Parajás

Autor(es): Casty Maat


Sinopse

Camus é enviado numa missão durante a feira literária em Paraty, mas fica hospedado na cidade vizinha, Ubatuba, na pousada do tio de Bella. Mas ele e a garota serão levados ao esquecido e passado da mitologia tupi-guarani.


Notas da história
Paraty e Ubatuba realmente existem, como alguns eventos e lugares, porém as situações obviamente não são reais.
Os personagens e temática de cavaleiros do zodíaco pertence a Masami Kurumada, Toei e editoras.



(Cap. 2) Capitulo 2 - Desaparecimentos

Notas do capítulo
Aí temos mais um capítulo! E já tem treta!

#02 – Desaparecimentos

Uma jovem de pele azeitonada tinha ido a uma padaria em Paraty, próximo ao centro histórico. Pretendia tomar um café com leite e comer um pão quentinho. Deliciou-se para então retornar para a feira, a poucos quarteirões.

Ao sair, a rua estava deserta, o que ela estranhou. Mas ignorou, talvez estivessem todos entretidos com as exposições e palestras até ouvir um pio longo, agudo. O som de uma ave de rapina.

Tinha entrado no por do Sol e pareceu que anoitecera rápido, ela olhou para o céu, vendo a ave pousar em sua frente, no meio da rua, um lindo e grande falcão. Apesar da beleza e austeridade do animal, a garota sentiu um arrepio ruim correr a espinha, optando por voltar a padaria.

Mas ao girar o corpo para seguir em direção ao estabelecimento, esbarrou num homem alto, musculoso, olhos afiados e finos com traços indígenas. Os longos cabelos negro e lisos e pinturas corporais que a menina não sabia do que era. Sentia medo, muito medo. Mais medo do que jamais sentira em toda sua vida.

A visão do estranho lhe passava como de alguém indiferente ao sentido da vida, como se emanasse ódio e desprezo puros. Então finalmente seu corpo reagiu e a jovem saiu correndo, mas as pernas só alçaram algumas poucas pernadas para longe do homem e o mesmo surgiu a sua frente.

—Meu deus... Quem é você...?

—Exatamente algo pelo que clama... mortal... – disse esticando o braço em direção a jovem, que congelara diante do medo.

Tudo que sobrou foi um grito de horror da jovem e a pequena bolsa esquecida no meio das ruas de pedras.

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— As autoridades de Paraty estão alarmadas com o desaparecimento de mais uma jovem. Novamente não houve testemunhas. Ao longe, algumas pessoas relataram ouvirem o grito, mas ninguém viu nada. A polícia...

Camus assistia ao jornal matutino com aparente desinteresse, saboreando um café da manhã a brasileira. Mas a bem verdade era que mantinha uma boa concentração no assunto, pois tinha relação com sua missão.

A pousada que o acolhera era simples, mais parecia uma casa de mãe. Gerida pelo senhor Teófilo, o tio da moça que encontrara, ficava não muito longe da ponte que ligava o bairro ao centro e vila de pescadores. O lugar era tranquilo, algo que Camus apreciou profundamente, pois nunca gostou de confusão.

Naquele momento, o ruivo era o único a tomar café, mas no momento estavam hospedados um casal de idosos e um outro rapaz. Camus olhou ao redor, estranhando não encontrar a garota miúda.

—Está procurando a Bella? – indagou uma senhorinha que veio trazer um pouco mais de leite ao francês. – Ela não acorda cedo.

—Ela não veio para ajudar vocês? Que preguiçosa!

—As vezes ela vem mais pra esfriar a cabeça. Ela vive sendo atormentada pelos pais. – respondeu a empregada com um sorriso gentil. – Ela deve ter virado a noite fazendo maratona.

O ruivo ergueu uma sobrancelha em confusão. Maratona? Ela era uma atleta? Bom, não era problema dele a garota, e sim, dela própria.

—Uma tristeza esses sequestros. Desse jeito a feira ficará manchada.

—Há quanto tempo está acontecendo essas coisas?

—Hmmm, Faz um mês, mesmo antes da feira começar. E sempre mocinhas de pele mais morena, índias ou parecidas.

Camus cerrou um pouco o cenho. Então havia um padrão de sequestro. Garotas indígenas. Mas nada lhe vinha em mente senão a possibilidade de alguém tentar trazer a tona algo do passado do panteão esquecido daquelas terras. A senhorinha se afastou, deixando Camus terminar o desjejum.

Ele se levantou e retornou ao quarto. Precisava tentar ligar os pontos com o que tinha. O olheiro informou um cosmo estranho na região, sequestros de meninas indígenas e um panteão sem sinal de vida.

Ao chegar no quarto, suspirou desanimado ao olhar para o celular carregando. 213 chamadas de Milo. Não teve remédio senão ligar para o afobado escorpiniano loiro e sossega-lo. Discou o número e respirou fundo.

A enxurrada veio com tudo, num único golpe. Milo metralhou diversas perguntas e afirmações, e Camus apenas respirava, buscando em oração aos deuses, paciência.

—Mas diz aí, as garotas são bonitas aí? – indagou o loiro no outro lado da linha.

—Milo, com o tanto de perguntas a me fazer, você inclui isso? Sabe que estou em missão.

Milo bufou, descontente com a resposta.

—Alguma pista?

—Ainda não senti cosmo algum, porem está havendo sequestros de meninas indígenas. – respondeu em tom sério. – Se não surgir alguma pista mais substancial, retornarei a Grécia. Não devemos nos meter em assuntos civis.

