Collide escrita por Allie Próvier


Capítulo 22
22. Insistência


Notas iniciais do capítulo

AQUI O CAPITULO NOVO! ♥
Ei disse que viria rápido, amorecos. Espero que gostem do capítulo :3




CAPÍTULO 22

Pegue minha mão, meu coração e alma, e só terei olhos pra você.
Ed Sheeran - One

Louise tagarelava sobre o seu primeiro dia de aula. Ela falava, falava e falava. Falou sobre o colégio, sobre as aulas, os professores, os colegas de turma...
   Eu apenas ouvia, sorria às vezes e assentia, e Daniel fazia o mesmo, mas vez ou outra ele se manifestava sobre algo. Ela não era uma garota ruim – pelo contrário, ela sempre estava sorrindo e sendo agradável -, mas eu não podia negar que o meu humor estava péssimo. Talvez devido a minha briga com Eve, talvez por saber que ela pode ter razão...
   Não é que eu confie demais nas pessoas logo de cara. É só que, enquanto a pessoa não me der um motivo para não gostar dela, eu me permito confiar. Não é como se eu fosse sair por aí de mãos dadas com Louise, chamando-a de amiga. Para chegar a esse ponto a pessoa tem que me conquistar absurdamente e isso demora a acontecer.
   E ok, com Daniel não demorou tanto, mas tem diversos fatores que nos fizeram ficar próximos com rapidez. Um deles é que tínhamos que fingir que namorávamos. E depois as coisas começaram a ficar um pouco reais e agora temos alguma coisa. Mas enfim.
— Ally? – ouvi Louise me chamar e pisquei rapidamente, saindo do meu devaneio. – Está tudo bem?
— Sim. – falei rapidamente, e só então percebi que Daniel não estava mais sentado ao meu lado. – Aonde Daniel foi?
— Ele foi ao banheiro. – ela mexeu o canudo dentro do seu copo de milkshake, parecendo querer dizer algo. – Vocês estão juntos há muito tempo?
   Ótimo, agora ela quer saber da nossa relação. Pensei em falar a verdade, que tudo aquilo era uma farsa, apesar de darmos uns beijinhos frequentemente. Mas optei por manter a mentira para ela. Provavelmente Daniel havia feito o mesmo.
— Há cerca de quatro meses. – respondi, sorrindo fracamente. – É bem recente.
— Entendo. Faz muito tempo que eu e ele não nos falávamos, então foi uma surpresa para mim quando ele disse que estava namorando. – ela apoiou o queixo em uma mão e me olhou com uma expressão neutra. – Vocês parecem se dar bem. Quase como se completassem um ao outro.
   A conversa tinha um tom tranqüilo, mas sei por que, estava me incomodando um pouco.
— Somos muito diferentes. – mordi o lábio inferior, desviando o olhar do dela e olhando para a rua através da grande janela de vidro ao meu lado. – Mas realmente nos damos bem, às vezes.
— Às vezes? – ela riu. – O Danny é um pouco difícil em certas situações, realmente. Mas ele é incrível.
   Eu sei que ele é incrível, Louise. Mas eu realmente não preciso ouvi-la dizer isso. Ficamos em silêncio por alguns segundos, até que ela suspirou e pareceu muito triste de repente.
— Pode me dar um conselho? – ela perguntou baixinho.
   Eu assenti, curiosa.
— Eu gosto de uma pessoa. – ela falou, olhando para o milkshake em suas mãos. – Mas é um pouco complicado. Você acha que quando amamos alguém, devemos correr atrás? Ou devemos esperar que em algum momento ela venha até nós?
   Eu não entendia aonde ela queria chegar. Na verdade, não queria saber. Ficamos nos olhando nos olhos por algum tempo, em silêncio. Ela com um olhar triste, eu tentando me controlar para não levantar e sair correndo daquela conversa. Porque se tem alguém que é mestra em sentar e esperar as coisas virem sozinhas, sou eu. Fiz isso com Benjamin por 3 anos e o via se afastar cada vez mais. Então, cheguei à conclusão de que ela devia fazer o certo, seja lá quem fosse a pessoa pela qual ela fosse apaixonada.
