Ninguém como você escrita por dracromalfoy


Capítulo 1
Capítulo Único


Notas iniciais do capítulo

Essa é a primeira wolfstar que posto, eu amo muito esse casal e não podia deixar de escrever sobre eles. Talvez algum dia eu escreva uma long, quem sabe :)
Tenho uma playlist de músicas que me lembram wolfstar no spotify, quem quiser conferir, deixo o link nas notas finais.
Espero que gostem ♥



Sirius Black sempre fora muito seguro de si mesmo. Com seus dezessete anos, ele sabia que era muito bonito e inteligente. Praticamente boa parte das garotas bruxas de Hogwarts dariam tudo para um encontro com ele. E, se duvidasse, as garotas trouxas também. No entanto, Sirius passou, nos últimos meses, a perceber que havia algo de diferente nele, algo que ele não conseguia explicar.

Por volta dos seus onze anos, Sirius odiava garotas, assim como seus amigos James, Remus e Peter e todos os outros garotos da sua idade. Parecia uma regra universal: todos os garotos odiavam as garotas e, assim, todas as garotas odiavam os garotos. Conforme os anos foram passando, todos foram amadurecendo e começando a se atrair gradativamente pelo sexo oposto. Seu amigo grifinório, Frank Longbottom, começara a namorar a grifinória Alice Prewett no quinto ano deles em Hogwarts. James teve sua parcela de garotas, também, mas estava perdidamente apaixonado por Lily Evans, que não parecia ter muito interesse nele. Peter não podia ver garotas sem querer urinar nas próprias calças, ele era simplesmente nervoso demais quando se tratava de garotas. Remus também teve sua parcela, embora fosse muito mais reservado, devido ao seu “probleminha peludo”.

No entanto, Sirius não estava na mesma situação dos amigos. Durante sua vida escolar, ele também saíra com algumas garotas, ele e James ficavam conversando horas sobre quais eram as mais bonitas da escola. Por volta dos seus quinze anos, eles ficavam atrás das setimanistas apenas para apreciá-las. Sirius fazia isso por James, porque nunca se sentira verdadeiramente atraído por nenhuma delas.

Nos últimas dias, Sirius começou a se sentir ainda pior. Via seus amigos conversarem com garotas e sentia-se exausto apenas de pensar em fazer o mesmo. Quer dizer, ele até gostava de falar com elas, mas não gostava de dar em cima delas.

Com os pensamentos soltos na cabeça, Sirius sentou-se ao lado de seu amigo James Potter no gramado verde de Hogwarts. James segurava um pomo de ouro entre os dedos e depois o deixava voar alguns metros, antes de pegá-lo no ar novamente.

— Marlene McKinnon não sai do meu pé. – comentou Sirius, passando as mãos pelos cabelos negros e longos. – Estou meio que fugindo dela agora.

Marlene poderia facilmente ser considerada a garota mais bonita da escola. Todos os garotos morreriam por encontro com ela. Beijá-la, então, seria a realização de um sonho. Sirius havia tido esse privilégio no sexto ano, quando acabou embaixo de um visco encantado com a loira. Até hoje ele acredita que aquilo tenha sido armação da própria.

— Ela é bonita, cara. – respondeu James, encarando o amigo em confusão. – Qualquer um no seu lugar estaria pulando de alegria.

— Eu sei. Ela fica me chamando para o armário de vassouras. Você sabe o que ela quer, mas eu não estou muito a fim. É estranho demais isso?

— Hmmm – James ficou pensativo por alguns segundos, olhando para o pomo na sua mão com atenção. – Acho que não, Padfoot. Talvez ela não seja o seu tipo de garota, sabe? Há alguns meses atrás eu teria investido na McKinnon, mas agora com a Lily...

— A Lily não está nem aí pra você, Potter. – Sirius riu com a expressão de ofensa do amigo. – Você está chamando-a para sair há meses e a resposta continua sendo não.

— Ela ainda vai perceber que eu sou o homem da vida dela, você vai ver.

— Certo, certo.

— O que eu quero dizer, Padfoot, é que você não precisa transar com uma garota só porque todos os outros garotos esperam que você o faça. Não seria bom para ela e muito menos para você. – Sirius estranhou a as palavras sábias de James, talvez ele realmente estivesse apaixonado pela Evans. – Olhe só para o Remus, quem pensaria que nosso lobinho estaria por aí com a Dorcas? Ninguém imag-

— Dorcas Meadowes? – interrompeu Sirius, levantando-se prontidão e encarando James com a expressão aturdida. – Remus está saindo com a Meadowes?

