Destinada - Hiatos escrita por Mandy Blanche


Capítulo 8
Capítulo 8


Notas iniciais do capítulo

Curtam o capítulo!Nos vemos lá embaixo...




 Durante o caminho eu podia ver todos olhando para minha Marca. Alguns disfarçavam e outros encaravam sem o menor pudor, eu deveria estar vermelha como um tomate.

- Relaxe, Bella. – falou Gabi, notando meu desconforto.

- É, não ligue para isso. Daqui a pouco eles se acostumam. – completou, Anna.

- Tudo bem, meninas. – falei respirando fundo.

Elas pararam em frente a uma porta de madeira que parecia ser resistente.

- Nós chegamos um pouco adiantadas, mas entre e procure um lugar para se sentar. – aconselhou Gabi.

- Tudo bem. – concordei. – Tchau meninas, obrigada por me trazerem.

- Tchau Bella. Não tem de que. – falou Anna alegremente.

- É Bells. Se cuide e boa aula. – desejou Gabi.

Logo vi as duas seguindo em direção a uma sala próxima a minha. Entrei na sala onde eu teria a primeira aula de minha nova vida e observei tudo.

A sala era ampla e bem aquecida. Eu ver a lua por uma das muitas janelas. Eram quatro fileiras de cadeiras duplas, sendo que no meio das quatro havia um longo corredor que vinha da porta de entrada até a longa mesa imponente e lustrosa de mogno. Nas paredes havia prateleiras e armários onde eu via alguns alunos pegarem seus livros.

- Bella – alguém chamou minha atenção.

Procurei quem havia me chamado e vi Ashley sentada em uma carteira sozinha. Eu a vi acenar indicando para mim sentar com ela e segui em direção a careteira.

- Bom dia, Ashley. – disse me acomodando.

- Bom dia, Bella! – falou sorrindo animada.

- Obrigada por me deixar sentar com você. – a agradeci.

- Por nada. Uma garota sentava comigo até alguns dias atrás, mas agora ela está sentando com o namorado. – falou.

- Ainda bem! Não tenho a mínima idéia de onde iria sentar se ela não tivesse mudado de lugar. – falei aliviada para ela que só riu.

- Eu que fico feliz por ter uma companhia. – disse alegre.

O brilho azul e violeta como uma aura estava completamente envolta dela e ao contrario do que o de Neferet me causou, o de Ashley me deixava calma e me trazia sentimentos alegres e acolhedores e eu soube automaticamente que poderia confiar nela.

- O que está achando de tudo até agora? – perguntou ela.

- Diferente. Mas estou agradecida por não termos matemática, química e física. – falei sorrindo enquanto Ashley ria.

Ela encostou em mim levemente e eu pude ver uma junção a mais no brilho em volta a dela. Índigo. Senti ela ficar levemente tensa com o contado e dois segundos depois abrir um lindo sorriso fraternal para mim e sorrir como se estivesse me esperando a tempos.

- Vamos ser grandes amigas Bella. – declarou ela. O azul logo sobrepujou o índigo e o violeta, brilhava incandescente e acolhedor. Leal.   

Então eu perdi o fôlego. Era estranho e muito bom. Eu sentia uma lealdade, confiança, alivio e segurança. E o mais alarmante era que eu não sentia realmente isso.

Aqueles sentimentos não eram meus.

Forcei-me a não demonstrar nada e tentar esquecer o que acontecia. Já me bastava aquela lua brilhante e chamativa na minha testa e o meus olhos que resolveram brincar de camaleão, não precisava de mais nada que me diferenciasse dos outros.

- É o que eu espero. – falei sorrindo.

Ashley olhou para um ponto atrás de mim e se enrijeceu automaticamente. O azul e o violeta continuavam lá, mas rapidamente eu vi outras cores surgindo. Neferet entrava pela sala naquele momento e eu via os olhos de Ashley a seguindo desconfiados e com uma ponta de medo enquanto o cinza escuro e o vermelho frágil estavam gritantes.

E eu senti de novo.

Era uma desconfiança e um medo que ela tentava disfarçar, mas que por mais que ela não demonstra-se eu os sentia.

Então eu não era a única a não confiar em Neferet. Era estranho eu não conseguir confiar plenamente nela, principalmente sendo ela minha mentora, mas eu não conseguia expulsar esse sentimento estranho que fazia eu me sentir enganada.

