Upgrade escrita por Kori Hime


Capítulo 1
Atualizando o banco de dados


Notas iniciais do capítulo

É um conto pequeno mas de coração, eu fiz para a Ariane como resposta da fanfic que ela escreveu para mim no meu aniversário.

Tadashi é o personagem mais injustiçado nesse mundo.

Espero que gostem, boa leitura.



Tadashi pegou o celular e a carteira, enfiando nos bolsos das calças. Ele olhou para o irmão Hiro dormindo na cama, as pernas afastadas e a cabeça pendendo para fora da cama. O mais velho riu, e aproximou-se para tentar ajeitá-lo sobre o travesseiro. Mas sabia que no minuto seguinte o irmão mudaria de posição e acordaria com dores terríveis nas costas.

Só que Tadashi também sabia que a origem das dores lombares de Hiro não vinham apenas do fato dele dormir mal na cama, haviam comprado diversos colchões anatômicos, assim como travesseiros especiais, até mesmo aqueles chamados de astronautas. Mas nada deu jeito. A verdade era que Hiro, o jovem adolescente, vinha passando a madrugada em claro montando robôs na garagem da casa da tia, onde viviam.

Tadashi até se orgulhava do fato de seu irmão se interessar pela robótica. Só que Hiro não almejava as glórias dos Centros Acadêmicos da cidade. Estava de olho no dinheiro dos robôs lutas.

Sendo universitário e ganhando uma bolsa de estudos, Tadashi passava a maior parte do tempo estudando no Instituto de Tecnologia de San Fransokyo. Não sobrava tempo para conseguir um trabalho, nem de meio período, para conseguir pagar qualquer tipo de passeio ou as coisas que Hiro queria comprar. Algumas vezes eles discutiam, mas o que Tadashi e sua tia podiam fazer era economizar para presenteá-lo no natal ou em seu aniversário. Mas, dessa vez, Hiro queria fazer uma atualização em seu computador, e isso incluía peças modernas e muito caras. Até mesmo uma impressora 3D estava na lista. Sua tia, Cass, ficou de queixo caído com o valor total do upgrade, precisaria vender muitos cafés e bolinhos para pagar tal conta.

E foi a partir de um “não, não podemos arcar com esse preço no momento” que Hiro colocou na cabeça que precisava ganhar dinheiro a qualquer custo. Tadashi não esperava que ele fosse chegar tão longe, mas chegou. Hiro ia de uma robô luta para outra, como se tivesse idade para andar sozinho pela cidade a noite. Eles brigavam quase todos os dias, e por mais que Tadashi quisesse impedir o irmão, sabia que ele fugiria pela janela e voltaria as rinhas.

Com um suspiro pesado, Tadashi deixou sua casa e pegou a motocicleta para ir até a faculdade. Ele precisava dar continuidade a sua nova invenção. Demorou algum tempo até entender o que exatamente ele queria desenvolver. Não apenas seu irmão era a sua inspiração, mas todas as pessoas do mundo que precisavam de ajuda. Queria que seu protótipo fosse inspiração e, também, poder alcançar as pessoas nos lugares mais inóspitos da Terra.

Baymax ainda tinha muito o que ser aperfeiçoado, mas ele já conseguia identificar algumas doenças e a programação de seu sistema operacional vinha aprendendo cada dia mais com o contato humano. Tadashi acreditava que um robô teria condições de analisar um paciente se o compreendesse por completo. É claro que ele possuía inquietações sobre a ética quanto o que era vida e inteligência artificial. Porém, via em Baymax uma tecnologia útil que poderia salvar vidas e Callaghan vinha lhe incentivando cada vez mais para dar prosseguimento ao projeto.

Agora Baymax estava parado ao lado de Tadashi, observando-o enquanto o inventor digitava códigos no computador.

— Sua temperatura aumentou. — Disse o robô.

— É, está calor. Talvez o ar condicionado está baixo. — Tadashi continuou digitando, até que ele notou o que acabara de acontecer. — Você falou comigo?

Baymax já havia saído da sala de Tadashi, estava próximo do painel do sistema de refrigeração.

— Tadashi, seu marshmallow gigante está fugindo! — Fred gritou.

— O que é fugir? — Baymax perguntou.

— É quando uma parada muito sinistra acontece e você pensa que não tem mais porque ficar naquele lugar senão vai acabar sujando pro seu lado e daí você dá o fora antes que comece a feder.

— Feder? Pesquisando termas próximas. Resultado encontrado. Há 123 termas no raio de vinte quilômetros. O banho de águas termais rejuvenesce e hidrata a pele.

— Sinistro. — Fred deixou o queixo cair. — Hey! Tadashi, você me empresta seu robô para a festa que vou dar no final de semana?

— Nem pensar. — Tadashi respondeu. — Ele não é um balão de festa.

— Ah! Qual é, deixa ele decidir. Poder para os robôs! Poder para os Robôs. — Fred começou a marchar ao redor de Tadashi e Baymax. — Vamos, marshmallow, repete comigo. Poder para os robôs.

— Poder para os robôs.

— Ok! Já chega, vamos Baymax, para minha sala, tenho uma atualização para fazer no seu sistema.

Enquanto Fred organizava sua festa e protesto contra a decisão de Tadashi, Baymax estava conectado por um cabo USB para fazer a transferência de dados.

