A Nossa Canção escrita por Manu Dantas


Capítulo 15
Capítulo 15 - Recomeçar - parte II


Notas iniciais do capítulo

Despedida da nossa tempestade! Espero que aproveitem! Tentei caprichar ao máximo!



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Ponto de vista da Júlia

— Prontinho, ele é todo seu - A Bruna sorriu para mim ao me encontrar sentada na mesa de um bar que tinha vista para a praia. Estávamos em Florianópolis, onde eu passei os últimos meses desde que deixei Londrina.

O pessoal da agência de modelos onde eu trabalhava na Espanha estava investindo em uma filial no Brasil para tentar fugir da crise econômica na Europa e me convidou para ser uma das responsáveis por formar o novo "casting" da unidade brasileira. Esse emprego surgiu no momento certo, porque logo que a minha barriga de grávida começasse a aparecer eu não conseguiria mais posar como modelo.

— Ainda bem que o plano deu certo, né? - Comentei com a Anjinha enquanto levantava para cumprimentá-la com dois beijos no rosto.

— Nossos planos são infalíveis, parceira - Ela piscou para mim e nós duas nos sentamos à mesa.

Sorri ao lembrar de toda a nossa armação para o meu "reencontro" com o Lú. Pedi para o Thiago ligar e convidá-lo para passar alguns dias em Florianópolis. Depois que tive a confirmação que a Família Santana estava à caminho das terras catarinenses, liguei para a Bruninha e pedi para que ela levasse o irmão até aquele lugar, um ponto da praia que era mais calmo e deserto. De onde eu estava, sentada em um bar que contava com uma espécie de "varanda" coberta com telhas de barro, eu conseguia ver o Luan sentado na areia e mais adiante o mar se estendendo grandioso além do horizonte. Perto dali, uma grande rocha emoldurava a paisagem formando uma espécie de paredão deixando a aparência do local com uma cara de lugar mais "natural", sem a invasão dos arranha-céus das grandes cidades. Era como se ali a natureza estivesse mais presente, mais viva...

— Preparada? - A Brú me encarou antes de dar um gole no meu suco de abacaxi com sprite que eu pedi quando cheguei no lugar. Era o meu primeiro desejo de grávida... - Melhor você não demorar muito! Eu disse para o meu irmão que só ia comprar uma água e já voltava. Daqui a pouco ele começa a desconfiar... - A Anjinha parecia mais ansiosa do que eu para aquele reencontro. Quando liguei para ela e a coloquei a par de todas as novidades, enfatizando bastante a parte da gravidez, ela quase não aguentou de tanta alegria. Claro que ela me deu uma bronca por fazer todo aquele "suspense" de desaparecer por uns tempos, mas no fim ela entendeu os meus motivos e concordou comigo: Eu precisava me cercar de todas as garantias antes de contar que estava grávida. Dessa vez ninguém ia me impedir de ter o meu filho.

— Você tá certa! - Levantei da cadeira, confiante - Tô bem? - Apontei para a minha saia jeans e para a blusinha de alcinha verde escuro que eu estava usando. Meus cabelos estavam caídos pelos ombros e cobrindo uma parte das costas formando leves ondas nas pontas e o meu rosto estava limpo de maquiagem. Queria que o Luan me visse como eu realmente era, sem disfarces.

— Quero que o meu sobrinho tenha os olhos verdes também - A Brú fez graça - Tá uma gata! Aliás, uma princesa!

Sorri que nem uma boba só de imaginar o meu filho e o do Luan. Será que ele seria tão bonito como o pai?

Olhei para fora e o vi sentado na areia mexendo em algo que parecia ser o seu celular. O céu estava escuro e o mar agitado. Vinha tempestade por aí... Bom, mas quem era eu para reclamar de tempestade?

— Me deseje sorte - Pedi antes de dar um beijo na testa da Anjinha e começar a andar em direção à praia. Quando passei pelas portas, uma música suave, dessas bem típicas de litoral, começou a tocar.

*** Link para música: https://www.youtube.com/watch?v=0bX_3D_xl14 ***

Fui ouvindo a canção enquanto me afastava do bar. Achei a letra bem apropriada para o momento. Mais um ponto para o senhor destino que gostava de colocar as músicas certas nos momentos errados.

Só que dessa vez o momento não estava errado... Ou estava? De repente senti um frio na barriga e um medo incontrolável. E se ele não me quisesse mais? E se ele não quisesse assumir o filho? O Luan era muito novo para ter esse tipo de responsabilidade... E se ele não quisesse dar uma nova chance para o nosso amor?

