Os Poderosos: A Ascensão do Mal - Interativa escrita por Eu Voltei


Capítulo 11
Peripécias no Deserto (Parte 1): Aliança Improvável


Notas iniciais do capítulo

Uma surpresinha os aguarda mais no final do capítulo.
Boa leitura!!!

Recomendo lerem escutando esta trilha sonora:
https://www.youtube.com/watch?v=jwukt2z0SVM&feature=youtu.be
https://www.youtube.com/watch?v=vslsS-Uu5x4&feature=youtu.be
https://www.youtube.com/watch?v=5RFMfktLWss&feature=youtu.be
Essa é pra vocês escutarem quando chegar no final do capítulo, vai ter um parágrafo bem grande, aí vocês colocam essa música: https://www.youtube.com/watch?v=0-EF60neguk



GIZÉ, EGITO, 1300 A.C

As três enormes construções triangulares tridimensionais se erguiam na esplendorosa região. Contrastando as sombras negras das três pirâmides com o céu alaranjado, acompanhando a bela cor do por do sol, dando lugar para a noite que se erguia. 

A enorme figura de uma nave pairava bem acima das três imponentes pirâmides e da multidão diate delas, que observavam tudo aquilo, se maravilhando com tal magnificência.

— Homens, mulheres, crianças e velhos - exclamou o faraó, parado diante das três pirâmides, perante a multidão, que silenciou para o escutar - saudemos o glorioso Anúbis, nosso salvador e tutor advindo das profundezas das estrelas, e sua família - exclamou o faraó de maneira entusiasmada e ergueu as mãos para os céus em direção a nave.

Uma comporta se abriu na nave e um intenso faixo de luz azul brilhou desde a nave até o chão, materializando ali três enormes figuras, a maior delas, Anúbis, com quase quinze metros de altura, a segunda Anput, sua esposa, um pouco menor, e a terceira era Kebechet, filha do casal, com menos de dez metros de altura.

— Meus filhos - disse o enorme Anúbis, que tinha corpo de homem e cabeça de chacal, sua pele era de cinza escuro, quase preta - é com grande alegria e honra que hoje lhes presenteio com estas magníficas construções, com estes monumentos e com a arquitetura e a tecnologia advindas, que trouxe comigo nesta minha viagem pelas estrelas, de meu antigo lar, meu planeta natal.

***

CAIRO, EGITO, 1887

Atualmente Gizé é como uma espécie de distrito da cidade de Cairo, sendo localizada a uns vinte quilometros da Capital egípcia. E é ali, no Cairo, que reside um dos mais famosos arqueólogos da atualidade: Rudy Van der Jager, o chamado Caçador Holandês.

Qual o motivo de tal alcunha? Rudy Van der Jager estava sentado em sua confortável e enorme poltrona, feita do mais macio couro. Algumas luzes de lampiões espalhadas pelos lustres do teto bruxuleavam iluminando a sala, onde Rudy repousava seus pés sobre sua rústica mesa de madeira com pernas de marfim.

Espalhadas pelas paredes estavam as várias cabeças de animais empalhadas, assustadoramente com seus olhos abertos, dando a errônea sensação de que ainda estavam vivos. Rudy desfrutava de seu charuto, enchendo o lugar ao seu redor de fumaça, enquanto examinava o antigo mapa em suas mãos.

— Se eu encontrar o Cajado de Anúbis - disse para si mesmo - posso impedir o retorno dele, por destruir seu cajado em migalhas, o inutilizando, e vendendo os pedaços do artefato no mercado negro, enriquecerei ainda mais, além de impedir o apocalipse...

Um homem bateu na enorme porta de madeira e a abriu logo em seguida, entrando na sala onde Rudy estava.

— O que deseja Oded, meu caro? - indagou Rudy desviando seus olhos do mapa para Oded.

— Os Poderosos chegaram. Tony Carter deseja o ver, mestre - respondeu Oded.

— Ah sim, bem lembrado. O Tonyzinho me mandou um telegrama ontem a noite, falando que vinha para cá essa manhã. Chegou mais rápido do que eu imaginava - falou Rudy. Se levantou de sua poltrona e seguiu para fora do enorme casarão, indo até os jardins na entrada da casa.

Lá estava pousado no imenso pátio da propriedade o novo dirigível dos Poderosos.

