O Olho Vermelho escrita por Igor L S C Oliveira


Capítulo 83
Especial de Natal (I)


Notas iniciais do capítulo

Yohoho! Feliz natal!

(Aposto que pensaram que eu ia bancar o Brook e pedir pra ver as calcinhas das meninas. Há, se ferraram!)

E aí pessoal, como vão todos vocês? Para comemorarmos o espírito natalino, estarei publicando nesse dia 25 um total de 4 capítulos especiais de natal, todos eles envolvendo a guilda da Era Dourada em um tempo pacífico, quando eles não estão desmembrando otários por aí!

Só para vocês saberem e se situarem, esses capítulos são completamente canônicos. Isso tudo se dá antes do começo dessa Saga do Olho Vermelho, cerca de um mês depois da criação da Era Dourada.

Bom... sem mais muito o que dizer que não pode spoilear as coisas pra vocês... divirtam-se!



Especial de Natal – Duke e Kyanna

– É NATAAAAAAAL! – O grito animado de Kastor ecoou por toda a guilda, fazendo com que os olhares de seus companheiros caíssem imediatamente sobre ele. Não por muito tempo, claro; todos logo voltaram a se focar no que estavam fazendo.

– “É natal”, “é natal”... é claro que é natal, caceta! – Resmungou Duke, esfregando uma janela com seu cotovelo para olhar pro lado de fora. – Quero dizer, olhe toda essa neve! Tem como não ser Natal com toda essa maldita neve?!

– Você sabe que essa afirmação sugere que “neve = natal”, certo? – Murmurou Anabeth, abrindo um sorriso fino. – Eu sei que crianças normalmente pensam desse jeito e tudo mais, mas eu devo admitir, é divertido ver um homem adulto como você se atendo a conceitos como esse, Duke.

– Vai te catar, ruivinha. – Foi a simples resposta do Titã, fazendo com que a arqueira gargalhasse antes de provar um pouco mais do seu chocolate quente.

– Verdade seja dita, Duke até que tem um ponto nessa crença – apontou Bryen de braços cruzados, sentada de pernas cruzadas em cima do corrimão das escadarias do segundo andar. – Dizem os rumores que uma das Deusas Antigas abençoou o nosso mundo muito tempo atrás para que sempre nevasse nessa data em particular, como uma espécie de representação da pureza associada ao natal. Eu não sei se isso é verdade ou não, mas o fato é que não importa aonde você esteja ou o clima que esteja reinando ultimamente, neva em todo o mundo nesse dia. Então, “neve = natal”, de certa forma.

– Raios partam, mulher, eu não acredito nessa merda de “neve = natal”! – Exclamou Duke, virando-se esbaforido para os outros. – Eu não sou uma criança pra acreditar nessas coisas, maldição!

– Relaxa, Duke, meu chapa. – Com sua agilidade natural, Kastor surgiu rapidamente ao lado de Duke, pousando uma de suas mãos no ombro do seu amigo com camaradagem, fazendo com que o outro erguesse uma sobrancelha e olhasse de forma estranha para a sua mão. – Eu entendo como você se sente, acredite em mim. E não há nada de errado com isso. Os ignorantes vão zombar de você e rir pelas suas costas, mas você e eu, nós sabemos da verdade. Por mais que eles não acreditem nisso... “neve = natal”.

– ... – O rosto de Duke se fechou completamente de imediato e começou a ficar vermelho de raiva. Suas mãos, tanto a humana quanto a de aço, ficaram fechando e se abrindo como se ele quisesse esganar Kastor. Seus olhos encaravam o azul como se ele esperasse derrete-lo com o olhar, mas por fim, ele apenas suspirou. Delicadamente ele tirou a mão de Kastor do seu ombro e se virou, caminhando para um dos cantos da sala aonde ele havia antes deixado uma estranha mochila cheia. Colocou-a nas costas em silêncio e fez seu caminho até a porta sem dar um pio, ignorando os olhares inquisitivos de todos os seus companheiros. Foi só depois que ele abriu a porta e colocou metade do seu corpo para fora dela que se voltou para eles, com a mais magnífica cara-de-bunda que aqueles já viram na vida. – Vocês são todos uns idiotas e pau-no-cu de todos vocês. Tenho coisas mais importantes a fazer, seus panacas. – E com aquelas palavras ele foi embora, batendo a porta atrás de si.

Os outros ficaram em silêncio por o que parecia ser um longo minuto depois da sua ida. Para um expectador de fora a impressão que ficaria é que eles estavam preocupados, tentando descobrir o porquê de Duke ter ficado tão irritado e o que exatamente tinham feito de errado. Isso, no entanto, estava bem longe da verdade. Nenhum deles estava minimamente preocupado com isso. Se conheciam há cerca de um mês, mas isso já havia sido tempo o suficiente para que conhecessem o suficiente de cada um. Aquele gênio meio estourado era algo característico de Duke e todos ali sabiam que ele não estava realmente irritado com eles. Conhecendo o Titã, o mais provável é que ele passasse bêbado por aquela porta em trinta minutos, abraçasse duas das garotas, falasse para algum dos homens sobre como ele era um “grande bróder” e sobre quanto o amava e valorizava sua amizade, e então começasse a dançar e cantar “meu pintinho amarelinho” até que desmaiasse.