Mas por que Ashley não confiava nela? Mais curioso e preocupante ainda... Por que ela tinha medo de Neferet?

- Esta tudo bem, Ashley? – perguntei tentando ver se eu descobria o que acontecia.

- Está – respondeu ela tirando seus olhos de Neferet e se acomodando direito na carteira.

Foquei meus olhos em Neferet. Suas roupas eram uma mistura de sensualidade e elegância e sua beleza não devia em nada para ninguém. Seus olhos verdes estavam bem delineados com a maquiagem escura. Mas não foi isso que me chamou a atenção nela.

Em volta dela um vermelho vibrante me transmitia sua energia feroz e um vermelho um pouco mais claro me mostrava sua confiança em si mesma, o violeta brilhava forte assim como o prata que envolvia completamente a área de seu cérebro. Enquanto eu estava concentrada eu podia sentir sua energia confiança.

Não havia nada para eu desconfiar. Então por que aquele sentimento corrosivo de desconfiança não me abandonava?

Continuei olhando e tive minha resposta.

Por trás dos tons de vermelho, prata e violeta eu podia sentir as pequenas garrinhas de verde lodo, mas não podia sentir nada vindo dele. Só uma sensação ruim.

Era como se ela escondesse suas reais emoções por traz de outras. Eu estremeci.

- Bom dia! – disse ela sorrindo calorosamente para todos os alunos, inclusive eu e Ashley que olhava pra ela inexpressiva. – Antes de começarmos a aula, eu acho que vocês já notaram que temos uma aluna nova.

Um sim foi dito por todos os alunos da sala que logo direcionaram seus olhos para mim curiosos. Ou talvez você queira dizer para minha marca.

- Essa é Isabella Marie Swan e vai ter aulas conosco pelo menos durante todo o primeiro semestre. Espero que todos vocês em alguma hora dêem as boas vindas a ela e a acolham muito bem. – falou com um sorriso suave.

Todos assentiram enquanto pegavam seus livros nos armário.

- Bella. – chamou Neferet de sua mesa.

Eu segui até lá um pouco nervosa pelo o que eu havia visto, mas procurei esconder isso o máximo possível.

Ela pegou um chaveiro e colocou em minhas mãos que estremeceram automaticamente por seu toque gelado. Infelizmente ela percebeu isto.

- Está tudo bem, Bella? – perguntou parecendo estar me analisando.

- Sim, eu só estou um pouco nervosa. – menti, mas ela pareceu acreditar.

Neferet apertou minha mão com mais firmeza e disse.

- Isso é natural, é tudo muito novo, afinal. Mas se você tiver qualquer problema me fale, sou sua mentora e estou aqui para te ajudar nessa transição. – falou maternal, o que me acalmou e me deu uma sensação de segurança.

- Obrigada, Neferet. – agradeci sinceramente e ela deu um sorriso doce para mim.

- De nada, Bella. – falou ela. – Eu te chamei aqui para te entregar o numero do seu armário, que como você pode ver, são muitos.

E eram mesmo, tinha mais de cem naquela parede. Eu li as inscrições que estavam na plaquinha do chaveiro que ela me entregou.

Isabella Marie Swan - 3ª

Numero (Único): 13.44

- O que quer dizer “Numero (Único)”? – perguntei.

- Quer dizer que é seu numero de armário para todas as salas. – respondeu.

- Ah, sim.  O que eu pego? – perguntei.

- Lá dentro do armário tem os livros referentes a essa aula, cadernos novos que sua mãe comprou e seu estojo. Mandei colocar um caderno em cada armário das salas de aula necessárias. Pegue só seu estojo, com o resto Ashley vai te ajudar. – disse indicando Ashley que parecia estar me esperando.

- Obrigada. – agradeci e fui em direção aos armários.

- Qual é o numero? – perguntou sorrindo logo quando me aproximei.

- 13.44. – falei

Nós logo o achamos próximo ao dela, com as mesmas inscrições da plaquinha gravadas nele. Ashley me falou para pegar um caderno, meu estojo e o livro, Sociologia Vampírica 101.

- Sem trancas? – perguntei olhando abismada como os alunos somente fechavam os armários sem trancar.

- Ninguém rouba por aqui , não tem como esconder essas coisas dos vamps. – me explicou Ashley simplesmente.