— Sejam bem vindos - logo Rudy apareceu diante dos heróis - sintam-se a vontade no meu humilde lar.

— Nos poupe de suas ladainhas Rudy - respondeu Tony com um tom de voz irritado - você sabe para que eu vim aqui.

— Ah sim, sim - respondeu Rudy com sua voz irônica - você precisa de mim, e eu preciso de você.

— E como você poderia nos ajudar? Seu imprestável! - murmurou Yoseph.

— Calma aí amigão - Valerie colocou sua mão sobre o ombro do grandão - mantenha a calma.

— Simples - Rudy soltou um sorriso e bateu palmas com a mão - eu possuo o mapa para chegar até o cajado de Anúbis. Vocês possuem a força e os poderes necessários para vencerem todos os obstáculos que estiverem no caminho.

— Mas com certeza nossos objetivos serão bem diferentes depois que encontrarmos o cajado - falou Valerie dando um passo adiante.

— Com certeza serão - Rudy soltou mais um sorriso irônico.

— O próximo sorriso que esse desgraçado soltar, eu arranco da cara dele com um tiro - Ulisses cochichou para Yoseph.

— Eu apoio - respondeu o grandão.

— Então temos uma trégua até encontrarmos o cajado de Anúbis? - Tony estendeu a mão para Rudy.

— Então temos - Rudy apertou a mão de Tony.

 ***

Tony Carter, Rudy Van der Jager, Ulisses, Yoseph, Valerie e Oded estavam a bordo do VIT II, voando rumo as pirâmides.

Tony e Yoseph estavam próximos a uma das janelas, observando o extenso e árido deserto abaixo deles.

— E aí parceiros - Ulisses se aproximou deles - sabe, eu to preocupado. Acho que foi uma péssima ideia deixar a Mel e vir junto.

— Relaxa Ulisses - disse Tony em meio a um bocejo - a Kathe cuida dela.

— E além do mais o DX-42 também sabe ser um bom médico - falou Yoseph, tentando animar o amigo. Tentar animar os outros e deixá-los feliz era algo muito gratificante para o grandão.

— Obrigado - respondeu Ulisses - Ei Tony, tá cansadão hein! Também, com os últimos acontecimentos desses dias que passaram, tá sendo difícil pegar no sono.

— Verdade parceiro - respondeu Tony - aconteceram muitas coisas - mas, eu e a Kathe não tivemos uma noite ruim ontem. Aliás, tivemos uma noite muito boa. Muito boa mesmo.

— Ah sim, sim, entendi - Ulisses soltou um sorriso maroto.

— E eu preferia não ter entendido - Yoseph soltou uma gargalhada.

Valerie estava sentada pilotando a aeronave, quando Rudy se aproximou dela.

— Ei princesa, qual seu nome? - indagou ele - ainda não nos apresentamos.

— Me chamo Valerie. E não sou princesa - respondeu a mulher de maneira ríspida.

— Ah, qual é princesinha, pode me chamar de Rudylindo...AAAHHHHH!

Rudy soltou um grito e caiu gemendo no chão, quando Valerie se levantou e lhe deu um chute nas partes baixas.

Finalmente alguns minutos depois pousaram, próximos as pirâmides.

— E então, qual das pirâmides está o tal cajado? - indagou Yoseph enquanto coçava a cabeça pensativo.

— Na Quéops - respondeu Valerie.

— Como é que tu sabe? - indagou um surpreso, e ainda com dor, Rudy.

— Sou uma entusiasta fã das mitologias a cerca de Anúbis - respondeu a mulher.

Caminharam alguns metros até chegarem próximos a entrada da pirâmide Quéops, a maior de todas as três. 

— Ei moleque - Rudy chamou um pequeno garoto nativo que estava li por perto, acompanhando um grupo de escavadores árabes, o garoto correu até Rudy, que tirou uma moeda de ouro do bolso e mostrou para o garoto - quer essa moeda? - Rudy jogou a moeda na mão da criança, que olhava maravilhada para ela - é só ir até aquele bando de cowboys e dizer para eles: "ei seus yankees, o norte é o melhor lado".

O garoto balançou a cabeça afirmativamente e saiu correndo em direção aos três cowboys. Rudy deu as costas e retornou para junto dos heróis.

— Pirralho - ele riu - vai ter que correr muito pra não levar chumbo dos cowboys.