Não, não, ninguém estava preocupado com Duke. Mas tinha outra coisa que havia chamado a atenção deles.

– Ei, o que será que Duke tem nessa mochila? – Perguntou Kastor, virando-se para os outros com tanta curiosidade que era possível se ver um ponto de interrogação azulado brilhando acima da sua cabeça.

– Vai saber. – Murmurou Bryen, dando de ombros sem se importar muito. – Ele chegou com isso há mais ou menos um dia ou dois, deixou ela ali no canto e não mexeu nela de novo desde então. Não acho que ele chegou a comentar com ninguém sobre o que tem dentro dela.

– Pra ser sincera, parece que ele quer esconder o que tem dentro dela – apontou Anabeth, tirando um pouco os olhos do livro que estava lendo para se juntar a conversa. – Eu perguntei o que tinha na mochila no dia que ele a trouxe, mas ele só murmurou que tinha “coisas” dentro dela e se recusou a falar mais sobre isso. Ele pareceu um pouco nervoso e desconfortável com a minha pergunta, pra dizer a verdade.

– Hmm... uma mochila que esconde coisas, e o Duke fica nervoso quando procuram saber o que está dentro dela, hum? Suspeito, muito suspeito. – Ninguém sabia exatamente quando isso havia acontecido, mas em algum momento as vestimentas de Kastor foram substituídas por roupas dignas de um detetive, com cinto, sobretudo, chapéu e até mesmo um cachimbo... ou pelo menos alguma coisa que tinha a forma de um cachimbo, mas para o qual Kastor soprava ao invés de fumar dele, e sempre que ele soprava algumas bolinhas de sabão saiam dele. – Bom... considerando que estamos falando de Duke... só pode haver uma coisa dentro dessa mochila! – O cachimbo foi afastado bruscamente dos lábios de Kastor e a própria iluminação da sala se modificou para fazer com que seu rosto sério ficasse meio encoberto em sombras, dando um ar dramático ao cavaleiro, como o que você esperaria de um detetive quando ele está prestes a anunciar o perpetrador de um crime. – Roupas íntimas femininas!

A exclamação dramática ressoou pela guilda e fez com que os olhos de todos caíssem sobre Strauss. A iluminação voltou ao normal, mostrando novamente todo o corpo de Kastor... e algo interessante, também. O cavaleiro estava perto da fogueira da guilda enquanto falava, e aparentemente um sobretudo não era lá a melhor coisa a se usar quando num lugar assim, dado o fato de que a barra dele havia começado a pegar fogo, algo que o cavaleiro não parecia ter notado até agora, e que nenhum de seus companheiros achou por bem lhe informar.

– ... Roupas íntimas femininas? – Repetiu Hozar, mal conseguindo acreditar no que havia ouvido. Até mesmo para Kastor, aquilo parecia terrivelmente idiota.

– Exatamente! – Exclamou o azul, apontando dramaticamente para seu amigo com seu cachimbo. – Pense só um pouco nisso, Hozar. Duke é um pervertido; isso é algo que todos nós sabemos. Ele literalmente não consegue passar um dia sem flertar com alguma mulher. Ele provavelmente só não está constantemente flertando com as nossas companheiras porque ele sabe que elas podem castrá-lo se ele encher muito o saco delas. Mas ele está sempre tentando bancar o Don Ruan pra cima de qualquer mulher que ele encontre. EM OUTRAS PALAVRAS! Ele é um baita mulherengo. Só que ele não é um mulherengo bem-sucedido! Na verdade, em todo o tempo que eu passei ao lado dele, que é basicamente um mês, eu nunca vi Duke ir pra cama com nenhuma mulher que ele não pagou! E ultimamente ele está andando sem dinheiro, o que significa que ele não tem o bastante para pagar uma prostituta. EM OUTRAS PALAVRAS! Ele está tendo de recorrer ao nosso tradicional método do cinco-contra-um. Ele está descascando a banana. Espancando o palhaço. Polindo a espada. Esganando o gigante-de-um-olho-só. Batendo punheta, em termos leigos. E para fazer esse tipo de coisa, um homem precisa de certos incentivos! Como ele não tem dinheiro ele não pode comprar uma revista, ou fotos, ou sequer uma história erótica. O que significa que ele tem de recorrer a outros meios. OU SEJA! Duke roubando roupas íntimas femininas e usando-as como combustível para tocar a própria sanfona! Essa é a única explicação possível!

Outro momento de silêncio se deu após aquelas palavras serem ditas. Um expectador de fora, inocente, poderia pensar que todos estavam tentando processar exatamente o que Kastor havia sugerido, tentando entender o que havia o levado a dizer aquilo e tentando entender o raciocínio dele. E esse expectador estaria correto.