Descalcei os chinelos, que já estavam cheios de areia a essa altura, e caminhei confiante até o Luan, deixando aqueles pensamentos negativos para trás. Pensar daquele jeito não ia me ajudar em nada...

— Esperando a tempestade? - Perguntei , me sentando ao seu lado e jogando os meus chinelos de qualquer jeito na areia.

— Júuuuuliaaa? - O Lú me encarou sem entender nada. Vi vários sentimentos passarem pelo seu rosto antes que ele pudesse falar mais alguma coisa: surpresa, alegria, alívio, saudade... amor? Seus olhos brilhavam com a mesma intensidade que na época que namorávamos, então eu ousava dizer que sim, era amor - O que você está fazendo aqui? - Ele me perguntou, ainda tentando reencontrar o ar.

— Eu não avisei que voltaria logo? - Levantei a sobrancelha para ele tentando disfarçar a minha própria ansiedade. Por dentro eu estava surtando com aquela situação, o meu coração fazendo a coreogria completa de "Gangnam Style".

O Luan não me respondeu. Ele apenas ficou me encarando, como se não acreditasse que eu estava ali. Lentamente ele deixou o celular, que ele estava usando para se distrair momentos antes de eu chegar, na areia e virou o corpo para mim, de forma que agora ele me fitava diretamente nos olhos.

— Como você sabia que eu estava aqui? - Ele perguntou, desconfiado.

— Pedi para o Thiago te ligar e te chamar para passar uns dias em Floripa. Depois liguei para a Brú e combinei esse encontro. Antes que você pergunte, Anjinha está sã e salva naquele bar, assistindo a cena e, com certeza, se divertindo muito às nossas custas - Expliquei a situação e depois acenei em direção ao bar onde vi a irmã do Lú dar um "tchauzinho" de longe.

— Não "credito" nisso! Mas vocês... - Vi o Luan fazer uma cara de surpresa ao meu lado ao mesmo tempo em que ria de toda aquela loucura.

— E por onde você andou todo esse tempo, muié? - Ele quis saber depois se recuperou do choque.

— Estava aqui em Florianópolis, a trabalho. Sou a nova produtora de "casting" da unidade brasileira que a agência onde eu trabalhava na Espanha está abrindo aqui no nosso país. Recebi a proposta um pouco antes de ir embora de Londrina. Não quis contar para ninguém porque... - Sem querer coloquei a mão na barriga. A verdade é que, primeiro, eu ia embora para ficar longe do Luan. Mas depois que descobri que estava grávida, eu fui para garantir que teria condições de ter o meu filho em paz, sem a interferência de ninguém - ... porque a proposta era bacana e se encaixava perfeitamente nessa nova fase da minha vida - Completei. Não era uma mentira, era apenas uma maneira de prepará-lo para a verdade que ainda estava por vir.

— E todo esse tempo você estava aqui? Achei que tivesse voltado para a Espanha... - O Lú comentou, parecendo aliviado de repente.

— Sim, fiquei por aqui os últimos meses. Mas passei o Natal com os meus pais em Marília... - Contei meio sem jeito. Era estranho ficar ao lado dos meus pais depois de tanto tempo. Mas já que eu estava tendo uma segunda chance, achei que eles também mereciam participar disso. Minha família ficou muito animada com a gravidez e se colocou à disposição para me ajudar. O clima ainda era bem "pesado" entre nós, mas aquilo era algo que o só o tempo poderia resolver. Eu dei o primeiro passo para perdoá-los e eu esperava, de coração, que a nossa relação passasse a ser algo a mais que um carro importado e uma mesada no final do mês.

— Então vocês se acertaram? - Vi o seu rosto se iluminar. Eu sabia que ele respeitava muito esse amor entre pais e filhos.

— Mais ou menos... É um caminho difícil, preciso reaprender a confiar neles, mas acho que estamos no caminho certo - Disse, encarando o mar na minha frente. O tempo continuava fechado e ventava um pouco, o que fazia o meu cabelo voar no meu rosto.

— Que bom, nega! Isso vai ser bom para você - Ele sorriu para mim e eu me derreti toda. Ahh, aquele sorriso de menino...

Ficamos um instante apenas admirando o oceano a nossa frente, ainda absorvendo todo o "impacto" daquele encontro.

— E você, o que andou fazendo enquanto estive fora? Pensou em tudo o quê aconteceu? - Quebrei o silêncio entre nós.