- Isso é... diferente. – falei.

- Oh, eu sei. Também fiquei surpresa quando cheguei aqui. – confessou.

Voltamos para nossa carteira e esperamos a aula de Neferet começar. Neferet estava de pé apoiada em sua mesa de mogno aguardando todos os alunos se ajeitarem. Logo que eles tinham feito isso, ela falou com a voz alta e clara.

- Bem turma, hoje iremos passar para nossa próxima matéria. Vamos começar estudando sobre as Amazonas. Alguém pode me dizer algum costume ou tradição passada para nós que veio das Amazonas? – perguntou.

Uma garota a duas carteiras atrás de nós respondeu.

- Temos a nossa saudação, que é a mão sobre o peito e o próprio jeito que nossa sociedade é hoje: matriarca.

- Muito bem, Lucy. – parabenizou, Neferet. – Ao contrário do que muitos pensam, Amazonas não tem desprezo pelos homens, elas respeitavam os guerreiros e suas idéias, mas elas tinham visões opostas das deles. Enquanto guerreiros resolviam a maioria de seus problemas na força bruta, as Amazonas eram mais racionais e tinham menos impulsos violentos.

A aula passou sem eu ver. Neferet continuou explicando sobre as Amazonas pelo resto da aula e andou nos lermos o restante do capítulo. Pelo que eu havia visto até agora, estudar a matéria seria como ler um livro para se entreter pois os assuntos eram interessantes, e para mim mais pareciam fantasia do que realidade. A minha realidade.

Logo o sinal bateu.

- Não se esqueçam de ler o capítulo para nós discutirmos em sala amanha, pessoal. Até amanha. – Neferet nos lembrou enquanto saiamos da sala.

Ashley me acompanhou ao sair da sala. Seguimos mais alguns passos para fora dela e então ela me perguntou:

- Qual é sua aula agora?

Olhei meu horário rapidamente e disse para ela:

- Introdução ao arco e flecha. – respondi.

- Boa escolha! – elogiou. – Eu faço esgrima.

- Ual! – eu exclamei e ela riu.

- Eu sei. – falou como se me entendesse.

Na verdade parecia como se ela realmente me compreendesse.

Ashley explicou-me como chegar ao ginásio me desejando boa sorte. Eu segui suas instruções e não demorei muito para chegar. Os alunos já estavam pegando seus arcos e mirando as flechas em seus alvos individuais enquanto um homem alto e com músculos esguios que eram marcados pela camiseta os orientava.

Um nervosismo começou a me corroer e eu pensei que teria sido melhor eu ter escolhido outra aula. E seu acertasse alguém? Já não bastava ser conhecida como a garota-da-lua-esquisita-na-testa, eu seria conhecida como a garota que havia ferido alguém no primeiro dia de aula.

O homem que estava auxiliando os alunos virou seus olhos para mim e veio em minha direção. Com um sorriso amigável no rosto ele disse:

- Olá, você deve ser Isabella Marie Swan, não é?

- Sim, só Bella, por favor. – disse timidamente.

- Se prefere só Bella por que não pediu seus documentos assim? – perguntou parecendo confuso.

- Por mais irritante que seja as vezes, eu não me vejo sem o meu nome. – expliquei corando.

- Ah, sim eu entendo. – disse assentindo. – Então... Merry meet, Bella. É um prazer conhecê-la Eu sou Nicolas, seu professor de Introdução ao Arco e Flecha. – se apresentou sorrindo.

- Merry meet, professor Nicolas. – sorri amigável e muito nervosa. – Eu nunca fiz isso antes. – confessei.

 – Não se preocupe. Posso garantir que 80% dos alunos que começam nunca haviam pegado em um arco e flecha antes. – me acalmou e eu sorri assentindo.

- Venha, vou a levar ao seu próprio alvo. – disse, e eu o segui.

Ele me levou até um alvo mais afastado dos outros. Junto com ele já havia um arco e uma porção de flechas para mim.

- Bella, primeiro eu vou lhe demonstrar como você deve fazer, depois eu vou lhe ensinar a se posicionar e então será você a tentar, tudo bem? – perguntou.

- Sim. – respondi.

Nicolas arrumou sua postura e se posicionou flexionando minimamente uma das pernas. Ele colocou o arco na altura de seu rosto e ombros, mirou rapidamente e atirou. 

