A Garota Dos Defeitos escrita por Tamires Rodrigues


Capítulo 44
Bom demais para ser verdade


Notas iniciais do capítulo

♥ Como vão? Novo capítulo saindooooooooooo ♥
Antigamente eu sempre esperava ter pelo menos um comentário no capítulo para postar, isso me dava uma noção se estavam gostando ou não, porém nos últimos capítulos estou fazendo diferente, não tenho recebido comentário algum nos capítulos publicados, mas continuo postando. A história está chegando ao fim gente, e acho que se alguém continua lendo até aqui mesmo sem comentar, merece as atualizações por isso aqui está ela. Boa leitura ♥



Eu estava nervosa, quase tanto quanto no meu primeiro dia. Era diferente porque naquele tempo eu não tinha tanto a perder. O Adams era parte de mim agora. Uma parte que eu não queria ter que deixar ir.

Desejei ter trazido meu celular, mais e mais conforme o Adams entrava no meu campo de visão.

Franzi a testa quando uma movimentação estranha em frente à entrada chamou minha atenção – não só a minha na verdade, mas de várias pessoas passando por perto.

Uns bons dois metros de distancia percebi que praticamente todos os funcionários estavam na calçada. Beca estava ao lado de um dos cozinheiros e gritava todo vapor com caíque que estava em cima de uma escada colocando uma faixa branca na parte da frente do Adams.

Parei no lugar tentando entender que diabo estava acontecendo.

— Um pouco mais para a esquerda – uma mulher de cabelo curto e vermelho gritou. Seu rosto não era nem meramente familiar, apesar de ela estar usando o uniforme que eu e os outros funcionários usávamos para trabalhar. Por um instante me perguntei se ela estava ali por ter pegado meu lugar como garçonete, e meu estomago afundou.

— Qual lado? – Caique falou, sua voz irritada e estridente. – Vocês estão gritando à uma hora, e não tomam uma maldita decisão!

Vozes e conservas soaram em seguida ignorando-o.

Ele girou o pescoço para trás como se estivesse tentando focar em alguém em particular. Seus olhos foram para Beca, sua boca abriu como se fosse dizer algo, as sobrancelhas ruivas unidas em impaciência, até que ele balançou a cabeça rolando os olhos percebendo que não iria chamar a atenção dela no meio da bagunça de conversas no volume máximo. Seus olhos foram distraidamente para cima do ombro dela.

Para mim.

Suas sobrancelhas voaram e eu sorri timidamente com a reação surpresa dele.

Beca parou de gritar e balançou a cabeça animadamente como se tivesse chegado a uma conclusão importante, e olhou para caíque, seguindo seu olhar logo em seguida. Suas sobrancelhas fizeram o mesmo movimento de subir que o do garoto ruivo pendurado na escada. Ela começou a se afastar dos nossos colegas que ainda gritavam coisas, como ajuste mais para a direita, ou puxe um pouco para cima, e talvez seja melhor deixar assim mesmo. Eu não estava perto o suficiente para poder ler o que estava escrito na faixa, mas seja o que fosse parecia importante o bastante para reunir todos do lado de fora.

— Ah cara, você voltou – Beca disse parando na minha frente, seu tom levemente afetado. – Nós te ligamos a semana inteira – com nós eu sabia que ela estava se referindo a si mesma e a Caique. – Caique deixou não sei quantos recados - balancei a cabeça dando um sorriso amarelo, em duvida se devia ou não abraça-la, era estranho a ouvir dizer aquilo, porque parecia que eu tinha estado longe por meses.

Ela esperou por uma resposta. Eu não tinha. Desviei os olhos para Caique que estava reclamando sobre o sistema opressivo de trabalho que não o pagava o suficiente para subir em escadas e ouvir as pessoas gritarem com ele. Beca e eu bufamos vendo-o descer os degraus da escada dobrável de ferro.

Abracei Beca finalmente, e sorri fracamente. – E vocês dois ainda dizem que não sentem minha falta – tentei brincar, e olhei pra cima novamente a tempo de ver caíque se desequilibrar.