– ... Kastor, de agora em diante, você está proibido de falar qualquer coisa relacionada a sexo na minha presença, entendeu? – Disse Bryen depois de algum tempo, veias visíveis em sua testa enquanto ela tentava falar da forma mais controlada possível.

– Espera aí, mas porq-

PROIBIDO!

– Bom, dizem que se você tem ouvidos você tem que ouvir tudo. No meu caso, considerando as merdas que Kastor fala, não sei se ouvidos são uma benção ou uma maldição – resmungou Hozar, se afastando para o lado enquanto fazia uma careta e balançava a cabeça.

– Bem, isso certamente foi algo um pouco interessante... embora eu apreciaria não ter essa imagem na minha mente – murmurou Anabeth, voltando sua atenção a sua leitura.

– Kastor, não me leve a mal, mas eu acho que as vezes a sua mente é um pouco fértil demais – disse Kyanna, balançando a cabeça enquanto caminhava em direção a porta. – Bom, de qualquer forma, eu vou dar uma olhada no Duke. Se ele ficar bêbado de novo, ele vai precisar de alguém para o levar de volta pra guilda.

E tão rápido assim todo o grupo se separou, cada um indo fazer sua própria coisa, deixando Kastor parado que nem um bobo aonde estava. O azul franziu o cenho, insatisfeito com tudo aquilo, e soprou mais um pouco de ar no seu cachimbo, se divertindo com as bolinhas de sabão que saíram dele. Bando de bobos, eles não sabem apreciar a minha genialidade. Eles vão ver. Quando um bando de mulheres chegarem aqui procurando as suas calcinhas eu vou rir da cara de todos eles. Era nisso que estava pensando quando sentiu uma coisa.

– E-ei... isso é.… cheiro de queimado? – Fungou um pouco com o nariz tentando entender de onde vinha aquele cheiro antes de notar a fumaça que vinha das suas costas. Virou o rosto para trás para só então ver que seu sobretudo estava queimando, com as chamas já na altura das suas costas e chegando perigosamente próximas do seu lindo rosto. – AAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHH!

Foi nesse dia que, na cidade de Valhala, uma nova lenda nasceu. Dizem as lendas que numa noite de natal, se você fizer silêncio e prestar muita atenção, você conseguirá ouvir os gritos de um cavaleiro em um sobretudo flamejante correndo pela cidade desesperadamente, gritando aos quatro ventos uma única frase:

SOCORRO, A MINHA BUNDA ESTÁ PEGANDO FOGO!

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Seguir o rastro de Duke não foi algo muito fácil. Por mais que suas botas devessem ter deixado pegadas na neve, essa neve estava caindo, então essas pegadas eram rapidamente encobertas. Além do mais, com todos os incensos, as refeições que estavam sendo feitas e o próprio cheiro da neve que impregnava tudo, era difícil achar traços de Duke mesmo com a magia sensorial que Kyanna estava usando. Conseguia ainda alguma coisa aqui e ali, mas era pouco e de forma inconstante, o que fazia com que ela tivesse de depender mais dos seus instintos e de sorte-cega do que das suas habilidades.

Ainda assim, sentia que estava fazendo algum progresso, ainda que lentamente. Embora não tivesse deixado de notar algo interessante. A região para a qual Duke está seguindo... ela é isolada, longe de qualquer um dos bares que ele normalmente frequenta.

Aquilo era algo que tanto tranquilizava Kyanna quanto a deixava nervosa. Embora por um lado fosse bom saber que seu amigo não estava se embebedando novamente, ela não conseguia deixar de ficar ansiosa devido a esse comportamento inesperado. Afinal, se ele não está nos bares que ele frequenta, então o que ele está fazendo? Será que haviam subestimado um pouco a situação dessa vez? Talvez... será que ele ficou realmente irritado por aquilo? Será que ele está indo embora por causa disso? Provavelmente estava se preocupando demais desnecessariamente, mas isso não era algo que ela conseguia evitar. Se preocupava muito com seus amigos, principalmente com Duke.

– E aí cambada, como vocês estão hoje?

A voz do Titã foi algo que ela reconheceu de imediato, virando prontamente sua cabeça na direção da qual ela veio. Ela... veio de um beco? Entre dois prédios abandonados e meio destruídos jazia um beco escuro, e era desse beco que vinha a voz de Duke. Será que ele está com problemas? Talvez uma gangue esteja procurando encrenca com ele... ou talvez algo mais sério. O Titã era mais do que forte o bastante para cuidar de si mesmo, ela sabia disso, mas ainda assim, não iria simplesmente deixar que um de seus amigos enfrentasse seus problemas sozinho.

Aproximou-se com cuidado, buscando se manter escondida até que pudesse avaliar adequadamente a situação. Espiou o que estava acontecendo pelo canto do prédio que dava para o beco... e seu coração derreteu no momento que viu do que se tratava tudo.

– Ei, Duke! – Gritou um menininho, uma coisinha pequena que não deveria ter mais de seis anos, com o rosto sujo de terra e neve, vestido em trapos e com um dos seus dentes da frente faltando, pulando alegremente em Duke e envolvendo o peito do homem em um abraço com seus bracinhos magros. – Você voltou! Você realmente voltou!