— Acho que você deve correr atrás do que quer. – falei, por fim. – Esperar geralmente não trás muitos resultados. Sei disso por experiência própria.
   Ela sorriu fracamente e assentiu, pegando em minha mão sobre a mesa e apertando-a de leve, num agradecimento. Nesse momento, Daniel voltou à mesa e nos olhava com curiosidade.
— Perdi algo? – perguntou, sentando ao meu lado e pegando meu milkshake para beber um gole.
— Não. – Louise ainda sorria um pouco. – Acho melhor irmos agora, não? Já está ficando tarde e minha mãe me mandou uma mensagem, pedindo para eu não demorar.
   Concordamos em ir e pagamos a conta. Como a casa de Louise era um pouco mais distante do que as nossas, decidimos estudar no meu apartamento, assim não faríamos um caminho tão longo de ida e volta. Daniel decidiu parar em sua casa antes de continuarmos, para pegar alguns livros para a aula. Eu e Louise íamos ficar no carro, mas Tanya cuidava de alguns arbustos no gramado em frente a casa e sorriu abertamente ao nos ver.
— Ally! – ela cantarolou, se aproximando do carro enquanto eu saía do mesmo. – Que saudade!
   Nós nos abraçamos fortemente e eu ri ao ver Daniel revirando os olhos enquanto subia as curtas escadas até a porta da frente. Ele sempre debochava das demonstrações de carinho entre eu e Tanya, pelos simples fato de nos achar exageradas. Afinal, Tanya me recebeu calorosamente e disse estar com saudades, mas ontem mesmo eu estive aqui.
   Nós nos soltamos uma da outra e ouvi a porta do carro bater. Louise saiu do automóvel, sorrindo timidamente para Tanya. Eu as apresentei e Tanya pareceu feliz em conhecê-la, pois já havia ouvido sobre ela, mas havia algo estranho em seu olhar.
— A casa de vocês é tão bonita! – Louise disse, olhando ao redor.
— Obrigada. – Tanya sorriu. – Gostariam de entrar? Eu posso te mostrar a casa, Louise.
— Acho melhor não, Daniel já deve estar voltando. – comecei a falar. – Se entrarmos ele vai...
— Eu adoraria! – Louise falou animada, me interrompendo. – Não vamos demorar, certo?
   Tanya concordou e nos guiou para dentro. Eu já conhecia tudo, então não havia necessidade de ir com elas. Portanto, optei por sentar no sofá da sala e ficar lá até elas terminarem, mas quando entramos em casa a primeira coisa que vimos foi...
— Allison Jones! – Mia exclamou, surpresa e sorridente, ao me ver. – O que faz aqui?
   Deus, me leva. Agora. Por favor.
— Ah... – mudei o peso de um pé para o outro, enquanto apoiava uma mão na parede para não cair de desespero. – Estou com Daniel. Viemos buscar algumas... Err...
— Ally?
   Está cada vez pior. Olhei para trás e lá estava Benjamin, com duas canecas de algo fumegante nas mãos, me olhando com um sorriso torto.
— Pela hora pensei que você não viria mais. – ele disse, indo até Mia e dando-lhe uma das canecas, enquanto se sentava ao seu lado no sofá.
   Na TV passava um filme qualquer. Noite de casais. Noite de Benjamin e Mia. ÓTIMO momento para eu estar presente. Eu não sabia onde me enfiar, e ao olhar ao redor constatei que Tanya e Louise já estavam pela casa, ou seja...
   Aqui estou, sozinha com o casal mais bonito da escola.
— Pois é, fomos comer algo após as aulas e acabamos demorando um pouco. – respondi. – Mas já estamos de saída, vamos estudar no meu apartamento. Temos que deixar Louise em casa, então vamos aproveitar o caminho.
— Louise? – Mia perguntou curiosa. – É alguma aluna nova?
— É aquela amiga do Daniel. – Benjamin respondeu por mim. – Aquela que encontramos em San Mateo.
   Mia pareceu lembrar rapidamente e sorriu, assentindo.