***

Caique machucou o braço quando caiu.

Não foi uma queda muito ruim, mas quando ele caiu foi por cima de seu braço. Foi preciso admitir uma coisa caíque era incrível porque não reclamou de dor sequer uma vez apesar de estremecer toda vez que alguém tocava em seu braço.

Sua queda serviu para uma coisa boa, conheci Breno, uma vez que ele venho buscar o namorado para ir ao hospital. Breno tinha o tamanho de um jogador de futebol americano. Realmente grande. De alguma forma todo o seu tamanho sumiu quando ele olhou para Caique. A preocupação em seus olhos e a doçura em seus gestos fez quase como se eu estivesse assistindo um filme de romance na primeira fila. Beca e eu de fato nos pegamos suspirando algumas vezes, Caique revirava os olhos para gente o tempo todo, o que nos fazia jogar beijinhos só para irrita-lo. Não pude dizer muito mais do que senti sua falta antes de ele ter que entrar no carro e desaparecer de vista.

Ninguém quis subir na escada e ajeitar a faixa depois disso.

Juntando a comoção da queda, e a comoção que já estava acontecendo quando cheguei foi difícil conversar com Beca, e entender o que nos céus estava acontecendo. Foi só o que pareceu uma eternidade depois que finalmente entendi.

Reinauguração.

O Adams estava reinaugurando.

 Era uma jogada de marketing para atrair mais clientes. Isso iria acontecer juntamente com a inauguração do centro, a maior parte dos funcionários só ficou sabendo disso há pouco tempo. Fiquei surpresa no quanto o Adams tinha mudado. Só havia passado uma semana e mesas tinham sido trocadas, paredes tinham sido pintadas, entre muitas outras coisas. A coisa que mais me fez feliz foi sem sobra de duvidas ouvir: Você ainda tem um emprego.

De algum lugar tenho certeza anjos cantaram.

Como isso é possível? – perguntei. Já passavam das seis, e Beca e eu estávamos nos fundos fazendo um intervalo. Todo mundo estava fazendo uma pausa da bagunça de preparativos do lado de dentro, simplesmente espalhado por ai.

Beca cutucou o chão com o seu coturno e explicou: - O Adam’s estava ainda mais bagunçado na semana passada. Funcionários indo e vindo o tempo todo e por isso não tinha realmente como se saber se alguém tinha de fato faltado ou estava fazendo alguma outra coisa.

 Mordi o lábio assentindo. – Eu não consigo acreditar, sabe? – afundei os dentes no pedaço de pizza em minhas mãos – para nossa surpresa foi servido um lanche após toda a limpeza pesada que fizemos. – Quando cheguei aqui eu tinha certeza que estava caindo fora do emprego.

Beca engoliu um pedaço do sanduiche natural que estava comendo antes de falar: - Todos os funcionários estão encarregados de limpar tudo independente dos cargos, semana passada foi basicamente isso. Renato não quer mais gastos além dos necessários, porque, bem, toda essa coisa de reforma deve estar custando algum dinheiro alto. Nós primeiros dias explicamos o que tinha acontecido a Miranda a subgerente, e depois disso sempre que alguém perguntava de você era o que Caique eu falávamos que você estava por ai fazendo algo importante em outro lugar.

Eu não sabia o que falar. Estava tão grata por eles terem me ajudado, que uma bola de emoção se formou em minha garganta.

Balancei a cabeça concordando. A mudança estava nítida. Ainda era possível sentir o cheiro de tinta fresca das paredes pintadas ontem, as mesas e cadeiras eram novas, mais modernas. Tudo estava brilhando. E o que mais chamava a atenção era o palco de madeira perto de uma das paredes.

Adam’s iria começar a ter música ao vivo.

Ela ficou em silêncio e mesmo no escuro eu podia enxergar seus lábios franzidos. – Você não atendeu quando tentamos ligar para. Pensamos em irmos à sua casa, mas sei lá você não atendia o celular a gente não sabia – deu de ombros sem concluir a frase, deixando por isso mesmo.

