Foto de Emerilla
Emerilla nível 1
ID: 777249
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  • 01/10/2018

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    Quando me vir fazendo tarefas domésticas voluntariamente, ou seja, sem que alguém tenha insistido arduamente ou que uma visita esteja observando, saiba que estou destruída por dentro e não me pergunte nada, não peça para ajudar, nem com os sentimentos e nem com a louça.

    Quando me vir deitada ou encostada em qualquer canto olhando para um ponto inexistente feito uma idiota, não me interrompa e não me peça para ter ânimo. Bem, as pessoas que precisam saber disso nunca vão saber disso.

    Quando me vir interagindo com o mundo ou com seus indivíduos, saiba que estou lá embora esteja ausente. Estou assistindo tudo de dentro da minha bolha de anestesia.

    Caminho como morta, mas sei que estou viva; não é porque não corro atrás que não me importo, no geral prefiro estar sozinha; não sei como reagir a emoções muito fortes e vou correr para longe quando alguém as causar em mim; quero realizar muitos feitos apesar da sensação de impotência que me habita, existe uma luta constante dentro de mim, na qual me diminuo e incentivo ao mesmo tempo; se alguém entrar em minha vida e depois sair, provavelmente nunca vai entrar uma segunda vez já que meu orgulho é uma montanha e minhas decisões são irredutíveis.

    Gosto de chá, mas quando estou sozinha tenho preguiça de prepará-lo.

    Gosto de chuva, mas a sensação de roupa molhada e grudenta não me agrada.

    Gosto de ler, mas tenho relutância em começar um livro novo porque vou acreditar que devo terminá-lo imediatamente e assim crio um compromisso monstruoso numa atividade que deveria ser divertida.

    Gosto de música, mas tenho relutância em conhecer artistas novos por medo de me apegar e depois desapegar de alguém que nem sabe que eu existo e não vai ligar para a sensação desgostosa que me causa. Mas eu gosto muito de música, então acabo enfrentando essa paranoia na medida do possível.

    Eu não gosto de muitas coisas.

    Apesar de não gostar de muita coisas nesse mundo deplorável, talvez arranje algum argumento contra mim mesma sobre o porquê de gostar e não gostar. Talvez eu apenas não goste do significado. Ás vezes vou fingir não gostar como forma de punição. Vou me contrariar de vez em quando.

    Ninguém deveria precisar me aguentar, eu mesma não me aguento.

    Mas...

    Agradeço a quem não me vê como eu vejo, por uns instantes acredito que não sou tão ruim e então me empenho em tudo que pensava ser impossível.

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