— Fiz o de sempre... Shows, entrevistas, fotos, autógrafos... - Sua expressão parecia a de um homem de 30 anos de idade. Às vezes o Luan me surpreendia com aquele jeito de ser tão maduro e tão bobo ao mesmo tempo - Participei do programa do Rei, fiz show na virada do ano... - Ele fez uma pausa como se estivesse tomando coragem - E pensei na gente... - Sua voz era fraca, quase um sussurro.

— E... - Cada parte de mim implorava por uma resposta.

— E que eu senti sua falta, Jú - Ele voltou a se virar para me encarar nos olhos. Sustentei o seu olhar e agora nós falávamos um para o outro, sem rodeios - Sei que você errou, mas errou pensando em acertar. Tudo o que aconteceu foi uma bagunça, e é como você falou, remoer isso não vai levar a gente para lugar nenhum... É como minha mãe me disse: Talvez a gente precise de uma segunda chance, para poder decidir se queremos mesmo ficar juntos ou não, sem a interferência de mais ninguém...

Meu coração deu cambalhotas de felicidade dentro do peito. Segunda chance para decidir se queríamos ficar juntos? Bom, se dependesse de mim, eu topava aquela proposta agora mesmo, sem pensar duas vezes!

— E a Jade? - Fiz a pergunta de um milhão de dólares. Andei todo aquele tempo fuçando na internet para ver se encontrava alguma notícia sobre o namoro dos dois, mas aquele relacionamento parecia ser mais frio que pedra de gelo.

— Nós terminamos - Ele me informou sem me encarar.

— Terminaram? - Eu quase gritei, tamanho foi o meu susto. Ele balançou a cabeça confirmando a novidade. Tive vontade de levantar e sair gritando e correndo pela praia de tanta felicidade, mas me contive. Ao invés disso, procurei no seu rosto alguma expressão de arrependimento ou de saudade, mas não encontrei nada. Ele estava sério, mas não triste.

— Poooooxa, mas que chato! - Comentei irônica fazendo ele rir de mim - Posso saber o por quê esse relacionamento tão bonito acabou? - Mantive o meu tom sarcástico enquanto tentava arrancar alguma informação dele.

— Eu me precipitei assumindo a Jade. Acho que todo aquele papo da Dagmar e do pessoal do marketing de que o namoro seria bom para a minha imagem acabou me influenciando também... Eu não estava seguro nessa relação. A Jadoca era muito gente fina, um amor de pessoa e a gente se dava muito bem... Mas não era isso o que eu queria para mim - Ele confessou, mexendo no anel, nervoso.

— Bom, mas até onde eu sei vocês ainda estão namorando para a mídia, né? - Especulei.

— Sim... Não posso anunciar o término do namoro por enquanto - Ele disse, visivelmente contrariado - "Num guento" mais essa pressão toda, esse monte de perguntas que me fazem da Jade, mas a Dagmar insiste nisso...

— Tô vendo que você não tá curtindo nem um pouco isso, né? - Algo me dizia que a "coisa ia ficar séria" pro lado da Dagmar e do pessoal do marketing.

— Não... Agora em 2013 eu estou pensando em mudar algumas coisas. Depois que eu descobri que você foi embora para não atrapalhar a minha carreira, eu cheguei a conclusão que preciso assumir mais as rédeas da situação. Esse ano quero tentar fazer tudo mais do meu jeito, colocar a minha "cara" em tudo... - Ele me contou e percebi que ele estava animado com aquela nova ideia.

— Acho isso ótimo! Se precisar de ajuda... - Apertei o seu braço de leve para demonstrar que ele poderia contar comigo e ele retribuiu o gesto com um sorriso.

— Esse ano tem DVD, né? Não perco por nada - Mudei de assunto, enrolando antes de chegar ao ponto principal da nossa conversa.

— Tem sim! Vai ficar top demais! Quero você lá e quero te ver lá! Nada de fazer como no DVD do Rio que nem fiquei sabendo que você foi participar da gravação - Ele me avisou com os olhos brilhando.

— Não perderia por nada... - Retruquei ficando séria de repente. Eu sabia que eu precisava contar para ele, mas como?

— Hããã... Você disse que pensou em tudo o quê aconteceu, né? Bom, posso concluir que você não me odeia, já que está aqui conversando comigo? - Perguntei mexendo na areia na minha frente, nervosa.

