Flores da Primavera escrita por EsterNW


Capítulo 1
Aroma primaveril


Notas iniciais do capítulo

É primavera nananan.
Olá, meu povo! Como vão vocês?
Bem, com o início de um novo mês, temos um desafio novo do @desafiosfanfics, lá no Spirit, e com um tema desses, é claro que eu não iria perder! Junto a isso, resolvi estrear com minha primeira fic no fandom dessa série que eu amo de coração ♥
Boa leitura ;)



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A princesa observava o horizonte, receosa de que seu amado não viesse. Quando ela achava que não fosse mais aguentar de tanta aflição, eis que uma silhueta surgiu no horizonte. Cordélia ergueu as saias do vestido e correu, amassando a grama verde com suas sapatilhas. O equino parou por ordem de seu dono, que desmontou do animal e envolveu sua amada nos braços.

— Oh, Julian, achei que não o veria nunca mais — Cordélia suspirou.

— Eu nunca a abandonaria, Cordélia, meu amor — ele disse, passando a mão pelo rosto da princesa...

 

—... Julian ajudou Cordélia a montar em seu cavalo e ambos fugiram do rei e de suas posições, seguindo a direção do vento primaveril que tocava-lhes o rosto, trazendo junto o cheiro das flores que desabrochavam como o amor do jovem casal. Fim.

Anne ergueu o rosto da folha de papel que lia avidamente. Ela voltou os olhos cinzentos para Srta. Stacy, que devolveu um sorriso encorajador para a garota. A sala estava em silêncio após minutos de audição de um romance dramático, vindo diretamente da cabecinha de fios ruivos de Anne.

— Parabéns pela leitura, Anne, foi uma redação excelente — a professora elogiou, fazendo com que o sorriso da garota aumentasse mais, extasiada pelas palavras vindas da mulher que ela admirava. 

Srta. Stacy aplaudiu, visto a reação estática da maioria dos alunos da interpretação exagerada que a garota fez do próprio texto. Diana e Gilbert juntaram-se a ela, seguidos por uma tímida Ruby e uma ou outra das meninas. Anne curvou-se em uma reverência, como se fosse uma atriz ovacionada por uma apresentação bem sucedida no teatro. 

— Pode voltar para seu lugar, Anne — a professora autorizou e a ruivinha saiu da frente da sala para seu lugar ao lado de Diana. — Não esqueçam que amanhã é o último dia para a entrega da redação sobre a primavera. Ainda selecionarei mais um para ler sua redação em frente à classe. 

A maioria dos alunos engoliu em seco apenas com a mera menção de ficar na frente dos colegas e ser julgado pelos olhares impiedosos daqueles adolescentes. Porém, puderam respirar aliviados com o soar do sino, indicando o fim das aulas de quinta-feira. 

— Até amanhã — a professora disse para os alunos, que começavam a juntar seus materiais e iniciar um burburinho. — Àqueles que irão ajudar na organização do baile de primavera, estejam aqui na manhã de sábado — ela ergueu a voz, tentando fazer-se ouvida, contudo, a maioria dirigia-se para a sala ao lado para pegar suas coisas, ansiosos para irem embora. Srta. Stacy suspirou.

A escola planejava organizar um baile de primavera, após tantos anos desde o último, em comemoração pelo início da estação. Aberto a comunidade, eles contavam com a colaboração dos habitantes de Avonlea para a organização do evento.

Quando o burburinho de vozes diminuía aos poucos, a professora ergueu os olhos, vendo Gilbert encará-la ainda em seu lugar, pronto para mais uma aula pós-classe, como acordado entre ambos. O garoto com sonho de ser médico precisava estudar muito e, empenhado como era, nunca perdia uma das aulas extras.

Anne despediu-se de suas amigas no final da sala e logo voltou com sua pequena lousa e livros, sentando-se na primeira carteira, o mais próximo possível da professora. Assim como o colega, ela também tinha aulas pós-classe com Srta. Stacy. Anne e seu sonho de ser professora.

Gilbert aproveitou que a mulher procurava em meio aos papéis pela matéria que daria a eles naquela tarde e sentou-se no lugar vago ao lado de Anne.