Minha fatia perdeu o gosto quando dei uma nova mordida.

— Desliguei o celular.

Beca soltou uma risadinha e jogou o embrulho do sanduiche na caçamba de lixo.

— Nós percebemos quando caiu na caixa postal toda vez que discávamos seu número.

— Eu queria pensar, acho. - Olhei para o chão novamente sem saber o que dizer. Se eu fosse meus amigos, me sentiria excluída, mas nunca quis empurra-lo para longe era só necessidade de espaço.

— Entendo. E você está bem?

Assenti com a cabeça cutucando seu ombro com o meu.

— Eu estou feliz por ainda ter meu emprego, e principalmente por saber que vou poder ver você e Cai todo dia. – Vasculhei minha mente procurando as palavras certas. – Eu amo você – falei baixinho – e meu Deus eu amo o Caique também. E diabos foi um inferno pensar que eu poderia perder essa coisa que criamos entre nós três. Desculpe se fiz vocês se sentirem excluídos, nunca quis jogar ninguém para o escanteio, eu só precisava de silêncio e espaço - suspirei. – Mas eu senti a falta de vocês pra caramba.

Beca estendeu o braço e o jogou por cima do meu ombro. – Eu amo você também Sukes – sorri, e foi nesse momento que ela arrancou da minha mão minha fatia de pizza parcialmente comida. – Mas amo ainda mais sua fatia de pizza.

Não pude deixar de sentir um sentimento de de javu , Gabriel tinha feito quase a mesma coisa certa vez.

***

Todos estavam espalhados pela sala de estar quando cheguei em casa. Kat estava com o notebook no colo, falando co celular e digitando furiosamente em seu teclado, e meus pais estavam no outro sofá vendo um filme de comédia antigo em um canal pago e sorriram quando me viram. O clima estava mais leve.

Chutei meus calçados para longe e acenei enquanto pendurava minha mochila e meu casaco.

—Trabalho?– indaguei sentando perto de kat. Puxei os pés para cima e os massageie. Estavam doloridos.

Ela suspirou. – Trabalho – concordou.

Virei para a televisão. - Que filme é esse?

— Ainda não descobri – meu pai respondeu– acabei de ligar a televisão.

— Você não sabe que filme é esse, Fernando? – minha mãe ergueu a sobrancelha.

— Não - ele franziu a testa. – Você sabe?

Os olhos da minha mãe estreitaram-se ficando em fendas. – Sim. Não posso acreditar que você não.

Fitei a televisão com mais atenção tentando descobrir o porquê de tanto alvoroço entendi algumas cenas depois. Olhei para Katherina que tinha acabado de desligar a ligação e me preparei para o que estava por vir.

 - Foi o filme que nós assistimos no nosso primeiro encontro – minha mãe rosnou insatisfeita.

— Até eu sabia disso pai – kat alfinetou com um sorriso sem tirar os olhos da tela de seu computador.

Meu pai olhou para mim em busca de socorro. Eu não tinha nada para ajuda-lo por isso só dei de ombros.

— Eu me lembro de outras coisas desse dia – papai sorriu mexendo as sobrancelhas sugestivamente. Sua voz tinha um pequeno tom de malicia que me fez desejar não ter escutado.

Katherina gemeu. – Suas filhas estão no mesmo lugar que vocês. Guardem os detalhes sujos para si!

***

Cerca de uma hora mais tarde, cada um de nós já tinha ido para cama. Kat e eu assim como ontem estávamos conversando com as luzes apagadas.

— Sabe o que eu não entendi de toda essa história com Ben?

— O que?

— Como ele conseguiu nosso endereço.

— Boa pergunta. A maior parte dos estagiários do escritório está longe de casa, então criamos uma espécie de lista de emergência. Endereços, números esse tipo de coisa. Ben pegou nosso endereço e digitou no Google mapas.

Balancei a cabeça surpresa, soltando uma risada abafada.

— Uau, simplesmente digitou no Google mapas e fez a viagem até aqui? Ele realmente queria fazer as pazes com você.

