Another Hermione escrita por Mrs Rainbow


Capítulo 43
43 - Você que bateu em mim!


Notas iniciais do capítulo

PRIMEIRO, EU TÔ CHORANDO.
SEGUNDO, EU TÔ SOLUÇANDO E EU NÃO FICO BONITA QUANDO EU CHORO NÃO!
MUIIIIIITOOOOOOOO OBRIGADA A Mavis (Que fez uma recomendação dizendo que não estava fazendo apenas para ter os nomes nas notas iniciais, MAS ELA MERECE DE QUALQUER FORMA) E A Ophilz TAMBÉM! EU TÔ CHORANDO E NÃO É POUCO! AS RECOMENDAÇÕES ME DERAM UM IMPULSO QUE VOCÊS NÃO TÃO ACREDITANDO AAAAAAAAAAAAAAAA

E eu não estou brincando, eu realmente não estou animada esses dias com a coisa da provável mudança. Está me afetando que eu não consigo conversar com ninguém, não consigo escrever, mal consigo dormir ou comer. Estou muito mal meeeesmo. A única coisa que eu faço é assistir Nikita e ler fics Reader x Bucky Barnes no Tumblr. É o meu modo de me fechar para o mundo, pelo menos estou lendo, né.

Mas não agradeço apenas a essas duas pessoas que me fizeram estupidamente feliz, mas também a todos que deixaram review no capítulo passado. Muito obrigado mesmo, foi isso que me deu forças para completar e atualizar esse capítulo. Já que esse foi o único que eu consegui recuperar naquela perda de arquivos que tive.
Mas ali, a fanfic seguia um rumo diferente, então tive que completar, trocar e mudar algumas coisas. Enfim, eu só gostaria de agradecer muito a vocês por me apoiarem e por tudo. De verdade.
Juro que se alguma coisa acontecer comigo, algum amigo meu vem aqui dizer como a fanfic termina, ou postar o último capítulo. Já que eu já o tenho escrito.

Bem, espero que gostem desse capítulo LONGO QUE SÓ A CACETA
7939 palavras, uau.



Remexi as frutas no meu prato olhando de relance para a mesa da corvinal, Remus estava lá com a namorada.

Como você é boba, Mione. — Coração fungou e eu abaixei a cabeça novamente pegando um pedaço do que quer que tenha sido antes de eu amassar e espremer, mastiguei lentamente vendo que Sirius estava na mesma situação que eu. A diferença, era que ele encarava Marlene e Régulo na mesa da Sonserina.

— Somos trouxas. – Murmurei e Almofadinhas me olhou de canto de olho meio aéreo até entender o que eu falei e estufar o peito sorrindo debochado.

— Eu não sou! Ela não é minha garota. – Deu de ombros empinando o nariz e continuando a comer, suspirei e apoiei o queixo na mão voltando a minha atenção ao prato. O ouvi suspirar e então Almofadinhas me abraçou pelos ombros acariciando o mesmo. – O que foi?

— Nada... É só que... É sempre assim! – Me encostei mais nele largando o talher. – Ele sempre volta para ela, não importa o que aconteça. Estou sinceramente ficando cansada disso... – Escondi meu rosto em seu ombro e abracei sua cintura. – Lembra o que Pontas disse? Porque ele simplesmente não enfia logo um ‘não’ na minha cara? Porque me deixar lá como segunda opção? Eu cuido dele, amo, digo isso, mas ele sempre volta para ela. – Ri sem humor, Sirius me apertou mais contra si e acariciou minhas costas.

— Talvez, Neve... Não deixa para lá. – Recuei um pouco para olhá-lo desconfiada.

— Talvez, o que, Six? – Ele deu de ombros meio hesitante.

— Talvez você devesse dar um tempo. Se focar em outras coisas, talvez algum objetivo ou sei lá, não coloque-o no pedestal... Fique com outras pessoas, aproveite sua adolescência, estude, treine, faça outra coisa além de sofrer por ele! – O olhei meio abismada, Sirius parecia querer me dizer aquilo a bastante tempo.

— Mais do que estou agora? – Arqueei as sobrancelhas incrédula, fazendo-o rir e beijar meu cabelo de modo carinhoso e me empurrar com o ombro

— Você não estava fazendo por você, estava fazendo para provocar ele.

Pensei no que ele disse, Sirius tinha razão... Odiei que ele tivesse razão.

— Você tem razão. – Murmurei depois de um tempo, realmente pensativa. – Acha que eu devia? – Almofadinhas me olhou surpreso antes de responder:

— Não esperava essa reação. – Ele riu pelo nariz se virando para frente novamente mas ainda me abraçando.

— E o que esperava? – Sirius gargalhou antes de responder.

— Esperava que você me azarasse e me jogasse pela mesa. – O segui na gargalhada negando com a cabeça, quando nos acalmamos ele deu um suspiro contente e respondeu minha outra pergunta. – Acho. Vai te fazer bem, além de que pode mostrar a Aluado que você pode seguir em frente.

— Não. – O interrompi abruptamente fazendo Sirius me olhar decepcionado, antes que ele concordasse desapontado, eu completei. – Não vou fazer isso para ele ou algo do tipo, vou fazer por mim... Talvez não agora, mas eu posso tentar, não é? – Ele sorriu largo orgulhoso e acenou com a cabeça se arrumando no banco.

— Neve, você sempre consegue me surpreender. – Ri junto a ele e continuei a comer entre sorrisos, James estava encolhido entre alguns outros alunos tentado se esquivar de Jennifer, que era tapadinha e por isso não conseguia encontra-lo ali. Ele ainda estava evitando-a desde a nossa discussão a algumas semanas atrás.

Pontas admitiu para mim que “gostava” “um pouquinho” de Lily, e de como ela caminhava de nariz empinado, e de como o cabelo dela ficava parecendo fogo quando ela sentava perto da janela e o sol batia no mesmo, e de como os lábios dela pareciam dois morangos suculentos, e de como era encantador como ela franzia as sobrancelhas quando tinha problemas com o dever de runas antigas, e como ela fazia um barulho engraçado quando ria por muito tempo e entre outras coisas que tive que escutar junto a Aluado, já que James apenas confiou em nós para nos contar já que ele achava que estava ficando maluco e sabia que nós dois não riríamos dele.

 Rolei os olhos com seu encolher entre os meninos, quando ia mandar James parar com a palhaçada, os barulhos de asas batendo me fizeram calar, correio.

Peguei o profeta diário depois de abrir a encomenda de Andy e ver fotos de Dora subindo a escada com cuidado, se jogando do topo e flutuando até o chão.

