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Unworldly nível 1
ID: 194077
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  • 20/08/2012

  • Você de alguma forma chegou até ela, mesmo que ela não saiba, e talvez nunca venha a saber. E, talvez, nem mesmo você saiba exatamente como chegou lá, mas algo te trouxe ali.

    Seja destino, seja acaso, você está lá.

    Você continua a observá-la, tão quieta, distante... curiosamente convidativa. Diferente também. Não por seus gostos e preferencias e nem mesmo por sua personalidade.

    Por sua essência.

    Não exatamente ela, a essência, diferente, porque cada essência é única. Mas porque ela é pura. Ela gosta de quem é e por isso é imutável. Intocável.

    Você, na sua curiosidade, pergunta quem é ela.

    A resposta, curta e simples, entretanto, sem resquício algum de grosseria ou arrogância é "Não sei".

    Você então continua a perguntar: "Não sabe qual é o seu nome?"

    Ela ri. Um riso inocente. Não perfeito. Talvez um pouco estridente demais e com alguma pontada de estranheza.

    "Eu sei meu nome" ela diz "Mas meu nome não é quem eu sou. Um nome é apenas um nome. Inventado. Talvez até errado, sem que ninguém saiba. Quem eu realmente sou, um nome nunca será o suficiente para descrever".

    Você talvez não entenda. Talvez sim.

    Há muitos talvezes neste lugar.

    "Mas, do que você gosta? O que você faz? Não seria isso quem você é?"

    Ela pensa por alguns segundos, ou é isso o que você deduz de seu silêncio.

    "Não. Essas coisas são apenas escolhas. Eu gosto de livros. De todo tipo. De Agatha Christie a Paula Pimenta. De Jane Austen a Sidney Sheldon." Ela suspira, e você quase pode ver sua imaginação se misturando a suas memórias "Também gosto de filmes. Eu gosto de rir. Gosto de chorar. Gosto de correr na chuva. Gosto de chocolate meio-amargo com suco de limão. De bolachas de chocolate mergulhadas em chocolate quente. De chocolate. De chá de maracujá. Não, de maracujá em geral. De tudo o que é feito de maracujá. Gosto do meu nome, mesmo que ele não seja importante. Gosto de amar. Gosto da ideia de me apaixonar, mesmo que nunca o tenha de fato. Gosto de saber que há um Deus, e gosto da certeza em minha voz quando digo isso. Gosto do país que nasci tanto do país que cresci quanto do país que gostaria de morar. Gosto de dormir, mas mais ainda de acordar. Gosto de observar as estrelas. Eu gosto de viver"

    "E o que faço? Eu também faço muitas coisas. Eu leio. Eu vejo. Eu estudo. Eu escrevo. Mas, principalmente, eu vivo. Acho que é isso o que importa afinal de contas. Viver."

    Você agora se senta ao lado dela, prestando atenção a cada palavra que sai de seu lábios.

    "Mas quem eu sou, é muito mais do que isso. Eu sou tanto aquela garota tímida que não consegue se aproximar de desconhecidos, como aquela que faz amizades em um piscar de olhos. Eu sou aquela que não sabe se dará uma resposta gentil ou irônica até que ela escape de seus lábios. Eu sou aquela que se importa com a opinião de todos ao mesmo tempo em que faz questão de ignorar tudo o que dizem de ruim sobre ela. Do mesmo modo que sou aquela garota nerd-não-tão-nerd-quanto-gostaria-de-ser que tira nota máxima em quase todas as provas, eu sou aquela que faz os trabalhos um dia antes da entrega, ou talvez até uma aula antes. Eu também sou aquela que absolve tudo o que um professor diz e também aquela que conversa tanto a ponto de incomodar. Sou aquela que ama e defende com alma e dentes a língua portuguesa ao mesmo tempo em que deseja ser capaz de poder falar todas as línguas. Sou aquela garota que doa tudo o que é em uma amizade, ao mesmo tempo em que ninguém realmente sabe quem ela é. Porque ela também não sabe. Ela é, ao mesmo tempo, ela mesma, ninguém e todo mundo. Hoje, agora que você está aqui, ela é a garota aberta. Sincera. Calma. Até um pouco sábia. Mas talvez, se você tivesse a achado ontem, tudo o que poderia receber seria um 'Não é da sua conta'."

    E realmente, nem é, você sabe.

    "E isso não te incomoda, não saber quem é?"

    "Não saber quem eu sou é praticamente o motivo de minha existência. Se eu já soubesse tudo sobre mim, qual seria a graça de uma vida tão previsível? Não possuir a capacidade nem de surpreender a mim mesma? Não, não me incomoda. Na verdade, eu amo o fato de ter descoberto que não sei quem eu sou. Só Ele sabe e eu nunca ousaria querer saber mais do que Ele."

    Ela faz uma pausa. Não drama´tica, como se quisesse dar importância a suas próprias palavras. Apenas uma pausa para respirar, porque ela também é humana.

    "Porém, eu sei de duas coisas sobre mim."

    "Quais?" você pergunta, sem saber exatamente se gostará da resposta.

    "Eu sei que sou feliz. E eu sei que amo ser eu, apesar de ainda não saber quem sou."

    .

    .

    Razão de ser

    Escrevo. E pronto.
    Escrevo porque preciso,
    preciso porque estou tonto.
    Ninguém tem nada com isso.
    Escrevo porque amanhece,
    E as estrelas lá no céu
    Lembram letras no papel,
    Quando o poema me anoitece.
    A aranha tece teias.
    O peixe beija e morde o que vê.
    Eu escrevo apenas.
    Tem que ter por quê?

    Paulo Leminski

    .

    .

    “Escrevo porque não posso ter uma metralhadora. Escrevo porque minha alma pede a palavra. Escrevo porque não conseguiria guardar dentro de mim toda fúria ou todo amor. Escrevo porque escuto um grito em todo espaço em branco que avisto. Porque gosto do desenho das letras. Porque posso falar em silêncio. Escrevo como se as palavras aprisionadas criassem uma rebelião dentro da minha cabeça. Como se uma chuva constante de pensamentos inundasse cada caminho entre os miolos do meu cérebro. Como se precisasse da atenção do mundo o tempo inteiro, mesmo contando com a hipótese de que ninguém vá ler. Escrevo porque não posso mudar tudo que não concordo. Escrevo porque existem momentos em que preferia não existir. Escrevo porque minha palavra pode curar ou pode ferir. Simplesmente escrevo porque a escrita detém meu poder. Escrevo com o coração em pedaços. Escrevo quando minha alma brilha. Escrevo quando tenho desejo de morte. Escrevo porque me faz viver.”

    Tico Santa Cruz



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