Especial escrita por Valdie Black


Capítulo 1
Especial


Notas iniciais do capítulo

N/A: A história que ninguém pediu mas eu fiz mesmo assim.



Ter um filho enquanto ainda está na faculdade não era fácil. Katrina sempre achou que essas pessoas que usavam seus notebooks em lanchonetes e cafeterias eram pretensiosas, mas acabou sendo obrigada a fazer exatamente isto pois o barulho daquela Starbucks era a única coisa que a conseguia manter acordada para completar os seus trabalhos.

Apesar dos litros de café que ingeriu, Katrina sentia-se uma zumbi sentada ali fazendo aquele trabalho estúpido do professor mais exigente que ela já encontrou. Ele exigia que os alunos lessem dois livros antes de cada aula e estava sempre fazendo testes surpresa. Katrina logo entendeu que ele não era casado nem tinha filhos pois só alguém solitário poderia achar que as pessoas tem tanto tempo livre assim.

A maioria da classe abandonou aquela matéria impossível mas Katrina permaneceu pois mesmo que aquele homem fosse o demônio encarnado ainda assim suas aulas eram excelentes e ela sentia-se novamente como a garota mais inteligente do colégio quando aprendia coisas novas. Desde que engravidara ela deixou de ser especial para os outros e virou um “caso perdido”.

Ouviu alguém pigarrear e levantou a cabeça do seu notebook.

— Com licença, Srta. Clark, importa-se? As outras mesas estão ocupadas.

Katrina teve vontade de sair correndo. Era exatamente ele, o professor Lewis Jameson, de quem ela vinha reclamando mentalmente desde que começara aquele trabalho. Melhor dizendo, desde que o conhecera.

— Essa mesa também está um pouco cheia, professor. - disse, mostrando seus livros e anotações espalhados pela mesa.

— Pode me chamar de Lewis fora do horário de aula, e eu não me importo com sua bagunça. Só preciso de um lugar para me sentar.

— Ah, se é só isso, fique à vontade! - falou, sarcástica. Outra coisa que odiava no professor Jameson era a grosseria dele.

Ele não pareceu notar sua raiva e sentou-se na cadeira vaga. Katrina agora tinha vontade de jogar seu café na cara dele. Como se não bastasse ter que fazer aquele trabalho tedioso, ela ainda tinha de fazê-lo com o professor a vigiando. Também lhe irritava o fato dela estar com uma aparência horrível, enquanto que ele continuava impecável como sempre.

Desde o começo das aulas ela achou o professor muito bonito para um homem da idade dele, e agora que estava sentado tão perto dela Katrina notou bem os cachos ainda pretos nas pontas dos seus cabelos brancos e os seus olhos claros que a observavam com atenção.

— Algum problema, Srta. Clark? - perguntou ao notá-la encarando por muito tempo.

— Acho estranho vê-lo fora da sala de aula, só isso. Pensei que você não tinha vida particular.

Katrina não sabia o que deu nela para falar daquela forma, colocou a culpa no seu cansaço. Lewis apenas deu um sorriso discreto.

— Você pensou que eu vivia naquela sala de aula?

— Na verdade, sim.

— Bem, eu não estou na sala de aula o tempo todo. Também tenho um escritório.

Katrina piscou os olhos duas vezes.

— Espera, você fez uma piada? Isso foi uma piada?

— Já vi que não tenho como enganá-la, Srta. Clark.

Lewis então retirou um livro de História da Arte dos bolsos e começou a lê-lo. Katrina retornou ao seu trabalho, embora preferisse conversar com ele.

— Já que você está aqui poderia me ajudar com esse trabalho. - ela disse.

— Isso seria injusto com os outros estudantes, não acha?

— Que outros estudantes? Só existem três, contando comigo.

— Só aceito os melhores na minha classe.

Katrina corou e agradeceu mentalmente por ele estar lendo e não ter visto aquilo.

— Eu só tenho uma pergunta: Quando é que o período do trecento fica interessante?

