This Is My Gang! escrita por Metal_Will


Capítulo 126
Capítulo 126




Capítulo 126 - Há situações onde o amor não é tão lindo assim...

  No dia seguinte, nós cinco estávamos na frente do nossos contratantes, ou melhor, das três pessoas que prometeram não nos bater se conseguíssemos um encontro com a garota que o líder deles estava a fim. A boa notícia e que a tal garota realmente estava a fim.

- E então? O que vocês tem para nos contar? - disse Abel, com a cara de quem REALMENTE esperava boas notícias.

- Bom - Wilson assumiu a posição de responder pelo grupo - Digamos que...conseguimos o e-mail dela!

- Isso é sério?! - Abel praticamente arrancou o papelzinho com o endereço de e-mail da garota das mãos de Wilson. O cara tava mesmo desesperado.

- Calma, Abel - disse Solano - O papel não vai fugir.

- Mas o vento pode levar. Tsc. Deixa eu anotar isso agora mesmo no meu braço para não correr nenhum risco. Caneta! Caneta! Alguém tem uma droga de caneta? - é, ele tava mesmo apaixonado.

- Ca-ham - pigarreou Wilson - Sempre tenho uma caneta.

- Ótimo. Deixa eu anotar. Hehe. Não é tão bonito quanto a letra dela, mas tá valendo. Elisabeterraba? É isso?

- Sim. Beterraba é o nome dela - disse Jorjão.

- Como? - perguntou Murilo.

- Na verdade é Elisabeth - falei - O nome dela é Elisabeth, mas o apelido é Beterraba.

- Ah, entendi, Beterraba - falou Solano - Que apelido, heim?

 Mas Solano não devia ter pronunciado esse tom irônico, não na frente de um apaixonado como Abelardo.

- Não gostei desse seu tom! E daí que o apelido dela é Beterraba, heim? Heim? Eu sempre gostei de beterraba!

- Eu...eu também, Abel - disse Solano - Só achei...diferente..

- Se rir dela, mesmo que em pensamento, tu tá frito - disse ele - Aí, o que mais conseguiram dela além de nome e e-mail?

 O mais inteligente seria dizermos que não conseguimos mais nada. Daí, Abel nos liberava e só depois ele se ferraria ao descobrir que sua amada odeia o estilo de música que ele gosta. O problema é que nem sempre as coisas saem como a gente planeja. No meu caso, quase nunca as coisas saem como eu planejo.

- É...não fugiu muito disso - falei, praticamente pedindo se já podíamos ir embora.

- Isso mesmo - falou Jorjão - No máximo, ela disse que tipo de música gostava e..

- Não! - todos gritamos, mas Abel já havia escutado o pior.

- Sério? Descobriram o som que ela curte? Opa, e aí? Qual é?

 Se disséssemos rock e ele quebrar a cara no encontro, a culpa será nossa e vamos morrer no outro dia. Por isso, tudo que nos restava era contar a verdade. Talvez fosse melhor assim, talvez Abel, como um fiel metaleiro-rockeiro-punk, não compactuasse com as raízes musicais dela.

- Bem...ela gosta de samba e pagode - disse Demi.

 A cara de nojo de Solano e Murilo foi evidente. Eram estilos musicais muito diferentes. Mesmo assim, Abel não se sentiu abelado, digo, abalado. Prometo que é a última vez que faço trocadilhos assim na história.

- Bom... - Abel ponderava, olhando para os lados - É como dizem, né? Ninguém é perfeito.

- Tá louco, Abel? Pagodeira? Podemos conhecer umas gatinhas em shows de metal por aí! Pra quê se envolver com.. - mas Murilo foi rapidamente interrompido.

- Mas nenhuma delas é a Elisabeth, tá ouvindo? Eu não paro de pensar nela, nem um por um segundo! E daí que ela curte outro tipo de música? Não é o gosto musical que vai impedir nossa felicidade!

- Tá falando mesmo sério, Abelardo? - questionou Murilo - Cara! Pagode...samba...é um outro mundo!

- Deixa de exagero. Podemos conviver muito bem, mesmo com estilos musicais diferentes!

- Bom, é meio difícil, mas... - Murilo ainda estaca cético, mas Abel estava apaixonado demais para ouvir essas coisas.

- Não tem nada de difícil. O amor é muito mais do que isso, fala aí?

  Ele poderia continuar pensando assim. Mas se, caso o encontro fosse marcado, e Abel não soubesse de toda a verdade...de novo, a nossa vida estaria em risco.

- Bom - Demi entrou na conversa - O problema é que também descobrimos sobre um ex-namorado dela...

- Ex-namorado? Epa, desembucha aí - engrossou Abel.

- É que...ela tem péssimas lembrança do ex-namorado dela que era roqueiro...então...ela já vai ter uma impressão ruim de você se tentar se aproximar desse jeito.

- Tá falando sério? - disse Abel, com uma expressão nada amigável - Se estiverem tirando uma com a minha cara...

- Mas é verdade! - afirmou Demi - Tente trocar e-mails com ela e confirme.

- Viu só, Abel? - falou Murilo - É besteira tentar se amarrar com uma mina dessas.

- Você fica quieto! - retrucou o líder do trio - Eu vou conversar com ela via e-mail...trocar mensagens...essas coisas. Quero saber mais sobre ela...esse amor é maior do que qualquer coisa, até mesmo do estilo musical.´

- Que lindo! - disse Demi, só para levar uma olhada nada amigável de Murilo e Solano. Ela sorriu amarelo. É...aqueles caras eram mesmo difíceis de lidar.

