Colônia de férias para pais solteiros escrita por Mebe


Capítulo 8
Dia 6 - Sorria, você está sendo filmado




No meio da floresta

Geral

—Esse é aquele vinho?

—Qual vinho?

Freddie se virou vestindo sua camisa e viu Sam com uma garrafa em mãos.

—Esse.

—Ah… É.

—Não jogou fora?

A loira removeu a rolha com força e virou uma boa dose na boca.

—Sam…

—Hum - deu mais um gole. - Ficou sabendo que sua mãe está atrás da gente?

—Não… Sam.

—Que foi?

Virou-se para Freddie, bebendo mais um pouco.

—É melhor que você não beba.

—Por quê? - Ela sorriu travessa. - Eu faço loucuras quando estou bêbada, bebê. Loucuras que você com certeza gostaria de conhecer.

Não deu tempo ao moreno e, como da primeira vez, montou-lhe no colo, virando a garrafa de vinho na boca uma outra vez, esvaziando-a.

—Sam, é sério…

—Pronto. Já acabou.

Esticou a ponta da língua e deixou cair o último pingo. Jogou a garrafa de lado e, passando suas duas mãos ao redor do pescoço de Freddie, pôs-se a fazer um vagaroso movimento de vai e vem sobre a ereção do moreno resultante dos momentos quentes de outrora.

—O que você acha de um segundo round? - A loira sussurrou ao pé do ouvido dele.

Freddie prendeu seus demônios dentro de si, notando que rapidamente o estado da loira havia se alterado. Mas, apesar de toda luta interna, acabou cedendo aos seus sentidos.

Com urgência, então, ele desabotoou o jeans que há pouco vestira e, sacando seu membro, deu à Sam a liberdade de se penetrar.

—Oh… - Rendido, ele logo se esqueceu de qualquer uma de suas preocupações anteriores.

Na mansão

Depois de muito procurá-la, Marissa finalmente encontrou Carly com todas as crianças. Distraída, a morena, que ministrava uma “aula de pintura” para os pequeninos, sentiu seu corpo gelar quando viu a Sra. Benson entrar na sala.

—Isso, querido - disse a Leon e beijou-lhe sobre o cabelo. - Continue pintando que a titia já volta.

Tirou seu avental sujo com tinta e ajeitou a roupa, indo até Marissa que estava imperiosa à porta.

—Bom dia, Senhora Benson.

—Por que não os trouxe para mim ontem?

—Senhora Benson, eu…

—O meu Freddinho abandonou a Violet aqui para ir se enroscar com a sua amiguinha. Tem noção disso?

Carly olhou para trás e viu Mia, Violet e Leon numa mesma mesa. Voltou-se para Marissa e suspirou.

—Senhora Benson, eu não consegui falar com eles ontem. Não sabia onde eles estavam e a Sam não atendeu o…

—E onde eles estão agora?

—Não sei…

—Como não sabe?

—Eu acordei e a Sam não estava mais no quarto, Senhora Benson. Não tem como eu adivinhar onde ela está. Ela não é uma criança, tem vinte e cinco anos, e…

—Claro que ela não é uma criança. Ela corrompeu o meu Freddinho.

A morena bufou numa vã tentativa de jogar o estresse para fora.

—Escute-me, Senhorita Shay. O meu bebê não sabe se cuidar sozinho, só Deus sabe a que ele está suscetível andando por aí com essa sua amiguinha…

—Ele é adulto, Senhora Benson. Eu não tenho que ficar…

—Você tem uma filha, certo?

—Sim.

—Você acha que algum dia ela vai deixar de ser a sua bebê?

—Claro que não.

—Pois então.

—Mas eu não vou ficar atrás dela feito uma maluca.

Marissa arregalou os olhos, ofendida.

—E, mais, não vou ficar enchendo o saco de quem não tem nada a ver com isso.

—Está insinuando algo, Senhorita?

—Obviamente. Deixe o Freddie viver a vida dele. Pare de ficar parasitando, poxa. Se os dois querem ficar juntos, deixe-os. A Senhora não sabe pelo que a Sam passou, ela está feliz com ele. Deixe-a. Eu te garanto, Senhora Benson, que eu seria a primeira a intervir caso isso fosse algo realmente danoso para a Sam…

—Não estamos falando dela. Estamos falando do meu…

—Já falei. Deixe-o. Ele não é nenhuma criança…

—Então, está bem. Já que a Senhorita acha que está tudo em ordem, deixe-me tirar as vendas dos seus olhos. A sua amiguinha, tão protegida por você, tem um filho. Correto?

—Correto - respondeu impaciente e desconfiada.

—E quem cuida dele?

A morena se calou.

—Ela? - Marissa prosseguiu, provocativa. - Não. Não mesmo. Nunca sequer a vi com o filho por perto. Sempre você. E sabe o que mais? Agora você arranjou outra responsabilidade pelo jeito.