— Já disse que não te odeio, Julinha - Ele riu e isso me deixou mais calma - É como eu disse, eu entendi os seus motivos. Posso não concordar com a sua atitude, porque pra mim você tinha que ter me contado que estava grávida. Mas isso já foi, já passou...

— Lú... Sabe o que a sua mãe disse? Da gente tentar de novo? O que você acha disso? - Tentei manter o meu tom de voz o mais firme que consegui. Era agora ou nunca. A resposta que poderia mudar a minha vida!

Ele respirou fundo e se mexeu na areia antes de me responder. Depois ele pegou a minha mão e se enchendo de coragem, ele disse me olhando nos olhos - Eu acho que a gente merece sim essa segunda chance. Eu senti muito a sua falta nesse tempo que você passou fora e o meu coração só vai "sussegar" com você ao meu lado. Sei que talvez possa não dar certo por tudo o que já aconteceu, mas eu preciso tentar, eu preciso ter você comigo...

Meus olhos se encheram de lágrimas ao ouvir aquelas palavras. Ele queria tentar, ele queria tentar! De repente parecia que o buraco que eu carregava dentro do meu coração desde que nós terminamos finalmente seria preenchido. Também me enchendo de coragem, coloquei a minha outra mão sobre a dele e apertei bem forte, nossos olhos colados um no outro.

— Se você tivesse a oportunidade de consertar tudo o que deu errado, de voltar e começar tudo de novo, você voltaria? Você tentaria de novo? - Perguntei, minha voz entregando a minha emoção.

— Como assim, Jú? - Ele me encarou, intrigado.

— A vida me deu uma oportunidade para consertar tudo o que há de errado na minha vida. É como se a história estivesse se repetindo: Eu voltei para o Brasil, eu consegui ser totalmente franca e honesta com você como era antes, nós ficamos juntos e... - Parei a frase na metade. Sem coragem de falar, peguei a mão do Luan e coloquei sobre a minha barriga, a segurando muito forte.

Ele me olhou completamente embasbaco. Seus olhos se arregalaram e eu quase conseguia ouvir a sua cabeça processando toda aquela novidade. Eu tremia de nervoso.

Juntando toda a coragem que ainda me restava, continuei - ... e Deus me deu o direito de ter uma pequena parte de você crescendo dentro de mim de novo. Olha Luan, eu vou entender se você não quiser esse filho, se você não quiser assumir, se achar que é muita responsabilidade ou que sei lá... que estou de golpe pra cima de você. Mas eu estou sendo sincera agora, tudo o que eu quero é ter a oportunidade de recomeçar essa história e dar a ela um final feliz. É a minha chance de ter um filho seu e eu gostaria muito que nós estivéssemos juntos para cuidar dessa criança e para encarar tudo o quê vem pela frente - Disparei a falar, ainda sem soltar a sua mão e a mantendo sobre a minha barriga. Na minha frente ele ainda me encarava branco que nem um fantasma, completamente imóvel - Eu te amo, Luan - Completei com a única coisa que me veio a cabeça depois de todo meu discurso. A reação dele estava começando a me preocupar. No meu interior o medo de que ele rejeitasse o filho ameaça tomar conta de mim.

— Júlia, você está grávida? - Ele disse por fim, sua voz falhando.

— Estou - Confirmei sem desviar o olho dele, registrando cada movimento.

E de repente foi como se o mundo tivesse voltado a girar. Ele debruçou o seu corpo sobre o meu, me derrubando de costas na areia e no instante seguinte ele estava me beijando. Um beijo suave, lento, cheio de amor. Relaxei deixando toda a tensão ir embora. Não era ele que cantava que um beijo falava mais que mil palavras? Concluí pela sua reação que ele tinha gostado da notícia. E gostado muito, por sinal...

— Você não tá brincando comigo, né? Você tá falando sério? A gente vai ter um "muleque"? - Ele me perguntou ainda em cima de mim, os braços ao lado da minha cabeça lhe servindo de apoio, a boca ainda muito próxima da minha, a expressão completamente feliz.

— Claro que eu estou falando sério! Não sei ainda se é um "muleque"... Eu queria esperar para descobrir junto com você - Contei, sorrindo que nem uma boba ao ver a sua reação.

Ele me beijou mais uma vez e eu aproveitei para abraçá-lo bem forte, matando toda a saudade que eu senti no tempo que estive longe.

— Nega, tô feliz demais com essa notícia! Eu nem acredito nisso! Mas fala para mim que você nunca mais vai embora. Que você vai ficar comigo pra sempre - Ele me pediu, depois que interrompemos o beijo para tomar um fôlego.

