Fix You escrita por BastetAzazis


Capítulo 4
Capítulo 4




Fix You

Escrita por: bastetazazis

Disclaimer: Para quem ainda não sabe, os personagens de Naruto pertencem a Masashi Kishimoto e nenhum lucro será obtido com esta fanfiction. “Fix You” pertence ao Coldplay.

“- Desculpe, Sasuke – Naruto respondeu com a voz baixa e triste. – Mas eu acho que preciso ficar sozinho um pouco. Eu vou estar em casa se precisar de alguma coisa.”

-4-

Naruto passou o resto da tarde pensando na Sakura. Ele sabia que ela amava o Sasuke e que provavelmente nada mudaria esse sentimento, mas jamais imaginara que ela tinha cogitado abandonar o Time 7 para fugir junto com ele. Pela primeira vez, estava se sentindo traído. Estava acostumado a ver a Sakura mais preocupada com o Sasuke que com ele, a vê-la chorando pelo Sasuke ou tirar forças sem saber de onde quando era o Sasuke quem precisava de ajuda. Mas jamais havia passado por sua cabeça que ela seria capaz de deixar de lado os laços com seus amigos para seguir um caminho que considerava errado.

Ele tanto havia invejado o Sasuke por ser o alvo do amor da Sakura. Agora, a perfeição daquele amor que ele tanto desejava para si tinha se quebrado, e Naruto se viu perdido, sem entender seus próprios sentimentos. Não podia odiar a Sakura, não podia odiar o Sasuke. Sofria ao ver Sakura dando tudo de si por um amor que Sasuke tinha medo de aceitar, mas não tinha mais certeza se gostaria que aquele amor fosse dirigido a ele. Sakura era sua amiga mais querida, mas já não ocupava mais aquele altar de idolatração que ele construíra em sua mente quando era mais jovem.

Jogando o corpo sobre a cama, Naruto tinha o olhar perdido no teto. Sasuke havia comparado a atitude da Hinata com o pedido desesperado da Sakura para fugir junto com ele. Mas ele sempre evitara encontrar a Hinata sozinho porque tinha medo magoá-la ao confessar que, embora agradecido, não podia aceitar seu amor porque estava destinado a idolatrar uma Sakura que ocupava sua mente com um sentimento platônico. Hinata o amava, como a Sakuta ama o Sasuke; e provavelmente estava sofrendo por amar alguém que aparenta gostar de outra pessoa. E ele entendia muito bem aquele sofrimento porque sempre acreditou amar a Sakura, que ama o Sasuke. Desde quando ele havia se transformado naquela pessoa tão má, capaz de fazer a Hinata Hyuuga sofrer sem merecer? Ele odiou o Neji no dia que este machucou a herdeira dos Hyuuga apenas para medir forças entre o clã. Deveria se odiar também, por ser o responsável por um sofrimento ainda maior numa menina que só merecia reconhecimento por tudo o que lutara?

Reconhecimento... Era tudo o que ele queria quando era um garotinho órfão, odiado por carregar dentro de si um monstro que ele não sabia controlar, e que nem sabia que existia. A Hinata não era diferente dele, talvez por isso ela tinha lhe chamado tanta atenção no Exame Chuunin. Ela podia ter nascido numa família importante, no papel de futura líder de um clã poderoso, mas tudo o que ela queria era o reconhecimento pelo seu próprio esforço. E ele, Naruto, que tanto sabia o quanto este reconhecimento era importante, estava negando isso a ela...

- Isso não pode ficar assim! – gritou decidido, sozinho em sua casa, depois que deixou a cama num único pulo.

Segundos depois, os habitantes de Konoha que estavam fora de suas casas puderam observar Naruto Uzumaki caminhar imponente, sem olhar para os lados ou sequer duvidar de seu intento, em direção à entrada do Distrito Hyuuga. Entretanto, ao parar na frente de dois Hyuugas que guardavam a entrada do grandioso distrito recém reconstruído, Naruto sentiu o coração acelerado.

- Estou aqui para falar com a Hinata-chan... –sama... –san... – afirmou, indeciso e tentando adivinhar qual seria o tratamento mais correto a usar.

Os dois Hyuuga o olharam com estranheza, mas Naruto era o atual herói da vila, obviamente que o deixaram entrar, acompanhando-o até a casa principal.

Quando foi deixado sozinho na entrada, Naruto avaliou a enorme casa, a rica decoração e a beleza dos jardins que circundavam a residência mais linda que ele conhecera. Hinata certamente estava acostumada com o luxo e o bom gosto, e ele se pegou indagando internamente como ela podia levar a sério um “dobe” como ele. Sua confiança havia diminuído mais um pouquinho.

- Então é verdade. Naruto Uzumaki está na minha casa – a voz de Hiashi Hyuuga soou do meio da sala. – O que você quer com a minha filha, Naruto-san?