— Pelo menos sabemos que ela é mágica. – Murmurei rindo depois de ter um pequeno ataque cardíaco junto a Sirius, deixei as outras fotografias de lado para olhar o profeta diário e descobrir o porquê o zum zum zum. Suguei o ar surpresa ao ver Bellatrix estampando a capa, ela tinha um olhar mais maluco que o normal, suas pálpebras caídas e lábios curvados sobre os dentes em um rosnado. Na foto ela tinha a varinha apontada para algo a sua frente e virava o rosto para a câmera rosnando.  

— Qual é a notícia do dia? – Almofadinhas perguntou em um murmuro antes de tomar um gole de seu suco.

— Sua prima virou a mais procurada do mundo mágico por matar dúzias de trouxas em um parque de diversões. – Ele cuspiu o suco com meu ofego e então tomou o jornal de minhas mãos depois de derrubar o cálice e nos molhar levemente.

Olhei para Narcisa da mesa da sonserina, vendo que as pessoas se afastaram dela e a olhavam horrorizadas, mas ela apenas empinou o nariz com os olhos brilhando em lágrimas e pegou sua mochila se levantando lentamente e saindo do mesmo modo elegante.

— Puta merda. – Chiou com a cara enfiada do jornal, ele levantou o olhar para o salão respirando fundo e então voltando a olhar para o jornal como se tentasse acordar. – Puta merda!

— Cacete. – Pedro exclamou escorregando para o nosso lado, James se sentou à nossa frente junto a Remus, todos para darem apoio a Almofadinhas, o mesmo ainda parecia meio chocado.

— E-eu sabia que ela era louca e assassina, mas... Puta merda! — Ele enterrou a mão nos cabelos e eu acariciei suas costas levemente. – Quando eu era mais novo, ela me levantava para que eu pudesse pegar os chocolates em cima da prateleira... Nem sempre Bellatrix foi assim, ela já foi humana... Um dia. – Minha memória voou para quando estava na mente de Riddle, será que ela perdeu o filho? Faria alguns meses que ela teria tido o bebê. Se ela tivesse perdido, tenho certeza que seria o suficiente para deixa-la completamente louca. E de quem seria a criança? Riddle? Lestrange?

— Talvez... A culpa não seja completamente dela. – Os marotos me encararam como se eu fosse a maluca da história e eu rolei os olhos. – Ela é influenciada, chegou a um ponto que ela enlouqueceu. – Dei de ombros e acariciei o cabelo de Sirius o olhando com ternura, ele sorriu de ponta e eu beijei sua testa de leve. – Não fique de cabeça cheia por causa disso.

Almofadinhas suspirou e largou o jornal enquanto eu o abraçava pela cintura, olhei para James e fechei a cara.

— O que foi? – Perguntou assustado com minha encarada irritada.

— Quando vai tomar vergonha na cara e terminar com ela? – Sirius e Pedro riram enquanto meu irmão corou levemente encolhendo os ombros.

— Quando eu tiver tempo? – Estreitei os olhos e olhei sobre seu ombro sorrindo satisfeita, ele ficou tenso enquanto eu sorria larga. – Acho que vai ter tempo em três, dois, um...

— Jamie! – Jennifer exclamou e eu segurei a risada ao vê-lo franzir a cara com o apelido, só eu o chamava assim. O lancei um olhar de aviso e ele suspirou acenando com a cabeça, Sirius passou o braço pelos meus ombros assistindo junto a mim e Pedro o primeiro termino do primeiro relacionamento de James, Remus me encarava estranho, lhe ignorei um tanto ressentida e porque tinha algo mais importante acontecendo.

— Oi... Jen... – A mesma arqueou uma sobrancelha meio confusa. – Será que podemos conversar?

— É o que eu venho tentando fazer a meses! – Berrou furiosa e nós prendemos o riso, apertei os lábios segurando a gargalhada.

— Eu sei, desculpa. – James retrucou meio irritado com o berro e com a discussão virar atenção de todos.

— Desculpa?! James Potter! Eu tenho cara de idiota?! Você foge de mim a meses, e só diz isso?! – Seu rosto ficou vermelho de raiva e James bufou se virando no banco para ficar de frente para ela.

— Estou tentando conversar agora, então dá para parar de gritar e de parecer uma louca? – Rosnou entredentes.

— Uh oh, resposta errada. – Murmurei para Sirius e ele acenou com a cabeça boquiaberto, Remus deslizou um pouco para longe para ficar longe da bomba.

— Louca? LOUCA?! — Isso sim foi um grito, fiz uma careta quando ela começou a dar tapas desesperados em James. – Louca é a senhora sua mãe! Louca é sua irmã! Louca é a sua avó! É o seu namorado! Seu babaca! – Gargalhei com os marotos, até que James berrou tentando sobrepor seus gritos enquanto se defendia.

EU QUERO TERMINAR! — Ela parou na hora e abriu a boca enquanto o burburinho começava. Certo, depois eu daria uma bronca em James por terminar assim.

— O-o que? – Gaguejou recuando alguns passos e tropeçando, ele riu irônico e sibilou, me fazendo trincar os dentes irritada;

— Eu quero terminar, é surda? Porque pelo que parece, você gosta muito de gritar. – Remus negou com a cabeça suspirando um tanto decepcionado, Sirius soltou uma risada baixa e eu belisquei sua cintura o fazendo se calar.

— P-por que?! – Soluçou do chão e eu passei por debaixo da mesa para passar pelo lado de James a tempo de vê-lo rolar os olhos, cheguei perto de Jennifer e lhe ajudei a levantar.

— Porque eu não gosto de você. – Falou simplesmente e eu o olhei puta da vida, Jennifer soluçou e Lils também chegou perto olhando com nojo para James, nós a tiramos do salão principal e eu olhei sobre o ombro a tempo de ver Remus dar um tapa na nuca de Pontas.

Jennifer chorava e soluçava horrivelmente enquanto nós a sentávamos em um dos bancos dos corredores, me agachei a sua frente e peguei uma de suas mãos.

— Meu irmão é um babaca, Jennifer. – Lils acenou com a cabeça várias vezes para reforçar minha afirmação. – Você merece alguém melhor, não chore por ele, pelo amor de Deus. – Me desesperei junto a Lils e meu queixo foi ao chão quando ela começou a gargalhar e levantou a cabeça me fazendo ver que não tinha nenhuma lágrima.

— Eu fui boa? – Me levantei assustada junto a Lilian e ela sorriu de lado. – Foi mal, James e eu estamos arquitetando isso desde o ano passado quando nem ele nem eu ficamos na capa da K. P. A. Fofocas. – Deu de ombros e eu respirei fundo apertando a ponte do nariz irritada, Lils ainda parecia meio perdida e irritada.