— Ele está. – James riu baixo. – Você precisava de ver como ele olhava para os peitos dela semana passada no Três Vassouras.

— Ele estava olhando para os peitos dela?

— Ah, francamente. Quem não olharia? Qualquer homem olha para peitos quando os pares são tão convidativos quanto aqueles. Dorcas tem peitos bonitos, Padfoot, e Remus reconhece isso.

Sirius apenas se manteve calado. Por algum motivo, imaginar Remus olhando para Dorcas de qualquer forma sexual o deixava nervoso.

Aliás, pensar em Remus com uma garota o deixava transtornado. O motivo disso se devia ao fato de que, nos últimos meses, Sirius começara a notar o amigo de uma forma diferente. Remus Lupin sempre fora um grande amigo, ele era inteligente, leal, engraçado. Tudo isso combinado fazia com que Sirius admirasse o amigo pela pessoa que ele era. Black não conseguia pensar em alguém tão corajoso quanto ele, altruísta e sincero. E, da mesma forma que ele via qualidades em Moony, ele também via nos outros marotos.

Porém Moony era diferente. Sirius passara a notar outras coisas nele, também. Por exemplo, ele não conseguia olhar para Remus sem querer tocar nos seus cabelos cor de areia, que pareciam tão macios e convidativos ao toque. Seus olhos atraíam o olhar de Sirius, era de castanho quase esverdeado, na luz do dia, ficavam claramente verdes escuros, eram de uma cor tão linda e única. Seus lábios faziam uma curva perfeita conforme ele sorria,  tímido. Nas bochechas, duas covinhas se formavam toda vez que ele gargalhava de alguma piada de Sirius. Aquilo era divino. Sem contar suas diversas cicatrizes espalhadas pelo corpo magro, fruto de anos e anos de transformações na lua cheia. Remus as odiava e tentava escondê-las de todas as formas, mas Sirius as adorava. Elas eram marcas de coragem, faziam parte de quem Remus era.

Quantas vezes ele já não tentara esconder as cicatrizes de Sirius e dos outros marotos? Enquanto os outros garotos não se importavam em andar no dormitório apenas enrolados numa toalha, Remus fazia questão de se trocar no banheiro. Sirius achava aquilo uma bobagem, o corpo de Remus era magnifico e nunca que aquelas cicatrizes seriam capazes de estragá-lo.

E também tinha a risada do garoto, ela ecoava nos ouvidos de Black e o deixava extasiado. A forma como seus ombros chacoalhavam conforme ele ria, como ele cobria o rosto com as mãos e em seguida as colocava na barriga. Remus era incrível.

Esses pensamentos deixaram Sirius ainda mais confuso. Não era certo ficar analisando Remus dessa maneira.

Após ficar o dia todo pensando na bagunça que estava sua vida, Sirius decidiu voltar para a sala comunal da Grifinória. Todos os alunos já estavam em seus quartos, pois já era tarde. Exceto Remus Lupin.

Remus estava sentado em uma das mesas com vários pergaminhos espalhados, ele percorria a pena atentamente escrevendo algum trabalho. Sirius sentou-se ao seu lado, mas ficou olhando para frente, perdido na própria mente.

— Você precisa de alguma coisa? – perguntou Remus, no que notou a expressão de Sirius.

— Não.

Sirius continuou olhando para o nada. Remus voltou a escrever em seguida, confuso com a atitude do amigo. Alguns segundos se passaram e a forma como Sirius parecia longe da realidade deixava Remus inquieto.

— Hmmm... Está acontecendo alguma coisa, Padfoot? – tentou mais uma vez. Sirius não respondeu. – Está me deixando preocupado, e essa preocupação tira a minha concentração.

— Você e a Dorcas... – Sirius olhou Remus para avaliar sua reação, porém o amigo continuou olhando de forma calma, esperando que ele dissesse o que tinha em mente. – Vocês estão saindo?

— Estávamos. – deu de ombros, voltando a escrever. – Ela é legal, saímos algumas vezes, mas foi apenas isso.

— Ela beija bem?

