Você pode seguir sozinho? escrita por Marianna Santos


Capítulo 9
A sentença de Sumozski




 

Sumo pov’s:

Quando sentei no sofá, dava pra ver meus irmãos escondidos na cozinha, tentando ouvir nossa conversa. Eu estava suando como nunca. Não sabia o que meu pai queria, mas quando falava comigo naquele tom eu já tinha certeza que alguma merda podia ter acontecido.

— A gente tem que conversar. – ele falou com uma cara séria. Minhas pernas tremiam, eu nem fazia ideia do que estava deixando o pai tão puto.

— Olha, pai… Eu não sei o que aconteceu, mas não é culpa minha. Eu nem estava aqui…

— Me explica isso. – ele me cortou, pegando uma coisa que estava do lado dele. Apontou no meio da minha cara, como se fosse uma arma. Antes fosse.

Todo o meu corpo paralisou. Acho que dava para ouvir os meus batimentos do lado de fora da nossa casa. Ele me mostrou uma foto que eu tinha tirado com o Jeff. Como aquilo foi parar nas mãos dele?

Cooter e Robalo. Mas é claro.
Eles devem ter catado a foto da mochila do Jeff enquanto o roubavam. Se aproveitaram da situação e vieram me dedurar ao pai.
Eu nem sabia o que dizer. Ele continuou segurando aquela foto a alguns dedos de distância do meu rosto, estava quase esfregando aquilo na minha cara. Engoli o seco mais uma vez.

 – Estou esperando uma resposta. Qual é a sua relação com o Jeff?

Dava pra notar os garotos cochichando. Olhavam pra mim como se eu fosse um dos sacos de lixo do quintal.

 – Nós somos só amigos.

 – Sumo. – ele levantou do sofá. Andou até a cozinha e voltou de lá com uma colher de madeira, e a apontou pra mim como tinha feito com a foto. – Eu odeio mentiras.

— A gente não tem nada demais! Pai, quem entregou essa foto pra você foi um drogado que fez uma montagem idiota só pra me ferrar!

— Mel, para. – falou a minha mãe. Do lado dela, a Brandi parecia tão assustada quanto os outros. – O Sumo deve estar falando a verdade.

Ele olhou pra mim com cara de dúvida. Torceu ainda mais o rosto e largou a colher em cima do sofá. Pegou a foto de novo e segurou ela pelas pontas, ameaçando rasgar. A minha garganta deu um nó.

— A verdade, Sumo. – continuou ameaçando. Se aquela foto rasgasse, o Jeff nunca ia me perdoar.

— Jeff e eu estamos juntos, ok?! Era isso que você queria, pai??

Todo mundo fez cara de choque. Seria engraçado se eu não estivesse na pior situação da minha vida. O Tanner tava ali, balançando a cabeça. Acho que ele queria rir, ou sei lá. Ficou um clima horrível pra todo mundo.

— Vamos lá pra fora. Agora.

— O que cê vai fazer?

— Eu disse agora, Sumo. – repetiu. Deu a foto na minha mão e fez um sinal como se quisesse que eu me livrasse daquilo o mais rápido possível. Assim que ele se levantou e abriu a porta, só consegui sair sem olhar pra ninguém. Não baixei a cabeça, mas encarar o meu pai daquele jeito me deixou com muito ódio. Robalo e Cooter iam pagar muito caro por isso.

Jeff pov’s:

   O Sumo acabou saindo muito apressado. Pela sua expressão, parecia assustado com alguma coisa. Estava me preocupando. Clarêncio olhava meu pôster do Sapo Robô com um brilho nos olhos como se realmente fosse um presente. Maldito Sumo, eu ainda o faria me comprar um novo pôster.

De repente, Clarêncio parou de admirar o cartaz e o dobrou de qualquer jeito. Quase uma morte para mim. Ele se aproximou um pouco mais e apoiou a mão repleta de imundícies no meu ombro.

— Tudo bem, Jeff? – perguntou com um sorriso no rosto. Ele era sempre assim, isso nunca mudou.

— É… Está tudo bem sim.

— Você e o Sumo estão bem juntos, né? O que foi que eu perdi? – a pergunta dele me assustou a ponto de dar um salto. Ele continuou me olhando, como se aquele assunto não fosse nada demais. – Eu vi vocês dois agora há pouco. Sabia que a surpresa era bem maior que isso.

— E-Eu não sei do que você está f-falando, Clarêncio. Os exercícios estão afetando o seu cérebro?

Não dava mais para esconder. Clarêncio continuava me encarando com um grande e caloroso sorriso, seu braço dando a volta pelo meu ombro até me puxar em um abraço apertado. Ele já sabia de tudo, por esse descuido irresponsável do Sumo.

— Sumo e eu não estamos juntos, foi algo assim… Eu não sei, Clarêncio. Tudo está tão confuso desde que entramos de férias. – relatei. Quando me dei conta, já estava contando toda a história, com algumas lágrimas em meus olhos. – A Chelsea me odeia por isso, ela acredita que o Sumo terminou com ela por minha culpa. E ele também não ajuda, Clarêncio.

— Acho que o Sumo gosta muito de você, Jeff. Quando vocês brigaram, ele ficou beeem chateado. Nem quis falar comigo!

— Não precisa falar mais nada.

Escapei dos braços do Clarêncio enquanto pude. Ao menos, ele havia percebido que eu já não estava mais confortável em tratar daquele assunto e optou também por parar. Eu me sentia ridículo por gostar tanto do Sumo daquele jeito. Nossa relação estava dando certo na cabeça dele, mas na minha não. Encarei minhas mãos e afundei nelas o meu rosto, respirando fundo. Onde será que ele foi?

Alguns minutos depois, o celular do Clarêncio tocou. Ele atendeu com o mesmo sorriso amigável e otimista, mas que logo se desmanchou. Meu coração bateu como louco quando ele disse que Sumo gostaria de falar comigo. Estendi a mão ao celular e o peguei com rapidez, atendendo-o.

— Sumo? Para onde você foi? Nós ficamos preocupados, seu…

— Me encontra no balanço do ferro-velho às nove. A gente precisa conversar.

— Espera, não vai me dizer o que houve? Você saiu correndo, e não dá qualquer explicação? – reclamei. Sequer tive tempo de terminar, pois ele havia desligado. Algo estava errado. Minha ansiedade me impediu de ficar na casa da árvore por mais tempo, e acabei deixando o lugar do mesmo jeito que Ryan. Com a mochila machucando minhas costas, comecei a correr por entre as árvores novamente. Não consegui me conter e continuei a correr como se a minha vida dependesse disso.

Talvez, ela realmente dependesse.



Notas finais do capítulo

O que achou deste capítulo? Sua opinião é valiosa para mim.
Até breve, pessoal!



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