Com o queixo, Marissa apontou para Violet e, virando-se, Carly logo compreendeu, porém, voltando-se para a Senhora Benson, sentiu seu rosto queimar de raiva.

—Escute, Marissa…

—Marissa?

—É, Marissa. Quando não se sabe nada sobre um assunto, é melhor não falar sobre ele. Eu cuido, sim, do Leon, mas não como forma de obrigação. Cuido dele porque ele é o que resta do meu irmão que se foi, entendeu bem? É claro que eu não concordo com a maneira de Sam tratá-lo e posso garantir que o que não falta entre ela e eu são discussões acerca disso. Então, muito obrigada, mas eu não preciso de você me alertando para coisas que eu já sei. E sobre a Violet, sim, eu estou cuidando dela, pois, apesar de eu também não concordar com o Freddie por tê-la abandonado aqui, eu pelo menos me movo para não deixar uma criança, que nada tem a ver com o que está acontecendo, desamparada.

Ao concluir, a morena respirou fundo, recuperando o ar que perdera. E, encarando Marissa por alguns milésimos, não se aguentou e saiu da sala, deixando as crianças que em nada haviam reparado.

Carly

Quando saí daquela sala, estava me sentindo farta e desnorteada. Nunca havia tido um conflito direto com Marissa, apesar de saber pela boca dos outros que ela era de fato insuportável, porém como em tudo há uma primeira vez, lá estava eu com a consciência pesada. No fundo eu tentava me convencer de que havia feito o certo, afinal, ela não pode simplesmente falar sobre algo do qual ela não tem o menor conhecimento. Porém, ao mesmo tempo, era inevitável não me sentir culpada em partes.

Sam estava feliz com o Freddie. Era disto que eu queria me convencer. Ela é um pouco sem limite? Sim. Erra na criação do Leon? Muito. É uma péssima amiga às vezes? Com toda certeza. Mas eu não conseguia simplesmente condená-la por isto. Talvez fosse inocência minha.

—Atende, Sam. Atende - murmurei, enquanto estava sentada na frente da mansão com o telefone em mãos.

Mas eu sabia que era inútil ligar para a loira. Claro que era. Ela provavelmente estava com Freddie e a última coisa que ela faria seria me atender. Quase até posso escutar ela me dizendo: “Depois eu retorno, Shay”. Mas ela nunca retorna, essa é a verdade.

—Arght! - Exclamei e desisti da ligação.

De repente, uma voz soou atrás de mim.

—Quer um drinque?

Olhei para trás e vi um cara vestido com o traje dos empregados com uma bandeja em mãos. Estreitei os olhos, tentando vê-lo contra o sol.

—O quê?

—Um drinque.

Ele passou para a minha frente e não mais precisei me esforçar para enxergá-lo.

—Te vi sentada aí e achei que fosse querer algo para beber. É champagne.

—Eu não bebo.

—Nem um espumante?

—Não quero nada agora.

Soei grossa - sei que soei - por isso logo me redimi.

—Desculpa.

—Tudo bem. Quer conversar?

Olhei-o, confusa.

—Desculpa, quem é você? - Perguntei.

—Gibby.

Ele se equilibrou com a bandeja e me esticou uma mão.

—Ah - murmurei e apertei sua mão. - Carly.

—Carly… Bonito nome.

—Obrigada - agradeci desconfiada.

Antes, então, que o tal Gibby dissesse qualquer outra coisa, vi o carro de Freddie aparecer.

—Com licença - falei ao cara que continuava parado à minha frente e praticamente corri até o automóvel.

A princípio, eu apenas pretendia questionar Sam sobre o sumiço dela e, no máximo, a obrigaria a deixar o celular ligado da próxima vez, mas a maneira como ela saiu do carro acabou por me estressar, apesar de eu não querer.

—E aí, Carlinha?

—Sam, você está bêbada?

—Claro que não, Shay - ela disse agarrando meus ombros e me trazendo para perto. - Sente meu hálito.

Ela soprou no meu nariz e logo eu senti um cheiro forte de menta.

—Você está chupando uma bala para disfarçar o cheiro, mas eu te conheço e você está bêbada.

—Claro que… Ops!

Ela quase caiu ao dizer, mas eu a segurei, o que provocou-lhe uma gargalhada estrondosa.

Meu coração estava apertado.

Olhei para Freddie e ele encarava os próprios dedos.

—Sam, fique aqui. Está bem?

Sentei-a onde eu estava antes e, com a cabeça cheia, marchei até Freddie que, me vendo aproximar, recuou alguns passos, olhando para os lados.

—Você deu bebida para ela de novo?

—Eu não, Carly. Juro. Ela achou a garrafa de vinho no meu carro e…

—E você ficou olhando ela beber?