Rápida e letal. A flecha havia acertado bem no centro do alvo.

- Entendeu? – perguntou ele.

- Acho que entendi. – falei um pouco boquiaberta.

- Bem, vamos ver. Tente você agora. – disse me passando o arco e uma flecha.

Dois tons de dourado e um brilhante azul piscina estavam o cercando. Eu podia sentir uma grande ansiedade, determinação e paciência, mas sabia muito bem que esses sentimentos não eram meus. Eram deles.

Posicionei-me e fiz como Nicolas havia feito a alguns momentos antes. Obvio que o resultado não foi o mesmo. A flecha foi para no chão a poucos centímetros do meu alvo.

Senti a animação de Nicolas e me virei estranhando isso.

Ele estava sorrindo animado. Como se notasse minha confusão, disse:

- Isso foi muito bom para uma primeira vez. – elogiou.

- Obrigada. – agradeci constrangida.

- De nada, Bella. Agora eu tenho que ir ajudar os outros alunos, mas qualquer problema ou dificuldade é só chamar. – falou ele.

- Tudo bem. – concordei.

Depois da primeira parecia que eu só is de mal a pior. Ou as flechas ima para junto da minha primeira ou para um lugar pior.

Agradeci ao fato de todos estarem concentrados demais em seus alvos para notarem o desastre que era eu.

Bufei contrariada.

De repente um arrepio que penetrou minha alma passou pelo meu corpo. Uma voz suave e um pouco metida disse:

- Você está fazendo errado.

Eu me senti ficando estranhamente aquecida. Fui tomada por uma confiança que me era estrangeira. Me virei para olhar quem falava comigo. Quando nossos olhares se encontraram senti algo que eu não sentia a muito tempo.

 Ele era alto e esguio, por debaixo de sua camisa preta eu podia facilmente notar o tórax bem tonificado. A pele era pálida os traços fortes demonstravam sua confiança, lábios rosados fizeram minha respiração acelerar, seus cabelos eram de um tom que me lembrava chocolate ao leite, meio acobreados e lisos estavam meios bagunçados. Pareciam fofos e macios. Seus olhos eram brilhantes castanhos avelãs.

Um sorriso metido estava desenhado em seus lábios e cresceu ainda mais quando percebeu que eu estava descaradamente o secando. Eu corei absurdamente com isso.

O mesmo vermelho escuro e discreto que demonstravam a confiança de Neferet, estava o evolvendo e eu logo percebi que a auto-confiança era uma de suas características. Era dele que tinha vindo minha confiança repentina. Um azul celeste demonstrava que ele estava querendo ser gentil e me ajudar. Eu sentia essa gentileza.

Eu levantei meus olhos inconscientemente para ele, tocada pela sua gentileza que ainda nem havia sido demonstrada em atos por ele.  

Ao encontrar seu olhar era como se meu cormo estivesse sendo consumido pelas larvas de um vulcão. Seus olhos estavam quentes, assim como eu senti que meu corpo estava ficando. E eu vi. Uma nova cor havia surgido.

Era um vermelho rosado. Eu sabia o que estava sentindo, já havia sentido antes, há um bom tempo. Só que dessa vez eu não tinha tanta certeza se essas emoções vinham somente dele, essa... Paixão.

- Posso ajudá-la? – perguntou ele se aproximando mais de mim.

Eu estava estupefata. A quanto tempo eu não me sentia assim? Eu sabia que era tempo demais.

- Sim. – concordei com um fio de voz.

Sem se precisar de mais nada ele se aproximou e se colocou por traz de mim pondo as mãos em meus ombros ajeitando minha postura e então as deslizando por meus braços e arrumando o arco em minhas mãos.

Eu sentia meu coração batendo forte em meu peito um rubor esquentava a pele do meu pescoço e bochechas.

- Sua postura estava certa, o que você errou foi o jeito de segurar o arco e a altura em que você havia colocado a flecha. – explicou ele.

- Você deve aproximar mais o arco de você. – movimentou o arco para deixá-lo da forma correta e conseqüentemente de aproximando mais de mim. – E a flecha, na altura dos lábios.

Eu podia sentir sua respiração quente na minha nuca e sua mão encostando levemente em meus lábios para enquanto preparava a flecha para ser atirada.