– Hahaha, é claro que eu voltei, Campeão! Achou que o grande Duke Graham iria faltar com a sua palavra? – Uma gargalhada estourou da garganta de Duke enquanto ele retribuía o abraço com seu braço de carne. Ele estava agachado no chão, segurando uma sacola cheia de pães com sua mão de aço enquanto trazia sua mochila nas costas e olhava para meia dúzia de crianças a sua frente, cada uma delas olhando para ele com os olhos brilhando, como se ele fosse seu herói particular. – Eu não poderia deixar de ver vocês, principalmente num dia como esse, não é?

– É, é! – Quem gritou dessa vez foi uma garotinha loira de cabelos sujos, com sardas em seu rosto e dentes amarelados, mas que sorria constantemente em alegria. – Eu disse pra você que Duke ia vir, Saul! Ele é Duke! Duke é gente boa!

– É, a Sally está certa! – O garoto que apoiou a menina parecia um pouco mais velho, com sete ou oito anos. Ele era negro e magro como os outros, com uma toca preta em sua cabeça e olhos brancos cheios de esperança. – Duke nunca iria nos abandonar! Né, Duke? Você nunca vai nos abandonar, não é?

– É claro que não, seu nanico! – Riu Duke, afastando um pouco a mão do primeiro garoto parar mexer com o negrinho, balançando a cabeça dele de um lado para o outro, desajeitando sua touca e fazendo com que ele gargalhasse em divertimento. – É melhor que vocês me amem, porque vocês não vão se ver livres do Grande Duke assim tão fácil!

Um grito de “viva!” soou em resposta a isso, e todas as crianças riram. Isso... isso é lindo. Sentiu seus olhos começarem a lacrimejar ao ver tudo aquilo, todo o afeto e amor que Duke demonstrava por aquelas crianças e a admiração que elas tinham por ele. Então, é isso que ele veio fazer? Cuidar dessas crianças? Aquilo era lindo, simplesmente lindo.

Gentilmente Duke afastou a criança que havia se enroscado nele um pouco, apenas o suficiente para que ele pudesse alcançar a sacola com ambas as suas mãos.

– Agora, eu sei que vocês devem querer ficar agarrados em mim. Isso é compreensível, acreditem. Mas antes de disso, por que vocês não comem alguma coisa? – Seus dedos desamarraram o saco de pães, mostrando seu conteúdo para as crianças, e exclamações admiradas vieram das gargantas de todas elas ao verem aquilo. Pela expressão em seus rostos, era óbvio que elas estavam morrendo de fome. – Bom, bom, comam a vontade agora! Eu comprei bastante, e está tudo quentinho! Aproveitem, pirralhos!

E eles aproveitaram. Tinham vários pães na sacola, mas nas mãos das crianças eles acabaram em questão de momentos. Logo todas as seis estavam espalhadas por aí, comendo os pães com a cara mais satisfeita do mundo, algumas com seus olhos lacrimejando de alegria em terem comida tão boa a sua disposição. Duke gargalhou ao ver isso – uma gargalhada prazerosa e profundamente satisfeita – antes de voltar sua atenção para abrir a mochila.

– Muito bem, muito bem! Agora que vocês já comeram, que tal partimos para os seus presentes de natal? – Sua mão humana sumiu para dentro da mochila, mexendo em alguma coisa ali, enquanto Duke mantinha um sorriso no rosto e olhava para as crianças. – Parece que mais um se juntou ao grupo desde a última vez que eu os vi, hum? Bom, não faz mal! Acho que tenho o suficiente para todos aqui! – De dentro da mochila Duke retirou uma boneca de pano, uma linda bonequinha vestida em um vestido azul maravilhoso. Só de olhar para ela Kyanna podia dizer que essa não era uma boneca comum das que você encontrava em qualquer loja. Aquela parecia ser uma boneca de alta qualidade, o tipo de boneca que pais ricos encomendam para mimarem seus filhos. – Ei, Sally, se eu não me engano você queria uma dessas, não é? Que tal, essa aqui dá pro gasto?

– Uma boneca! – A boca de Sally se abriu em formato de “o” ao ver a boneca, e ela tomou-a das mãos de Duke de forma afobada, envolvendo-a em um abraço forte que fez com que Duke gargalhasse mais um pouco. – Obrigada, Duke! Ela é perfeita!

– Perfeita, é? Ótimo! Então você vai gostar quando eu trouxer a irmã dela da próxima vez que eu vier te ver, certo? – Os olhos da menina brilharam ao ouvir aquilo e ela prontamente acenou positivamente com a cabeça, um sorriso bobo se abrindo em seus lábios. Duke também sorriu, um sorriso bem mais gentil do que o que ele normalmente mostrava quando junto dos outros. – Muito bom! Agora, que tal você, Cullen? – A atenção de Duke foi para o negrinho dentre as crianças. Os olhos daquele já brilhavam naturalmente, mas eles brilharam muito mais quando Duke retirou uma bela flauta da sua mochila, estendendo-a para ele. – Eu vi que você um dia passou pela loja de instrumentos e ficou olhando essa flauta. Espero que você goste dela, moleque.