Foi então que Naruto lembrou como a figura de Hiashi Hyuuga, o líder do clã, podia ser ameaçadora.

- Eu... eu... – ele começou desviando os olhos do seu interlocutor, quase desistindo do seu intento.

O olhar desviado, entretanto, acabou caindo na figura que mais povoava seus pensamentos nos últimos dias. Os olhos perolados, escondidos na divisória semi-aberta do cômodo, pareciam ansiosos. Ele tinha que agradecê-la por tudo que fizera por ele, mesmo que indiretamente.

- Eu vim aqui para agradecer a Hinata-sama por ter salvo a minha vida – disse, encarando Hiashi firmemente. – Se hoje Konoha me reconhece como herói, nada do que eu fiz teria acontecido se antes a Hinata não tivesse enfrentado o Pain sozinha para me libertar.

O chefe do clã pareceu admirado com as palavras de Naruto. Um brilho de orgulho surgiu em seus olhos quando ele respondeu:

- Minha filha agiu como um verdadeiro Hyuuga, defendendo a vila que nos abriga. Vou transmitir seu agradecimento a ela.

Hiashi deu as costas para se retirar, deixando um Naruto atônito atrás de si.

- Ei! Espere aí! – o loiro hiperativo gritou, indignado. – Eu vim aqui para falar com a Hinata!

O chefe do clã Hyuuga parou e virou apenas o rosto, com o cenho franzido.

- Minha filha está treinando. Eu já disse que lhe transmitirei o agradecimento, mas não irei deixar que ela interrompa seu treinamento para receber uma visita que não teve nem a consideração de se anunciar com antecedência. Tenha um bom dia, Naruto-san.

Naruto ainda procurou em desespero pelo par de olhos perolados que o espiava pouco tempo atrás, mas eles haviam sumido quando Hiashi abriu a divisória para se retirar. Desolado, só lhe restou deixar o distrito, imaginando se Hinata havia ao menos ouvido as palavras que dissera ao pai dela.

O sol já tinha começado a se por quando ele cruzou os portões, mas não estava com vontade de voltar para casa ou mesmo de parar no Ichikaru para um delicioso lámen de porco. A impotência perante a grandeza do Distrito Hyuuga o deixara ainda mais indeciso quanto seus reais sentimentos por Hinata. Desanimado, sem querer encontrar ninguém pelo caminho de volta a casa, Naruto seguiu pelo lado de fora do distrito, caminhando por algumas árvores na beira do rio que circundava o local, pensando na diferença dos mundos separados pelo muro entre ele e Hinata.

Finalmente ele decidiu se sentar, apoiando as costas no tronco de uma árvore. Fechou os olhos e se concentrou na energia da natureza a sua volta, como tinha aprendido para conquistar o modo sennin. Os ouvidos se aguçaram para perceber os ruídos do leve balançar das folhas, dos répteis pequenos que fugiam da sua presença, dos pássaros que voltavam aos ninhos, do rio que continuava a correr...

- Naruto-kun – uma voz o chamou baixinho.

Naruto pensou se tratar da sua imaginação, que naquele momento só queria encontrar Hinata.

- Naruto-kun – a voz insistiu, mais forte.

Naruto abriu os olhos, atento. Já estava escuro, e ele só conseguiu virar o rosto em direção a quem lhe chamava quando ouviu mais uma vez:

- Naruto-kun!

Agora ele tinha certeza: a voz era da Hinata, e não era fruto da sua imaginação. A garota estava encolhida perto do muro; a penumbra só permitiu que ele a visse depois de dar alguns passos em direção a sua voz.

- Hinata-chan! – ele a chamou, com alívio na voz. – Eu tentei falar com você, mas seu pai não deixou e...

- Eu sei – ela o interrompeu. – Eu ouvi o que você disse para ele. Mas você não precisava ter vindo me agradecer... Eu só fiz o que achei certo.

Naruto estava admirado com a imagem a sua frente. Com apenas um restinho de sol avermelhado para iluminá-la, Hinata parecia muito diferente da menina estranha que ele estava acostumado a encontrar. Mas não era a luz, Naruto sabia; Hinata parecia mais amadurecida, mais confiante. De repente, as palavras dela antes de enfrentar Pain vieram a sua mente, e ele considerou se aquele novo comportamento não era culpa sua.

- É claro que eu tenho que lhe agradecer! – Naruto retorquiu. – E ao mesmo tempo, tenho que lhe pedir perdão.

- Perdão? – Hinata estranhou. – Você não fez nada para mim que precise de perdão, Naruto-kun.

- Hinata... – Naruto tentou começar, procurando as palavras. – Você salvou a minha vida, mais que isso, você... Você recuperou meu desejo de viver, de lutar, com as suas palavras. E eu só posso lamentar não ter palavras tão bonitas para você.

Hinata sorriu.