— Sim, Sirius, ela beija muito bem. – Remus voltou a encarar Padfoot, dessa vez desconfiado. – E você e a Marlene?

— O que tem?

— Bem, James comentou que você não está interessado nela. – Conforme Remus explicava, Sirius praguejava contra James que tinha a língua grande demais para caber dentro da boca. – Eu achei estranho, sabe, vocês já tiveram algo, não tiveram?

— Se ficar embaixo de visco encantado acidentalmente é “algo” para você, então sim, tivemos. – respondeu Sirius, irritado. A resposta fez Remus rir – Não é engraçado, Moony.

— Na verdade, é. – Remus encarava Sirius com um meio sorriso, ainda segurando a pena entre os dedos. – Por que está tão perturbado?

— Não sei, Remus. Eu apenas não consigo entender porque todas as garotas que estão atrás de mim não são suficiente para que eu me sinta cem por cento atraído por nenhuma delas. – Sirius suspirou frustrado no que Remus arqueou uma sobrancelha, o lobisomem sorriu de canto e começou a fechar os livros e amontoar os pergaminhos enquanto ouvia Sirius desabafar para ele. – Todos já passamos pela fase do armário de vassouras ou de ir escondido ao dormitório feminino. Eu não entendo...

Sirius não teve tempo de terminar de falar, pois no segundo seguinte os lábios de Remus estavam colados ao seus. Num primeiro momento, as bocas apenas estavam juntas, sem nenhum movimento ou língua, Sirius estava assustado com a atitude do amigo e Remus, por sua vez, estava esperando alguma reação negativa de Sirius. Porém obteve uma reação contrária. Sirius entreabriu os lábios para receber a língua de Remus, que não excitou em fazê-lo.

Sirius apenas suspirou fundo. Beijar Remus era maravilhoso, uma experiência fora do comum. Os lábios dele tinham gosto de feijãozinhos de caramelo, os preferidos de Sirius. Caso algum dia perguntassem qual seu sabor preferido, ele imediatamente pensaria nos lábios de Remus.

Remus colocou as mãos na cintura de Sirius e o puxou para mais perto, abriu a boca rapidamente para respirar e, em seguida, voltou a beijá-lo com vontade.

Não era preciso muita experiência para saber diferenciar um beijo bom de um beijo mais ou menos. O beijo de Remus superava expectativas. Sirius sentia que poderia fazer aquilo pelo resto da vida que não se cansaria.

No momento que Remus afastou-se minimamente as bocas, Sirius sentiu o baque do que havia acontecido. Os olhos esverdeados do garoto o encararam brevemente, voltando o olhar para a boca inchada de Sirius.

— Eu espero que isso te ajude a entender, Padfoot.

Remus pegou suas coisas de cima da mesa e saiu em direção ao dormitório masculino.

Sirius estava perplexo. Acabara de beijar seu amigo e havia sido deixado em seguida com aquele discurso de “espero que te ajude a entender”. Ele não entendia, estava ainda mais confuso.

Ele sabia apenas que o beijo de Remus era sua nova coisa favorita no mundo e que nenhuma garota que ele já beijara fora capaz de fazer com que ele sentisse tudo que sentiu com Moony.

Talvez, afinal, Remus Lupin apenas quisesse que Sirius Black entendesse que nenhuma garota, bruxa ou trouxa, poderia ser como ele, ou fazer que ele se sentisse da forma que Remus fazia.



Notas finais do capítulo

Espero que tenham gostado! A maioria das fanfics wolfstar que leio, trazem o Sirius como o super certo em relação a sua sexualidade e mulherengo (inclusive eu já fiz isso). Mas depois de um tempo refletindo sobre eles, eu acredito fielmente que o Sirius tenha sido gay (mesmo que a J.K. Rowling nunca confesse) e que o Remus tenha sido bi. Então resolvi escrever sobre isso, sobre o Sirius "descobrindo" sua sexualidade realmente.
Não se esqueçam de comentar/favoritar se tiverem gostado, isso estimula muito nós autores a continuarmos escrevendo mais e mais.

PLAYLIST WOLFSTAR: https://open.spotify.com/user/acupvn079std4qpdh7av06a1q/playlist/2PxhJPWK7A56WYyzC0Z4D3?si=nJmIRjokRE29fJv4A8RCxQ



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