O garoto recebeu a flauta das mãos de Duke quase que com reverência, olhando para ela com olhos arregalados como se não conseguisse acreditar no que estava vendo. Isso não durou muito, entretanto, e logo ele ergueu os olhos de volta para Duke e curvou repetidamente o corpo para o Titã em sinal de agradecimento, conquistando mais uma gargalhada do adulto. Ele levou a flauta aos seus lábios cuidadosamente, como se temesse que ela pudesse se quebrar caso fosse um pouco mais brusco com ela, e soprou suavemente nela. Ele tem um dom natural, concluiu Kyanna no momento em que ouviu a melodia que soou. Ela não era a melhor que já havia ouvido – desafinava em um momento e perdia força em outro – mas ainda assim a qualidade dela era algo que uma pessoa normal demoraria um bom tempo para alcançar, e a postura do garoto era perfeita, como se ele já tivesse visto alguém tocar antes e tivesse tirado notas do que as pessoas faziam. Com um pouco de treino e aperfeiçoamento ele será capaz de tocar como alguém que pratica a anos. As outras crianças olharam admiradas para Cullen, maravilhadas com a habilidade que ele tinha, e não demorou para que elas se amontoassem sobre Duke, pedindo por presentes também.

Um a um, o Titã foi dando presentes a cada uma das crianças, sem nunca parar de gargalhar.

=====

Ele passou cerca de uma hora e meia na neve com as crianças. Ele deu presentes a elas, brincou com elas, saiu um pouco para comprar mais coisas para elas comerem, conversou com elas e, por fim, as colocou para dormir. As “camas” delas eram apenas colchões no meio da neve, mas ao menos eram colchões novos e ainda limpos, e Kyanna não teve de pensar muito para chegar à conclusão de que eles também eram presentes de Duke. Eventualmente as crianças foram ficando cansadas e pegando no sono enquanto falavam com ele, e quando isso aconteceu Duke levou cada uma delas para sua respectiva cama, assegurando-se de que elas ficassem confortáveis ali.

E enquanto tudo isso acontecia, Kyanna apenas ficou observando. Não se mostrou em momento algum, mas apenas ficou escondida vendo a forma como Duke cuidava das crianças, o amor que ele mostrava a elas. Essas crianças... elas provavelmente são órfãs pelo que parece. Crianças de rua, sem ninguém que olhe por elas. As grandes cidades de Fredora eram cheias de crianças como essas, e elas sempre ficavam à margem, colocadas de lado longe da vista dos olhos nobres. Aonde há fartura e prosperidade, há também miséria e pobreza. Se uma pessoa come como um rei, então outra tem de estar morrendo de fome. Essa é uma das leis do mundo, mas ainda assim... é algo tão, tão triste. Alegrava à Kyanna saber que haviam pessoas que cuidavam dessas pobres crianças, e lhe dava orgulho ver que um de seus companheiros era uma dessas pessoas.

– Vocês devem ter tido um dia bem cheio hoje, não é, criançada? Dormiram bem rápido. Heh. – A mochila de Duke havia esvaziado quase que completamente desde que havia começado a dar os presentes para as crianças. Parecia que ainda tinha alguma coisa nela, e agora Kyanna podia ver o que exatamente era isso. Da sua mochila Duke retirou cobertas grossas que ele começou a colocar sobre as crianças para protege-las da neve, tomando sempre cuidado para não as acordar acidentalmente. – Vocês não devem dormir assim no frio, sabiam? Vão ficar resfriadas se continuarem com isso. Eu gostaria de coloca-las em uma cama quente um dia, mas... suponho que isso vai ter de servir, ao menos por hora.

Uma a uma, Duke foi colocando cobertas sobre cada uma das crianças, enrolando-as nelas para mantê-las quentinhas. Ele fez isso até chegar na última. Quando colocou a mão de novo na mochila para tirar a coberta da sexta criança ele não achou nada, e isso fez com que seu rosto se fechasse. Hmm... ele havia dito que tinham mais crianças do que antes, não é? Isso significa que ele deve ter comprado um número de cobertas menor do que o número de crianças. Aquilo era um pouco problemático. Já era tarde demais para que uma loja estivesse aberta, e naquele frio... não podiam simplesmente deixar que uma criança dormisse desprotegida. Talvez eu possa voltar a guilda, pegar algumas cobertas dela ou coisa do tipo...

Foi isso o que Kyanna pensou, mas não teve tempo para agir com base nisso. Antes que ela pudesse sequer pensar em voltar para a guilda ela ouviu os sons de movimentos, e quando olhou de volta para Duke e as crianças, viu que o Titã havia retirado seu casaco e estava o colocando sobre a última criança, usando-o como um cobertor. Ah, meus Deus! Isso é tão... tão meigo!