Katherina ficou em silêncio, por tanto tempo que achei que pudesse ter dormido.

— Ainda está acordada?

— Estou. Só pensando.

Sentei na cama, e liguei o abajur. Era esquisito conversar com alguém e não poder enxerga-la de verdade.

— No que?

— Coisas – respondeu vagamente jogando o braço por cima do rosto.

— Que tipo de coisas?

— Você gostou mesmo de Ben? – quis saber abruptamente.

Fiquei tão surpresa que não soube o que responder por alguns instantes.

— Como eu não iria gostar dele, depois de saber isso?

— Hum.

Estreitei meus olhos tentando ler as palavras que ela não estava dizendo.

— Qual é o problema?

Kat riu baixinho. – Porque você acha que tem um problema?

Estalei a língua no céu da boca. – Porque eu conheço você.

Katherina levantou da sua cama e venho deitar-se comigo. Só depois de se cobrir e ajeitar as cobertas voltou a falar. Foi quase como se estivesse pensando no que dizer, caçando palavras soltas em sua mente.

— Eu gosto de Ben. Eu nem sabia o quanto até ouvir Lara no apartamento dele.

— Mas? – me obriguei a falar. Era tão difícil Kat se abrir comigo que não queria falar a coisa errada. Porém tinha que ter um, mas. Ela não costumava falar de seus sentimentos e inseguranças, sempre foi o contrário.

— Eu nem sei como explicar – gemeu esfregando o rosto como se tentasse clarear os pensamentos. – No jantar tudo que eu pensava era que queria que tudo desse certo. Que nosso pai gostasse dele e o aprovasse, entende? Uma centena de coisas aconteceram nessas ultimas semanas e Ben me implorou para não afasta-lo e eu fiz exatamente isso e você sabe o que? Ele não se afastou. Ele continuou firme e forte esperando meu próximo passo. – Ergui as sobrancelhas, sem emitir nenhum som. – Ele foi tão idiota nas primeiras vezes que nos conhecemos – riu balançando a cabeça. – Tão igual aos outros que pensei que seria fácil tira-lo do meu sistema, mas claro ele precisou mudar isso logo em seguida. Você sabe como eu sou. Focando no trabalho sempre.

—Garotos vão e voltar – eu a citei com um meio sorriso simpático. – Sua carreira permanece quando os hormônios se acalmam.

— Exatamente – seus olhos perderam o foco enquanto fitavam o teto. – Deus, porque ele tem que me fazer questionar tudo?

Meus olhos aumentaram de tamanho. Minha mente processando o que ela estava dizendo. Era como se eu estivesse ouvindo outra pessoa falar.

— Tudo tem estado tão estranho, Sukes. Tão confuso. Minha vida que costumava ser tão meticulosamente organizada está toda espalhada ao meu redor. Tudo começou a bagunçar desde – ela se interrompeu e notei lágrimas em seus olhos. Ela foi rápida em seca-las. Eu já sabia o que ela iria responder, quando perguntei:

— Desde quando?

Levou um tempo para que ela respondesse, e quando fez sua voz saiu pequena e abafada.

— Quando descobri que a vovó estava doente, tentei fazê-la mudar de ideia. Fiquei tão brava, mas acima de tudo me senti inútil. Se eu já afundava e focava no trabalho antes... Eu só queria manter minha mente ocupada, mas parecia tão difícil até mesmo fazer as coisas mais simples, como se minha mente se rebelasse contra mim de todas as maneiras possíveis. E Ben... Ben era o cara que deixava bombons, e todo tipo de coisas em minha mesa. Eu quero dizer, como ele sabia que algo estava errado? Eu nem tinha aceitado sair com ele – um sorriso de carinhoso puxou seus lábios para cima. – Não é doido? Eu só aceitei sair com ele muito tempo depois, e embora estivesse animada, fiquei dizendo a mim mesma que seria apenas um encontro, que não seria grande coisa. No meu ramo de trabalho instinto é tudo, e o meu instinto estava me dizendo que eu deveria apenas me deixar levar, mas eu não sou boba Sukes, já tive minha cota de idiotas, não queria mais um para ocupar o topo da minha lista de desastres- kat se virou, ficando de frente para mim. Seus olhos úmidos e ainda assim sorridentes. – Você sabe o que usei no nosso primeiro encontro?