— Sua redação estava ótima — ele disse baixo, assim que acomodou-se no banco de madeira. — Cheguei a acreditar que os dois não ficariam juntos.

— Cogitei esse final — Anne confessou, limpando marcas de giz de sua lousa, evitando olhar para o colega ao lado. — Não há nada melhor do que um romance dramático — disse com um suspiro. 

Gilbert riu e imitou o gesto da menina, olhando para sua própria lousa.

— Prontos? — Srta. Stacy interrompeu a conversa, tendo finalmente encontrado suas anotações.

A dupla endireitou a postura, preparados para mais uma aula e mais uma competição silenciosa de quem terminava primeiro os exercícios passados após a explicação. Apesar de não terem firmado nada oficial, com direito a pontuação e tudo mais, eles mantinham a competitividade entre si.

Naquela quinta-feira, Gilbert levou a melhor. Ele respondeu a última questão e permaneceu em silêncio, não anunciando o seu êxito. Em vez disso, olhou para o lado, vendo sua companheira de estudos concentrada no que fazia. A mão de Anne escrevia sem parar e os lábios murmuravam algo, provavelmente as palavras que anotava. Gilbert desviou os olhos dos lábios rosados e contentou-se em olhar para o teto sem graça. Abaixando o olhar aos poucos, a janela inundada pelo sol morno tomou seu campo de visão. Era o único ponto colorido do local, com as flores da estação decorando a beirada do lado de dentro. Era como um ponto de felicidade em meio a um mar tedioso de madeira cinzenta e envelhecida. 

Blythe seguiu com o olhar para onde os raios solares terminavam, iluminando Anne e acentuando ainda mais os cabelos acobreados presos nas costumeiras tranças. Assim como as flores na janela, ela era cor na sala cinzenta. Suas sardas espalhadas pelo rosto destacavam aqueles olhos cinzentos que, diferente daquela madeira, reluziam com um brilho único. 

Anne finalizou a atividade. Erguendo os olhos, ambos os olhares cruzaram-se e encaram-se por alguns instantes. Gilbert observou os olhos cinzentos dirigirem a ele uma pergunta. Talvez questionasse-o por que a encarava com uma cara abestalhada.

— Vocês dois acabaram rápido — Srta. Stacy dirigiu-se à dupla, interrompendo qualquer conversa trocada entre os olhares.

Ambos entregaram seus exercícios para serem corrigidos pela professora e, dessa vez, Anne levou a melhor, tendo acertado mais do que Gilbert.

— Ambos estão de parabéns. Geometria não é uma matéria fácil para a maioria dos alunos.

Anne abriu um sorriso de orelha a orelha e os olhos brilharam com o elogio da professora. Gilbert sorriu de canto, não apenas pela felicitação. 

— Amanhã estão dispensados devido aos preparativos para o baile de primavera, queridos — Srta. Stacy anunciou com um sorriso gentil e caloroso para eles.

Feita as despedidas, Anne recolheu seu material, pronta para ir embora.

— Srta. Stacy, poderia me ajudar com a questão três? Eu ainda não entendo o que fiz de errado — Gilbert pediu para a professora e foi em direção a ela.

Anne ergueu-se de seu lugar no banco, encaminhando-se para a salinha ao lado da principal, onde sua cesta de palha e ambos casaco e chapéu permaneciam no mesmo lugar que deixara pela manhã. A ruivinha vestiu a peça verde musgo e colocou o chapéu recém-decorado com as flores da estação, colhidas naquela mesma manhã durante seu trajeto de Green Gables até a escola. Com tudo pronto, pegou sua cesta, porém, parou o que fazia. Tendo certeza que vira algo se mexendo, aproximou-se da janela e abaixou-se.

— Olá, amiguinha — ela cumprimentou a joaninha que caminhava com suas patinhas. Anne tombou um pouco a cabeça para o lado em sua observação ao inseto. — O que você está fazendo aqui, hum? — A ruivinha esticou o dedo, colocando-o sobre a madeira da janela, próximo à joaninha. — Você deve ter feito um caminho e tanto até aqui — disse para sua mais nova amiga que, talvez entretida pela conversa, ou pelo dedo no meio do caminho, começou a subir pela unha da garota.

