Seven Deadly Sins escrita por Bird


Capítulo 10
Humility


Notas iniciais do capítulo

Dois capítulos no mesmo dia, acho que estou indo bem :)
Espero que gostem!



HUMILITY, Annabeth Chase 

— Sabe, se vamos continuar com isso — Quebrei o silêncio após algum tempo. — Você precisa terminar com Reyna e... Precisamos parar com esse lance escondido. 

Ele se enrijeceu na cama, apoiando-se no cotovelo e olhando em meus olhos. 

— Já vi Reyna com outros caras antes e mesmo ainda tendo a chave do apartamento, ela nunca mais apareceu. — Ele refletiu. — Se isso lhe incomodar, eu oficializo o término com ela. 

— Você faz se quiser, Percy. — Respondi me achando tola por ter quase implorado que ele me assumisse, que tipo de garota eu sou para pedir essas coisas? 

— Eu quero. — Ele sorriu. — Fiquei com medo de ir rápido demais e acabar estragando as coisas novamente, mas eu quero fazer isso. 

Eu acabei sorrindo também, graças ao misterioso componente naquele sorriso que me contagiava. Levantei-me a procura de roupas pelo chão, mas desisti e me encaminhei direto para o banho, afinal não tinha nada de novo para ele ver. 

— Por que não arquiteta mais nada? — Ele perguntou do quarto, provavelmente encarando minha mesa de desenhos. — Você tem bastante talento. 

— Arquitetura é mais uma dessas faculdades técnicas sem mercado de trabalho. — Pensei sobre o assunto. — Pelo menos não para alguém recém-formado. 

— Mas você não é mais recém-formada. 

— É preciso um excelente portfólio. 

— Você tem um excelente portfólio. 

— Você é suspeito para criticar, Jackson. É quase meu namorado. 

Ele apareceu no batente da porta. 

— Quase seu namorado? É assim que me vê? 

— Sim... Não, não sei. — Ele riu da minha confusão, mas eu me sentindo tola. 

— Vamos fazer assim. — Ele começou, se aproximando de mim e me abraçando por trás, enquanto nos olhávamos pelo reflexo no espelho, carne na carne. — Eu peço para os arquitetos da Olympius verificarem seu portfólio e depois eu tiro esse “quase” da frente do “namorado”. Pode ser? 

Meu orgulho apitou e repuxou alguns fios dentro de mim. Sério que Annabeth Chase deixaria ser ajudada? Logo em uma coisa tão importante como sua carreira? Atena riria e cuspiria em minha face agora, mesmo sobre sete palmos abaixo de mim. 

Você não exerceu a carreira dos sonhos porque não conseguiu sozinha, Annabeth. Permita que Percy a ajude, sua boba. Gritava a Annie despretensiosa. Algumas coisas estão fora de seu alcance, aceita a ajuda dele 

— O que me diz? — Ele me olhava em expectativa e eu sentia seu coração palpitando. 

Soltei as seguintes palavras sem repensar mais sobre o assunto, deixando de lado a caveira de Atena Chase. 

— Fechado. — Me virei para ele e recebi um beijo. 

— Você vai ver que seu trabalho é incrível. — Fui com ele novamente para o quarto e separei os projetos para a análise, inúmeros desenhos com pontes, prédios e parques. Minha assinatura abaixo de todos eles, juntamente com o link para meu portfólio online com mais milhares de imagens que eu alimentava no meu tempo livre. 

Vesti um robe e preparei um café da manhã simples, ao mesmo tempo que Percy se arrumava para o trabalho e eu estava muito ansiosa. Precisava me conter e lembrar que isso seria incerto, que talvez o arquiteto da Olympius apenas debochasse dos meus desenhos amadores e mandasse um e-mail para a faculdade onde me formei, informando que cometeram um erro comigo. 

Mandei esse pessimismo embora e sentei à mesa para comer. 

— Minhas metas para hoje foram bem definidas. — Jackson entrou na cozinha. — Entregar desenhos legais, pegar as chaves do apartamento, dar um chute na bunda da Reyna e depois levar Thals para um jantar que prometi. 

Não o respondi e apenas continuei observando-o passar geleia na sua fatia de pão. 

— Nervosa? — Perguntou. 

— Completamente. 

— Então vamos falar sobre outra coisa. 

— Não temos tempo para falar, Percy! Você precisar entregar os papéis, dizer que o arquiteto confirmou que eu sou inútil e acabar com essa expectativa, para eu voltar para a vida monótona. 

Ele absorveu a frase que falei rapidamente. 

— Eu estou tão ansioso quanto você, mas precisa ter calma. — Ele sorriu ameno e se levantou. — Precisa ter mais confiança nos projetos, eles vão ser aprovados. 

Fui deixá-lo na porta. 

— Promete que vai ligar depois que souber? — Perguntei. 