- Agora você mira... – disse baixo. Eu me concentrei e mirei a flecha no centro do alvo onde estava a flecha que Nicolas anteriormente tinha atirado. Ele tirou suas mãos das minhas mãs não se afastou um centímetro. – Solte.

Eu soltei. Mais rápido do que eu pude acompanhar a flecha acertou exatamente o centro do alvo.

- Oh. – murmurei abismada. – Acertei.

- Sim, você acertou. – concordou ele.

Me virei para agradecê-lo e não pude segurar o sorriso. Um dos mais sinceros que eu havia dado nos últimos tempos.

- De nada. – falou ainda com o sorriso metido. – Eu vou indo.

Não sei o que me deu mas antes que eu pudesse registrar a palavra já havia saído.

- Espere!

Ele se virou e me olhou esperando que eu falasse algo.

- Bem... Como você se chama? – perguntei, muito corada.

- James Stark. – falou sorrindo metido. – Mas prefiro Stark.

E antes que eu pudesse falar qualquer outra coisa ele já havia ido.

~*~

Estava na sala de minha terceira aula, Literatura e História 101. Ansiedade me corroia, mas ao mesmo tempo que muitos dos meus pensamentos não abandonavam Stark.

Me sentei em ao lado de uma garota que se chamava Julyanne. Ela era quieta e tímida como eu por isso não conversamos muito.

E eu não estava com vontade conversar. Parecia que com o passar dos minutos eu sentia cada vez mais as auras a minha volta e o peso que as cores tinham em minha visão. Era degastante. Sentia tudo a minha volta e parecia que eu podia desmaiar a qualquer instante.

A professora Meredith entrou na sala com uma elegância que eu já havia visto em poucas pessoas. Era alta e voluptosa, seu cabelo preto era de um ondulado volumoso, seus olhos eram de um mel esverdeado incrível, seus traços eram bem marcados e havia uma seriedade perceptível em seu rosto assim como suas feições pareciam mais maduras, mas inegavelmente bonitas. Parecia que ela não usava maquiagem tirando pelo rímel e o batom.

Ela estava calma, sua energia pacifica me tirou daquele mar de agitação em que estavam os outros alunos.

Ela se ajeitou em sua mesa e se virou foi então que seus olhos vieram direto para mim.

O que antes era um verde claríssimo se tornou se tornou um azul piscina ofuscante demais e eu não pude me impedir de fechar os olhos.

Quando os abri ela olhava para mim de um jeito emocionado que eu não entendia. Eu sentia um carinho vindo dela para mim, mas não compreendia.

Então ela com passos seguros veio e parou em frente a mim.

- Você deve ser a novata que chegou ontem... – presumiu

- É sou eu mesma. – confirmei.

- E qual é seu nome? – perguntou parecendo estar ansiosa.

- Isabella Marie Swan. – me apresentei.

- Merry meet, Isabella. E me desculpe não saber seu nome, eu normalmente sei, só que eu sai para uma viagem rápida e cheguei a pouco tempo.

- Tudo bem, mas por favor me chame de Bella. – disse sorrindo.

- Ok, Bella. Hoje vamos começar um assunto novo. Qualquer problema é só me perguntar. – disse calma, então saindo e se dirigindo a sua mesa.

- Hoje vamos falar sobre a primeira civilização dos nossos vampiros. – disse Meredith em uma voz seria e profunda.

Não passou despercebido para mim a maneira como o, nosso, ficou em evidencia. Como se dissesse que nós não éramos os únicos. O que era verdade.

A aula foi incrível. Saber a história da raça a qual agora eu pertencia foi inestimável.Os vampiros haviam surgido há muitos anos atrás, pouco antes da formação do império romano. Luna Nyx, foi filha de um dos primeiros vampiros existentes, que era realmente cruel.

Inicialmente foram cinco vampiros. Eles escravizavam mulheres humanas e as forçavam a doar sangue, o que as causava uma dor inimaginável. Até que um deles, pai de Nyx se apaixonou por uma humana, Ammarie, que o desprezava pois podia ver e sentir a maldade dele.

 Só que isso não impediu Simon, pai de Nyx, de trancafiá-la em sua fortaleza. Ammarie foi forçada a conviver com o amor obsessivo de Simon ao mesmo tempo em que era punida fisicamente pelo desprezo que dedicava a ele. Depois de meses essa convivência forçada deu frutos. Ammarie estava grávida e meses depois quando deu a luz se transformou automaticamente em vampira. Ammarie amou a filha com todo o coração, Luna Nyx, apesar disso, era adorada pelo pai e pelos irmãos destes.

