Naruto, A Criança Hokage:

Autor(es): Yori Sora


Sinopse

E se Naruto, desde sempre, fosse um gênio e se tornasse Hokage aos doze anos?


Notas da história
Naruto não me pertence. Fanfic sem fins lucrativos.



(Cap. 4) Meus Sentimentos Turvos - Parte I:

Notas do capítulo
Pessoal, fico muito feliz que favoritem a fic, mas por favor, deixem comentários tbm! Isso incentiva muito o autor. ;D E obrigado pelos comentários, Hime Kitsune-san. ;D

Minhas mãos tremulavam. A minha mente? Vagava, entre um pensamento e outro, desconexos; eu... o que eu... se eu pudesse ver os meus próprios olhos, encontraria o pavor encarnado neles, trêmulos, incrédulos e fitando a face que ali jazia morta, com o olhar já descolorido. Eu não deveria ser tão forte para fazer aquilo, mas eu sabia que o poder da Kyuubi havia aumentado o meu poder.

 

— Eu realmente... – sibilei para o nada.

 

E gritei. Gritos puderam ser ouvidos por outras pessoas, era o meu desespero – eu havia matado alguém! O meu desespero foi um maior do que qualquer que eu tivesse passado quando menor, ao ser desprezado.

 

— Fugaku-sama! – ouvi uma pessoa gritar. – Seu... – e foi me atacar, com alguma arma, acho que uma kunai. Por reflexo, concentrei chakra fuuton e dei um salto veloz, o chutando na barriga.

 

— Fique longe! – esbravejei. Na verdade, não sentia raiva, aquilo foi um reflexo. Virei a minha pequenina face para a pessoa, que ainda estava de pé, era um homem bem alto, com um colete jounin e um olhar furioso.

 

E, de repente, ele sorriu.

 

— Eu sou um dos Uchiha mais poderosos do clã, pirralho. Você não terá chances contra mim e não pense que me atingirá novamente – ele dizia, convencido.

 

— Me desculpe, eu... – eu pedia, horrorizado; não por medo do homem, mas por pavor pelo que acabara de fazer.

 

— Não adianta, garoto-Kyuubi – ele dizia, invocando uma Shuriken de Vento Demoníaco de um pergaminho. – Você morre aqui.

 

Eu não sentia medo dele, mesmo que talvez não pudesse derrota-lo. Mas tudo bem, eu morreria, era a forma de pagar pela vida que acabara de tirar naquele momento, certo? Fechei os meus olhos, pacientemente, esperando o golpe.

 

A Hinata não precisava de um amigo como eu – nem Shikamaru, Kiba, Shino, Ino e nenhum outro.

 

Eles não precisavam de um assassino com um demônio no corpo que, provavelmente, se tornaria um demônio também. Sorri ironicamente: escapei da morte para chegar até outra, afinal. Me entreguei ao momento, reclamaria tudo que passei ao Yondaime no outro lado, eu pensava, mas eis que ouço a voz de Itachi:

 

— Já desistindo? – ele indagou. Eu não podia ver, com os meus olhos fechados, e nem queria. Ouvi um grito, provavelmente aquele moço havia sido morto. – Você tem amigos, não tem? – eu sabia que ele travava uma batalha contra uns vinte uchihas, enquanto conversava comigo ali e impedia que eles me matassem.

 

— E daí? – eu perguntei. – Eu só os levaria ao Inferno, sou apenas um demônio.

 

— Não penso que seja o caso – ele retrucou, imediatamente. – Você é uma boa criança, só precisa ser melhor educada para os tempos que virão.

 

— Não sou como você – eu respondi. – Você hesita, finge, tenta enganar... já eu? Bem, os meus instintos implicam em lutar e matar, é a pessoa que realmente sou – eu continuava, enquanto ouvia passos fortes até a minha direção e, sentindo a proximidade do cheiro, me levantava e chutava sua face.

 

Ouvi um palavrão vindo dessa pessoa. Rapidamente, a desacordei com uma cotovelada na barriga.

 

— Eu estou exausto dessa luta, deprimido e instável e ainda consigo combater pessoas que deveriam me destruir – eu dizia. – Eu realmente conseguiria morrer agora a pouco, mas você me atrapalhou e agora que a minha mente conhece os horrores de querer morrer, o meu corpo responde, me fazendo combater essas pessoas por instinto – cada palavra era dita enquanto eu lutava contra aquelas pessoas, sem sequer vê-las.

 

— Esse é um belo dom, páreo para uma kekkei genkai como a minha – ele disse.

 

— Você acha? – respondi com uma pergunta. – É dito que o Sharingan é digno do olhar de um demônio e aqui estou eu, alguém que deveria estar se divertindo... mas o que eu estou dizendo? Afinal, eu não mereço estar vivo, pois sou um demônio pior que o Sharingan.

 

— Eu não acho, sobre a última questão em pauta – Itachi replicou, eu já sabia, por instinto, que todos haviam sido derrotados. – Você tem uma genialidade digna do Yondaime Hokage e eu presumo que você saiba sobre a Kyuubi – ele continuava.

 

— E como sei! – respondi, abrindo os olhos.

 

Acho importante ressaltar que estávamos de costas um para o outro e eu evitava olhar tudo ao redor, apenas fitando o céu escuro e nublado.

 

— Eu era uma criança naquela época e naquela noite – Itachi disse –, mas sempre entendi o que o Yondaime queria ao selar a Kyuubi em você, Naruto-kun – ele continuava. – Vá dormir em algum lugar escondido para um uchiha de pé não te matar e depois pergunte sobre o Clã Uzumaki ao Sandaime-sama.

 

— Tarde demais – eu respondi, sorrindo. E tudo que me lembro foi que apaguei totalmente.