— Você me disse lá em casa que sonhava em ficar comigo, em casar e ter filhos... Acho que eu posso te ajudar a realizar mais esse sonho! - Brinquei, meu coração não se aguentando de tanta alegria no peito.

— Jú, quando disse que ia estar pra sempre com você, eu estava falando sério! Eu já te disse isso... Por favor, me deixa cuidar de você agora! Deixa eu cuidar desse "muleque" que tá crescendo aqui - Ele deslizou a mão até chegar a minha barriga. Senti o seu toque na minha pele e o meu corpo se arrepiou todo em resposta.

— Já disse, a vida está me dando uma segunda chance e eu não vou desperdiçá-la. Como diz a Thaeme, agora eu vou viver o meu conto de fadas interrompido. Agora eu vou ser feliz ao seu lado!

Ficamos ali, na nossa bolha, curtindo o nosso momento como se nada mais importasse. Eu via os meus olhos verdes refletidos nos seus, a minha alegria estampada no seu rosto. Naquele momento, era como se os nossos corações batessem no mesmo ritmo e como se os nossos corpos completassem um ao outro.

E tudo o que eu passei, todo o tempo que passamos separados, toda a mágoa que ele sentiu de mim... Era como se nada mais existisse. Só que havia agora era a esperança de um novo recomeço, de um amor que ainda tinha muito o que viver e muito ainda para crescer.

— Eu te amo, Julinha - O Lú me disse, acariciando o meu rosto, agora deitando ao meu lado na areia, um dos braços me apertando em um abraço.

— E eu te amo ainda mais, Luan Rafael - Respondi baixinho no seu ouvido.

E então ela chegou. A tempestade tomou conta da praia, grossas gotas de chuvas caindo do céu. Era como se Deus estivesse lavando as nossas almas e abençoando o nosso amor.

Beijei o Luan novamente, sentindo as gotas de chuvas contra o meu corpo, apreciando a sensação da água gelada contra a minha pele quente.

Depois segurei a sua mão e me levantei, puxando-o junto comigo. Eu havia deixado a minha bolsa e todos os documentos dentro da bolsa, que ficou na mesa onde encontrei a Bruninha no bar. Por sorte, a chave do Amora estava no bolso traseiro da minha saia.

— Vem, não quero que você fique gripado! Semana que vem você já tem show para fazer... Hoje sou eu que vou cuidar de você - Avisei vendo o seu rosto todo molhado pela chuva, os cabelos caindo bagunçado no rosto - E não se preocupa! Lá de casa eu ligo para a sua irmã e aviso que vou te sequestrar hoje - Pisquei para ele, o provocando.

Ele apenas me abraçou forte e passou a caminhar ao meu lado, sorrindo para mim parecendo ter gostado muito da proposta e confiando completamente em mim para cuidar dele.

E pela primeira vez, depois de alguns anos, nós teríamos uma noite normal como namorados. Voltar da praia, tirar a roupa molhada de chuva, tomar banho, dormir juntos... Eu sabia que eu tinha um longo caminho pela frente, mas por enquanto, só aquilo me bastava. Estar ao lado do Luan era a melhor recompensa de todas.

***

Mais tarde, enquanto eu via o Luan dormir na minha cama, repassei na minha mente toda a nossa história, desde o dia que nós conhecemos em Campo Grande até hoje.

Não fazia muito tempo eu estava me perguntando se "ser tempestade" era algo bom. Agora, depois de tudo, eu havia chegado a conclusão que todo mundo precisa enfrentar a tempestade para conseguir o que deseja. E naquele momento, vendo o homem que eu amava dormindo ao meu lado, tive a certeza que eu tinha eu tinha vencido a tempestade e encontrado o meu porto seguro, o meu ponto de paz, o meu céu completo.


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Notas finais do capítulo

Gostaram de conhecer a Tempestade? Essa é uma das histórias que escrevi que mais amo. Espero que tenham gostado tanto dela quanto eu.

E, se você chegou até aqui, deixa um comentário dizendo o que achou e escreve uma recomendação da fic. Pode ser? ♥

Como vocês sabem, estou passando todas as minhas histórias para o Nyah. Terminei de postar "Incondicional" e também vou publicar "Cinco Dias em Cancún" por aqui. E, claro, vou terminar "Voar Outra Vez" que está quaaaase chegando ao fim. =)

Beijo grande e a gente se vê por aí! Histórias é que não vão faltar!



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