– Ei, baixinho, você me deve um casaco – sussurrou Duke em tom bem-humorado para a criança enquanto ajeitava seu casaco sobre ela, tremendo um pouco de frio quando os primeiros flocos de neve caíram sobre ele. – Lembre-se disso e me pague de volta quando você ficar rico, beleza?

Ele se levantou novamente com um sorriso no rosto. Estava esfregando um braço com o outro para tentar criar algum calor e tremia de frio em meio a toda aquela neve, mas olhando para o rosto dele você não via nada que sugeria que ele tinha o menor arrependimento do que havia feito. Ele parecia extremamente satisfeito consigo mesmo, alegre em ter ajudado aquelas crianças de alguma forma.

Tão alegre que nem estava ciente dos seus arredores como normalmente era, como ficou provado pela surpresa que reinou em seu rosto quando ele sentiu Kyanna colocando seu casaco em suas costas.

– Você não deveria ficar sem casaco por aí nessa neve, Duke – murmurou ela, sorrindo gentilmente. – Você pode pegar um resfriado.

– Kyanna?! – A exclamação veio movida pelo susto que ele teve, e assim que Duke se deu conta do quão alto ele havia falado e das crianças que dormiam ao seu redor ele abaixou o tom de voz, embora seus olhos tenham ficado cheios de suspeita enquanto olhavam Kyanna. – Mas o que você está fazendo aqui?

– Eu poderia te perguntar o mesmo, mas acho que já sei a resposta – disse ela, fazendo com que Duke corasse um pouco e olhasse para o lado encabulado, algo que fez com que ela risse levemente. – O Grande Duke Graham, um homem de coração de ouro que ajuda criancinhas... sabe, Duke, você é bem mais doce do que parece a primeira vista.

– Tch! Calada, mulher! – Resmungou ele, começando a caminhar para longe dali... até parar ao dar dois passos, olhar para o casaco, parecer se lembrar de alguma coisa e toma-lo em mãos, estendendo-o para Kyanna. – Aqui, pegue o casaco. Eu devo conseguir suportar o frio melhor do que você.

– Provavelmente, mas eu não estou sentindo frio no momento – disse Kyanna, recusando o casaco enquanto balançava a cabeça. – A maioria de nós, magos, conhece algum truquezinho para lidar com coisas assim. No meu caso eu estou queimando constantemente a minha mana, o que mantém a temperatura do meu corpo em um nível estável. Desde que não fiquemos muito tempo na neve, eu vou ficar bem.

– Você fala como se eu não fosse um mago, mas eu não sabia que dá pra se fazer coisas assim, então tudo bem, eu acho. – Com um balançar de sua cabeça Duke tornou a vestir o casaco, colocou suas mãos nos bolsos dele e começou a andar... apenas para parar novamente depois de meia dúzia de passos e jogar sua cabeça para trás, olhando para Kyanna. – Ei, você pretende ficar parada aí? Vamos logo, a guilda não vem até nós.

Não pode deixar de sorrir ao ver Duke agindo daquela forma. Sempre soube que o homem era muito mais gentil do que ele tentava demonstrar, mas depois de ter visto o que viu, essa forma de agir mais xucra de Duke não conseguia ser mais do que fofa para Kyanna.

Caminharam em silêncio por algum tempo, sem que um sequer olhasse para o outro. A neve caia suavemente sobre os dois magos enquanto faziam seu caminho por entre as ruas escuras de Valhala de volta para a guilda, fazendo com que toda a situação parecesse ainda mais serena e tranquila do ela era, e isso era muito para uma situação como essa.

– Ei, Kyanna – disse subitamente o Titã, chamando a atenção da mulher que havia se distraído com a neve. – Você... por que você veio atrás de mim?

– Hum? Por que eu estava preocupada com você, obviamente. – Respondeu ela com simplicidade, sem pensar muito em sua resposta. – Você é um bom amigo meu, Duke. Eu me preocupo com você.

– ... Amigo, é? – Murmurou ele em tom pensativo. Sentia que havia algo nessas palavras, algum tipo de significado oculto, mas não entendeu o que era e nem teve tempo de refletir sobre isso, já que logo em seguida ele tornou a falar. – Ei, você deve ter algumas perguntas que quer fazer, né? Manda ver. Acho que você merece algumas respostas agora, e não é como se eu me importasse muito em dá-las de qualquer forma.

Hum.... Estava realmente curiosa quanto a algumas coisas, mas estava bem certa de que já sabia as respostas dessas dúvidas. E também, duvidava que Duke realmente não fosse se importar em responde-las; ele podia tentar disfarçar, mas a verdade é que ele era bem mais tímido do que você imaginaria de alguém com aquela aparência e modo de agir. Mas ele pediu para que eu fizesse perguntas, e considerando que estamos falando de Duke ele provavelmente irá ficar insatisfeito se eu não fizer essas perguntas, então... vamos lá.

– Quando você saia e dizia que ia até o bordel... você nunca fez isso realmente, não é?

– Hum. Isso parece mais uma afirmação do que uma pergunta – contemplou Duke, sem confirmar ou negar nada. – O que te faz pensar assim?