— Eu lembro dela! Era muito bonita, os meninos do time ficaram insistindo para Daniel passar o número dela, não foi? – Mia riu e Benjamin coçou a nuca, sorrindo fracamente, com o olhar cuidadoso sobre mim. – Fica de olho, Ally. Você sabe, meninas bonitas demais tem aquela coisa...
— ... Coisa?
   Mia sorriu, revirando os olhos. Ela não parecia estar falando por mal – realmente, não parecia – mas aquele assunto estava me levando para um caminho que eu não queria percorrer.
— Acham que são donas do que querem. – Mia disse, em um tom de voz mais baixo. – E são bem insistentes.
— Como você. – Benjamin finalizou, bebendo um gole da sua bebida em seguida, enquanto Mia ria em concordância.
   Forcei uma risadinha, totalmente querendo sair dali, enquanto olhava para os lados. Finalmente Daniel apareceu, com três livros em mãos e olhando de mim para o casal, avaliativamente.
— Socializando? – ele me perguntou. – Acho melhor irmos logo, antes que fique tarde demais.
— Temos que esperar Louise.
— Aonde ela foi? – ele perguntou, começando a ficar um pouco irritado. – Eu saio por três minutos e cada uma vai para um lado.
— Sua tia foi mostrar a casa para ela. – respondi, suspirando. – Eu avisei que não era uma boa idéia.
— E porque ela foi?
— Porque ela quis. – revirei os olhos. – Apenas espere, vai morrer se fizer isso?
— Eu não, mas você vai morrer enforcada por química se não tiver aulas hoje. Esqueceu que tem dezenas de exercícios para você levar amanhã?
   Fechei os olhos com força, gemendo baixinho de agonia. Eu já havia esquecido que tinha páginas e mais páginas de lição de casa.
— Por que não ficam aqui para assistir um filme conosco? – Mia perguntou. – Daqui a pouco vai passar um filme de terror novo que esteve no cinema.
— Deixa para outro dia, hoje temos compromisso. – Daniel falou rapidamente, impaciente. – Cadê essa garota?
Revirei os olhos com seus nervinhos à flor da pele. Qualquer coisinha para Daniel era motivo para bater o pé no chão. Meu olhar caiu sobre Benjamin e o flagrei me observando atentamente. Ele piscou um olho para mim e eu sorri um pouco, desviando o olhar. Mia tinha os olhos pregados na TV, enquanto bebericava sua bebida quente.
   Logo Tanya voltou com Louise em seu encalço, sorrindo abertamente para ela. Tanta felicidade, não sei por quê.
— Esperem um pouco, eu quero dar uma coisa para Ally. – Tanya pediu indo rapidamente para a cozinha e Daniel bufou impaciente.
— Vocês! – Louise exclamou ao ver Mia e Benjamin. – Vocês estavam em San Mateo, não é?
— Sim. – Mia deu um sorrisinho forçado e levantou para abraçá-la rapidamente. – Não sabia que você viria para cá.
— Eu me mudei com a minha mãe. – Louise disse.
   Mia fez um som de “Hmm”, meio desinteressada, e Benjamin apenas acenou para ela sem ao menos se levantar do sofá. Eu senti vontade de rir da cena, mas me controlei. Daniel observava a tudo com uma sobrancelha arqueada, mas eu vi um traço de sorriso em seus lábios. Se Mia e Benjamin pareceram incomodados com o excesso de sorrisos e felicidade de Louise, imagino como Eve ficará na presença dela...
   Tanya voltou rapidamente, com um potinho em mãos. Ela sorriu carinhosamente, me dando o pote, e eu logo vi que era algo comestível. Eu amo a Tanya.
— Fiz uma torta maravilhosa ontem e guardei um pedaço para você. – ela disse. – Tive que espantar esses dois desesperados para sobrar algo.
   Ela semicerrou os olhos para Benjamin e Daniel, que riram, antes de Daniel sair me puxando delicadamente pelo braço até a saída.
— Temos que ir, até mais tarde, tia. – ele disse. – Louise, vamos!
   Louise veio atrás de nós apressadamente, se despedindo de todos no caminho. Tanya também nos seguiu até a porta e ficou nos olhando entrar no carro.
