Encontro Arranjado escrita por MeilingBriefs


Capítulo 1
Capítulo Único.


Notas iniciais do capítulo

Presente muuuuuito atrasado para minha amiga oculta, Carolina Costa, que pediu um encontro, e me deu três casais, claro, escolhi SS, porque né, são meus amores. Gata, espero que goste, e me diga, sinceramente, o que achou, porque eu faço outra caso não tenha gostado . E peço perdão pela demora, aposto que todo mundo já postou suas ones e só eu fiquei tanto tempo pra postar rsrs

Boa leitura amores!



Quando uma garota realmente se apaixona,
seus sentimentos não mudam tão facilmente.
–Haruno Sakura/The Last



A rotina da família Uchiha era tão normal quanto qualquer outra família.

Todos os dias, Uchiha Sakura, médica do hospital de Konoha, saía exatas 14h para seu turno vespertino. Todo o vilarejo vivia tempos de paz, mas, assim como em qualquer era, existiam aqueles que necessitavam de ajuda médica. Era exatamente aí que Sakura entrava, desempenhando seu papel magistral. Sasuke confessava, nutria certo orgulho de sua esposa.

E, assim como Sakura saía a trabalho, Uchiha Sasuke também tinha suas tarefas, estas que se concebiam em realizar missões entre os países e suas fronteiras. Tornara-se um hábito, prazeroso, despedirem-se com selinhos significativos, e partirem, Sakura para o lado direito, e Sasuke para o esquerdo.

Nesse tempo, a unigênita, Uchiha Sarada, estudava na academia, e só voltava ao pôr do sol.

Era assim o cotidiano da família e não havia quem se queixasse, pois ainda que o trabalho fosse intenso, o prazer de encontrarem-se mais tarde compensava a ausência. Até mesmo Sasuke, que, às vezes, realizava longas missões, acostumou-se com o dia-a-dia corrido. E, quando essas missões terminavam, o que mais queria era voltar para casa, perto da mulher e filha.

Sexta-feira, não foi diferente. Assim que à noite já dava seu sinal de vida, ofuscando os raios solares, expondo o crepúsculo, Sasuke caminhava de volta para casa.

X

Ainda que Sasuke estivesse cansado e seu corpo clamasse por descanso, esperou por sua mulher, encostado no batente da porta, com os braços cruzados no peito. E, assim que Sakura o olhou, sorriu abertamente.

Não havia nada no mundo que Sasuke trocaria por esse sorriso genuíno.

Sakura andou até o moreno, que nada disse ao ter o corpo de sua esposa tão próximo.

— Chegamos juntos. — disse Sakura, roçando os lábios aos do ex-vingador, que ruborizou pelo gesto espontâneo de Sakura.

— Na verdade, eu cheguei primeiro. — corrigiu-a.

— Sabe se Sarada está em casa?

Após olhar para a janela, Sasuke constatou as luzes apagadas. — Não sei.

A Uchiha entrou em casa, retirando os sapatos, deixando-os na soleira da porta. Sasuke seguiu-a e, juntos, subiram até o quarto de casal que partilhavam.

Sasuke, não gostava da ausência de sua filha. Já bastava ter que ficar dias sem vê-la, e quando finalmente estava em casa queria tê-la por perto.

Sakura entrou no banheiro para um banho relaxante. Sentia-se exausta pelo dia cansativo que tivera no hospital, e, no momento, queria mais que tudo sentir a água morna caindo em seu corpo. Após o banho, deixou o cômodo enrolada na toalha, ignorando a presença do marido, que escrevia um relatório, sentado na borda da cama.

— Estranho, Sasuke-Kun, parece que Sarada mal ficou em casa. — falou, sentindo falta dos diálogos de sua filha. Sasuke nada respondeu.

Era nesse horário, quando, tanto Sasuke quanto Sakura, estavam em casa, que Sarada costumava invadir o quarto do casal e tagarelar sobre o dia que passou na academia.

Assim que Sakura saiu do banho, o moreno não hesitou em entrar no banheiro, largando a papelada na cama. Tomaria uma ducha, e, se quando terminasse Sarada ainda não tivesse retornado, iria a sua procura.