 

Mas antes de minha cabeça tocar o solo, sei que alguém me segurara, provavelmente Itachi. Eu sabia também que a vida não era fácil, que eu ainda não havia me despedido dela, que era apenas um desmaio. Tive sonhos confusos, alguns em que Ino me socava duramente na face, me chamando de assassino; Shikamaru virava a face para mim e Hinata caminhava sozinha, me ignorando.

 

Hinata...

 

Hinata... eu tentava chamar.

 

— Não precisa ter medo de mim, Hinata... eu não queria fazer aquilo! – eu corria, desesperadamente, até ela. – Hinata, você me salvou da solidão, então por favor... – eu desistia de correr, parando para chorar. – Por favor, não me deixe só!

 

Dei meu último grito, aos prantos, e acordei.

 

Não me lembro de tanta coisa assim, só sei que estava em um lugar claro. Sei que estava em uma cama de hospital, olhando para a luz branca de uma das lâmpadas – eu ainda estava vivo, o desmaio poderia ser ocasionado pelo stress... me perguntava se já havia amanhecido, não queria ir para a Academia, então trinquei os dentes; uma enfermeira chegou ali, fingindo não me ver e, simplesmente, colocou um copo d’água ao lado da minha cama, na escrivaninha.

 

Antes dela sair do quarto e abrir a porta, eu perguntei:

 

— Estou aqui há quanto tempo?

 

Ela demorou para responder, ainda sem me olhar.

 

— Aproximadamente, trinta dias – ela me disse. – Com licença – continuou, abrindo a porta e a atravessando.

 

Eu fiquei confuso, entrei em coma? Me levantei, ficando sentado na cama, com uma mão na face, abismado... nem senti uma presença ali na janela, até ela falar comigo.

 

— Vejo que finalmente acordou, Naruto! – a voz disse. Sorri sem humor.

 

— Kakashi-ojii-san – eu disse. – Está em missão? – perguntei, simplesmente.

 

— Estava – ele respondeu, de bom humor –, mas decidi passar aqui e ver como o meu pupilo estava.

 

Tirei a mão da face. Graças a Deus, estavam sem minhas luvas que deviam ter manchas de sangue.

 

— Posso entrar? – ele perguntou, já entrando e se sentando ao meu lado. – Além de mim, algumas pessoas vieram te visitar, você tem muitos amigos! Uma pessoa, em especial, vinha aqui todo dia – ele dizia.

 

— É? – questionei com essa única expressão. Sim, Kakashi-ojii-san era o meu amigo anbu (segundo o Kiba, “pervertido”).

 

— Antes que você me pergunte: um Inuzuka, um Akimichi, um Nara, uma Yamanaka, um Aburame, e uma que não parava de vir, aquela Hyuuga – me virei, espantado.

 

— A HINATA?! – gritei. – Ela...

 

— Sim, ela não te abandonou. Todos sabem do que você fez, nenhum deles te abandonou em momento algum, pelo contrário, se preocupavam com você – Kakashi-ojii-san dizia, para depois suspirar. – Não te treino desde os seus sete anos para você entrar em depressão por causa do seu dom de luta, mas eu te entendo.

 

Kakashi-ojii-san já estava sem sua máscara de anbu, sendo que por baixo, vestia outra máscara, que ocultava a maior parte de seu rosto. Mas eu sabia que havia muita compaixão ali, Kakashi-ojii-san sempre foi uma pessoa incrível e sábia.

 

— Nesse mundo ninja, passamos por muitas injustiças e ferimos muitas pessoas – ele dizia, bufando. – A vida de um ninja é toda sobre matar, roubar e destruir sonhos, seus ou de outros: mas eu sei que vocês, os mais novos, podem corrigir os erros de nós, os mais velhos.

 

— Eu... – fiquei sem o que pensar e muito menos dizer.

 

— Deixarei você refletindo – ele me assegurou, era o que eu precisava. – Quando receber alta, vá falar com o Sandaime, é de suma importância; também vá com Itachi-kun e depois se divirta com seus amigos – essa última parte, ele disse de uma maneira terna e divertida.

 

— Kakashi-ojii-san – o chamei. – Antes que vá, me diga: por que você acha que meus amigos não me deixaram só? Eu sou só uma máquina de bater e matar e sempre serei – eu dizia, com amargura.

 

Ele pareceu passar vários instantes buscando que eu mesmo pensasse, quando por fim disse:

 

— Sobre você e sua natureza, isso é algo que você mesmo deve descobrir. E sobre seus amigos, eles se importam com você e aquela Hyuuga, especialmente – ele dizia, enquanto se levantava. – Olhe para a escrivaninha, perto do copo d’água; quem você acha que te mandou isso?

 

Olhei para o lado, vendo um buquê lindamente arrumado, o seu perfume parecia me acalentar, por me lembrar a alguém. Alguém que eu costumava sempre carregar em meus braços, em meu colo, aquela que era a pessoa que eu mais queria proteger, mas que também me fez entender que haviam outros a serem protegidos. Eram flores brancas, camélias que ainda não estavam murchas.

 

— Ela passou hoje e deixou essas novas flores – o meu professor disse. – Vem sendo assim desde que você foi internado com sonhos estranhos.

 

— Tem o cheiro dela... – murmurei, sentindo as flores perto das minhas narinas.

 

— Bem, eu tenho que ir – Kakashi-ojii-san por fim foi até a janela. – Quando receber a sua alta, vá até o escritório. Até mais!


O meu coração já pulsava com um aperto, quando o meu instrutor desapareceu num sunshin de fumaça.


— Hinata... você é mesmo a minha... – eu não consegui terminar de sibilar, já que logo estava chorando.





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