— Eu. Não. Acredito. – Rosnei e ela riu mais um pouco dando de ombros.

— Você ficou brava? – Perguntou animada e eu a olhei com nojo.

— Parabéns, vai aparecer como a idiota humilhada e ele como o babaca sem coração. – Ela deu de ombros novamente e bocejou.

— Ainda iriamos aparecer, certo? – Chiei e Lilian bufou saindo e me arrastando junto.

— Que puta, meu Deus. – Rosnou e eu bufei em concordância. – Seu irmão é um babaca.

— E egocêntrico. – Completei e voltamos para o salão principal, olhei para James raivosa e marchei até ele em passos duros, me sentei ao seu lado e o encarei puta da vida. – Você é uma puta por atenção, James Charlus Potter. – Sirius, Remus e Pedro me encararam confusos enquanto Pontas gargalhava.

— Ela te contou? – Estreitei os olhos e levantei o dedo médio esfregando a mão em sua cara.

— Vai se foder, Pontas. – Ele gargalhou mais um pouco e eu bufei virando para frente e olhando para Sirius, que ainda estava confuso.

— Certo, o que nós deixamos passar? – Perguntou franzindo o cenho.

— Essa putinha aqui, estava fingindo com a outra putinha o tempo todo. Tudo isso aqui? Uma encenação. – Sussurrei irritada, os marotos sugaram o ar enquanto James gargalhava.

— Então quer dizer que esse tapado não pegou ninguém em meses?! – Sirius grasnou em um tom de comemoração e James parou de rir arregalando os olhos.

— Merda! Esqueci dessa aposta. – Gemeu baixinho e foi a minha vez de olhá-los confusa.

— Agora eu tenho os gêmeos Potter sobre meu comando! – Gargalhou animado e eu neguei com a cabeça rindo fraco.

— Por um mês. – Completei o fazendo dar de ombros e sorrir malicioso.

— Muita coisa pode acontecer em um mês. – Refleti seu sorriso negando com a cabeça.  

***

— De novo! – Gritei para o time, ouvindo-os suspirarem. Pelo amor de Deus nem estava tão pesado assim – Rogers, eu juro por Deus que se você deixar o balaço atingir Reeves eu vou pegar essa bola e rebatê-la na sua bunda!

O que você pensa que está fazendo?!— Ouvimos um grito, Marcus entrava no campo parecendo muito irritado para meu gosto. Prendi um sorriso ao ver que ele ainda estava completamente verde, James e eu o deixamos preso dentro de um armário de vassoura com uma bombinha que soltava tinta colorida, mas com algumas modificações a tinta foi enfeitiçada e só sairia em uma semana.

— Davies! Espaço aberto, bundão! – James gritou lá do alto, instruindo nossos jogadores

— Nossa, o que aconteceu com você? – Sorri de modo cínico, fazendo uma cara de falsa surpresa e choque

O que. Você. Pensa. Que. Está. Fazendo?— Repetiu em um rosnado

— O que parece que estou fazendo? Estou assistindo-os treinar. – Sorri, vendo-o arfar de raiva

— Esse treino não é autorizado – Rosnou entredentes, fazendo-me rir e puxar uma autorização de McGonagall. Era uma autorização para utilizar o campo, mas não era preciso uma para treino.

Ele o puxou bruscamente de minha mão, dando-me vontade de rolar o olhos para sua babaquice.

— Ainda não entendi porque eles estão treinando se eu não estou instruindo. – O olhei de modo afiado antes de sorrir orgulhosa ao ver Rogers finalmente rebater o balaço e olhar para mim, como se para saber se eu tinha visto sua jogada

— Isso mesmo, Jason! – Um sorriso orgulhoso e bobo brotou em seu rosto, eles também precisavam de incentivo. – Respondendo sua pergunta, ninguém precisa necessariamente de você para treinar – dei de ombros, prendendo um sorriso de prazer ao vê-lo puto da vida – Pelo que sabemos, eles estão treinando individualmente. Apenas se encontraram por acaso.

— Sua. Vadia. – Arfou e eu o olhei de canto de olho, acertando meu cotovelo em seu rosto “sem querer” quando me estiquei bocejando

— Oh! Desculpe, docinho. – Ele gemeu de dor, tropeçando alguns passos para trás – Ah, e como está seu amigo? O... Doyle? O que tem boca grande. Espero que ele esteja bem. Eu soube que ele tinha uma namorada? O que aconteceu? – Sorri larga, lembrando que por total acaso a menina que eu tinha ficado a um tempo era namorada dele. E daquela vez foi realmente por acaso, eu descobri mais tarde quando ele veio tirar satisfações.

Ele teve sorte de Selena fazê-lo voar para longe quando ele puxou a varinha, mal ouvindo as palavras dele e o motivo para me atacar. Bem, ela era uma monitora, no final das contas. Não podia deixar um aluno atacar outro, mesmo eu já estando quase puxando minha varinha para uma vingança merecida.

— Você... – Ele mal conseguiu completar a frase de raiva, se virando e xingando alto. Quase como eu estava no dia dos testes, mas eu me controlei até estar fora das vistas dele.

— Certo, descansar, meninos! – Marlene arqueou uma sobrancelha para mim lá de cima e eu ri – E Marlene.

Ela bufou em concordância e começou a descer a vassoura, Sirius já estava ao meu lado, resmungando de dor nos ombros por ter que ficar pegando a bola

— Não quero nem pensar quando um de vocês for capitão ou capitã de verdade, lembrem-me de não fazer os testes. – Pontas e eu gargalhamos, ele até tentou passar os braços por meus ombros

— Nem vem, você está suado e fedendo. – Dei um tapinha em sua mão, sorrindo para os jogadores – Muito bem, espero que melhorem ainda mais para o primeiro jogo!

— Porque ela não é logo a capitã? – Ouvi um murmúrio triste e sorri levemente, me virando para sair do campo junto a Marlene e meus irmãos. Rabicho esperava na saída, bocejando e gargalhando de alguma palhaçada que Régulos tinha dito.

Por falar em Pedro, ainda não fizemos nenhum avanço em uma "cura".  Mas bem, tínhamos um começo, ao menos. Decidimos não contar nada a Remus, para não criar uma falsa expectativa e para deixá-lo em seu estado de felicidade apenas com a poção que não o deixava sentir a transformação quando tinha consciência.

Ainda estávamos tentando fazer a poção Mata-Cão, mas essa levaria mais tempo e ainda faltavam ingredientes. Além de que precisava ser feita na lua cheia e tinha muitos passos, era preciso cuidado ou senão a poção poderia reverter e deixar Remus mais violento e agitado quando estiver em sua forma lupina.  