O assunto se estenderia se não houvesse batidas na porta. Camus inocentemente foi atender ainda durante a chamada, afinal, eles não entenderiam grego.

O problema é que os cavaleiros tinham de estudar muitas línguas.

—Camus! Como está? – era Bella, toda sorridente e gentil. – Espero que tenha gostado daqui.

Milo ouvia a voz feminina e começava a rir. Parecia ser voz de adolescente, talvez até uma jovem mulher.

—Ahn... Bem, sim. Agradeço sua ajuda, senhorita Bella.

—Vocês estrangeiros são todos tão formais? – fez bico. – Está no Brasil, faça como os brasileiros. Gostou do café?

—Bom, o café brasileiro é saboroso. E vocês começam o dia de forma interessante.

—Fico feliz.

Camus reparara nas fortes olheiras. A garota parecia não dormir bem, mas não quis se meter em perguntar, porém sugeriu:

—Deveria descansar melhor. Está com uma aparência cansada.

A garota esticou um pouco as próprias bochechas num gesto um tanto exagerado e teatral.

—Hmmm, eu exagerei nessa maratona. – disse meio baixo a garota.

—Não devia exagerar em corridas noturnas. – disse inocentemente o ruivo.

A frase tão bobinha desencadeou um crise de risadas na morena, fazendo Milo ficar sem entender o por que cargas d’água a misteriosa jovem ria descontroladamente.

—Maratona de séries, faz séculos que parei de me movimentar quando acabou a bolsa da dança. Emenda-se vááááááááários capítulos de séries de TV, saca? – explicou Bella quando conseguiu parar de rir.

Mas aí foi a vez do grego rir tão alto que o aparelho reproduziu o som a ponto da brasileira entender.

—Hey, amigo estrangeiro do ruivão, sabe português? – disse em alto e bom som.

A situação deixara Camus completamente envergonhado. Tinha vontade de desligar na cara, mas ficou tão sem reação diante da cara de pau da garota que travou. Tanto que teve o celular tomado sem quaisquer cerimônia pela garota.

—Ah, um pouco. – respondeu na lata e igualmente cara de pau o loiro. – Aposto que o Camus travou.

—Total, tela azul igual PC pifando! – respondeu a garota, seguido de risadas. – Você vem pro Brasil também? Se vier se hospede aqui também, fui eu quem achou teto pro teu amigo.

—Sério? Vou pensar, tá com cara de ser animado aí. Volta lá pra maratona que depois quero recomendações, senhorita...?

—Bella! E você?

—Milo e...

Foi ai que Camus reagiu, tirando educadamente o telefone das mãos da jovem. A morena ficou envergonhada.

—Desculpa, me empolguei. – disse primeiramente ao ruivo e depois um pouco mais alto pra Milo. – Prazer falar contigo, “inté”! – e saiu dali, deixando os dois a sós.

—Você não disse que tinha uma mina no meio. – inquiriu o escorpiniano.

—Ela é sobrinha do dono daqui e me ajudou. – respondeu já em grego, em tom desanimado.

—Olha que dá vontade de aceitar o convite. Ela é gata? Gostosa?

—MILO! POUR DIEU! Aquiete esse rabo e línguas venenosas!

—Pra defender com afinco deve ser gostosa. A personalidade eu já gostei. – e riu diante do silêncio que conhecia como êxito em provocar o amigo, e então mudou o tom. – Mas falando sério, acho que a treta é boa sim.

—Lá vem você com suas intuições...

—Da última vez eu tinha acertado, como era o nome da brincadeira que o Aldebaran fez no aniversário?

—Pescaria...

—Isso! Eu escolhi e fisguei o melhor peixinho! Levei a melhor cachaça que já tomei! E teve também aquela missão que...

—Ok, entendi. De todo modo preciso desligar, a bateria tá no final.

—Falou, amigão. Mais tarde te ligo.

A ligação findou e Camus ficou um longo tempo sentado na cama. Milo tinha um faro, uma potente bússola para detectar coisas, por mais estranho que parecesse. Era assim desde criança, ele a razão, os fatos... O loiro era a paixão e a intuição. Por isso a amizade vingara e eram um ótima dupla em combate.

—Vou almoçar fora e ir para a tal feira. “E com sorte, talvez encontre um bom livro afinal”.

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A localização da pousada não era longe da ponte que ligava o bairro ao centro. Camus logo chegou à Rodoviária, tomando o ônibus para Paraty. Como sempre, o aquariano parecia alheio, como um turista sério e comum, mas estava atento.

Manteve-se por lá na cidade histórica, acompanhando algumas palestras, até mesmo adquiriu alguns livros fotográficos que achou interessante para a elaboração de contos que gostava de escrever nas horas vagas.

Estava se aproximando do final da tarde e o cavaleiro estava decidido a retornar a Grécia diante de indícios quando sentiu um romper de cosmo. Um cosmo forte, assustador, negro. Correu na direção de onde sentira, e faltando pouco, ouvira uma mulher gritar.

Porém quando alcançou, tudo que encontrou foi penas rajadas caindo ao solo e uma sacola de livros adquiridos caída no chão.

—Então tem alguma coisa acontecendo sim... – pensou consigo. E ao ouvir o barulho de pessoas, Camus saiu em disparada com suas habilidades na velocidade da luz para sair dali e seguir rumo a Rodoviária dali.

Naquela noite, seria ele a alugar o ouvido do melhor amigo.

Notas finais do capítulo
Aguardo vocês




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