– Prostitutas recebem dependendo do número de homens que atraem. Quanto mais clientes elas têm, mais elas ganham. Para atrair um número maior de clientes elas usam um bom número de artifícios, incluindo perfumes. Mas você nunca voltou pra guilda cheirando a perfume nenhum.

– Só as “profissionais” que usam perfume. As mais amadoras, de esquina, não se dão a esse trabalho. Mas sim, você está certa. Eu nunca fui atrás de prostitutas, não depois que me juntei a guilda.

– Então o dinheiro que você supostamente gastava com elas... eu suponho que ele foi gasto com essas crianças?

– Bom, eu teria de ser um bastardo com coração de pedra para gastar dinheiro com uma boceta cheirosa quando crianças morrem de fome, não concorda? Sim. Esses pirralhos precisam mais do meu dinheiro do que qualquer prostituta que eu já encontrei, mesmo as que fazem isso por necessidade.

– Por que você começou a cuidar dessas crianças?

– Por que...? Hum, francamente, eu nunca parei pra pensar nisso. Porque eu posso, eu suponho. Kastor me dá comida, bebida e moradia, então eu não tenho muito com o quê gastar o meu dinheiro, realmente. Quero dizer, eu posso usá-lo para ter os meus pequenos luxos, uma bebida aqui ou acolá, mas sobra bastante ainda. Se eu tenho dinheiro sobrando e posso ajudar uma criança cheia de necessidades com ele, então por que eu não deveria fazer isso?

– Sim, é assim que a maioria das pessoas pensam. Mas a maioria das pessoas também ajuda apenas uma ou duas vezes antes de parar. Pelo que eu ouvi você falar com aquelas crianças e o que você está me dizendo aqui agora, parece que o seu caso é algo mais constante.

– Bom, sim. Quero dizer, não é como se eu deixasse de ter dinheiro sobrando em algum momento.

– Duke, nós todos sabemos que você está andando sem dinheiro ultimamente. E você deve ter gastado um bocado com todos esses presentes e tudo mais...

– Tch, você fica espionando a minha vida ou coisa do tipo, Varinha de Prata? – Resmungou Duke, coçando sua cabeça com sua mão de aço. – Tá bem, tá bem, você tem um ponto. Eu não estou tendo tanto dinheiro ultimamente, mas não é como se isso fosse um problema para mim. Como eu disse, Kastor me dá comida, bebida e moradia, então eu não tenho um custo real de subsistência, e não é como se eu estivesse pegando empréstimos ou coisa do tipo, não sou inconsequente a esse ponto. Um bico aqui e outro ali, isso me dá dinheiro o suficiente para cuidar dessas crianças. Eu só precisava de um pouco para completar, de qualquer forma, e ficarei bem de novo assim que eu fizer um dos trabalhos da guilda. Isso não é um problema. E além do mais, eu não sou otário o suficiente para simplesmente abandonar essas crianças de uma hora pra outra. Eu quis começar a ajuda-las, e ao fazer isso eu dei esperança para elas de que eu estaria do seu lado, de que eu seria alguém com o qual elas poderiam contar. Seria cruel demais se eu simplesmente sumisse da vida delas de novo depois de dar essa esperança a elas.

... Duke... você é um homem de bom coração. Isso era algo que ela já sabia, obviamente, mas mesmo assim... ver aquelas ações de Duke, ver o modo de pensar dele e ver a forma como ele se preocupava com aquelas crianças reforçava ainda mais a bondade que o homem por tantas vezes parecia buscar esconder. Era... reconfortante ver aquilo, francamente.

– Acabou? – Perguntou ele ao notar como Kyanna havia ficado calada depois daquilo, olhando para ela por cima do ombro enquanto continuava a andar. – Essas são todas as suas perguntas, Varinha?

– Quase todas – murmurou ela em resposta, sorrindo. Tinha uma última pergunta em mente, uma que originalmente não planejava fazer. Duke é bem tímido apesar de todo o seu jeito. Talvez ele não queira responder a isso. Mas considerando que ele parece estar mais aberto agora e tudo... vale a pena tentar, eu acho. – Por que você parou de ir às prostitutas, Duke?

Os movimentos dele pararam assim que ele ouviu aquela pergunta, e Kyanna parou também para passar a apenas prestar atenção nele. Ficaram em silêncio por um bom tempo, ambos em meio da escuridão e da neve, numa cidade há muito adormecida. Para a maioria das pessoas, uma pergunta como a de Kyanna seria vista como rude e intrusiva, mas ela sabia que isso não valia para Duke. Quando o conheceu, as prostitutas eram para o mago como a cerveja ou o cigarro eram para as pessoas normais – talvez até menos que isso, considerando que alguns pareciam envergonhados de seus vícios e Duke não demonstrava qualquer sinal de algo assim. As prostitutas não eram algo íntimo ou pessoal para Duke. Elas eram apenas um... vício, por assim dizer. Uma certa necessidade que ele tinha.