— Vou precisar melhorar isso, talvez um chip para upgrade seja melhor. — Ele comentou mais para si do que para o robô entender.

— Ainda está quente.

— Sim, a sala está quente.

— Abra a boca e assopre.

— Não, eu estou bem, sério. — Tadashi olhou para o robô novamente. — Não era para você estar falando nesse momento. Estranho, os dados não estão completando.

— Sua temperatura aumentou, eu posso te indicar retirar o excesso de roupas. Tomar um banho de água morna, beber muita água e suco de laranja. Precisa manter repouso.

— Eu estou bem, Baymax, sério, só preciso... — Tadashi parou o que fazia, sentindo um incomodo. Estava suando e de fato a temperatura havia aumentado muito. — Parece que eu sou tão teimoso quanto meu irmão.

— O que é um irmão?

— Ah! Eu vou te explicar tudo depois, agora preciso cuidar de mim, ou você não vai poder ajudar as pessoas como imaginei.

— Tadashi está quente.

— Sim, eu vou para casa. Resolvo o problema do upgrade depois. — Ele desconectou o USB e analisou o robô antes de acionar para que ele se desligasse. — Um chip, definitivamente eu preciso criar um chip.

Tadashi sentou na cadeira e começou a projetar uma versão para o chip em que poderia salvar informações sobre os dados do paciente. Sabendo que Baymax vinha aprendendo cada vez mais com a interação humana e o acesso a internet, ele poderia focar agora no tratamento de todos os tipos de doença.

Era madrugada quando ele foi vencido pelo cansaço. Levantou-se com dificuldade e pegou um táxi para ir para casa, não seria uma boa ideia ir de moto. Quando a tia Cass o viu suando e vermelho a ponto de colar as costas na parede, ela gritou para que Hiro a ajudasse, mas o garoto não estava em casa.

— Robô-luta, aquele garoto... — Ela sussurrou, apertando os lábios enquanto segurava Tadashi com a pouca força que tinha.

— Desculpe, tia Cass, eu posso ir buscar o Hiro.

— Nem pensar, querido, você vai para a cama isso sim. Vou preparar uma sopa e chá, logo mais levo tudo lá para cima, enquanto isso, tome um banho e vista algo confortável, ok?

Ele obedeceu, embora preferisse largar o corpo na cama e ficar ali até o dia amanhecer. Depois do banho, enfiou-se embaixo da coberta, sentia muito frio. Sua tia chegou logo em seguida com uma bandeja e orientações para que ele melhorasse.

Depois de comer a sopa e beber o chá (de gosto amargo, mas eficaz, segundo a tradição da família Hamada), Tadashi dormiu.

Acordou com o barulho da janela e Hiro entrando com um robô na mão.

— Oi, você está aí. — Hiro falou, com um sorriso amarelo.

— É, o que restou de mim.

— Como assim?

— Parece que estou doente.

Hiro deixou o robô em cima da mesa e pulou em sua cama, contando o dinheiro que havia ganho naquela noite.

— Mas você vai melhorar, não deve ser nada grave.

— Tia Cass precisou de você hoje, mas você não estava.

— Ah! Não vamos começar. — Hiro girou os olhos, bufando em seguida.

— Um dia eu não vou estar aqui e...

— Um dia não vou estar aqui... — Hiro o imitou. — Você sempre fala essas coisas, até parece que vai sair pela porta e nunca mais voltar. — Ele riu.

Tadashi suspirou, mas logo que Hiro se levantou, sentiu uma dor na lombar e voltou para a cama.

— Precisa ir no médico. — Tadashi o alertou, com uma voz tranquila.

— Eu preciso é de uma cadeira melhor, aquela ali já está toda dura. Agora tenho dinheiro para comprar coisas novas, não vou precisar reutilizar as suas coisas.

Com isso, Hiro se levantou e deixou o quarto, reclamando que estava com fome. Tadashi se levantou e foi até a mesa, o robô construído pelo irmão ainda era um protótipo fraco, mas tinha certeza de que ele melhoraria com o tempo. Só estava preocupado naquilo se tornar a sua única fonte de renda e interesse.

Tadashi retornou para o instituto dois dias depois. Ele trabalhou o tempo necessário para a criação do upgrade e o chip de paciente. Assim que Baymax foi acionado, com o chip integrado em seus dados, Tadashi solicitou que ele fizesse um diagnóstico a partir dos dados coletados.

— Atualizando o bando de dados. Hiro Hamada, doze anos, sangue tipo AB, alergia a amendoim.

— Essa semana o levarei no médico e posso atualizar mais informações. — Tadashi cruzou os braços, sentindo-se orgulhoso.

— O que é irmão?

— Ah! Sim, irmão... — Ele sentou no banco e esfregou a testa com a mão. — É uma pessoa que mesmo dando muito trabalho, você ama incondicionalmente. — Ele sorriu e depois esfregou as mãos. — Vamos ao trabalho?

— Trabalho.

— Isso mesmo, trabalho.

Ainda não estava pronto, é verdade, mas Baymax ao seu lado lhe dava confiança em um futuro melhor, onde poderia ajudar as pessoas, e principalmente o irmão. E, enquanto ele estivesse lá, por Hiro, faria de tudo o que estivesse ao seu alcance para cuidar do irmão.



Notas finais do capítulo

Quem ama o Tadashi comenta. xD

Beijos.



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