Quando o garoto fez exatamente como Rudy havia pedido, os norte americanos, texanos para ser mais exato, o começaram a ameaçar com seus revólveres. 

— Deixem o garoto em paz - exclamou Ulisses para o grupo. Os cowboys então vieram em direção aos heróis, com as armas em mãos.

— É melhor saírem daqui - disse um deles - ou vão levar chumbo!

— Ei, cade a Valerie? - indagou Rudy olhando ao redor e não vendo a mulher.

Então, golpes invisíveis começaram a atingir os cowboys, por fim os nocauteando.

— Ah, então a princesa tem o poder da invisbilid...

Antes que Rudy pudesse terminar de falar, Valerie ainda invisível, o atingiu com mais um chute em suas partes baixas, fazendo o homem cair no chão novamente gemendo de dor.

— Isso foi por ter feito essa palhaçada com o garoto - esbravejou Valerie, voltando a sua forma visível e cuspindo em Rudy - Otário!

— Vamos pessoal - disse Tony - vamos entrar na pirâmide.

***

SUBÚRBIOS DE LONDRES, 1887

Os Cães de Caça da Rainha, era como era conhecido o grupo de elite do exército inglês, comandado por Alexander Blanchard, O Corvo, também membro do grupo de heróis os Poderosos.

— É um prazer estar sob sua liderança novamente senhor - disse o oficial braço direito de Alexander, descendo da charrete-camburão quando esta parou num beco em Londres, na área mais pobre da cidade.

— Eu que agradeço, Agente Smith - respondeu Alexander, todos tinham seus rostos cobertos por diferentes tipos de máscaras - agradeço por ter ficado no comando dos Cães de Caça durante minha ausência.

— O prazer é meu - respondeu o tal Agente Smith - é uma honra poder comandar estes nobre guerreiros defensores da rainha quando o senhor esta em missões importantes junto dos honrados e bravos Poderosos.

— Soldado Ryan - chamou Alexander - nos mostre no mapa quais são os nossos alvos.

— Sim senhor - o soldado Ryan bateu continência e retirou de sua mochila um mapa da região, já todo rabiscado - temos grupos orcs e trolls aqui, aqui, ali, aqui também, lá, aqui - o soldado Ryan ia apontando com o dedo indicador direito no mapa onde eram as regiões em que estavam as poucas criaturas das trevas remanescentes em nosso mundo.

— Ryan cuidado - gritou Alexander empurrando o jovem soldado para o lado, antes que o golpe de machado do orc acertasse a sua cabeça. A lâmina do machado ficou cravada na lataria da charrete-camburão, enquanto o soldado Ryan olhava assustado para ela - morra desgraçado! - Alexander deu uma voadora no orc que os atacou e este cambaleou para trás, Alexander então bateu com toda sua força as palmas de sua mão, causando uma onda sonora que desintegrou o orc - pessoal, dividir e atacar!

Os Cães de Caça se dividiram em três grupos compostos por três integrantes cada um, e cada grupo ficou responsável de cobrir determinada área.

Alexander, Smith e Ryan formavam um dos grupos, e caminhavam por um beco repleto de mendigos e casas e construções mal acabadas, quando escutaram um grito feminino desesperado. Ao olharem mais para frente, viram uma jovem mulher ser encurralada por três orcs que tentavam a atacar.

***

CASTELO DOS PODEROSOS, LONDRES, 1887

Katherine estava sentada numa cadeira ao lado da maca de Melanie, lia um livro de romance, no momento em que DX-42 chegou para colocar uma nova ampola de soro para nutrir Mel.

— Como ela está? - indagou Kathe com sua suave voz, falando baixinho, desviando os olhos de seu livro e olhando em direção ao robô.

— Ela está bem, senhora Kathe - respondeu DX-42, também falando baixinho com sua voz metálica - e a senhora, está bem?

— Sim DX, estou ótima - respondeu Kathe. O robô apenas olhou para ela, de maneira séria, a analisando e então alguns segundos depois se retirou da sala.

Kathe não era mulher de ficar se fazendo por qualquer coisa. Havia mentido para o robô. Desde uma hora atrás não se sentia bem. Sentia algo estranho dentro de si, sentia-se enjoada, com vontade de vomitar.

 Então um leve gemido emitido por Mel chamou a atenção de Kathe e ela se voltou para a maca onde a amiga estava deitada. Para sua surpresa, Melanie estava acordando.