Neguei com a cabeça, completando entretida com cada coisa que saia da sua boca.

— Um suéter dos ursinhos carinhosos, e uma calça jeans tão larga que Ben podia ter entrado nela comigo se quisesse – kat cobriu o rosto explodindo em gargalhadas assim como eu.

— Você não fez!

— Ah, eu fiz isso. Minha intenção era medi-lo dessa forma. E sabe o que ele disse?

— O que? – quis saber ansiosa.

— Ele me disse que eu estava linda, e que tinha bom gosto, pois ursinhos carinhosos era seu desenho favorito na infância. Bom Deus foi o melhor encontro que já tive em anos. Ficou difícil fingir que ele não existia depois disso, e logo nos estreitamos mais as coisas dormindo juntos – engasguei e kat me lançou um olhar engraçado. – Ah qual é? Sexo não é mais uma palavra nova no seu vocabulário.

Bufei e empurrei seu ombro de leve. – Continue a falar, espertinha.

— Eu gosto dele Sukes. Esse é o problema. Ele venho até aqui, conheceu você e nossos pais e tudo pareceu tão malditamente certo pela primeira vez. Apesar de toda a merda explodindo e de toda a tristeza... Com Ben eu esqueci... De tudo por um tempo, e isso foi tão bom que quase pareceu errado.

Pigarreei. Eu não fazia ideia que ela gostava tanto dele. Não fazia ideia do que ela estava sentindo.

— Eu sinto esse pequeno, porém vindo de você. Qual é o problema? Ben parece ser tão bom e... Oh – falei finalmente começando a entender. – Ele parece bom demais, não é?

Kat suspirou.

— Na mosca. Ele parece ser tremendamente bom.

Puxei um pouco as cobertas, ganhando tempo.  – Se lembra do que me disse uma vez sobre garotos?

— Eu digo tanta coisa sobre garotos – zombou. – Vai ter que ser mais especifica.

— Se arrisque – lembrei. – Só dá pra viver uma vez na vida.

— E no que resultou? – resmungou esfregando as pálpebras.

Fiz uma careta. Ela tinha me dado esse conselho por causa de Renan.

— Eu acabei com um coração partido – comentei a contragosto. – Mas Ben é um cara legal, ele nunca vai apostar com um bando de garotos que é capaz de tirar sua virgindade – dei de ombro em um esforço árduo para não soar afetada. – E além do mais você não é mais virgem, companheira.

Katherina guinchou. – Oh Deus basta lembrar o nome de Renan e eu sinto vontade de mata-lo.

Percebi então que a conversa tinha mudado de rumo e limpei a garganta.

— O que Ben acha disso?

Katherina soltou um suspiro.

— Nada. Ele não sabe.

— Oh.

— Não venha com Oh para cima de mim.

— Ta bem – ri. – Sobre o que você tem realmente duvidas? Ele não parece fazer a linha – fiz aspas com os dedos – quero usar seu corpo e nunca mais te ver depois disso – deixei minhas mãos descansarem em cima da minha barriga. – Eu conheci seus ex-namorados e concordo com você, eles eram uns babacas.

— Nossa – minha irmã levou a mão ao coração como se emocionada. – Muito obrigada.

— Você me entendeu.

Ela balançou a cabeça. – Na verdade não.

Franzi os lábios. –Siga o seu instinto. Você está com medo de si mesma, e não de Ben. Se gostar dele de verdade, faça um favor a si mesma e se permita viver isso. Pare de pensar tanto. Você usou um suéter de ursinhos carinhos e ele não pulou fora, isso tem que ser um indicativo de alguma coisa boa.

— Droga.

— O que é agora? – perguntei pronta para mais uma rodada de conversa coração para coração.