Nyx foi crescendo e para o alivio de todos que conviviam com ela, tinha a personalidade da mãe. Mas as maldades de Simon nunca pararam, ele continuava causando dor e sofrimento por onde passava e Ammaria continuava sofrendo torturas constantes. Mas apesar das maldades Simon, amava verdadeiramente a filha e já a via como um espelho dele mesmo, não notando o quanto eram diferentes.

Foi durante uma guerra causada por Simon e seus irmãos que tudo mudou. Nyx já estava crescida e muito parecida com a mãe, Quando Simon percebeu que Nyx era boa enlouqueceu. Culpou Ammarie e organizou um castigo que iria causar muito sofrimento.

Todas as mulheres da vila, excluindo unicamente Nyx, iriam ser torturadas e mortas em frente a todos do vilarejo como castigo pelo “erro” que Ammarie tinha cometido. Ammarie foi morta e dezenas de mulheres foram torturadas e surradas até quase morrer. Quase.

Nyx vendo toda a monstruosidade daquilo e com o sofrimento ao ver pela primeira vez ao que a mãe era submetida provou ter mais força e poder que seu pai e o matou.

Nyx curou todas as humanas que haviam sido machucadas aquele dia só que elas acabaram se tornando vampiras. Juntas com sua bondade e determinação conseguiram restaurar a paz e formaram um conselho que se asseguraria em manter a segurança para os humanos.

Quando Nyx teve que se alimentar de sangue humano se surpreendeu ao não causar a dor que o pai e seus irmãos causavam, e sim prazer. Logo ela conseguiu passar essa habilidade para os irmãos de seu pai que notando a dimensão dos poderes da sobrinha não hesitaram em se ajoelhar aos seus pés, e para suas companheiras do conselho.

Juntas elas criaram regras de honra para os vampiros que logo se multiplicaram quando a Nyx que era a Sacerdotisa líder do conselho e as outras Sacerdotisas perceberam que tinham a habilidade de sentir quando era o destino de um humano ser vampiro.

- Alguma pergunta? – Meredith perguntou após ter explicado a historia do surgimento do vampiros e suas regras.

A sala negou e logo o sinal bateu em um tempo perfeito.

Logo depois de pedir informação e seguir para a sala de minha próxima aula eu ainda estava impressionada com a história de Nyx, que eu sabia não ser só essa. Esse havia sido somente seu primeiro feito, a professora Meredith tinha dito que havia muito mais...

Não me era estranho o fato de ela ser nossa Deusa.

Entrei na sala me surpreendi.

As carteiras duplas estavam organizadas de um modo que formávamos um único grande circulo. Na metade da formação do circulo havia uma mesa de carvalho escuro que eu logo deduzi ser da professora.

- Bella!

Não acreditei quando vi Ashley sentada em uma das carteiras sozinha me chamando para me sentar com ela.

- Ash! – exclamei seguindo em direção a ela. – Ainda bem que você está aqui.

- Que nada, o bom é que agora eu vou ter alguém para conversar. – falou. – Como foram as aulas? – perguntou.

- Foram boas... – eu divaguei, meus pensamentos logo saíram da ultima aula e correram em diversão a Stark. Minhas bochechas esquentaram automaticamente ao lembrar dele.

- Hum... Parece que bom foi pouco. – disse, maliciosa. Então vimos a professora entrando. – Quero saber de tudo depois. – Ashley me intimou sorrindo satisfeita.

Levantou a tampa de nossa carteira e pegou dois livros que pareciam ser referentes a aula, uma para ela e outro para mim.

Alta, esguia e com o cabelo loiro, a professora parecia ser uma modelo. Parecia jovem demais para ser professora. Mas o que me intrigou foi a sua aura. Era como se ela soubesse de sua existência e pudesse controlá-la .

Parece que ela sentiu ser observada porque imediatamente seus olhos se viraram para mim. Verdes azulados. Impactantes olhos verdes azulados que se tornaram chocados ao olhar para mim. Rapidamente ela disfarçou isso assim como sua aura que sumiu. Mas apesar disso eu ainda sentia.

