Simple Love escrita por Katy Clearwater


Capítulo 2
Capítulo um





Capitulo um:

     O ring ring do meu despertador estava me enlouquecendo. Eu sabia que tinha que acordar e que se eu chegasse atrasada mais uma vez estava no olho da rua, mas nada disso amenizava meu cansaço.

    Levantei e arrumei Josh no travesseiro para ele não sentir minha falta. Era a terceira noite essa semana que dormíamos no chão da sala, mas era melhor assim. Eu não queria deixar meu filho dormindo com um bêbado imprevisível como o Mike. Preferia ficar com ele no chão da sala e deixar o quarto vago para quando o Mike chegasse embriagado pudesse ir para lá sem perturbar ninguém, ou caso perturbasse fosse apenas eu e não Josh.

    Fui na ponta dos pés até o banheiro, tomei um banho rapidamente e escovei os dentes. Peguei a primeira roupa que vi no armário, já que também não queria acordar Mike, e voltei para sala. Josh ainda estava dormindo, então terminei de me arrumar e fui até a cozinha. Com as duas últimas fatias de pão e os resquícios de manteiga de amendoim fiz um sanduíche para Josh levar para escola. Separei o sanduíche e uma caixinha de leite que eu “peguei” no trabalho e coloquei numa sacola de papel para que ele pudesse pôr na mochila.

    Depois de terminar minha primeira missão, fui para segunda e mais trabalhosa: catar moedas pela casa para ir trabalhar. Eu precisava mesmo chegar no horário porque se eu não conseguisse um adiantamento hoje não sabia o que ia fazer nem para Josh jantar. Era impossível ir andando do Brooklin para o centro de Manhattan, mas eu estava bem próxima a essa necessidade. Se essa casa dependesse do Mike estaríamos mortos de fome há muito tempo. Ele só paga o aluguel do condomínio porque o apartamento é dele e ele ainda quer ter onde dormir depois de se embebedar, se não fosse isso já estaríamos morando na rua também. Merda!

    Na minha “catação” de moedas consegui 0,25 cents e isso não dava nem para comprar bala. Sentei no sofá já a ponto de chorar e sem querer derrubei o controle da TV fazendo com que Josh acordasse. Ele levantou assustado pensando que estava acontecendo alguma coisa, mas seus olhos se acalmaram quando me viu sentada no sofá.

- Tá tudo bem amor, vem cá. – o puxei do chão e ele veio sonolento sentar no meu colo.

- Pensei que tinha saído sem mim. – ele coçava os olhos tentando dispersar o sono.

- Está cedo amor. Porque você não dorme um pouquinho mais e eu te chamo na hora de você ir para escola? – beijei seu cabelo e ele me encarou com os olhinhos ainda pequenos de sono.

- Mãe você não tinha que chegar cedo no trabalho hoje?

- Sim amor, mas eu ainda tenho umas coisas para fazer. Dorme mais um pouquinho. – desviei o olhar do dele para não chorar e o pus no chão para poder ficar de pé.

    Sem que eu o notasse Josh passou por mim e pegou sua mochila que estava largado no chão do hall de entrada. Ele colocou a mochila em cima do sofá e começou a mexer nela como se procurasse algo. Quando me movi para perguntar o que ele fazia Josh segurou minha mão formando uma concha com ela e a encheu de moedas.

- Filho o que é isso? – as lágrimas caíram sem que eu pudesse evitá-las.

- Seu aniversário tá chegando e eu tava juntando para te comprar um presente, mas é melhor eu te dar para você ir trabalhar pro seu chefe não brigar com você. – ele sorriu meigo para mim e depois voltou para sua mochila guardando tudo que tinha tirado dela.

- Filho, mas é seu. E como você sabe que eu preciso de dinheiro? – eu chorava de vergonha e de tristeza. Eu era uma péssima mãe.

- Mãe você me disse que tudo que é seu é meu então nada é meu é nosso. E se você não precisasse já teria ido porque você está quase atrasada. – ele me abraçou pela cintura e com isso eu fiquei sem argumentos.

     Respirei fundo e limpei as lágrimas que corriam sozinhas. Coloquei Josh no banheiro para ele se arrumar para ir a escola e depois voltei na cozinha para ver se eu consegui alguma coisa para dar café a ele. Consegui juntar dois restos de cereais de caixas diferentes e um pouco de leite. Coloquei numa tigela e deixei na mesa para ele. Enquanto ele comia arrumei a cama e coloquei tudo no armário da sala.

