Dança Para o Futuro escrita por Mahucp


Capítulo 1
Único


Notas iniciais do capítulo

Shippando yuri em game de 16 bits, yeeeep.
Elas são muito lindas juntas. Amo *___*

Meio triste que o shipp e a categoria não sejam muito popular no site (*cof* nada popular *cof*), mas nada que euzinha não possa resolver. =D



Celes colocou as mãos no parapeito da airship de Setzer.

Um vento suave atingia seu rosto fazendo os fios loiros dançarem junto à brisa. Apenas o motor da nave era percebido pelos ouvidos atentos da ex-general. Estranhamente, o som desarmônico trazia-lhe paz. Era um recado constante de que estava no céu, junto dos pássaros. No céu onde era tudo tão belo e pacífico. Sem destruição, sem morte, sem Kefka.

Somente ele continuava ali. Ele, o monstro que vivia dentro de seu coração, quem Celes nunca conseguia calar ou apaziguar.

O aperto contra o corrimão do parapeito intensificou-se, deixando os dedos doloridos. Celes baixou a cabeça, dando um suspirou lento.

Era tão egoísta. Voltou-se contra o império, sozinha; lutou em busca da própria redenção. Era tão estúpido e arrogante. Agia como se fosse a única digna de perdão. Agora Leo e tantos outros soldados estavam mortos, sequer tiveram a possibilidade de pensar em uma redenção. No momento, tudo que podia fazer por eles era impedir Kefka e Gestahl. Era tão pouco.

— Vamos honrar a memória dele. O general Leo será lembrado como um herói, um homem bom.

O coração de Celes pulou, o corpo estremeceu numa resposta involuntária ao fator surpresa. A loira respirou fundo e virou-se para encarar Terra.

A garota de cabelos verdes sorriu fraco, enviando um pedido de desculpas silencioso pelo susto provocado na ex-general.

— Sabe, é algo que podemos fazer quando tudo isso... acabar — Terra continuou, segurou o braço esquerdo com a outra mão.

A incerteza da vitória pairava sobre Terra, crescendo junto da insegurança sobre si mesma e o futuro nebuloso. O que realmente faria no futuro? Que vida teria? Quais sentimentos deveria ter?

— É uma coisa — disse Celes pouco satisfeita.

Nenhuma honra póstuma recompensaria a vida perdida de dezenas de soldados anônimos. Seriam simplesmente esquecidos; lembrados somente como ferramentas do império; objetos sem rostos programados para levar ódio, morte e destruição sob um simples comando. Como iriam lembrar que havia boas almas dentre os soldados, se eles sequer tinham um rosto?

— E você? — perguntou Terra.

Deu alguns passos em frente, ficando a centímetros da loira.

— Eu o quê? — Celes retrucou com mais acidez do que gostaria.

— O que você vai fazer depois de tudo? — insistiu Terra.

A meio-esper tinha curiosidade sobre o futuro de todos seus amigos, especialmente Celes. Compartilhava um passado parecido com a ex-general, e Terra tinha certeza que as semelhanças eram maiores do que as diferenças. Se Celes soubesse o que fazer, talvez ela também soubesse.

Gostava de conversar com a ex-general, perguntar sobre sentimentos e como senti-los. Celes era bela; mesmo que a loira escondesse, os olhos azuis mostravam tudo. Sonhava sobre o amor, sobre ter uma vida normal; assim como Terra. A meio-esper adorava apreciar aqueles olhos e descobrir tanta beleza.

— Passar por um julgamento, certamente — respondeu Celes seca. Virou as costas para Terra, apoiando a mão na cintura.

— Você não vai ser condenada. Eu não vou deixar isso acontecer — Terra garantiu.

Celes sorriu. Estava sendo egoísta novamente, mas era bom ouvir aquelas palavras. Saber que Terra se preocupava com ela, que a meio-esper queria protegê-la. Terra era uma pessoa encantadora, sentia-se bem quando estava perto dela, mesmo no meio de uma batalha.

— Você pode cantar ópera — falou Terra. Ficou parada, sabendo que por algum motivo, Celes queria manter distância.  

A loira revirou os olhos. Não gostava do interrogatório que a garota de cabelos verdes fazia. Era uma ex-general imperial, não uma criança cheia de sonhos. Às vezes não sabia se Terra estava zombando ou, simplesmente, não tinha noção da realidade e falava sério.

— Não é como se tivéssemos escolha — Celes defendeu-se, cruzou os braços. — A nave ainda está sendo muito útil a nós.

— Locke disse que você foi muito bem. E que você gostou — comentou Terra. Sorriu imaginando como a amiga deveria brilhar no palco. — Eu queria ter visto.

Celes deixou escapar um riso. Era a palavra dela contra a de um ladrão, contudo não tinha motivos para mentir. Terra e Locke eram seus amigos, não tinha razão para se esconder.

Virou-se para Terra.

— Concede-me uma dança? — perguntou ajoelhando-se na frente da meio-esper, estendendo um braço.

Terra segurou a mão de Celes e puxou a ex-general para si.

— Vamos dançar, Celes! — Terra aceitou a proposta sorrindo.

Celes sentiu o rosto esquentar. Ficou parada, sem saber o que fazer, apenas contemplando Terra. O estômago embrulhava e o coração batia forte. A loira compreendia perfeitamente todas as reações de seu corpo, todavia não sabia como combatê-las ou escondê-las.

Diante da falta de reação da ex-general, Terra pegou a outra mão de Celes e começou a sacudir ambos os braços, afastando-os e aproximando-os novamente. A meio-esper sentiu uma leveza agradável naquele momento, algo completamente novo. A paz invadia cada célula de seu corpo, preenchendo o vazio que sempre existiu dentro de si.

— Somos péssimas dançarinas, não? — comentou Celes, olhando para baixo. Havia um limite de vulnerabilidade que deveria mostrar, mesmo para os amigos mais íntimos. Apesar disso, não parou o balançar dos braços. — O público nos odiaria.

— Bem, talvez eles possam gostar — opinou Terra confiante.

Segurou o queixo de Celes, erguendo o rosto da loira para si. Então a beijou.

Celes arregalou os olhos, sentindo o coração saltar. Lágrimas preencheram seus olhos, fechou-os impedindo que elas caíssem. Soltou a mão da amiga e puxou Terra para si, enquanto correspondia o beijo.

Terra colocou as mãos na nuca de Celes, enterrando os dedos nos fios loiros. Era mais baixa que a amiga, tendo de erguer-se na ponta dos pés para beijá-la. Não que isso a incomodasse, nada naquele momento nada a deixaria desconfortável. Estava beijando Celes.

Um beijo perfeito.      



Notas finais do capítulo

Meu talento musical é tão grande, tão grande que eu só passei da parte da ópera na quinta tentativa. A parte da Celes, porque se for contar o resto têm mais duas tentativas SUAHSUAHSUAHUSHAUHSUAH

Espero que tenham gostado!



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