— Quando ele vira o quattrocento.

— Como vou escrever um trabalho de quinze páginas sobre um período em que nada aconteceu?!

— Pensei que você só tinha uma pergunta.

Ele parecia divertir-se em torturá-la. Katrina voltou a ter raiva dele, ao mesmo tempo que o achava estupidamente lindo sorrindo enquanto lia seu livro.

— Sabe, Lewis, acho que descobri qual é a sua.

— Ah, é?

— Essa sua pose de “professor cruel e exigente” é tudo uma farsa. Você só quer que os alunos desistam da sua matéria para você ter menos trabalho. Você é um preguiçoso!

— É mesmo?

Katrina pensou que ele fosse bater nela quando fechou o livro e inclinou-se para frente, mas apenas disse:

— Fui sincero com você, Katrina, só aceito os melhores na minha classe. Esse semestre fui obrigado aceitar dois imbecis também porque a Diretoria não quis me oferecer uma sala para “aulas particulares”.

Ela corou novamente e dessa vez não pôde esconder dele. Gostou da forma como ele disse “Katrina” no seu sotaque escocês.

— E o que a Diretoria iria pensar se visse você flertando com sua aluna?

— Foi você quem começou.

Katrina teve vontade de lhe dar um tapa e também um beijo, mas não necessariamente nesta ordem.

**

Lewis ouviu uma batida na porta do seu escritório.

— Entre.

Katrina Clark entrou fazendo-o sorrir.

— Srta. Clark. Que surpresa.

— Professor, eu gostaria que lhe fazer uma pergunta sobre a prova final do semestre.

— É claro. Feche a porta.

Ele levantou-se e foi até ela.

— É mentira. Eu só queria vê-lo.

— Imaginei.

Katrina passou os braços em volta do seu pescoço e lhe deu um beijo.

— Pensei que você tinha dito que não poderíamos nos ver aqui porque corríamos o risco de sermos descobertos. - disse Lewis, mas na verdade não se importava.

— Eu sei, mas… senti sua falta.

Lewis sentiu que havia algo mais, porém não insistiu.

— Bem, estava mesmo me perguntando como ia entregar o seu presente.

—Presente? - ela perguntou, erguendo uma sobrancelha.

Ele voltou até a mesa e retirou uma caixa da gaveta.

— Você sempre reclama do seu notebook antigo e como nunca consegue falar direito com a sua família nele, então pensei que gostaria de um novo.

— Lewis! - exclamou, surpresa, apanhando o presente. - Obrigada. Isso é tão gentil.

— Por quê você sempre fica chocada quando sou gentil?

Ela ignorou a pergunta.

— Sabe, quando começamos isso eu tinha medo de ser apenas “um caso” pra você.

Lewis assentiu.

— Eu me lembro. Mas espero tê-la feito mudar de ideia.

— Você fez. - Katrina hesitou antes de continuar. - Eu amo você.

Ele segurou seu rosto com as mãos e a beijou.

— Eu também amo você. Muito.

— Escute, estive pensando… gostaria que você conhecesse o meu filho.

Foi a vez dele ficar surpreso.

— Mesmo?

— Sim… e se der tudo certo… queria que conhecesse o resto da minha família também. Meus pais e minha irmã idiota.

— Eu adoraria.

Katrina mordeu os lábios.

— Eles podem pensar que sou louca por namorar um professor, mas eu não ligo. Eu te amo muito para me importar com isso.

Lewis se perguntou há quanto tempo ela queria fazer aquela confissão.

— Ser amado por você me faz sentir muito especial, Katrina.

Era verdade. Lewis nunca teve ninguém que o amasse. Ela o beijou de novo.

— Também me sinto especial com você.

Katrina colocou a caixa em cima da mesa e o abraçou. Foi um abraço longo e apertado, como se ela tivesse medo que ele fosse embora. Lewis a abraçou de volta com a mesma intensidade.





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