- Você não precisa me dizer palavras bonitas, Naruto-kun. Basta continuar sendo a pessoa maravilhosa que sempre foi. 

Ao contrário do que geralmente acontecia nas conversas entre eles, desta vez foi Naruto quem enrubesceu.

- Eu não sou essa pessoa maravilhosa que você pensa – ele respondeu, cabisbaixo.

Hinata ficou em silêncio, os olhos atentos esperando que Naruto elaborasse sua resposta. Ele soltou um longo suspiro, baixando o olhar para o chão.

- Eu sempre invejei o Sasuke – disse, baixinho. – Eu queria tudo o que ele tinha... As boas notas, o orgulho dos senseis, o... o amor da... da Sakura... – Os olhos se levantaram para examinar como Hinata reagira ao ouvir sua confissão, mas ela continuava imóvel e silenciosa, apenas atenta às suas palavras. – Quando ele deixou a vila, eu fui atrás dele porque eu precisa mostrar que era capaz de conseguir tudo o que ele tinha, e não fazia sentido eu treinar para ser um ninja melhor sem ele para competir comigo. Tudo o que eu fiz, foi puro egoísmo...

Hinata baixou a cabeça, num gesto que Naruto não entendeu se significava que ela havia compreendido o que ele dissera, nem se ela estava ou não decepcionada com ele. A idéia de que talvez ele tivesse acabado de decepcioná-la pesou em seu coração.

- Naruto-kun... – ela começou, encarando o chão – você ama a Sakura-chan?

A pergunta direta o pegou de surpresa. Ele abriu a boca para responder, mas Hinata o interrompeu antes que ele pudesse lhe dar qualquer explicação:

- Não precisa se preocupar comigo, Naruto-kun. Não vou mentir dizendo que não vou sofrer ao ter certeza dos seus sentimentos pela Sakura-chan, mas é melhor que ficar sonhando com algo que nunca poderá se realizar. Apenas me diga a verdade.

Ela o encarava com seriedade. Naruto sentiu que ela parecia ainda mais forte que no dia em que a viu encarar sozinha o homem que quase destruiu toda a vila. Ele não podia mesmo mentir para uma pessoa tão maravilhosa.

- Eu não amo a Sakura.

Hinata prendeu a respiração e deixou soltar um leve suspiro de alívio. Quando percebeu sua reação automática, a Hyuuga enrubesceu, e se encolheu ainda mais contra a parede do muro.

- Mas eu também não sei explicar o que sinto por ela – Naruto continuou. – Por isso eu relutei tanto em falar com você depois daquele dia... Eu não posso amar você, Hinata... Você não merece um cara que não consegue entender os próprios sentimentos, cheio de defeitos como eu – concluiu, desanimado.

A Hyuuga o considerou, com os enormes olhos perolados quase tão desanimados quanto o herói da vila, parado a sua frente.

- Você está enganado, Naruto-kun – disse. – Eu não sou esse ser perfeito que você acabou de descrever. Eu não pensei no meu clã quando corri para enfrentar o Pain-san. Meu pai estava longe, e eu era a única herdeira... Não podia correr o risco de morrer ou ser seqüestrada, sob o risco do clã se desfazer... Eu fui uma péssima líder... Não medi a diferença de nível entre o meu oponente... Não pensei em nenhuma estratégia para enfrentá-lo... Eu apenas fiz...

Naruto levantou a cabeça para olhar para Hinata e contestá-la, mas ela não o deixou falar.

- Eu fui irresponsável – Hinata continuou, com a voz firme. – Mas eu não fiz isso pensando em obrigá-lo a gostar de mim, Naruto-kun. Eu sempre gostei muito de você, não me importo se o consideram o herói da vila ou só um desajustado. – Ela levantou o braço e levou a mão até o peito de Naruto. – Você é o que carrega aí dentro. E não importa o que você diga, eu sempre vou lutar para proteger essa pessoa que você é.

Quando Hinata começou a deslizar a mão para retirá-la do peito de Naruto, ele a segurou. Ele estava sorrindo, com os olhos cheios de lágrimas, lutando para que elas não escorressem enquanto Hinata estivesse na frente dele.

- Eu também gosto muito de você, Hinata-chan – respondeu, quase sem pensar. – E também vou sempre lutar para proteger você. Eu já prometi isso uma vez, e agora eu prometo que vou manter minha palavra!

Hinata sorriu.

- Agora eu tenho que ir, Naruto-kun. Meu pai acha que eu ainda estou treinando – a menina explicou, tirando sua mão de baixo das mãos de Naruto.

O loiro a deixou partir, observando os longos e brilhantes cabelos pretos balançarem na fraca luz da lua que começava a surgir no céu. Ele estava sonhando, ou tinha acabado de se declarar para a Hinata Hyuuga?

Continua...



Notas finais do capítulo

Para mais informações sobre atualização desta ou outras fics minhas, acessem o blog: http://bastetazazis.blogspot.com/