Nada, é só que... Você cresceu. Ter você me dando conselhos amorosos, é muito estranho.

Rolei meus olhos estranhamente contente com a observação.

—---

Entramos noite adentro conversando. Em um dado momento o assunto mudou de Ben para Renan.

— Você nunca me contou como foi. Não realmente.

Mordi meu lábio inferior.

— Não é meu tópico favorito de conversa.

— Eu sei – kat me examinou. – Por isso eu quero falar sobre isso. Você sempre mudou de assunto e eu respeitei seu espaço, mas me pergunto se fiz certo, não é bom guardar certas coisas para si.

Anuí. – Não sei do que estou falando.

— Não se faça de boba, não combina com você. Sua primeira vez – apontou com delicadeza – é disso que estamos falando.

Cogitei a opção de levantar da cama e deixa-la sozinha no quarto.

— Foi uma aposta. Você sabe disso.

— Tome o seu tempo para achar as palavras certas, porque não vou simplesmente deixar pra lá dessa vez.

— Não existem palavras certas – explodi brava por ela ter tocado no assunto. – Eu estava insegura. Não éramos um casal firme – esfreguei o rosto com força e ri baixinho sem qualquer traço de humor. – Nem éramos um casal para inicio de conversa, mas eu achava que sim. Ele me pediu uma prova do que eu sentia – minha voz quebrou e lágrimas ficaram presas no fundo da minha garganta. – Pareceu tão certo na época, sabe? Eu gostava dele. De verdade. – Dei de ombros ainda tentando parecer indiferente sobre algo que obviamente ainda me atingia. – Pensando sobre isso agora eu posso enxergar sinais que não fui capaz de ver antes. Mas agora é tarde não é?

— Ele pressionou você... De alguma forma?

Balancei a cabeça mordendo o lábio com força.

— A resposta é a mesma que eu dei algum tempo atrás. Não. Eu estava confusa, entende? Sobre o porquê de ele precisar tanto de uma prova quando era nítido que eu gostava dele. Mas não. Ele não me pressionou. Eu fiz porque quis.

— Como... – Kat hesitou. – Como foi para você?

Foi minha vez de hesitar. Percebi que sempre tinha desviado do assunto, então não tinha como ela saber.

Afundei a cabeça nos travesseiros.

— Estranho. Muito estranho. - Às vezes eu me torturava com os detalhes por ter sido tão idiota, como por exemplo, o fato de ele nem ter querido limpar seu quarto. Sua cama estava desarrumada. Cuecas e camisetas espalhadas pelo chão. – Antes que houvesse tempo para absorver qualquer coisa surgiram os boatos – sorri com amargura. – Ele não terminou comigo de imediato. Comecei a desconfiar das coisas que ele dizia. Ele parou de atender minhas ligações. Simplesmente começou a ignora-las. Traições. Traições por toda parte – olhei para Kat só para desviar o olhar com vergonha. – Muitas garotas – falei baixinho. – Elena. Giovana.

Katherina engasgou, e só então notei que não tinha contado que Renan e Giovana tinham tido algo no passado. Suspirei e contei sobre como Giovana tinha começado a estar ao redor de Elena, e seu circulo de amizade e finalmente de quando ela tinha ido ao Adam’s para revelar tudo.

— Eles me chamavam de Frigida. Renan espalhou isso entre seus amigos, mas logo todo mundo ficou sabendo, e pensaram que seria engraçado cochichar isso perto de mim. Não é irônico? Eu era o motivo da piada, mas a única a não achar graça alguma. Comecei a ajudar a professora Sofia no clube de teatro e com o tempo outra pessoa se tornou motivo de chacota e sei que isso me faz ser uma pessoa horrível, mas me senti aliviada. Tão aliviada que decidi esquecer também. Infelizmente não foi tão fácil como eu queria. O pior de tudo, é que nunca esperei isso de Giovana. Nunca. E de todas as coisas isso é o que mais doeu quando ela contou. Isso ainda dói.



Notas finais do capítulo

Espero que tenha tido uma boa leitura, se puder deixe um comentário



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