Anne sorriu, deliciada com a sensação que as patinhas causavam.

— Você é magnífica, amiguinha. — Ela aproximou o rosto da própria mão, encantada com a joaninha que caminhava sobre ela com segurança.

— Está falando com quem, Anne?

A ruiva teve um sobressalto, saindo abruptamente de seu diálogo.

— Uma joaninha? — Blythe aproximou-se da garota enquanto vestia o próprio casaco ao mesmo tempo.

— Ela não é linda? — Anne ergueu a mão para que o amigo olhasse melhor para o inseto. O sorriso brilhava em seu rosto, encantada com as patinhas que avançavam pela própria mão. — Ela tem cara de Amélia, não tem?

— Eu não poderia pensar em um nome melhor — Gilbert devolveu em um tom de brincadeira e colocou a boina surrada sobre os cabelos negros. — Vai devolvê-la para a natureza?

— Ela está tão à vontade comigo. — Anne colocou uma mão ao lado da outra, vendo o inseto passar da direita para a esquerda. — Mas deve estar com saudades de casa, pobrezinha. 

Gilbert não respondeu de volta para a garota perdida em sua própria imaginação. Apenas sorriu ao ver o olhar doce que Anne dirigia para um inseto tão comum como a joaninha. Pegando a cesta de Anne, vendo que o objeto seria esquecido onde estava, a dupla saiu da escola com suas paredes cinzas. Ambos permaneciam em um silêncio confortável, com o garoto não ousando interromper Anne de seu diálogo com o inseto.

Do lado de fora, foram saudados pelo sol ainda firme. Era acolhedor serem recebidos por uma ambiente colorido após horas em um lugar sem graça. A primavera parecia dar novos tons à vida. Ambos Gilbert e Anne concordariam com a afirmação, porém, a garota estava mais concentrada em transportar o inseto sem derrubar. 

Gilbert observou cada movimento da ruiva, que parou em um ponto na beira do caminho e abaixou-se. O garoto fez o mesmo ao lado dela.

— Adeus, amiguinha. — Gentilmente, ela depositou o inseto sobre a grama verdinha. — Boa sorte, Amélia — desejou por fim, entretanto, a joaninha ignorou-a, explorando seu ambiente natural.

— Acho que ela não gosta muito de despedidas — Gilbert disse para Anne, reiniciando uma conversa entre eles em um tom leve e divertido.

— Ninguém gosta de despedidas, Gilbert — Anne soltou com um suspiro dramático. 

Blythe observou o rosto da amiga, que ainda mantinha os olhos cinzentos firmados na joaninha. Gilbert seguiu a direção do olhar dela, vendo o inseto perder-se no meio de flores que desabotoavam no solo. Uma em especial chamava a atenção no meio do rosa e do lilás. Gilbert colheu-a e girou-a entre os dedos, observando as pétalas laranja movimentarem-se entre seus dedos. Vendo que Anne seguia seus movimentos com os olhos, ele aproximou-se dela.

— O que você está fazendo?! — ela questionou, contudo, não se moveu enquanto Gilbert encaixava a nova flor entre as outras que decoravam seu chapéu.

— Combina com você — ele respondeu assim que terminou o que fazia. — É da cor do seu cabelo.

Apesar de finalizado seu trabalho, o garoto não se afastou, mantendo a proximidade entre eles. Anne entreabriu os lábios, não sabendo o que dizer ao ver Gilbert tão perto. Podia até visualizar o próprio reflexo nas pupilas do amigo. Ela perguntou para si mesma porque olhava tão fixamente para os olhos dele.

— Eu… Eu tenho que ir. — Repreendendo a si mesma, ergueu-se do chão e bateu a terra da barra de seu vestido marrom. — Prometi a Marilla que ajudaria em algumas tarefas depois da escola — apresentou como escusa e estendeu a mão para Gilbert. Ele olhou-a sem entender. — Minha cesta. 

O garoto finalmente percebeu que ainda trazia o objeto de Anne em mãos, junto de suas próprias coisas, e devolveu para ela. A garota agradeceu e ambos voltaram a seguir o caminho de volta para casa em silêncio.