Ela estava emocionada e feliz. Ela não conseguia esconder essa felicidade, mas era tão bom, que eu não liguei. Há muito tempo eu não me sentia feliz desse jeito.

Ela veio em direção a nossa mesa como os outros professores que me deram aula e se apresentou.

- Olá! Você deve ser a novata que chegou ontem. – falou ao se aproximar. – Isabella Marie Swan, não? – perguntou parecendo estar muito ansiosa pela resposta.

- Sim. – eu confirmei. – Mas, só Bella.

- Ok, então Bella! – disse, me olhando com carinho e um sorriso enorme desenhado nos lábios. – Eu sou Mia e qualquer duvida é só me procurar e acredito que Ashley também pode ajudar você, não é Ashley?

- Sim, professora Mia. – assentiu, Ashley sorrindo.

- Ok então. Vamos começar. – falou.

Ela até a sua mesa e se apoiou na mesma, tendo uma visão do círculo completo. Como se sabendo que a aula iria começar todos ficaram em silencio.

- Hoje vamos falar sobre um assunto que vai ser muito mais fácil para mim, mas que todos em um certo nível conhecem. Para começar... Quem aqui já ouviu falar de sexto sentido?

As mãos de todos na sala, inclusive uma das minhas, se levantaram e Mia sorriu satisfeita.

- Quem aqui já teve uma daquelas sensações ruins ou simplesmente suspeitou que alguém estivesse mentindo e uma hora essas suas... suspeitas se confirmaram?

Eu e Ashley levantamos a mão, mas o numero de pessoas que levantaram as suas diminuíram.

- Quem sente isso constantemente? – perguntou mais seria.

Dessa vez somente eu e Ashley levantamos as mãos.

Mia olhou intensamente para nos duas e falou para todos.

- Abram o livro na pagina 44 e leiam.

O barulho de paginas virando tomou a sala mas Mia continuava com os olhos em nós e eu podia sentir Ashley tensa ao meu lado.

Olhei para a pagina e senti meu coração se acelerar.

Sibilas:

Sibilas são pessoas que ao olhar para um rosto podem ver se um determinado indivíduo está mentindo e sentir se essa pessoa é honesta, confiável e sentir seus segredos.

Auracinese:

É a capacidade de ver controlar e absolver a aura astral de uma pessoa. É considerada também uma evolução da intuição. Essa habilidade possibilita que o usuário sinta se um determinado individuo é confiável ou não e faça qualquer dano ou alteração mental ou espiritual em uma pessoa, possibilitando que este possa enfraquecer, tirar a consciência, apagar a memória, absolver essa aura(o que fará o usuário se sentir mais forte e a vítima mais fraca), fazer entrar em coma ou estado vegetativo, ou até mesmo matar qualquer um que possuir uma aura astral.

OBS: Esse dom pode ter níveis diferenciados para cada pessoa.

Esquema das cores de auras:

Vermelho: energia, força, raiva, sexualidade, paixão, medo, ego

Laranja: Auto-controle, ambição, coragem, consideração, falta de vontade, apatia

Verde: Pacifico, curador, compaixão, enganador, invejoso

Azul: Espiritual, leal, criativo, sensitivo, gentil, mal humorado, ansioso

Turquesa: Imaginação, espontaneidade, boa comunicação, curioso

Violeta: Altamente espiritual, sabedoria, intuição

Índigo*: Benevolente, altamente intuitivo, procura

Rosa: Amor, sinceridade, amizade, emotivo.

Cinza: Depressão, tristeza, exaustão, baixa energia, cepticismo*

Marrom: Luto, auto-envolvimento, teimoso

Preto: Falta de energia, doença, morte iminente

Prata: Dons telepáticos, pureza, bondade, vulnerabilidade

Dourado: Dons espirituais, determinação, paciência

Branco: Balanço perfeito

- Sibilas eram muito valorizas na sociedade, só que não são encontradas a mais de dois séculos. Na era medieval muitas delas foram mortas ou outras aprisionadas. Algumas por saberem demais foram consideradas bruxas e outras simplesmente foram mortas por pessoas que não queriam ter seus segredos e mentiras seguros. Desde essa época elas já estavam praticamente extintas.

- Então não precisa ser vampira para ser uma Sibila? – perguntou Ashley interessada.