— Me avise se for dormir na Ally! – ela praticamente gritou assim que Daniel ligou o carro. – Senão ficarei preocupada!
— Ok! – ele gritou de volta, revirando os olhos.
   Eu liguei o rádio, colocando as músicas de seu pen drive para tocar. Estranhamente, o caminho até a casa de Louise foi silencioso. Ela sempre tagarelava sobre qualquer coisa, mas dessa vez éramos capazes de ouvir nossas respirações no carro. Eu não me manifestei – até porque não tinha o que dizer – e Daniel também não. Ele apenas cantarolava distraidamente, vez ou outra analisando Louise pelo espelho retrovisor. Eu não sabia o que ela tinha, e fiquei sem graça de olhar para trás do nada para ver o que havia. Então, fiquei na minha.
   Quando Dan estacionou na frente da entrada de seu prédio, ela saiu do carro rapidamente e acenou para nós, sorrindo levemente, enquanto ia em direção ao prédio. Nós apenas acenamos de volta.
— Isso foi estranho. – falei. – Ela nunca ficou tão quieta assim.
— Uma das coisas que eu não gosto nela. – Daniel resmungou, enquanto manobrava o carro para voltar à rua. – Esse ciúme desnecessário.
— Como assim? – perguntei confusa.
   Daniel suspirou, passando a mão na nuca, enquanto olhava atentamente o espelho retrovisor para ver os carros que vinham logo atrás de nós.
— Louise é meio... – ele começou, incerto. – Ela é uma boa garota, mas tem um ciúme sem sentido de mim. Ela ficou quieta assim por causa do que a minha tia falou antes de sairmos.
— Sobre você ir dormir lá em casa? Mas ela sabe que nós “namoramos”.
— Sim, mas não ficamos mostrando isso na frente dela. – ele falou. – Como não ficamos cheios de demonstração de afeto, é como se fôssemos apenas amigos.
— É por isso que você não me beija na frente dela? – perguntei, ligando os pontos.
Daniel mal encostava em mim quando Louise estava junto.
— Sim, e porque eu imagino que você também não goste de ficar de babação na frente de outras pessoas. – ele revirou os olhos. – Ou gosta?
— Credo, não. – fiz careta e ele riu. – Mas... Você não acha estranho esse ciúmes dela?
Daniel suspirou, mantendo os olhos na rua à frente. Ele ficou pensativo por alguns segundos, antes de dar de ombros.
— Acho. – respondeu. – Mas eu prefiro não pensar ou me questionar muito sobre isso.
   Eu também não, Daniel.
(...)
   Duas semanas se passaram. Dias corridos, trabalhos, lições de casa intermináveis, aulas particulares e, sobretudo, Louise. Todos os dias, após as aulas, lá estava ela.
   “Vamos ao parque?” – e nós íamos.
   “Vamos à lanchonete?” – e nós íamos.
   “Vamos à Golden Gate?” – e nós íamos.
   “Vamos à praia?” – e nós íamos.
   Eu admito que não agüentava mais. Já disse, ela é legal, mas tudo tem limite. Eu cheguei a perguntar se ela fez amizades no colégio e ela disse que sim, que todos eram super legais e viviam a chamando para festas, sociais e coisas do tipo. Eu controlei a vontade de gritar: “ENTÃO POR QUE NÃO VAI COM ELES E NOS DEIXA EM PAZ?!”, mas eu tive que manter a pose e usar a educação que minha amada mãe me deu.
Eve e eu ainda estávamos distantes. Nunca ficamos tanto tempo afastadas, sem falar direito. Ela sentava conosco no intervalo só às vezes, e eu percebi que era por insistência de Jack. Eu me sentia um lixo, sentia muita falta dela. Então, decidi que iria cercá-la e forçá-la a conversar comigo hoje.
   Consegui encontrá-la quando soou o sinal indicando o intervalo. Ela me viu no corredor e já ia me dar as costas, mas eu agarrei seu pulso e a reboquei para o ginásio. Ela foi o caminho todo resmungando, mas não fez muita questão de fugir de mim. Os Lions estavam treinando hoje e assim que entramos no ginásio eu tive a visão de Daniel andando pela quadra, suado e enxugando a testa com a borda da regata branca que usava. Um pedaço do seu abdômen aparecia e eu tive que manter o foco no que estava indo fazer ali.