- Que os deuses do metal tenham misericórdia de você! - exclamou Murilo, mas é fato que Abelardo estava apaixonado. Bem, da nossa parte, a missão estava cumprida. Acho que agora não tínhamos mais nada a fazer por ali, não é? A menos que aqueles três fossem nos procurar de novo. Mas claro que isso só aconteceria se tivéssemos muito azar, não é verdade? Hahaha...até parece que você não acompanha essa história por mais de 100 capítulos!

- E aí? - disse Abel, chegando com sua gangue diante do nosso pacato local dos nerds na hora da entrada.

- Opa. Se não são nossos amigos do peito! - falou Wilson, com um certo temor na voz. Será que a conversa dele com a Beterraba, ops, Elisabeth, não deu certo?

- Só queríamos contar as novas - falou Abelardo - Eu consegui um encontro com a Elisabeth.

- Conseguiu? Aí! Temos um novo casal no Megatec! - comemorou Demi, batendo palminha de felicidade.

- Mas tem um probleminha - falou Abel - No meio da conversa por chat, ela acabou entrando no assunto música.

- Mesmo? E o que você fez? - perguntou Wilson.

- Disse que gostava de samba e pagode! Tem noção do horror que é para alguém como eu sequer digitar isso! - falou Abelardo.

- É...isso é um problema - falou Wilson, pensativo e com a mão no queixo - Não seria melhor ter dito a verdade?

- Cale-se! - gritou Abel - Apesar disso, eu continuo adorando aquela garota! Mas...mas...acabei assumindo um compromisso terrível de me encontrar com ela em algum lugar que toque...toque...essa música que ela gosta! E o pior: eu fiquei de combinar o local!

- Ah, qual o problema? Tem vários por aí - disse Demi.

- O problema - falou Murilo - É que nós sequer conseguimos nos aproximar desse tipo de lugar..é como...é como pedir para um vampiro entrar numa igreja!

 É. Fazia sentido. O excesso de paixão pelo heavy metal havia deixado aqueles caras totalmente avessos a qualquer estilo de música alheio. E agora? O que eles podiam fazer? Ou melhor, eles nada, o que nós tínhamos a ver com aquilo?

- Err...nós sentimos muito - falou Wilson - Mas não tem muita coisa que possamos fazer, tem?

- Vocês prometeram me ajudar a conquistar a garota, não prometeram? - disse Abel.

- Sim. E já conseguimos até um encontro - falou ele - E em menos de uma semana. O que é melhor do que isso?

- Mas meu relacionamento com ela ainda não está definido, então...até eu conquistá-la ou até eu levar um fora. Vocês vão ter que me ajudar! - disse Abel, com uma expressão nervosa e amedrontadora que realmente nos faria ajudá-lo (por medo, é claro).

- N-Nós?! Bom, mas o que podemos fazer? - perguntou Wilson.

- Por sorte, o tio do Murilo aqui tem um barzinho.

- Na verdade é um boteco - corrigiu Murilo.

- Mas ele vai dar um jeito de ficar parecendo um barzinho apresentável - falou Abel - Então, um lugar já temos.

- O problema é arranjar um grupo para fingir que toca pagode - disse Solano - Só assim alguém como o Abel poderia ficar sem passar mal, já que ele sabe que é tudo armado.

- Entendi - disse Karina - Se for armado, Abelardo não se sentirá afetado por estar em um ambiente musicalmente desconfortável aos próprios ouvidos. Psicologicamente parece fazer sentido.

- Sim. Só precisamos achar um grupo que consiga se passar por pagodeiros - completou Abel.

- É, isso vai ser difícil - comentei - Quem poderia fazer uma coisas dessas? E além disso..

 Mas fui interrompido ao ver os olhares dos três punks nos encarando de um jeito estranho...Não. Não, não, não, não, não e não! Mas por mais que eu negasse mentalmente, naquele sábado lá estávamos nós cinco, devidamente disfarçados de um grupo de samba aleatório. 

- Estou com tanta saudade da peça dos Saltimbancos - comentei, tentando ajeitar meu bigode loiro falso e segurando um pandeiro, um dos instrumentos que Demi arranjou de sua antiga escola de teatro.

- Até que esses óculos escuros ficam bem em mim - falou Jorjão - Apesar da correntinha ser esquisita.

- Tocar essa viola não parece ser tão difícil - falou Karina, também de óculos escuros e bigodes falsos - Mas não acha que precisaríamos de mais tempo para ensaiar?

- Relaxa - falou Wilson - O playback perfeito que eu arranjei com aquele software de mixagem de som perfeito que eu arranjei vai nos salvar!

 Nem preciso dizer que Wilson era a figura mais bizarra daquele grupo. Sua camisa listrada, óculos escuros acima dos olhos e peruca meio morena, meio loira, me faziam evitar olhar para ele o tempo todo.

- Tá legal, gente - disse Demi - Vocês só precisam fingir que tocam. Deixem comigo que eu canto!

 Demi seria nossa vocalista (e por isso, o único disfarce dela era uma peruca loira). Por sorte, ela era uma ótima cantora, caso contrário, estaríamos ferrados. O que estou dizendo? Já nos ferramos!

- Até que vocês estão bem - disse Murilo - Agora é só esperar o Abel chegar com a mina dele. Ai, ai, o que ele tem na cabeça?

 O que a gente faz para não apanhar, não é? Quero só ver no que vai dar esse encontro!



Notas finais do capítulo

Como essa confusão toda acaba? Aguardem o próximo capítulo! ;)
PS: Nada como uma semana de feriado para adiantar a história, não é?



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