Sakura estava certa, pensou Sasuke. Ainda que sua pequena tivesse, mais cedo, estado em casa, nesse momento ela não estava e isso o deixava preocupado. Queria ela por perto, zelar por sua segurança, e constatar que os dias que esteve fora nada acontecera, sobretudo, queria matar a saudade que sentia. Não confessaria em alto tom, é claro, porém, sabia que Sarada entendia-o e isso bastava.

Depois de suas higienes, desceram para o primeiro andar. A casa estava em repleto silêncio, e, passando pelo corredor, a cozinha, iluminada por velas, chamou a atenção do casal, que andou até o cômodo.

— O que é isso? — perguntou Sakura, mais para si mesma.

A mesa estava posta, e nela havia dois pratos, talheres, taças e uma forma de vidro com ramen, se é que aquilo poderia ser chamado disso.

Sasuke, não a respondeu, pois estava tão confuso quanto sua mulher. Olhou bem ao redor, constatando velas por todo o cômodo, e o rádio ligado, tocando uma melodia lenta.

O cheiro enjoativo lhe embrulhou o estômago, porém, assim que olhou para Sakura, desistiu de comentar sobre o desagrado. Talvez, tenha sido ela que preparou isso e não podia falar algo que ofendesse essa... Gosma.

Assim como Sasuke, Sakura também se perguntava quem havia feito tudo isso, e não pôde deixar de sorrir ao perceber que, obviamente, Sasuke havia feito tudo isso e estava apenas tentando enganá-la. Tão reservado como sempre, até quando queria agradá-la.

— O que foi? — Sasuke a perguntou, assim que percebeu o meio sorriso que Sakura dera.

Não falaria o que achava desse “colarrão/colamen”, pois se falasse, poderia ofender seu marido. Ah, como estava adorando tudo isso, e se tivesse que engolir essa gosma, faria de bom grado só para não desanimá-lo. Tudo tem primeira vez, certo? E Uchiha Sasuke havia feito, pela primeira vez, um jantar para ambos. Talvez fosse por isso que Sarada não estivesse em casa. Talvez, seu marido monossílabo, tivesse mandada sua filha para a casa do Naruto, na intenção de aproveitarem essa noite. Quem sabe, Sasuke-Kun estivesse querendo matar a saudade, tanto quanto ela mesma queria. Sorriu novamente, perdendo-se em seus próprios devaneios.

— O que foi? — novamente Sasuke perguntou, irritando-se com o sorriso irônico de sua mulher.

— Na-Nada. — respondeu, se sentando em seguida. — Não vai se sentar, Sasuke-Kun?

— Hm. — resmungou, puxando a cadeira. Após sentar-se, foi servido por Sakura, que não deixava de esboçar o tal sorriso.

Agora, teria de comer essa pasta só para satisfazer a vontade de sua esposa. E depois, ainda tinha que ouvir o Naruto falar que ele era um marido um tanto presunçoso. Tsc. Olha só os sacrifícios que fazia só para ver sua Sakura feliz.

O prato estava cheio de..., droga, era melhor nem mesmo olhar para essa coisa, e tentar comer tudo de boca calada. Fácil, para si, mas não para Sakura, que insistia em lhe olhar cada vez que levava o hashi à boca.

Ao menos, poderia amar sua mulher esse começo de noite, pois estavam uma semana sem se tocarem, sem partilharem da companhia um do outro, e da mesma cama.

Novamente levou o hashi à boca, mastigando custoso o alimento pastoso, que insistia em grudar em seus dentes traseiros. Sasuke olhou para o prato, agradecendo aos deuses por aquilo estar terminando. Já conseguia imaginar o grande problema que teria mais tarde, quando o alimento se digerisse em seu estômago.

Sua mulher era boa em muitas coisas, principalmente com as mãos, que eram usadas tanto para curar, em público, quanto para “brincar”, em seu quarto, todavia, para cozinhar... Sakura deveria saber que isso não era seu ponto forte. Definitivamente não.

— O que foi, Sasuke-Kun? — Sasuke, olhou-a, percebendo estar com o alimento na boca mais tempo que o necessário.

Com grande sacrifício, engoliu a pasta, pigarrando duas vezes em seguida. — Nada. — não se dispôs a dizer mais nada.

— Você está estranho... — murmurou Sakura, dando de ombros assim que Sasuke continuou comendo.

E, assim como o Uchiha sofria pela degustação, Sakura também passava pela mesma situação.