— Awn, ele está esperando você, Marlene. – Falei baixinho, cutucando a costela dela. Tive cuidado em falar baixo para que Sirius não escutasse, por mais que ele negasse ferozmente, eu podia sentir os sentimentos dele em relação a Marlene.

— E Martinez estava te observando das arquibancadas o tempo todo. – Devolveu, fazendo-me levantar o olhar rapidamente, de modo confuso e talvez, desesperado. Varri a arquibancada com meus olhos, procurando Selena, talvez eu pudesse agradecer pelo lápis e devolvê-lo. Claro, eu não o tinha ali, mas isso era uma vantagem! Era um novo assunto e uma nova conversa. – Então a senhorita está de olho na monitora. – Disse maliciosa e eu corei rolando os olhos ao notar que eu havia caído em sua armadilha

— Então você está pegando o Black mais novo. – Ficamos nos olhando até começarmos a rir alto, chamando atenção dos meninos.

— O que foi, eim? – Sirius perguntou, me abraçando pela cintura e caminhando atrás de mim

— Coisas de meninas, Sirius. Só coisas de meninas...

***

— Por favor! – Ele implorou petulante tentando acompanhar meus passos, trinquei os dentes ao ouvir os outros marotos rirem de minha desgraça.

— Não! Eu nem sei quem é você! – Rugi entre os dentes, isso parece ter irritado o cara que eu não lembro o nome, já que ele me puxou rudemente pelo braço para rosnar em meu ouvido.

— Tanto faz. Vai para Hogsmeade sozinha! Vai ver Lupin com a namorada gostosa dele, enquanto você nem bonita é. Eu? Eu vou com outra gata. – James e Sirius o puxaram para trás com força parecendo putos da vida, o olhei irritada.

— Esperem! – Pedi ao ver que eles iriam jogá-lo para o outro lado do corredor, marchei até o babaca e o peguei pela gola da capa sussurrando em seu ouvido. – Quem disse que eu ia sozinha? – Ele sugou o ar e eu levantei o olhar vendo os olhos curiosos de uma pessoa em especial, sorri para o idiota e olhei para Sirius, sentindo uma coragem estupidamente grifinória preencher meu peito e fazer meu coração bater mais rápido. – Lembra do número 23? – Almofadinhas arreganhou a boca

— Sério? – Acenei com a cabeça convicta, outubro já havia começado e Sirius me deu uma cópia de uma lista com 50 coisas que eu tenho que fazer no mês. Haveria um passeio no domingo, era a segunda semana do mês, então tudo iria começar. Os jogos de quadribol, os passeios, trabalhos mais complicados e etc.

Andei calmamente até Martinez, sorrindo com uma confiança que eu não tinha, a fazendo olhar para os lados a procura de mais alguém, mas ela estava sozinha num canto do corredor apenas observando a bagunça que acabou se formando. Todos se calaram ao me verem marchar até ela, não me importei lhe mandando um sorriso de canto. Quando parei a sua frente deixei minha cabeça pender para o lado levemente vendo-a arfar e corar fortemente, Sirius gargalhou tão alto que a atenção foi voltada para ele, antes que ela o olhasse eu lhe mandei um sorriso digno de uma Potter.

— Martinez. – Ela engoliu seco e gaguejou.

—  P-Potter. – Os múrmuros começaram, mas como sempre, eu não me importei, Selena torceu a alça da mochila que segurava e meu sorriso aumentou levemente ao ver aquilo.

— Eu estava pensando... – Troquei o peso de um pé para outro enquanto pegava sua gravata sem a puxar, apenas como se estivesse analisando-a, ela suspirou encostando-se na parede e eu voltei a olhá-la nos olhos. – Com certeza está ciente do passeio para Hogsmeade esse final de semana, não é? – Martinez acenou com a cabeça, seus cachos balançaram me deixando sentir o cheiro dos mesmos, cheiravam a bolo. Ela passou a mão por eles tentando abaixá-los, me fazendo lembrar de quando eu também fazia isso. – Então eu gostaria de saber... Quer ir comigo para o passeio?

Selena sugou o ar tão forte que se engasgou me fazendo prender o riso e olhar sobre o ombro para os marotos enquanto ela se curvava tossindo.

— O-O que?! – Grasnou ainda com as mãos no joelho, sorri de lado e dei de ombros a observando corar. – Hãm... E-eu não sei... T-tenho que pensar. – Arqueei uma sobrancelha com sua resposta, mas alarguei meu sorriso com a mesma. Interessante...

— Está bem, espero ansiosa sua resposta. – Ela arfou acenando com a cabeça afobada e passando correndo por mim, segui com o olhar seu rastro e pendi minha cabeça para um lado.

Girei sobre os calcanhares e sorri de lado para os marotos, que tinham as bocas arreganhadas enquanto Sirius gargalhava de modo silencioso escorado sobre James. Caminhei até os mesmos ainda com o sorriso na cara e James resmungou quando cheguei perto.

— Não acredito que você vai conseguir pegar alguém que Sirius e eu tentamos e além de recebermos um não, fomos azarados. – Gargalhei junto a Sirius enquanto Pedro suspirava.

— Mione consegue pegar mais que nós e nem é homem. – O olhei torta.

— E desde quando é preciso ter um pau para pegar quem quiser? – Até James gargalhou com essa enquanto rodeava meus ombros com o braço assim como Sirius.

— E a nossa Neve está de volta, pessoal! – Almofadinhas berrou enquanto nós andávamos pela multidão calada e espantada pelo meu convite.

— Droga. – James resmungou alto e nós o olhamos confusos. – Isso com certeza vai ser a matéria de primeira página do K.P.A Fofocas. Merda. – Gargalhamos com seu comentário, ele ainda queria aparecer na maldita revista. Olhei para o lado esperando ver Remus e estaquei no lugar ao ver que ele não estava lá, consequentemente, os meninos também pararam. Olhei sobre o ombro e vi Remus ainda no mesmo lugar paralisado, Almofadinhas e Pontas seguiram meu olhar e se entreolharam arqueando as sobrancelhas.

— Aluado? – Pedro chamou confuso, Remus acordou do transe e levantou o olhar para mim, não para Rabicho. Arqueei uma sobrancelha ao ver seu olhar magoado, e lhe devolvi com um tom de desafio. Eu não aceitaria depois de tantos incentivos e cutucões para que eu chamasse ela, que ele ficasse magoado.

Desculpe Aluado, mas não vou mais esperar parada.  

