20.000 Léguas Submarinas escrita por Sweet Moony


Capítulo 1
Capítulo único


Notas iniciais do capítulo

Essa história foi resultado de um sonho que eu tive em relação a um RPG que estava criando com uma amiga minha, naquela tara absurda de dois marinheiros se pegando. u_u
Espero que gostem. ;)



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20.000 Léguas Submarinas

   A noite passava tranqüila dentro do submarino espanhol, onde abrigava os novos marinheiros. Estavam há dois dias longe da família e o treinamento duraria até o dia seguinte, na parte da tarde, sendo dispensados à noite. Ravi sentia-se bem. Claro que o irmão fazia muita falta, mas sabia que não estava sozinho. Bruno, seu namorado, supria parcialmente o vazio em seu peito com sua companhia extrovertida e espontânea, como Allan. Então, o aperto no peito, provocado pela saudade, era amenizado. Eram gêmeos idênticos e possuíam uma ligação tão forte que nenhum médico ou cientista podiam explicar.

   Seu parceiro, alguns anos mais velho, ressonava profundamente ao seu lado, após bons e longos momentos de sexo quente, enquanto isso admirava o pingente em forma de Sol em suas mãos, uma vez que o sono lhe abandonara. Um sorriso terno iluminou a face do loiro, um suspiro deixou seus lábios e o silêncio continuou a lhe fazer companhia. O pingente lhe fazia pensar no irmão, pois simbolizava o significado de seus nomes. Ravi, em árabe, era Sol e Allan, Lua. Dessa forma, com seu pingente e a Lua pendurada no pescoço do irmão, quando juntas, parecia um eclipse. E era dessa forma que considerava a união que tinha com Allan, um belo e prolongado eclipse.

   Lembrar-se do irmão aquecia seu coração sempre e ficava a imaginar o que ele estaria fazendo durante o tempo em que estavam separados. Riu consigo mesmo quando algumas cenas da infância vieram à mente. A confusão que causavam no colégio ao tirarem proveito do físico semelhante era divertida e boa parte das vezes, os planos vinham do irmão. Quando se metiam em problemas, Allan era o primeiro a encarar os outros de frente, querendo proteger-lhe de qualquer ameaça e cumprir seu papel de “alma gêmea”. Uma lágrima solitária escapou do canto do seu olho. Servir à Marinha tinha essa única desvantagem: separá-los e, muitas vezes, por tempo indefinido.

   - Al... – murmurou saudosista e respirou fundo, controlando suas emoções.

   Um solavanco violento assustou a todos dentro do submarino e despertou o pânico com o alto rangido a ecoar pelo veículo aquático. Ravi e Bruno saltaram da cama e vestiram-se pelo menos com a calça do uniforme no mesmo instante em que o alarme foi acionado e a luz vermelha de emergência piscava em todos os compartimentos. Isso só podia indicar problemas. A voz do capitão-tenente ordenava todos os homens a se porem em guarda e no meio minuto seguinte os marinheiros abandonavam suas cabines de descanso. Avisados de que havia uma ruptura no casco posterior, ganhavam profundidade rapidamente, na mesma velocidade que a água do mar invadia os compartimentos.

   Aquilo não fazia parte do treinamento. As expressões de tensão e medo nas faces dos superiores indicavam isso. Ravi foi abatido por uma onda de pavor. Corria risco de morte. Allan ficaria sozinho. Seus pais lamentariam a perda de um dos filhos, justo o primogênito. Não! Não podia ser assim! Impossível! Levou a mão ao peito nu, cerrando os dedos em punho no colar, como se daquela forma pudesse se conectar espiritualmente ao gêmeo. Allan!

   Saiu de seu transe quando o aspirante a almirante berrava em sua face para deixar de ser uma bicha medrosa e ajudar os companheiros a resolver o problema. Borrar nas calças não adiantaria em nada. Ravi fechou o semblante e empurrou o homem à sua frente como se ele fosse um impertinente qualquer e não alguém no qual devesse respeito. Ouviu uma leva de xingamentos, mas a voz no mais velho ficava cada vez mais distante. Precisava preservar sua segurança para proteger o irmão, acompanhá-lo na jornada da vida ao seu lado; deveria permanecer vivo para que Allan vivesse também.

   Gritos de ordens, correria, pânico, alarmes, tudo se assemelhava a uma orquestra para receber a morte, que vinha em seu elegante traje negro, com sua inseparável foice nas mãos e o caminhar aristocrático, pronta para levar pelo menos setenta porcento dos homens apavorados. A água subia de nível a uma velocidade surpreendente. O que antes se limitava a uma poça, em menos de cinco minutos chegava às coxas dos membros da marinha, enlouquecidos a resolver o problema.

   - 15.000 Pés! – alguém alertou.

   Aproximadamente 4.600 metros de profundidade não era uma notícia animadora. Quando o treinamento dera início, a profundidade máxima que chegariam a alto-mar não passava de 3.000 metros, o equivalente a 10.000 pés de profundidade. A pressão externa, por causa da ruptura no casco, começava a amassar a lataria do submarino, provocando rangidos altos, roucos e sombrios.

   - Fechem as portas! Impeçam a água de avançar nos controles! Quero um contato urgente com a costa! – os oficiais gritavam nervosos, quase desesperados. Não poderiam demonstrar pânico, ou os inexperientes se atrapalhariam e tudo estaria perdido definitivamente.

   - Não há resposta, senhor! – pode ouvir alguém respondendo – Estamos muito fundo e os controles pifaram! A correnteza nos atirou contra um rochedo com uma colônia de corais.

   - Fodam-se os corais, marinheiro! Tire-nos daqui!

   - 20.000 pés e descendo! Estamos próximos do fundo, senhor! – avisou o mesmo homem de antes, agora em pavor.

   Ravi arfou. Não acreditava que aquilo acontecia. Onde estava Bruno? Parou de correr e olhou ao redor, procurando pelo amante e foi com o alívio que ele viera correndo em sua direção.

   - Fuja!!!! – berrou ao segurar seu braço e o arrastar para fora dali.

   Pode entender o que estava ocorrendo no minuto seguinte. Uma onda mortal tomava conta de todo o espaço e muitos eram pegos por ela, sucumbindo quase que instantaneamente. O espanhol gritou assustado e deu tudo de si para salvar sua vida, mas a água em suas pernas dificultava seus passos. O pior de tudo: pisara em falso, fazendo a articulação do tornozelo se desencaixar, obrigando-o a parar e perder o equilíbrio. Bruno, na inércia, já havia passado pela porta de aço pesado, resistente o suficiente para bloquear a água, e a mesma se fechado quando se dera conta de que o companheiro não estava mais ao seu lado.

   - Não!!! RAVI!!! – Bruno socou o ferro em desespero, vendo o loiro caído no chão e a onda vir impiedosa, através da pequena janela circular.

   Ravi segurava o tornozelo deslocado, com os olhos fechados em dor e uma mão no pingente em forma de Sol, pedindo perdão ao irmão por ter fracassado e escolhido uma profissão que um dia os separaria para sempre. Quando expôs a íris azulada, deparou-se com a água forte, tendo tempo somente para soluçar choroso e murmurar:

   - Adeus, Allan...

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Notas finais do capítulo

Pedras?



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