— Eu ligo, Annie. — Ele me abraçou. — Tente relaxar antes de ir trabalhar, te vejo mais tarde. 

Voltei para a cozinha, terminei meu café e lavei toda a louça. Respirei fundo algumas vezes e fui finalmente tomar banho e me preparar para o trabalho, colocando uma roupa qualquer e indo até o bicicletário pegar minha fiel companheira. 

Thals e eu trabalhamos em cafés diferentes agora, mas sempre vamos juntas pelo caminho. Agora ela vai a pé, pois a barriga está maior e ela sente dores ao deslizar pelas vilelas como fazia antigamente. Vou acompanhando devagar ela. 

Depois do meu expediente, volto para casa em uma pedalada, Percy não me ligou o dia inteiro, então eu o ligo. 

— Hey. — Ouço sua voz. 

— Disse que me ligaria quando soubesse o resultado, ainda não sabe? 

— Sei sim. — Ele disse distraído 

— Você sabia que eu estava angustiada o dia inteiro, por que não ligou? 

— Eu estive ocupado, peço perdão

Eu me acalmei. 

— Tudo bem... 

— Já estou no restaurante com Thalia, depois irei até seu apartamento para discutirmos o resultado. — Isso me apavorou, mesmo com sua voz brincalhona. 

— Ok. — Foi tudo o que respondi antes de desligar. 

Ok Annabeth, se acalme. Que menina boba, se preocupando à toa, você no fundo sabe o resultado que irá discutir com Percy. Ele irá dizer que o arquiteto julgou mau, que você tem talento e que é para você não desistir. Afinal, foi o que seu próprio pai lhe disse todas as vezes que foi recusada. 

Depois de tantos nãos, eu acabei me acostumando a isso. Tanto orgulho... Para que? Nunca fui boa em prática e técnica, sempre fui a garota dos livros, que se dá bem nas provas e nada além disso. No final, eu poderia ser mais humilde. Sei que não sou boa o suficiente. 

Ouvi batidas na porta e olhei a hora no celular antes de atender, provavelmente era ele. 

— Nunca vi um corpo tão magro se alimentar tanto. — Ele entrou quando abri, Percy tinha a mania de nunca dar oi e puxar logo algum assunto. — Magro exceto a barriga, Alex está crescendo bastante. 

O olhei após fechar a porta, com a cara de quem não se importava tanto com Alex no momento. 

— Certo, seu portfólio. Mas primeiro, gostaria de dar-lhe isto. — Ele tirou uma pequena chave prateada do bolso. — É a chave do meu apartamento e eu já registrei seu nome na portaria, pode entrar e sair a hora que quiser, minha casa é sua casa. 

— Percy... — Disse indicando que gostaria de ir direto para a resposta dos arquitetos, mas ele ignorou ou não notou. 

— Também terminei com ela hoje. — Sentamos no sofá fofo. — Não foi difícil, tínhamos quase um acordo silencioso sobre isso, então apenas o vocacionamos. Reyna fez questão de jogar sua aliança no lixo, o que me fez lembrar que você precisava disto aqui. 

Novamente ele tirou do bolso uma caixinha vermelha e eu me impressionei, por essa eu não esperava. 

— Percy... 

— Annabeth, já vamos falar sobre seu portfólio, estou tentando te pedir em namoro aqui. 

— Não, seu bobo. — Eu ri com sua interpretação errônea. — Eu estou chocada, não previa isso. 

— Sei que não foram muitos meses juntos, mas foram o suficiente para fazer eu me apaixonar completamente por você, Annie. — Ele sorriu sacana. — Mesmo quando você ficou bêbada no nosso primeiro encontro. 

Eu ri com a memória. 

— Você quer namorar comigo? 

— É claro que eu quero, seu tapado. — Ele colocou o anel modelado com pedrinhas azuis em meu dedo anelar e eu o beijei. Peguei o outro anel da caixinha, este sem as pedras, e pus em seu dedo. 

— Eu te amo, Percy. — Soltei, com nossas testas encostadas. — Você conseguiu fazer com que eu me apaixonasse por um bobão. 

— Está aprendendo muitas palavras novas com Thalia. — Nós rimos e nos separamos. — Eu também te amo, mas ainda quer saber o que disseram sobre seus desenhos? 

Me lembrei do portfólio, quase ia esquecendo. 

— Claro que sim, o que disseram? 

— Você foi comparada com um tal de Lloyd Wright, que depois de pesquisar, descobri que é considerado um gênio de arquitetura norte-americana. — Ele dizia. — Os meus arquitetos colocaram várias considerações anexadas aos projetos, com e-mails para onde você pode mandar os esboços e esperar notícias positivas. 

— Eu nem consigo acreditar em tantas notícias boas de uma vez.  



Notas finais do capítulo

O que acharam?
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