— Algo de errado? – Ele engoliu seco e até abriu a boca para falar algo, mas se calou limpando a garganta e vindo até nós negando com a cabeça.

— Não. Estava apenas pensando nos testes. – Devolveu um tanto distante, dei de ombros da mesma maneira e continuei a andar puxando meus irmãos enquanto Remus e Pedro estavam do lado de cada um.

— Foi o que pensei. – James ficou olhando de mim para Aluado e arqueou as sobrancelhas confuso enquanto eu senti Sirius apertar meu ombro e beijar meus cabelos.

— Veado, número 43! – James gemeu desgostoso enquanto eu gargalhava de sua desgraça, meu irmão puxou o pergaminho da mochila e retirou o braço do meu ombro para poder procurar o número e parece que achou, já que se engasgou estacando no lugar.

— Cachorro! – Protestou indignado, fiquei na ponta dos pés e perguntei resmungando.

— Você também vai ter que chegar em todos os professores e dizer que tem gonorreia? – Almofadinhas gargalhou mais alto e James levantou o olhar do pergaminho para mim e sorriu amarelo.

— Vou ter que falar com todas as monitoras que tenho furúnculos no meu pau. – Suguei o ar apenas para dar uma das gargalhadas mais altas que pude, me escorei em Sirius, que não estava diferente de mim e gargalhava tanto que tinha o rosto vermelho. Tentei respirar, mas a vontade de rir foi maior, as lágrimas chegaram aos meus olhos e eu escorreguei para o chão junto a Sirius.

— F-Furúnculos no... – Não consegui completar, pois outra onda de gargalhada me atingiu – Sirius... Seu ser maligno!

***

Sentei no chão do corredor da torre oeste de Hogwarts calmamente olhando para a porta sem maçaneta, apenas com um batedor em formato de águia, era domingo. Ou seja, dia do passeio em Hogsmeade, Selena disse que ontem eu teria minha resposta.

Mas parece que por algum motivo estranho, todos os marotos – menos Remus – ocuparam meu tempo com alguma coisa e daquela maneira eu não consegui ter tempo para procura-la.

Comecei a balançar meu torço de um lado para o outro enquanto cantarolava uma música qualquer, as pessoas passavam por mim me olhando como se eu estivesse louca e continuavam seus caminhos.

Eu poderia facilmente entrar no salão comunal e procura-la, mas achei que seria muito, por isso estava esperando-a do lado de fora. Ouvi passos familiares no final do corredor e parei de me balançar cruzando os braços.

Remus parou a minha frente e me encarou calado.

— O que faz aqui? – Perguntou ríspido, ele estava assim desde que eu havia convidado Martinez, ouvi Sirius dando uma bronca nele essa semana, algo sobre “você está namorando e prendendo a Mione, deixe de ser cuzão, seu filha de uma puta”.

— O mesmo que você, estou esperando a pessoa que convidei para hogsmeade. – Devolvi no mesmo tom, acho que era por isso que ele ficava todo estressadinho. Porque eu estava dando chance a outra pessoa e não estava mais aceitando seus desaforos desnecessários, eu sabia que também tinha algo mais lhe incomodando que não nos envolvia, mas ele não se abria para nenhum dos marotos em relação a aquilo.

Ele bufou alto e cruzou os braços se afastando um pouco e se encostando na parede com um bico do tamanho do mundo, o ignorei começando a cutucar minhas unhas, o clima estava pesado, mas porra! Para tudo tem um fodendo limite!

Remus ficou batendo o pé no chão repetidamente por um bom tempo até bufar alto mais uma vez e se virar para mim vociferando.

— Porque está fazendo isso?! – Arqueei uma sobrancelha e parei de cutucar minhas unhas para olhá-lo, me levantei lentamente e cruzei os braços;

— Fazendo o que? Tentando ter uma adolescência normal onde eu não fico como segunda opção para um cara que tem namorada? – Ele apertou os lábios em uma linha fina me olhando no rosto, ele fechou os olhos e respirou fundo logo soltando o ar pela boca e me mirando novamente

— Você disse que iria me esperar, disse que... que me amava. – Sua voz era baixa, impotente, fraca. Combinava com seu rosto abatido.

— E eu ia, Aluado. – Sussurrei de volta, ele levantou os olhos e eu neguei com a cabeça engolindo seco. – Mas eu não posso fazer isso sozinha, do que adianta eu o amar e lhe esperar, se você não vai fazer o mesmo por mim? – Ele me encarou por quase um minuto inteiro sem mudar de posição e quando abriu a boca para falar algo, a porta do salão comunal da corvinal foi aberta, passando por ela Emmeline.

Nós a olhamos e eu recuei um longo passo de Aluado, ela nem ao menos lançou um olhar torto, apenas bocejou e saiu estralando os dedos chamando por Remus como se ele fosse um cachorro. Ele me olhou uma última vez até alcançar a namorada e a abraçar pela cintura lhe dando um beijo nos cabelos oleosos, suspirei passando a mão pelos cabelos e me encostando na parede. Mal tive tempo de deslizar até chão novamente, já que Selena saiu do salão comunal checando algo em sua bolsa.

Ela estacou no lugar primeiro levantando o olhar pelas minhas sapatilhas pretas e subindo até meu rosto, logo dando um salto de susto.

— Hermione! – Dei um sorriso feliz e um tanto tímido ao ouvi-la me chamar pelo primeiro nome, e me desencostei da parede áspera.

— Eu mesma, desculpe não ter te procurado ontem, os meninos não saíram de cima de mim. – Rolei os olhos lembrando de suas desculpas bobas, mas sabia que era apenas para que eu tivesse mais dificuldades com ela, apenas para a diversão deles.

— Hm, não, tudo bem! Eu pensei que fosse uma piada... – Deu de ombros e eu arqueei ambas as sobrancelhas.

— Minha fama é tão ruim assim? – Ri constrangida passando a mão pela nuca e ela arregalou os olhos.

— Não, não! É que... Bem... Eu pensei que você fosse apaixonada pelo Lupin e... Sabe... Gostasse só de... Hm... Garotos. – A observei por um tempo até começar a rir. – O que foi?

— Gostar... Só de... Garotos! – Ri mais um pouco e ela franziu as sobrancelhas.

— E não gosta?

— Claro que sim! Mas como meu pai diz, sempre tem espaço para qualquer um num coração Potter!

Isso é verdade... — Coração murmurou me fazendo aumentar minimamente meu sorriso de lado.

