A herdeira escrita por Ponine


Capítulo 3
Visita





O ar parecia mais frio que antes, agora que a adrenalina de sair de perto tinha passado ela sentia a boca inchada e um corte abaixo da costela que latejava, ela não poderia voltar para casa assim mas também não tinha nenhum outro lugar para ir e não poderia ficar naquele beco sujo que estava até as feridas cicatrizarem, ela não tinha o que fazer.

Por algum motivo se lembrou de algumas palavras da tia naquela manhã, “você deveria mesmo dar uma volta, sair com os amigos e se divertir, você sabe, aproveitar a idade”, Emily não tinha um amigo para ligar, ninguém que pudesse a ajudar naquele momento, sempre foi fechada em relação as pessoas, nunca deu confiança facilmente e as pessoas simplesmente desistiram de se aproximar. Emily só havia tido uma amiga sua vida toda, Karen Earth, era filha de um amigo de seu pai, ela morava em uma fazenda enorme, todos os fins de semana Emily ia brincar com ela, se lembrava delas correndo e subindo em árvores, cuidando dos animais e andando de cavalo, Emily adorava cavalos e Karen a ensinou a montar, se lembrava também de algumas histórias malucas da amiga como quando ela disse que o pai conseguia voar em uma vassoura e quando inventou sobre uma escola que ensinava magia aos alunos, segundo ela quando fizesse onze anos receberia uma carta e iria estudar lá, ambas brincavam nesse mundo totalmente a parte, Emily até acreditava que era real as vezes mas agora ela achava aquilo uma loucura, Karen provavelmente passava horas elaborando as histórias e usava toda a imaginação possível para contar sobre vassouras que voam, escolas de magia, dragões e até mesmo guerras.

Aquelas memórias esquentaram seu coração, nunca mais viu a amiga desde que se mudou, gostaria de um dia revela, seria engraçado relembrar tudo isso e rir juntas da imaginação que tinham, ela se deixou levar pelas lembranças e fechou os olhos.

Já não doia mais, Emily passou a mão no corte da barriga, estava cicatrizado como mágica… Como era possível? Estava sangrando e doendo a alguns minutos atrás, nem o melhor organismo do mundo poderia fechar aquilo em tão pouco tempo e deixar uma cicatriz tão pequena… Era impossível.

Emily se levantou meio atordoada, o que estava de errado com ela?  Saiu correndo mesmo sabendo que não conseguiria fugir de si mesma, algo estava muito errado.

Chegou na porta de casa, antes que encostasse a mão na maçaneta parou, não podia entrar em casa esbaforida daquele jeito, levantaria suspeitas que levaria a perguntas que ela não podia responder, ou melhor, que ela não sabia responder, se sentou no degrau e parou um pouco, aos poucos a respiração foi normalizando mas o coração continuava desparado. Emily teve que pensar em um plano, entraria em casa normalmente, subiria para seu quarto e tomaria um banho, trocaria de roupa e desceria novamente, agiria como sempre e com sorte ia conseguir se esquecer que seus ferimentos milagrosamente se curaram.

Poucos minutos depois ela se levantou e entrou em casa, tentou fazer o mínimo de barulho para não chamar a atenção de ninguém, estava indo bem, já estava a meio da escada quando um degrau velho rangeu e a voz da tia veio.

—Emily? Querida é você?

Emily xingou aquele degrau mentalmente com todas as ofensas que conseguia se lembrar.

—Sim tia.

—Venha aqui na sala.

Um pequeno pavor tomou conta de seu rosto, a tia poderia desconfiar de alguma coisa?

—Eu já vou, só preciso de um minuto para tomar banho, estou toda suada, estava muito quente lá fora.

—Você tem uma visita

Seu coração disparou, ela nunca havia recebido uma visita, não conhecia ninguém que se importasse o suficiente para ir vê la, poderia ser alguém que estava na praça e queria tirar satisfações, começou a suar frio, e se algum dos adolescentes estivesse machucado?

—Venha logo meu amor, ela não tem a vida toda- a tia a chamava

Emily desceu a escada novamente, não tinha como fugir, tentou inventar uma história nos segundos que distanciavam a escada da sala de visitas mas falhou miseravelmente, teria que improvisar, pouco antes de adentrar o cômodo pensou nos pais, inconscientemente teve uma pequena esperança que poderiam ser eles, uma esperança que sumiu no momento que entrou.

Viu uma mulher, não era muito alta e parecia estar na faixa dos quarenta anos, o cabelo estava preso em um coque alto e suas roupas eram esquisitas, ela usava uma capa bege e uma bota de cano baixo preta, bebia graciosamente um gole de chá…

—Ó meu Deus! Isso é sangue?! Está machucada?- A análise de Emily foi interrompida por um puxão da tia quando viu as marcas de sangue na blusa da garota

“Parabéns Emily, pensou em tudo menos na sua roupa ensanguentada! Agora pensa em uma desculpa rápido!” -Não é meu, uma garotinha caiu na rua e eu fui ajudar, estou bem

A tia pareceu acreditar porque não interrompeu a moça que começou a se apresentar

—Emily Grinder certo?- sua voz era doce porém firme- Meu nome é Hermione Granger- ela se levantou da cadeira e estendeu a mão

Emily nunca a tinha visto na vida mas a cumprimentou

—Acho que precisamos conversar sobre algumas coisas- ela disse enquanto voltava a se sentar. Emily fez o mesmo, se sentou de frente para a mulher.