Levou alguns minutos até a loira conseguir acordar direito, e depois escutou a explicação que Kahe lhe deu, de tudo que havia acontecido.

—...Então o Ulisses ficou realmente preocupado comigo, e fez de tudo para que eu ficasse bem e para descobrir o que aconteceu comigo? - indagou Mel.

— Sim Mel - respondeu a senhora Carter - Ulisses realmente se importa com você. Ele...ele te ama, isso ficou bem claro.

— Ele me ama? - Mel parecia confusa - eu, eu não sei o que significa realmente isso! Amor? Eu cresci sem família, sem pai e sem mãe, imune a maldade do mundo...amor...isso é tão estranho para mim! Eu não sei o que significa "eu te amo".

Vou tentar lhe explicar— gentilmente Kathe soltou um sorriso e segurou a mão de Mel - eu nasci numa família muito pobre. Meu pai trabalhava como operário numa mina de carvão, e minha mãe ganhava a vida como costureira. Só tínhamos comida suficiente para todos no café da manhã e no almoço. Para a janta, meu pai sempre dava a parte dele para minha mãe, eu, e meus dois irmãos mais novos - uma lágrima escorreu pelo rosto de Kathe - comecei a trabalhar com dez anos, como ajudante da minha mãe, e metade do dinheirinho que eu conseguia, eu guardava, para no futuro conseguir realizar meu sonho, e fazer um curso de culinária e me tornar uma chef. Então, certo dia, quando eu tinha dezoito anos e trabalhava como garçonete num simples e pacato restaurante, servi almoço para um jovem rapaz, muito bonito, pouca coisa mais velho que eu, ele tinha vinte anos de idade. Estava bem vestido, era com certeza de família nobre, e me chamou a atenção ele estar almoçando ali, naquele restaurante simplório. Perguntei seu nome e o que uma pessoa como ele fazia ali. Ele respondeu, com um sorriso encantador no rosto: "me chamo Antony Carter, mas pode me chamar só de Tony. E bem, estou aqui porque amo comer comida simples". Começamos a sempre nos encontrar nas horas das refeições e fomos criando uma amizade, que aos poucos ia se tornando algo maior. E então, alguns dias depois, quando minha família morreu num terrível incêndio acidental - os olhos de Kathe estavam marejados e sua voz embargada - Tony foi a única pessoa a me consolar em seus braços e me dar uma esperança. É isso o que significa "eu te amo". O incêndio, bem, eu não sabia controlar meus poderes...eu não queria ter feito aquilo! Tony foi o único que me entendeu, graças a ele não caí em depressão, e então ele passou a me treinar e me ajudar a controlar meus poderes. Então Mel, não perca mais tempo, e de valor aquele que lhe ama.

 ***

Na suíte de seu quarto, ajoelhada diante a privada, Katherine fazia ânsia e vomitava. Por fim terminou. Se levantou e lavou seu rosto na pia. Ao se virar, viu DX-42 parado diante dela, lhe estendendo uma toalha para que secasse o rosto.

— Como está senhora? - indagou o robô.

— Ainda um pouco enjoada - respondeu Kathe - deve ter sido algo que comi.

— Não - respondeu o robô, o que chamou a atenção de Katherine - senhora Katherine Carter, meu sensores indicam que a senhora, em seu ventre, carrega uma pequena vida. Em outras palavras mais simples, eu diria que a senhora está...

— GRÁVIDA! - exclamou Katherine, um sorriso estampou seu rosto e ela repousou suas mãos sobre sua barriga - ah meu Deus, isso é maravilhosos DX! - e então abraçou o robô.

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Observando toda aquela alegria, do lado de fora, na ombreira da janela do quarto de Kathe, estava um pequeno morcego preto.

— O Lorde Vampirão vai amar essa notícia! Ficará muito alegre em poder usar isso para se vingar de tudo o que Tony Carter lhe causou - era Sir Owen, o lacaio de Vampirão tinha o poder de se transformar em um morcego, e então alçou voo - YAHAHAHAHAHA.

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Notas finais do capítulo

Espero que tenham gostado!
Quero agradecer a cada um de vocês pelo apoio, muito obrigado!
No próximo capítulo, mais detalhes sobre a profecia e sobre o estado da Mel.

Obrigado e até!