— Oh... Isso foi... Inesperado. – Riu um pouco e eu dei de ombros enquanto a dava um tempo para se recuperar. Ela começou a cochichar para si mesma bem baixinho, olhava para cima e para os lados como se estivesse num dilema, levantava e abaixava dedos como se contasse algo até que arregalou os olhos parando e os levantando para mim, sorri mais larga achando graça e perguntei.

— Então, quer ir comigo para o passeio em hogsmeade? – Selena respirou fundo e acenou com a cabeça fazendo seus cachos voarem por seus ombros, sorri mais ainda e a ofereci meu braço, ela gargalhou e o enroscou no meu.

Por onde passávamos, cabeças giravam e sussurros eram escutados de longe, aquilo não me incomodava, mas parecia deixar Selena um tanto embaraçada. Encontramos os marotos e seus devidos pares perto dos portões, Lily estava com Sirius deixando James se mordendo de ciúmes com sua parceira, já que era Marlene, o que deixava Sirius e Régulo com ciúmes já que estava com Katherine, o que parecia deixar a parceira e Pedro com ciúmes, era uma sonserina do terceiro ano amiga de Régulo que tinha uma queda loucona por ele. Ou seja, todo mundo estava com ciúmes de todo mundo... e tinha Rabicho no meio, alheio a tudo.

Olhei para Selena, que também pareceu ter notado o clima e acabei por rir junto a ela, os marotos nos olharam e fecharam as caras para nós, Dorcas apareceu rindo agarrada a Severo e comentou.

— Trocaram de casais? – Eles bufaram e nós rimos com sua falta de tato

— Cala a boca, Dorcas. – Lily murmurou com o rosto vermelho, ouvi passos atrás de mim e vi Aluado e sua namorada, Remus parecia irritado enquanto ela tinha a cara entediada.

— Quer apostar quanto que ela está levando narciso na bolsa e é por isso que ele está assim? – Sussurrei para Selena e ela abafou o riso.

— Eu acho que ele está com essa cara de quem está cheirando bosta porque ela fumou. – A olhei surpresa e ela corou dando de ombros.

— Certo, apostado. – Apertamos a mão rindo e nos colocamos ao lado dos outros casais.

— Você não pode fumar narciso logo de manhã! Na verdade, você não pode fumar isso! – Remus sussurrou bravo ao passar por nós, Selena me olhou arqueando a sobrancelha vitoriosa e eu ri baixinho dando de ombros.

— Certo, você ganhou. O que quer? – Ela apertou os olhos para o alto e sorriu de lado voltando seu olhar envergonhado para mim.

— Que seja honesta comigo o dia todo. – Apertei os olhos para ela e abri um sorriso vendo-a engolir seco.

— Tudo bem, sem mentiras, totalmente honesta.

— Permissões, andem logo. Não tenho o dia todo. – Filch resmungou chacoalhando a mão em nossas direções, depois de mostrarmos nossas permissões fomos pegar uma carruagem e como havíamos nos demorado, tivemos que dividir a carruagem com Remus, Emmeline e Sirius e Lily.

Lily sentou ao lado de Selena e Sirius sentou à minha frente e ao lado de Emmeline. Logo as duas ruivas acabaram entrando numa profunda conversa sobre a “guerra” do mundo trouxa já que ambas eram nascidas trouxas.

— Porque convidou Lils? – Sussurrei, ele arqueou uma sobrancelha.

— Ela que me convidou. – Abri a boca surpresa.

— E você aceitou, seu cachorro? – Chiei o fazendo dar de ombros. – James vai te matar.

— Porque? Eu não vou pegar ela nem nada! – Chiou de volta um tanto desesperado. Neguei com a cabeça rindo.

— Não importa, ele simplesmente vai. – O ouvi xingar baixinho e então me olhar só para chegar mais perto e sussurrar mais baixo ainda.

— Você a achou interessante, não é? – Olhei para Selena com o canto de olho vendo que ela estava envolvida demais na conversa para prestar atenção na minha com Sirius, então olhei para Aluado, que por ter a audição mais aguçada conseguiu escutar.

Ele também me olhava esperando a resposta.

— Sim. – Respondi o olhando, logo ele fez uma breve cara de dor virando o rosto para fora. Eu realmente não estava o entendendo, eu já havia dito aquilo para ele! Ele mesmo me encorajou a chama-la! O que havia acontecido para Aluado estar daquele modo?

— Potters e suas coisas por pessoas ruivas. – Resmungou e eu o olhei rindo me lembrando também que Harry namorava Gina e eu Rony.

— Não é culpa nossa. – Ele riu negando com a cabeça e entramos numa conversa sobre quadribol até chegarmos em hogsmeade, Remus e Emmeline foram os primeiros a se afastarem. Troquei um olhar com Sirius e ele ofereceu o braço para Lily, que rolou os olhos e passou por ele o puxando pelo casaco resmungando algo sobre uma aposta.

Abafei o riso e me virei para Selena, eu já iria abrir a boca para falar algo quando senti um saco de ossos bater ao meu lado me fazendo desequilibrar, soltei uma exclamação de dor me estabilizando no chão e olhar para a pessoa que me atingiu.

— Não olha por onde anda, não? – Resmungou Trelawney catando suas bijuterias do chão.

— Você que bateu em mim! – Exclamei indignada, Selena soltou uma risada e eu estalei a língua no céu da boca me agachando para ajudar Trelawney, ela levantou o olhar para mim e sugou o ar sem realmente conseguir, ficando em um tom cinzento, seus olhos ficaram desfocados enquanto ela falava em uma voz arranhada.

Do sangue do escolhido a criança de duas almas se reerguerá das cinzas... do rosto ao sangue trocado, a renascida ao Lorde das Trevas enfrentará... dividirão algo mas ela terá um poder que o Lorde das Trevas desconhecerá… sangue será derramado para que um dos dois caia... e pela mentira concebida pelo outro, um morrerá...

Um arrepio percorreu todo meu corpo até atingir meu coro cabeludo me fazendo arfar assustada, Sibila tossiu levemente e fechou a cara para mim como se nada tivesse acontecido.

— Não preciso da sua ajuda, obrigada. – Respirei fundo entrecortada me levantando cambaleante e olhei para Selena, ela franziu o cenho para mim e perguntou um tanto preocupada.

— Você está bem? Ficou pálida de repente. – Lhe lancei um sorriso forçado.

— Estou sim, não foi nada demais. – É, eu só acabei de ouvir uma profecia sobre a minha vida e sobre a morte de Voldemort. – Só levantei rápido demais.

— Hm... Tudo bem... Então, onde quer ir primeiro? – Respirei fundo tentando me recompor e não vomitar meu almoço nos próprios sapatos, sorri novamente e murmurei.