—Eu vou pegar alguns biscoitos- a tia se retirou da sala.

—Como sabe quem eu sou? Já nos conhecemos?- Emily perguntou assim que ouviu os passos da tia mais distantes.

—Não- a mulher deu uma pequena risada -Bom, nós precisamos conversar, e eu peço por favor para que me ouça com atenção e sem interrupções.- Emily apenas concordou com a cabeça achando aquilo muito estranho e ligeiramente suspeito.

—Tudo bem, você é uma bruxa senhorita Grinder…

—O que?- Emily não pode deixar de soltar

—Sem interrupções… Ficarei satisfeita em responder suas perguntas no final. Agora voltando, você é uma bruxa, tem uma vaga na Escola de magia e bruxaria de Hogwarts, deveria estar lá desde os onze anos de idade.

Emily começou a rir -Ta bom, pode me dizer qual dos adolescentes idiotas te mandou aqui para rir da minha cara?- era uma brincadeira chata daqueles manés por ter revidado. -Pode dizer a eles que eu não ligo!- ela começou a levantar a voz

—Não é uma brincadeira senhorita- a voz da mulher se sobrepôs -Se acalme!

—A senhora não tem vergonha? Quanto aqueles imbecis estão te pagando para você vir aqui e abusar da hospitalidade da minha tia só para tirar uma com a minha cara?- ela já estava de pé saindo quando as portas se fecharam na sua cara como se uma corrente de vento muito forte tivesse passado mas não tinha vento nenhum

—A senhorita vai se sentar  ouvir o que eu tenho para dizer! Eu sei o quanto isso soa estranho para um nascido trouxa mas precisa acreditar em mim- agora a mulher doce e delicada estava com um pedaço de madeira na mão, parecia um graveto mas era todo enfeitado com arabescos e parecia ameaçadora. Emily não teve outra escolha, se sentou de novo e encarou a moça que voltou a falar.

—De onde paramos… A senhorita tem a vaga mas por algum motivo não estava registrada, não recebeu a carta da escola, não sabíamos da sua existência até hoje de manhã quando recebemos algumas cartas dizendo sobre uma confusão em uma praça.

—Não foi culpa minha, eu não queria bater nela, eles começaram…- Emily começou a tentar se explicar mas foi cortada

—Estamos aqui para reparar o erro. Onde está… Aqui- ela tirou um envelope branco de uma bolsinha e entregou a garota

Emily tomou o envelope nas mãos ainda desconfiada

“Para Srta. Emily Grinder

Rua Primavera, 193, quarto no fim do corredor do segundo andar”

Saberem exatamente onde ela dormia assustou um pouco mas continuou e abriu a carta

Escola de Magia e Bruxaria De Hogwarts

 

Diretora: Minerva Mcgonagall

 

Prezado(a)

 

Temos o Prazer de informar que V.Sa tem uma vaga na escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts. Estamos anexando uma lista dos livros e equipamentos necessários.

O ano letivo começa em 1° de setembro. Aguardamos sua coruja até o dia 31 de Julho, no mais tardar.

 

Atenciosamente

 

Minerva Mcgonagall



—A senhora tem noção do quao absurdo isso é né?- Emily disse depois de ler a carta umas três vezes

—Você já fez algo quando estava com raiva ou com medo? Algo estranho que não podia explicar o que era?

Um silêncio veio, os encrenqueiros caídos de repente no chão, as feridas cicatrizadas, não era a primeira vez que algo estranho acontecia por mais que ela tentasse evitar.

—Mesmo se for verdade… Eu não posso ir, não posso deixar minha tia sozinha com meu primo, não posso abandoná-los…

—Eles vão ficar bem, você precisa aprender a controlar seu poder, a usá-lo corretamente, é para isso que esta escola serve.

—Eu... - Emily já não sabia mais o que pensar, talvez fosse real, aquela mulher parecia falar sério e se fosse verdade era uma proposta tentadora mas ela não podia deixar a tia e o primo para trás, quem iria ajudá-los? -Me desculpe, eu não posso- ela jogou a carta na mesa de centro e saiu escada a cima, entrou no banheiro do quarto e trancou a porta.

Ela só queria um banho,  tirar aquela roupa cheia de sangue e dormir.

Quando saiu do banheiro já pronta para se deitar viu a carta novamente de cima de sua cama mas com mais um papel ao lado

“Caso mude de idéia me encontre na praça ao lado da igreja no sábado dia  30 de agosto as 10 da manhã

Hermione Granger”



Notas finais do capítulo

Me digam, vocês preferem capítulo menores ou maiores?
O que acharam da visita de nossa amada Mione?



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