   Puxei Eve até o topo da arquibancada, no último banco, e a fiz sentar. Ela o fez, cruzou as pernas e abraçou a mochila contra seu peito, sem olhar para mim. O biquinho de insatisfação dela era adorável, mas não era hora para ela ficar de cisma comigo.
— Desfaz essa cara birrenta. – falei, cruzando os braços. – Nós temos que conversar.
— O que houve? – ela perguntou, ainda sem me olhar. – Sua nova amiguinha já mostrou as garras e você veio admitir que eu tinha razão o tempo inteiro?
   Revirei os olhos. Quando queria, ela era tão infantil e teimosa quanto eu.
— Não. – respondi. – Quero dizer, em partes.
Ela semicerrou os olhos para mim e encostou as costas no banco, dessa vez olhando para mim com interesse.
— O que ela fez? – ela resmungou. – Me fala, que eu vou lá e...
— Você não vai a lugar algum. – ralhei. – Nunca mais. Você vai ficar aqui, comigo. – choraminguei, jogando-me em cima dela e a abraçando apertado. – Sabe como me senti durante esses dias sem você? Eu não agüento ficar afastada de você, Eve, pelo amor de Deus.
— Espero que tenha se sentido muito mal, mesmo. – ela resmungou, mas ainda assim que me abraçou tão saudosa quanto eu. – Porque eu me senti da mesma forma, mas você tem que aprender a parar de defender gente estranha com unhas e dentes.
   Nós nos separamos e eu suspirei, passando a mão nos cabelos.
— Eu não a defendi... – murmurei. – Apenas não queria julgá-la tão cedo. Mas ela tem estado tão presente desde que chegou e...
— É claro que está. – Eve revirou os olhos. – Ela quer marcar território.
— Que território? – arqueei uma sobrancelha. – O território é meu, eu cheguei primeiro. Quero dizer, não que Daniel seja meu, mas...
   Eve bufou, impaciente.
— Ela já tentou algo? – perguntou.
— Não. – murmurei. – E eu não acho que ela tentará. Ela é legal, é só que...
— Para de defender essa garota! – Eve reclamou, irritada, mas bem menos que antes. – Você fica incomodada com as coisas e ainda assim fica relevando, deixando para lá. Que coisa, Ally.
— Eu não quero ser injusta.
— Quem está sendo injusta é essa garota que não dá um minuto que paz para vocês! – ela cruzou os braços, e eu no fundo concordava com ela. – Acha que eu não a vi cercando vocês todos esses dias, após as aulas? Com aquelas saias de pregas e jogando aquele cabelo de um lado para o outro. Aonde ela acha que está? Em As Patricinhas de Beverly Hills?
   Eu não pude evitar rir alto da implicância de Eve. A melhor coisa de ter uma melhor amiga – principalmente tão sincera como Eveline Walker – era que ela não poupava palavras para te defender e te fazer sentir melhor. E ela também tinha as melhores observações e conselhos, mesmo que muitas vezes eu fosse teimosa o suficiente para não escutá-los.
   Mas eu a amo tanto, tanto, tanto...
— Me desculpe pela discussão. – falei já recomposta. – Eu não queria ser tão idiota.
— Você sempre é. – ela sorriu levemente. – Mas eu te amo mesmo assim. E me desculpe por ter sido tão arrogante.
— Você sempre é. – sorri. – Mas eu te amo mesmo assim também.
   Ela revirou os olhos diante da nossa melação, mas sorriu satisfeita. Eu me sentia infinitamente mais leve e feliz. Não demorou muito para Jack aparecer na entrada do ginásio, olhando ao redor, à nossa procura. Acenamos para ele nos achar e decidimos acompanhá-lo até o refeitório, afinal, estávamos cheias de fome.