– Por que eu parei de ir às prostitutas, hum...? – As palavras vieram de seus lábios como se ele estivesse sussurrando. O rosto do Titã se ergueu e olhou para o céu, deixando que alguns flocos de neve caíssem sobre ele sem que fizesse nada. – Bom, acho que a razão é mais simples do que você pode esperar. Eu simplesmente parei de precisar visita-las.

– ... Hã? – Inclinou sua cabeça para o lado, confusa, e Duke suspirou em resposta, virando-se para ela com uma calma incomum para ele e começando a se explicar pacientemente.

– Há muitos anos atrás, aconteceu uma coisa relacionada a mim. Você não sabe o que é e eu não tenho a menor intenção de te pôr a par disso, mas basta saber que aquilo foi algo... bem desagradável, para mim, e especialmente para alguns outros envolvidos. E isso deixou... como eu posso dizer... um “buraco” em mim. Um buraco que eu não conseguia preencher com nada. Comida, bebida, jogos, mulheres... essas coisas conseguiam, quando muito, me fazer esquecer desse buraco por um tempo, e então as coisas se tornavam um pouco mais suportáveis, mas depois ele voltava e eu retornava a estaca zero.

As expressões que passavam pelo rosto de Duke enquanto ele falava aquilo eram aflitas, deixando claro que o que ele dizia não era apenas da boca para fora. Até um cego conseguiria ver que ele estava revivendo memórias dolorosas, e por isso, por mais que tenha ficado curiosa com aquelas declarações enigmáticas, Kyanna ficou calada e não se atreveu a perguntar o que tinha acontecido com ele. Eventualmente, quando ele parou e pareceu chegar ao fim de seu relato, sua expressão se aliviou um pouco. Um sorriso se abriu no rosto dele – mais fino e mais sem-graça do que a maioria dos sorrisos largos que ele mostrava, mas ainda assim muito mais... genuíno, como se fosse esse o sorriso real de Duke.

– Isso dito, acho que agora eu não preciso mais dessas coisas todas. O buraco que eu tinha no peito foi finalmente preenchido.

Ele disse aquilo, olhou nos olhos de Kyanna e sorriu um pouco mais, e imediatamente a maga sentiu suas bochechas corarem. Ele está... está insinuando o que parece que ele está insinuando? Aquelas ações, aqueles gestos... ela não podia estar entendendo as coisas errado, podia? É... é por isso que ele teve aquela reação quando eu disse que ele era um amigo? Será que... ele quer algo mais?

– Fo-foram as crianças que preencheram o seu buraco? – As palavras vieram de forma trêmula, insegura. Normalmente Kyanna não era uma mulher muito tímida, mas aquela era uma situação simplesmente inusitada demais para ela. O que eu devo fazer? Ah, meu Deus, o que eu devo fazer?! Seu coração batia forte em seu peito e sentia um bolo em sua garganta. Começou a desviar o olhar de Duke, simplesmente porque só olhar para ele estava fazendo com que ela ficasse vermelha como um pimentão. Ro-romance é algo muito... muito complicado.

– Não. Quero dizer, em parte, sim, mas não foram as principais responsáveis por isso. A principal coisa que preencheu esse buraco... as pessoas que, de certa forma, me salvaram... esses são vocês. A minha guilda. – Piscou ao ouvir aquilo. Uma vez, duas vezes, três vezes, tudo isso enquanto estava confusa. O... o quê? Aquilo definitivamente não era o que ela estava esperando, e a surpresa daquelas palavras fez com que ficasse sem ação por um momento, tempo o suficiente para que Duke colocasse uma das mãos sobre sua cabeça e bagunçasse seus cabelos de forma afetuosa, como um adulto falando com uma criança. – Antes, você disse que me considera um amigo, Kyanna. Você não tem noção do quão alegre você me fez com aquelas poucas palavras. Isso porquê... eu também te considero uma amiga minha. Você, Anabeth, Bryen, Teigra, Hozar, Kastor... vocês são todos os meus preciosos e amigos. As pessoas que eu mais amo nesse mundo de merda. – Antes que pudesse reagir ou balbuciar qualquer coisa em resposta a isso ela sentiu seu corpo ser puxado para frente, e antes que se desse conta Duke havia lhe envolvido em um abraço apertado, caloroso mesmo em meio a neve. – Obrigado por existirem... e por terem paciência com esse pedaço de merda que sou eu.

Tal como antes, não teve tempo de reagir a isso. Antes que pudesse lhe dar qualquer resposta Duke já havia lhe soltado, e sem esperar por ela ele rapidamente girou nos calcanhares e começou a seguir para longe dali à passos largos, como se estivesse determinado a não lhe dar a chance de falar nada. Como estava meio embasbacada ainda pelo quão surpreendente tudo aquilo havia sido, ele até teve algum sucesso nisso. Isso é, até que ela recuperasse a compostura e começasse a correr atrás dele, o que fez com que o Titã gargalhasse ao ouvir seus passos e começar a correr também, fugindo dela pelas ruas da cidade cheia de neve. Seu idiota! Como você ousa dizer uma coisa dessas! Eu não posso aceitar isso!

Você também é um amigo precioso meu! Não ouse fazer pouco de si mesmo!





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