- Não. Por isso eu estava falando da intuição. Não precisa ser uma Sibila para perceber que alguém está mentido, mas as Sibilas ao olhar para você simplesmente sabem se você está falando a verdade ou está mentido e conseguem perceber se as intenções por traz dessa mentira são boas ou ruins, assim como conseguem perceber se os segredos que vocês guardam são ruins, inofensivos ou simplesmente pessoais. – explicou Mia.

- A auracinese é um pouco mais poderosa, como vocês puderam ler. Mas nem sempre as pessoas que são abençoadas por esse dom têm a habilidade de exercer tudo isso que é citado. Algumas são como os que têm o dom da empatia, mas alem de poderem sentir e manipular, podem ver o sentimento.

Empatia era o dom de Jasper e apesar de eu não querer aceitar ficava cada vez mais claro que auracinese era o meu.

- Porque no começo da aula você disse que esse assunto seria muito mais fácil de você falar? – perguntou um aluno, que eu sentia estar curioso.

Na verdade todos tirando a professora estavam curiosos, o que só atentava ainda mais a minha própria curiosidade.

- Sibilas não são achadas a mais de dois séculos como eu já disse, mas achar pessoas que tenham o dom da auracinese apesar de raríssimo, não é impossível. Uma prova disso é que eu mesma tenho esse dom. – respondeu sorrindo satisfeita.

Muitos na sala ofegaram com essa revelação. Eu podia sentir a surpresa e até vergonha de alguns diante do fato que a professora via o que eles sentiam.

- Aqui diz que existem níveis diferenciados para cada pessoa. Como é o seu professora? – perguntou Ashley.

- Eu só posso ver auras não posso senti-las e também posso manipulá-las e adquirir energia através da aura astral de outras pessoas.  – respondeu Mia.

- Quando você adquire energia através da aura de outra pessoa, acontece algo com esta pessoa? – perguntei curiosa.

- Depende que quanto da aura você adquire. Se, vamos dizer, sugamos pouco, a pessoa só ira se sentir cansada e precisará descansar e se alimentar bem, mas se sugarmos demais podemos até matar uma pessoa. – explicou.

O resto da aula eu e todos os outros alunos enchemos a professora Mia de perguntas, que pareceu animada a responder todas elas.

Eu estava totalmente encantada com este dom e as possibilidades que ele trazia, mas ao mesmo tempo me sentia muito cansada. Agora eu entendia Jasper. Sentir o tempo todo o que as pessoas sentiam,era horrível!

Eu agora sabia. Eu a desastrada que não conseguia caminha sem tropeçar em uma superfície plana, tinha um dom e contra todas as possibilidades, eu agora era uma vampira. 



Notas finais do capítulo

N/A: Oii, queridos!Não vou nem pedir desculpas pelo atraso porque vocês já devem estar cansados disso.E aii? Vocês gostaram? Se gostaram não esqueçam de me dizer isso nos reviews!Amores eu tenho andado totalmente cheia de trabalhos e tarefas por isso tenho demorado tanto, mas peço que vocês tenham paciência e quero dizer que por mais que eu demore eu não vou abandonar nenhuma das minhas fanfics.Falando em fanfics, eu postei o prólogo de duas recentemente aqui no Nyah e no TBF. Uma delas é a vencedora da enquete, o primeiro capítulo não irá sair tão cedo, mas como agradecimento aos que votaram eu resolvi postar o prólogo . A outra é Beautiful Monster, eu já tinha o prólogo dela pronto a algum tempo e no impulso eu a postei e o primeiro capítulo já está em desenvolvimento.Aqui está o link das duas:Broken Strings – http://www.fanfiction.com.br/historia/140196/Broken_StringsBeautiful Monster – http://www.fanfiction.com.br/historia/139045/Beautiful_MonsterE para quem quer ver a foto do Heath, Miranda, Neferet, Scarllet, Anna, Gabi, Laila e Ashley, aqui está o link: http://mandifanfics-naro26.blogspot.com/2011/03/destinada-alguns-personagens.htmlQuero aproveitar para recomendar para vocês uma fic maravilhosa que eu estou lendo: Respiro Me – http://www.fanfiction.com.br/historia/113959/Respiro_MeObrigada a todos que acompanham e comentam, vocês já estão guardados no meu coração!Beijoos e até o próximo post...Amanda Ishi



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