— Na verdade, eu ia te perguntar isso. – Ela fez um “oh” surpreso e deu de ombros, começamos a andar e ela agarrou meu braço afobada.

— Tem um novo doce! – Franzi o cenho e ela gesticulou exasperada para o dedos de mel, olhei na direção que ela apontava e ri correndo junto a ela para a loja de doces. – Aqui é o paraíso. – Murmurou enfiando algumas gomas na boca logo depois de termos comprado quase metade da loja. Estávamos sentadas num banco perto da árvore bonita. A que eu vi Remus e Emmeline começarem um relacionamento.

Um riso escapuliu da minha boca, soou um pouco triste, mas foi pelas lembranças e pelo o que ela falou.

— De acordo! Mas ainda acho estranho com o que eles fazem esses doces. – Murmurei colocando uma delícia gasosa em minha língua.

— Exatamente! – Riu colocando um joelho no banco e se virando para mim. A imitei cruzando as pernas em cima do banco rindo. – Sabia que as Delícias gasosas são feitas de-

— Billywings! – Exclamamos juntas rindo, ela tapou a boca rindo e negou com a cabeça.

— Não achei que sabia.

— Idem. – Nós nos olhamos por alguns segundos antes de explodirmos em gargalhadas novamente.

— Então... – Começou dando uma dentada no sapo de chocolate. – Porque me convidou? E sem mentiras! Você prometeu. – Lançou um olhar desafiador e eu ri dando de ombros.

— Para falar a verdade, estava na lista de 50 coisas que eu tinha que fazer em um mês para Sirius. – Ela abriu a boca meio indignada e eu ri negando com a cabeça e levantando a mão. – Mas me deixe terminar, eu realmente já queria te chamar para vir comigo, mas sabe como é... Onde fica a minha coragem? – Selena suspirou aliviada e soltou um risinho com as bochechas ficando um pouco vermelhas. – Sabe, eu tentei muitas vezes, na verdade. Mas você consegue ser bem rápida, quando quer.

— Você tentou? – Corou verdadeiramente, se encolhendo em seu cachecol. Era outono, mas tinha um friozinho gostoso – e úmido - no ar.

— Doze vezes. – Estourei uma tira de alcaçuz, mastigando esperando-a se recuperar mais um pouco – Almofadinhas contou para mim. Bem, também tiveram aquelas vezes que eu perdia a coragem no meio do caminho, então essas não são sua culpa. Agora... Próxima pergunta! – Ri mordendo o doce de alcaçuz elástico.

— Certo, hm... Você não tem... medo... do preconceito dos outros por sair com outra garota? – Franzi o cenho mastigando o doce confusa, a encarei ainda confusa e abri a boca lembrando desse detalhe.

— Ah... Você é uma nascida trouxa! Tinha que esquecido disso.

— E o que isso tem relação com a minha pergunta? – Arqueou uma sobrancelha desafiadora e eu ri negando com a cabeça.

— Nós podemos ser egoístas e até mesmos idiotas. Mas não em relação a quem se amar. – Dei de ombros e ela franziu o cenho confusa. – O mundo bruxo tem preconceito com o sangue que as pessoas carregam. Apenas isso. Não com quem se gosta. Deixamos esse tipo de ódio em relação a pele, sexo e etc para os trouxas. – Murmurei enchendo mais minha boca de doce. Eu me lembro vagamente desse tipo de preconceito de quando eu era uma nascida trouxa, ódio pelas cores das pessoas, por simplesmente amarem... patético.

— M-mas, eu p-pensei que... Mas já me chamaram de...

— De? – A incentivei a continuar, mas ela apenas olhou para cima parecendo ainda mais confusa.

— Bem... Nunca realmente me xingaram de nada que meus vizinhos xingaram e olha que foi muita coisa. – Murmurou perdida. – Mas já me chamaram de mugblood*. – Franzi a cara em dor ao escutar essa palavra. – Todo mundo tem essa reação quando eu digo essa palavra! Ou ficam ofendidos ou indignados! Porque?

— Você não sabe o que significa? – Ela negou com a cabeça curiosa enquanto tirava um pedaço de sua guloseima. – Bem... Hãm... Significa sangue podre, lamacento... Faz sentido você não se incomodar com tal palavra já que nunca havia escutado até se descobrir bruxa, mas para nós que crescemos sabendo o que significa e quem geralmente usa é... Horrível. – Dei de ombros e ela me estudou enquanto eu mastigava alguns doces, minha mente em momento algum deixou de recitar a profecia de Trelawney. Reconheci uma parte do verso que lembrava a profecia de Harry, “mas ela terá um poder que o Lorde das Trevas desconhece”, não podendo nem mesmo me dar uma chance de não ser eu.

— Incrível. – Perdi a linha de raciocínio com seu comentário sarcástico e levantei o olhar para ela, vendo-a em pé. Pensei que tinha feito algo errado, mas ela simplesmente olhava algo do outro lado do caminho de pedras. Segui seu olhar me engasgando com a guloseima ao ver James e Sirius saindo nos socos.

Berrei um “já volto” rápido enquanto corria na minha velocidade acelerada e puxei minha varinha fazendo os dois voarem cada um para um extremo, elas se levantaram rapidamente e antes que pudessem partir para os socos ferozes novamente eu entrei no meio.

Literalmente.

No meio.

— Epa, epa, epa! Que porra é essa?! – Guinchei assustada enquanto os dois ofegavam rosnando.

— Ele me bateu do nada! – Sirius exclamou e eu olhei para meu gêmeo arqueando uma sobrancelha.

— Isso é verdade? – Ela bufou e cruzou os braços nos olhando de cima.

— Ele veio com Lílian! – Rolei os olhos e puxei sua nuca fazendo-o se curvar e olhei em seus olhos de perto.

— Desça do pedestal e responda o que eu perguntei. – O larguei e ele soltou um ‘humf” irritado.

— É, bati, mas só porque ele veio com ela!

— E você veio com Marlene, Potter! MARLENE! – Latiu me fazendo franzir a cara

— NÃO GRITE COMIGO, SEU CACHORRO! – Partiu para cima de Almofadinhas novamente me levando junto e os dois começaram a se bater.

Só sei que em um momento eu estava tentando separar os dois idiotas, e no outro estava cuspindo sangue sentada na cama de Pedro enquanto os dois estavam ajoelhados na minha frente e Pedro estava procurando alguma coisa na malinha que uso para cuidar de Aluado.

— Você só se fode, Neve. – Pedro murmurou e eu acenei com a cabeça fuzilando meus irmãos com os olhos. – Sério, a cada semana você ganha um novo machucado.

