Barney, quero que faça uma coisa para mim - o tom sério e confiante foi presente, o que fez Barney se ajeitar em sua cadeira e ouvir com total atenção.

— O que deseja, senhor?

— Quero que acabe com o currículo de um professor da Universidade Columbia de Nova York, o nome dele é Jack Hyde. Eu não quero que ele consiga emprego nem mesmo em creche.

— Sim, senhor. Eu já tenho os dados. Tem certeza, senhor? Ele é formado em Stanford...

— Só faz o que eu mandei, Barney, 'to me fodendo para onde ele estudou.

Grey escutou Barney engolindo em seco antes de confirmar que faria.

— Ótimo. Manda mensagem quando terminar - falou e encerrou a ligação sem esperar reposta.

Menos de um minuto depois, Taylor estacionou o carro em frente a Universidade Columbia. Os dois saíram do carro e seguiram direto para o prédio. O diretor lhes esperava na porta principal, o olhar detonando o desespero com tudo o que aconteceu logo com Anastacia Grey.

Era claro que se fosse com qualquer outra aluna, não seria algo tão grande assim, se fosse uma bolsista então. Era difícil acompanhar aquela linha da elite, mas era óbvio até para uma criança que Christian Grey estava no topo.

— Só diz onde é que ele está - Grey vociferou antes mesmo que o Diretor Filth pudesse pronunciar as palavras "eu sinto muito".

— É claro, sr. Grey - o outro concordou. - Eu devo dizer que algo assim nunca antes aconteceu em minha universidade, eu não sei bem o que aconteceu ao todo, mas eu posso garantir que não vai se repetir - falou enquanto guiava Christian e Taylor pelo corredor.

— Com certeza não vai se repetir.

— Não, não vai.

— Até porque Jack Hyde não estará mais aqui.

Taylor e Christian assistiram enquanto o Diretor Filth parou seus passos e os encarou.

— Não vai? - questionou.

— Por favor, vamos logo - Christian disse impaciente. - Não, ele será demitido - informou quando o outro voltou a andar. - Você não esperava que Jack Hyde continuasse aqui depois do que fez, não é? Fique feliz por eu apenas demiti-lo, e não fechar a universidade.

Sim, era Christian quem estava demitindo Hyde, demitindo de todos os possíveis empregos do mundo, pois com o currículo que Barney transformaria o de Hyde, não havia lugar no país em que o outro seria aceito, e aquilo faria o Diretor Filth nem ao menos querer esperar aviso prévio. Sem contar na nota sobre assediar uma aluna que Hyde teria em seu histórico dali para frente.

Que aluno iria querer ser ensinado por um homem como aquele?

No final, não importa sua inteligência em si, nem seus contatos ou as coisas que você fazia bem, o seu caráter era tudo o que você tem, e quando ele é quebrado, toda a sua vida é manchada.

Hyde mexeu com a garota errada, não que tivesse uma certa que ele pudesse fazer aquilo. Mas com Ana, tudo apenas piorou em sua vida.

Ele devia ter sido mais inteligente, claro.

Filth parou a frente de uma das postas de sala de aula e a abriu.

Christian sentiu o sangue ferver ao ver um homem sentado na cadeira principal da sala, as mãos na costela, a testa apoiada na mesa, claramente com dor.

O outro levantou a cabeça e mirou os dois homens que não conhecia entrando na sala de aula.

Com certeza era aquele o veredito que estavam todos esperando.

— Você deve ser o Grey - Hyde falou, o deboche em seu tom fazia até mesmo Taylor querer tomar a frente de tudo.

Christian levantou uma das sobrancelhas.

Hyde obviamente sabia que estava com os dias contados dentro daquela universidade depois do que fez com Ana - com certeza não sabia que os dias eram contados para qualquer outra - e que não adiantava negar. Não quando tinha câmeras na sala, não quando Ana tinha provas em seu corpo e ainda tinha o diretor do lado dela.

— Ela falou de você - Hyde comentou, referindo-se a Ana.

Christian pressionou os lábios um no outro e se aproximou do homem.

O diretor Filth se agitou, ele não queria uma briga ali, imagine se outras pessoas vissem, o que diriam sobre sua universidade. Já haveriam um escândalo, que ele faria de tudo para abafar claro, mas que ele sabia que algo vazaria. Uma briga só seria mais lenha na fogueira.

— Eu vou dizer só uma vez, e é melhor você prestar atenção e acatar a tudo: não quero você pensando na Anastacia, não quero dizendo o nome dela, não quero você nem mesmo se referindo a ela. Se algum dia vê-la, você vai dar meia volta e ficar a milhões de metros longe dela. Se eu souber - ele se aproximou mais, bem perto do outro, quase tocando-o - que você fez algo ao contrário do que estou dizendo, faço você se arrepender de ter nascido. Acredite, o chute que ela te deu vai fazer você sentir falta quando eu te pegar - ele pegou seu rosto com uma das mãos e o segurou com violência, fazendo o segurança da escola dar um passo frente, consequentemente fazendo Taylor se aproximar também, olhando carrancudo para o outro segurança. - E eu te mato desse vez - prometeu o outro.

Aquela não era uma frase que você diria na frente de tantas testemunhas, mas o que Christian teria a temer?

Ele sentiu o medo do outro, viu os olhos dele transpassarem, e ficou satisfeito com aquilo. Soltou-o e voltou-se para o diretor.

— É melhor ele não estar mais aqui quando Ana vir na segunda - declarou e logo saiu da sala sendo seguido por Taylor, que não perdeu a chance de encarar o professor com sangue nos olhos, num aviso de que ele também estava prometendo tudo o que Christian prometeu.

|||


Não quer ver anúncios?

Com uma contribuição de R$29,90 você deixa de ver anúncios no Nyah e em seu sucessor, o +Fiction, durante 1 ano!

Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!


Notas finais do capítulo

Esse casal me destroi, desmaiada estou, adios



Hey! Que tal deixar um comentário na história?
Por não receberem novos comentários em suas histórias, muitos autores desanimam e param de postar. Não deixe a história "Prometidos" morrer!
Para comentar e incentivar o autor, cadastre-se ou entre em sua conta.