— Você virá no baile de primavera, Anne? — Gilbert foi o primeiro a iniciar uma conversa.

— Mas é claro! Nunca fui a um baile dedicado a uma estação e não perderia por nada! Não é esplêndido, um baile todo dedicado à primavera? — Anne fez a pergunta para Gilbert, porém, não esperando uma resposta, voltou a tagarelar. — Eu amo a primavera, é minha estação favorita! Parece que o mundo volta à vida depois de meses tão tristes e frios no inverno. E as flores colorindo todo aquele branco da neve?

Anne iniciou seu monólogo sobre a primavera e suas belezas. Gilbert assistia calado, observando Anne e perdido em seus próprios devaneios. Era adorável o olhar da garota quando estava com a cabeça nas nuvens. Não nuvens iguais àquelas acima de suas cabeças, mas as do mundinho próprio dela. E o mundinho que ele era curioso por conhecer cada vez mais.

— Você tem um acompanhante para o baile? — ele interrompeu Anne no meio de uma fala sobre joaninhas e como compreendia o amor delas por flores. Do jeito que era delicada como uma flor, não era de se espantar que Anne gostasse tanto delas, Gilbert pontuou para si mesmo durante os segundos que Anne saiu de seu próprio mundinho de volta para a terra.

— O que? 

Eles pararam no meio do caminho, próximos a bifurcação onde se separariam para cada um seguir seu caminho para a própria casa.

— Você tem um acompanhante para o baile de primavera? — ele repetiu a pergunta e Anne franziu o cenho, estranhando o questionamento.

— Matthew e Marilla virão comigo — ela pontuou, referindo-se aos irmãos Cuthbert que eram sua família. — Você não tem ninguém para te acompanhar? E Mary e Bash, não virão também?

Gilbert riu discreto, vendo que Anne não compreendera sua pergunta. Era claro que ela nunca fora a um baile da primavera — fazia quase uma década desde o último baile da primavera em Avonlea —, porém, esperava que alguma das amigas da garota houvesse comentado com ela sobre a programação da festividade.

— Não é isso. Há um baile durante a festa.

Os lábios de Anne abriram-se em um "ah" mudo, compreendendo a linha de pensamento do garoto.

— Você está me convidando para dançar com você durante o baile de primavera? — ela expôs em voz alta, mostrando que compreendera a intenção da pergunta.

— Sim — Gilbert confirmou e os dois se puseram em silêncio. O vento soprava, sendo o único a sussurrar entre eles, trazendo junto o aroma das flores que começavam a despontar por todos os lugares. Gilbert sorriu e olhou para Anne e seu chapéu decorado e colorido. — Você aceita?

Ele reiterou a proposta e Anne continuou em silêncio, olhando para os próprios sapatos sobre a terra batida. Dentro dela, seu peito gritava com vontade de dizer "sim" e sua língua parecia pronta para formar a palavra.

— Eu aceito! — Anne disse com firmeza e erguendo o rosto para o garoto. Gilbert chegou até a mesmo a assustar-se, já pronto para receber uma negativa. — Eu aceito dançar com você durante o baile de primavera, Gilbert.

Blythe abriu um sorriso de orelha a orelha e Anne sentiu os lábios tremerem, desejando imitar a expressão no rosto do amigo.

— Até amanhã? — ela tentou desejar, incerta do que dizer. Ela tinha que ir embora, não tinha?

— Até amanhã, Anne — Gilbert desejou de volta, junto de seu sorriso brilhante e Anne acabou não contendo o próprio, com os lábios curvando-se para cima.

Com as sardas misturando-se com o rubor das bochechas, Anne virou-se para seguir o seu lado da estrada. Sorrindo, saltitava de volta para casa, sentindo uma alegria aquecê-la junto do sol primaveril.

Gilbert observou Anne partir, levando junto de si as flores no chapéu e o sorriso que alcançava os olhos cinzentos. Virando para seu próprio caminho, observou as flores na beira da estrada. Sorriu, lembrando-se de Anne.


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Notas finais do capítulo

Fofos, sim ou claro? Não me aguento com esses dois ♥
E então, gostaram? Sim? Não? Sejam legais comigo, please -q
Até mais, povo o/