O alimento insistia em grudar em seus dentes, sem contar no gosto terrivelmente enjoativo. Sasuke-Kun, realmente precisava aprender a cozinhar. Ele era bom em muitas outras coisas, sem dúvidas, porém precisava permanecer longe da cozinha, pensava Sakura, ao mesmo tempo em que mastigava.

Ainda bem que sua filha não estava aqui, porque ela, com certeza, falaria em alto tom para quem quisesse ouvir o quanto essa comida estava terrível.

E assim o casal Uchiha permaneceu por minutos, um sem conseguir encarar o outro. Entretanto, o que mais chamava a atenção de Sasuke não era o fato de sua esposa cozinhar tão mal, e sim ela estar tão calada quanto ele. Sakura, geralmente, era tão tagarela, que muitas vezes tinha que pedir, educadamente, para ela calar à boca.

Vez ou outra a olhava, percebendo a gotícula de suor em sua testa. Estranho.

Para sua felicidade, a última colherada veio, e com ela a dor no estômago. Assim que terminou, agradeceu por ainda conseguir respirar. Já havia passado por diversos tipos de torturas, dentre elas, havia visto seu próprio sangue fugir de seu corpo, quase o levando à morte. Porém, este jantar conseguiu ser tão torturante quanto.

— Acabei.

Sim, ela havia acabado, e agora, olhando-a, podia ver sua querida esposa, que cozinhava mal pra caramba, lhe sorrir torto, com um tique cômico no olho esquerdo, passando a língua pelos dentes dianteiros. Hm, até mesmo ela estava sofrendo com essa coisa grudenta, constatou.

— E então, Sasuke-Kun, o que acha de-

— Preciso tomar um banho. — interrompeu-a.

Na verdade, não precisava tomar banho coisa alguma, tampouco algo parecido. O que precisava, neste momento, era escovar os dentes e tentar tirar tudo isso do seu estômago antes que o estrago fosse maior.

— Mas você tomou banho quase agora.

— Sakura, eu preciso de um banho. — ela o olhou, entendendo que algo estava errado, e apenas anuiu.

— Tudo bem, posso ir com você.

— Não! — quase a cortou. Mas que merda, ela não podia segui-lo até o banheiro. De jeito nenhum.

E, sem surpresas, sua mulher abaixou a cabeça, retorcendo a face em uma pequena careta tristonha. Sasuke, jamais fora a pessoa que gostasse de ver Sakura assim, ainda que as circunstâncias apontassem o contrário, a realidade era nítida: ver Sakura tristonha mexia consigo. Independente da época, até mesmo quando formaram o time 7, bastava a garota derramar uma lágrima para fazer algo dentro do vingador se retorcer.

No começo, Sasuke hesitou, deixou isso de lado, mas, ao decorrer dos tempos, após sua última batalha com seu amigo e rival, Naruto, percebeu que seus sentimentos por Sakura iam muito além de companheiros de equipe.

E, nesse momento, vê-la com a mesma face desalegre fazia-o sentir-se mal.

Ignorando sua pequena mentira sobre o banho, e a enorme vontade de escovar os dentes, Sasuke contornou suas palavras. — Vamos.

Ele levantou-se, e ergueu o braço para Sakura, que ao vê-lo, abriu um enorme sorriso.

— Deixe-me só lavar essas louças antes de subir. Se quiser, pode me esperar lá em cima, Sasuke-Kun.

— Vou te esperar aqui, Sakura. — e, novamente, ela sorriu.

Tudo bem, tinha que admitir, valia a pena qualquer sacrifício só para ver essa imagem.

Enquanto Sakura lavava as louças, e, Sasuke a ajudava na secagem, ouviram um barulho de fechadura vindo da sala. O Uchiha não hesitou em soltar o pano de prato pia, e andar até a sala. Sakura permaneceu parada, pois imaginava ser Sarada, afinal, ninguém se atreveria a invadir a casa de Uchiha Sasuke.

— Cheguei. — Sarada avisou, parando na soleira da porta e olhando para o pai, tendo o gesto retribuído. — Boa noite, papai. Boa noite, mamãe.

— Onde você estava, Sarada?

— Eu estava na casa da Nanami, mamãe. — respondeu à pequena Uchiha.

— Tudo bem. Dá próxima vez, não saia sem avisar.

— Sim senhora.