   Enquanto descíamos os degraus da arquibancada, com Eve na minha frente, eu vi Daniel e Benjamin me observando do outro lado da quadra. Os dois acenaram para mim ao mesmo tempo e eu fiquei desnorteada. Apenas levantei a mão, sem saber para quem acenar ao certo. Daniel lançou um olhar cortante para Benjamin, que sorriu provocante para ele. Revirei os olhos com a competição de testosterona.
   Eu só não entendia o motivo de Benjamin estar dando tanta atenção para mim de repente. Com certeza devia ser apenas para provocar Daniel – e estava funcionando.
   Quando eu já estava saindo do ginásio, com Eve e Jack de mãos dadas ao meu lado, ouvi passos correndo atrás de mim. Quando o som ficou muito alto, virei-me rapidamente, em alerta, e gritei ao ser pega pelos braços de Daniel. Ele me segurou e jogou-me sobre um de seus ombros como um saco de batatas. Ouvi Eve, Jack e o restante do time rindo e senti vontade de esconder a minha bunda, que no momento estava toda para o alto. Eu estava usando short, então a visão devia ser... Meu Deus.
Dei soquinhos nas costas de Daniel, que ria enquanto passeava comigo pela quadra.
— Me põe no chão, Sullivan! – pedi sem fôlego e sentindo todo o sangue ir para o meu rosto, já que eu estava de cabeça para baixo. – Agora!
— Diz a frase mágica. – ele cantarolou, risonho, enquanto me jogava um pouco para cima e eu quase caía de seu ombro. – Com jeitinho.
— Vai se fuder. – rosnei, fazendo-o rir alto. – Por favor! Pronto, eu já disse, agora...
— Não é essa frase mágica... – ele disse, ainda rindo irritantemente, enquanto eu observava o chão da quadra brilhando abaixo de mim. – Tem que dizer que eu sou a coisa mais linda que você já viu na sua vida.
— Ah, Daniel, me poupe...
— Eu posso ficar assim o dia inteiro, se eu quiser.
— Você é a coisa mais linda que eu já vi na minha vida. – resmunguei rapidamente.
— O quê? – ele praticamente gritou. – Eu não ouvi!
— Você é a coisa mais linda que eu já vi na minha vida! – eu gritei com todas as minhas forças, que não eram muitas.
   Minha cabeça já estava pesada de tanto sangue que desceu e eu estava sem fôlego. Ouvi aplausos em toda a quadra e Daniel me colocou no chão à sua frente. Agarrei seus braços fortes para não cair feito uma fruta podre, de tanta tontura que eu sentia. Revirei os olhos ao ver Eve e Jack aplaudindo aquele constrangimento, assim como todos do time. Daniel me segurava pela cintura para me dar estabilidade e eu respirei fundo, semicerrando os olhos para ele.
— Você é ridículo. – resmunguei, fazendo-o sorrir ainda mais.
— É por isso que você me ama. – ele disse, segurando meu rosto e me beijando com fervor, mas me soltando rápido demais. – Até mais tarde, menina.
   E eu fui deixada ali, desnorteada, enquanto ele corria até os outros meninos e rapidamente a bola de basquete estava em suas mãos. Tão rápido quanto eles pararam o treino, eles voltaram a ele. Suspirei, voltando-me para Eve e Jack, que sorriam para mim.
— Traidores. – resmunguei.
— Mas foi engraçado. – Eve justificou e Jack assentiu, ainda rindo. – Aliás, sua bunda cresceu nos últimos dias? Porque eu não lembro dela tão grande assi...
   Belisquei seu braço, interrompendo sua fala e fazendo-a rir alto. Mas não consegui evitar o sorriso que se formou em meus lábios enquanto íamos até o refeitório.
   Daniel sabia mesmo como melhorar o meu dia... Mesmo o virando, literalmente, de cabeça para baixo.

 



Notas finais do capítulo

ALÁ A ODIADA DA HISTORIA! HAHAHAHA. Todo mundo transferiu a raiva pelo Benjamin pra Louise! Morro de rir com os comentários de vocês, hahahaha. ♥
Espero que tenham gostado do capitulo, comentem dizendo o que acharam dele e o que estão achando da história, é muito importante pra mim!
Logo tem capítulo novinho :3
Bjbjbjbjbjbj



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