—Não… Eu… Eu… Eu tentei impedir, mas…

—Tentou impedir como? Beijando-a?

E bastou um estalar de dedos para eu perder o controle. Não que eu tivesse desejado aquela situação, mas quando vi já tinha a cabeça em outro lugar.

—Você não pode ficar simplesmente falando para ela parar, Freddie. Você acha que ela vai te escutar? Você tem que tomar a porra da garrafa da mão dela…

—Calma, Carly. Eu tentei fazer isso, mas ela…

—E sua mãe falando que você é um santo, o bebezinho dela.

—Quê?

—Eu acabei de levar um esporro da sua mãe por tentar defender você, e o que você faz? Aparece aqui com a minha amiga bêbada, mesmo sabendo que ela não pode beber.

—Espera aí. Mas eu não a embebedei.

Não quis escutá-lo mais. Eu estava cheia.

Fui na direção de Sam e a levantei. Enquanto me distanciava, eu ainda era capaz de escutar Freddie me chamando. A verdade é que, certa ou não, eu havia tomado raiva da sua cara.

Geral

Marissa estava de pé em frente à janela do seu escritório quando a porta do cômodo foi aberta com brusquidão, revelando Freddie que tinha uma veia saltada no pescoço.

—Por que foi falar com a Carly, mãe?

—Primeiro, você vai abaixar esse tom de voz…

—Ela não tem nada a ver com isso. Se tem algo a dizer, diga para mim. Não a meta nisso.

—Fredward Benson…

—Está fazendo uma pressão desnecessária nela.

—Fredward…

—Você não consegue ficar na sua, não é? Precisa estar em cima de alguém o tempo todo. Até quando vai ficar me tratando como se eu fosse um garoto de quinze anos? Eu não tenho quinze anos, porra. Eu sou…

—CALA JÁ A SUA BOCA, FREDWARD BENSON!

Impetuosa, Marissa deixou a janela e marchou firme na direção do filho para apontar-lhe um dedo no rosto.

—Eu já te falei um milhão de vezes que não quero você agindo como o seu pai…

—Eu não estou agindo como aquele filho da puta.

—Está, sim. Está!

Marissa bufou, odiosa, e arrancou o boné que Freddie usava.

—Está andando feito um suburbano.

Olhou com minuciosidade o moderno que usava uma bermuda despojada em conjunto com uma camiseta amarrotada pelos amassos de mais cedo.

—Coloque-se no seu lugar, Fredward Benson. Você não é como os outros aí fora. Você é o meu filho.

—E?

—Como ‘e’?

—E daí?

—‘E daí’, Fredward, que você anda se enroscando com umazinha que futuro algum tem.

—Você sequer a conhece.

—E você a conhece muito bem, não é mesmo?- Ironizou.

—Melhor do que você.

—Não sabia que para conhecer alguém é preciso transar com ela no carro.

O moderno imediatamente recuou.

—Como está sabendo disso?

—Meus olhos estão em todos os lugares, Fredward - sorriu vitoriosa.

—Você é louca.

—Como é?

—Você é louca! Você colocou câmeras no meu carro de novo?!

Freddie não esperou pela resposta. Virando-se, correu para o exterior do escritório, nem dando atenção à Violet que vinha pelo corredor com um desenho em mãos.

No quarto, Sam roncava em sua cama, apesar do sol raiar lá fora. Era sempre assim: bebia à beça e, depois de Carly forçá-la a se banhar, dormia feito pedra.

Na cama ao lado da sua, estava Carly deitada entre Mia e Leon que com ela assistiam a um desenho na TV. Quando, então, batidas fracas soaram à porta.

—Eu atendo - Leon logo se prontificou e a morena sorriu vendo-o correr até a porta. - Ah. É você.

—Sim, sou eu, Quatro Olhos.

—Violet - Carly repreendeu se levantando.

—Posso ficar aqui, tia Carly?

—Pode, querida.

A morena fechou a porta e viu Violet correr até sua cama.

—Não quer ficar com a sua vovó? - Carly perguntou curiosa.

—Não. Ela está brigando com o papai de novo.

Carly ergueu as sobrancelhas.

—Eles brigam muito?

—Uh. Demais.

A morena balançou a cabeça vagarosamente, pensativa.

— Arreda para lá, Leon - Violet empurrou o pequeno, metendo-se entre ele e Mia.

—Ai, Violet. Não precisa empurrar, né? - O pequenino murmurou e ela só fez mostrar a língua.

Então, voltando à realidade, Carly notou a briguinha das crianças, que como sempre era mediada por Mia, e interveio.

—Pode ficar aqui, Violet, mas sem brigas. Está bem?

—Sim, Senhora! - Exclamou fingindo bater continência.

A morena revirou os olhos com um pequeno sorriso no rosto. Aquela criaturinha era idêntica a alguém que Carly conhecia muito bem.





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