— Não pode só me culpar dessa vez. – Falei embolada cuspindo mais um pouco de sangue na taça, acontece que algum ser de mão muito pesada me deu um soco no queixo me fazendo quase perder a língua e parte da bochecha.

— Realmente. – Resmungou enquanto lia algo escrito num frasquinho e dava tapas nas nucas dos meninos, ele levantou os olhos para mim e riu. – Dejavú. – O segui na risada logo gemendo de dor o fazendo negar com a cabeça e destampar o frasquinho num ‘pop’, e pegando meu queixo me fazendo abrir a boca devagar enquanto derramava o líquido amargo na minha língua e bochechas. O distribui pela minha boca com uma careta e cuspi na taça novamente não sentindo mais a dor. – Melhor?

— Sim. Obrigada, Rabicho. – Lhe lancei um sorriso e ele negou com a cabeça me dando um beijo na testa para logo depois se jogar em sua cama puxando suas revistinhas de super-heróis.

— Neve... – Começaram ao mesmo tempo, mas eu os calei com o olhar, me levantei os driblando e mexendo meu queixo com a mão.

— Primeiro, só eu irei falar no momento, quando eu pedir, vocês abrem a boca. Se um de vocês me interromper ou um ao outro, não serei a única com um pedaço faltando da língua... Estamos entendidos? – Eles acenaram com as cabeças assustados e eu me sentei aos pés de Rabicho, que não se preocupou em prestar atenção. – Agora, eu quero saber, quem deu o primeiro soco? E acho bom vocês serem sinceros, porque eu perdi uma adorável tarde com uma garota muito adorável.

James corou levemente e levantou o dedo enquanto Almofadinhas apontava para o mesmo.

— Por que? – Perguntei cruzando as pernas, ele respirou fundo antes de responder.

— Porque ele veio com Lils sabendo que eu gosto dela.

— Eu não sabia! – Retrucou e eu o olhei irritada o fazendo se calar.

— E você ao menos o perguntou porque ele foi com ela? – Pontas deu de ombros irritado e cruzou os braços olhando para o lado.

— Não me importa o motivo. – Rosnou me fazendo rolar os olhos.

— Você a chamou, Six? – O olhei querendo que ele repetisse o que disse para mim.

— Não, ela que me chamou. E depois disse que foi porque perdeu uma aposta com Dorcas. – Resmungou e James se endireitou o olhando surpreso. – E antes que pergunte, eu devolvi porque não sou putinha de ninguém. E porque ele foi com Marlene. – Murmurou a última parte baixo.

— Marlene também disse que me chamou porque perdeu uma aposta com Dorcas. – Suspirei negando com a cabeça.

— Parecem duas mocinhas brigando por macho, pelo amor de Deus. – Bufei e me levantei indo em direção a porta.

— Ei! Aonde você vai? – Pontas exclamou e eu parei na porta para olhá-lo pelo ombro.

— Eu vou conversar com as meninas para não brincarem mais com vocês e com seus corações, e depois eu vou correr atrás de uma monitora em um horário proibido.

— Elas não... – Falaram em uníssono, mas eu não escutei, já que já havia saído do quarto.

***

Caminhei pelo castelo, procurando Selena para dizê-la que eu estava bem e que nós podíamos passar a tarde conversando perto lago, se ela ainda quisesse.

Mas não foi ela que eu encontrei.

Franzi o cenho ao ver Remus andando pelo corredor de modo avoado, com a cabeça abaixada e mal me notando ali. Parei a sua frente, ouvindo-o balbuciar um “me desculpe” estrangulado. Levantei seu rosto pelo queixo e sugando o ar ao ver que ele chorava silenciosamente

— A-Aluado? – Ele soltou um soluço e se afastou de mim negando com a cabeça, se curvando como se procurasse ar e levantou uma mão para me manter longe – O que foi?! Qual é o problema?! – Empurrei sua mão e cheguei perto novamente, sustentando seu corpo em um abraço e levantando seu rosto mais uma vez

— M-Minha m-mãe! – Soluçou e eu senti meu sangue gelar, a mãe de Remus era nascida trouxa.

— Se acalma, sua mãe está bem. – Sussurrei, o empurrando para que se sentasse na janela, já que não tinha um banco por perto. A tarde já estava acabando, o que deixava o castelo um pouco mais escuro que o normal.

Me preocupei com Aluado, ele parecia estar adquirindo um estranho problema com sua respiração essas semanas.

— E-ela – Não conseguiu terminar, batendo no próprio peito em busca de ar. Peguei sua mão e abri seus dedos, a colocando em meu peito e me curvando para que meus olhos ficassem no nível dos seus

— Remus, presta atenção – Sussurrei tentando acalmá-lo, respirei fundo exageradamente, levantando e abaixando meu rosto para que ele pudesse ver. Ele continuava respirando pela boca, suando e com os olhos arregalados – Pelo nariz. – Levantei a mão esquerda até sua boca – já que com a direita eu segurava a mão de Aluado em meu peito, para que ele conseguisse seguir meus movimentos –, a tapando levemente, mas não totalmente. Apenas para que ele entendesse melhor o que eu queria dizer. – Certo? Pelo nariz.

Ficamos ali por alguns minutos, parando o exercício apenas quando eu vi que ele já tinha regulado a respiração e seus batimentos cardíacos.

— Obrigada. – Sussurrou, soltando levemente sua mão de mim e colocando os cotovelos nas coxas, curvando-se e fechando os olhos para se recuperar mentalmente. 

— O que aconteceu, Aluado? – Ele suspirou negando com a cabeça, vi sua nuca corar levemente

— Nada, eu... Apenas estava preocupado com minha mãe. Tenho estado desde que as coisas ficaram mais sérias. – Remus levantou a cabeça um tanto constrangido e aquela foi a minha vez de suspirar e chegar perto, fazendo-o abraçar minha cintura enquanto eu acariciava levemente seu cabelo suado

— Não é errado temer, Aluado... O que está te fazendo ter tantos problemas com a respiração? – Ele deu de ombros, ainda com a cabeça encostada em meus seios e apertando minha cintura, como se precisasse de apoio. – É isso que tem te deixado no limite, ultimamente?

— Sim... Desculpe, por sinal. E-Eu sei que não estou sendo justo com você. Eu só... Só sou um idiota. – Ri, fazendo-o levantando o olhar para mim

— Não posso discordar disso.  



Notas finais do capítulo

*Mugblood = Sangue ruim, eu usei o termo original para explicar pois em uma tradução literal é: Sangue de lama.

E FOI ISSO! Vocês gostaram?! Espero que sim ♥ ♥ Vou tentar escrever o próximo capítulo, logo! :3