Sasuke, sem se importar com a presença de sua mulher, abaixou-se, de frente para sua filha, e alisou os cabelos negrumes. — Obedeça a sua mãe. — falou, para em seguida subir, sendo interrompido no caminho pela voz de Sarada.

— O que acharam do jantar, mamãe, papai? — a pequena ajeitou a armação vermelha na face.

— Que jantar? — perguntou Sakura, olhando, em seguida, para Sasuke, que também a encarava com o cenho franzido.

— O jantar, oras.

— Como sabe sobre o jantar? — Sasuke sentia-se até mesmo idiota em perguntar isso para sua filha. Mas, veja bem, fora Sakura quem fez essa comida, certo? E Sarada estava fora, certo? Então, como é que a pequena sabia sobre?

Assim como Sasuke, Sakura também esperava pela resposta. — Porque fui eu quem fez. — bingo. Sarada conseguia deixar Uchiha Sasuke de boca aberta, literalmente. — O que foi? — a criança perguntou, desnorteada pela reação dos pais.

— Sarada, é... — Sakura começou, hesitando no caminho. — Seu pai e eu não sabíamos que foi você. — admitiu.

Agora, Sasuke sabia por que a comida estava uma porcaria. Sua querida filha, de apenas cinco anos, foi a responsável, e não a culpava por não conseguir fazer um mero ramen. Na verdade, sentia-se extremamente orgulhoso por sua pequena ser tão esperta. Apostava que o filho do dobe, se tentasse algo parecido, colocaria fogo na casa inteira.

Nenhuma filha seria capaz de fazer o que Sarada fez.

— Sarada, você não pode mexer no fogo, sabe disso. — repreendeu Sakura, com um tom nada reprovativo.

— Eu só queria fazer vocês dois ficarem juntos... — a pequena abaixou a cabeça.

Se não bastasse Sakura agir assim e mexer consigo, Sarada era ainda pior quando esboçava essas reações. — Tudo bem, apenas suba e tome um banho.

Sim, até mesmo Uchiha Sasuke agia como pai. Estranho quando se pensa no ex-vingador, normal quando se convive no dia-a-dia, e, Sakura, adorava ver essas pequenas interações entre pai e filha.

— Sarada. — Sakura a chamou, fazendo a criança olhá-la do primeiro degrau da escada. — Por que fez esse jantar? — estava curiosa para saber por que Sarada fez algo assim.

— Nanami disse que os pais dela se separaram, e que vocês também podiam se separar. Papai quase nunca está em casa, e achei que quando ele estivesse vocês precisavam de um tempo juntos. — a pequena ruborizou um pouco, olhando para o pai e a mãe. — Me desculpem.

Sua pequena cópia, parada no degrau, fazia-o sentir-se tão orgulhoso. Jamais pensou que um dia fosse sentir-se assim, e, Sakura o proporcionou isso, dando-lhe o maior presente que já recebeu, sua filha. Sua pequena, única, e brilhante, Sarada.

— Seu pai e eu não vamos nos separar. Veja só. — Sakura se aproximou do moreno, encostando os lábios aos dele, que corou imediatamente pelo gesto. Sarada, agora se encontrava com o sorriso enorme, de orelha a orelha.

— Vou tomar banho. — falou a pequena, extasiada, subindo os degraus.

E bastou Sarada sumir de vista, para Sakura encarar o marido, que estava com a face tão vermelha quanto a da filha momentos antes. — O que foi, Sasuke-Kun? — perguntou, inocentemente. Pura farsa, é claro.

— Na-Nada. — gaguejou, se sentindo tão idiota na frente de sua mulher.

— Podemos subir para aquele banho? Estou tão casada. — naquele momento, Sasuke pouco se importava com o ramen grudado em seus dentes.

— Vamos. — num gesto inusitado, tanto para o Uchiha, quanto para Sakura, ele lhe agarrou na cintura, pegando-a no colo ao estilo noiva.

— Sasuke-Kun. — falou aos risos, enquanto era carregada pelo homem da sua vida.

Esta noite se amariam como se fosse à primeira vez, sem agastar!



Notas finais do capítulo

colarrão= mistura de macarrão com cola rsrsColamen= mistura de "ramen" com cola. Oxi, eu ia deixar macarrão, mas depois eu me lembrei que lá é ramen/lamen, e decidi deixar os dois ali rsrsBeijinhos da tia Mei *--*



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