    Eu achava engraçado como apesar da nossa vida perturbada Josh era uma ótima criança. Ele cresceu rápido demais para o meu gosto, isso é verdade. Mas ele era meu melhor amigo e só tinha cinco anos. Ele sabia tudo que eu pensava sem mesmo que eu o dissesse e mesmo com todos os defeitos do Mike nunca desprezou ou rejeitou o pai.

- Terminou? – perguntei quando o vi soltar a colher.

- Sim. – ele balançou a cabeça confirmando o que dizia e pulou da cadeira.

    Coloquei o casaco nele e saímos para a manhã fria que fazia. Nós não morávamos num dos melhores bairros da cidade. Não era o pior, mas também não era tão bom. Enfim, razoável para realidade de Nova York e destoando da minha realidade financeira. Mesmo com os “poréns” eu preferia deixar Josh sozinho no ponto de ônibus do que deixá-lo sozinho em casa com o Mike.

    Depois de deixá-lo no ponto fui, literalmente, correndo para pegar a última barca que me deixaria no trabalho a tempo. Cheguei no último segundo para pegar a barca, quase tive que pular dentro dela, mas consegui. Cheguei ao trabalho ainda com vinte minutos de antecedência e fui direto ao RH.

    Bati na porta da sala do meu encarregado, Jared, e aguardei que ele me respondesse.

- Entre. – a voz masculina me deu o aval que eu esperava.

    Arrumei o cabelo, que estava todo alvoroçado devido à correria, e respirei fundo antes de girar a maçaneta.

- Bom dia, Jared. – entrei primeiro olhando pela porta semi-aberta e depois com o corpo.

- Bom dia, Isabella. – ele indicou a cadeira para que eu sentasse a sua frente.

- Então Jared? – recusei o convite de me sentar e fiquei de pé próxima a cadeira que ele havia me oferecido.

    Mesmo com a minha meia pergunta ele já sabia ao que eu me referia e suspirou antes de me responder.

- Bella você vai ter que falar com o Sr. Black. Ele deu ordem para que todo adiantamento passe direto por ele. Problemas com as folhas de pagamento se é que você me entende. – eu desabei sentada quando ele me disse isso. Todo mundo tinha medo do Sr. Black, inclusive eu.

- Droga! – exclamei revoltada e chorando.

- Ordens do cara Bella. Se eu pudesse te ajudar sem essa intervenção você sabe que já estaria na mão. – Jared se desculpava com o olhar e eu o entendia.

- Tudo bem. Eu vou lá falar com ele. – sai da sala do Jared aos prantos já me preparando para imenso não que iria receber.

    Jared era um cara legal. Ele e a Ângela foram os únicos amigos que fiz desde que vim de Forks para Nova York há oito anos. O Jared não sabia da minha situação com Mike, mas com certeza desconfiava do que se passava na minha vida. Eu trabalho aqui servindo café e fazendo serviços gerais há três anos e nunca vi o Sr. Black pessoalmente até hoje, mas as recomendações não eram as melhores. Inclusive do próprio Jared.

    Nosso prédio era pequeno, apenas cinco andares. Todo prédio pertencia ao Sr. Black, eu trabalhava no escritório mais conceituado de Design no estado. Irônica essa posição porque eu vim para Nova York fazer curso de Design e agora eu sou a moça do cafezinho de um escritório de Design. Suspirei cansada da minha vida e tristemente lembrando a minha derrota quando o elevador parou no 5° andar.

    Sai e andei arrastando os pés pelo imenso corredor que levava a única sala do andar inteiro. A sala DELE! Assim que cheguei ao corredor, Ângela, que era a secretaria do “cara”, veio em minha direção.

- Oi Bells. O que faz aqui? – ela perguntou intrigada pela falta do carrinho de café.

- Oi Ang. Eu vim falar com o Sr. Black. – falei com a voz baixa e arrastada e os olhos dela se arregalaram com o susto.

- Falar o que? – ela perguntou.

- Eu preciso de um adiantamento e o Jared disse que só com ele. – apontei para a porta da sala do dito cujo e meu corpo arrepiou-se involuntariamente.

- Ai Bella. Eu acho que eu tenho algum dinheiro. Eu te empresto. – a Ang voltou nervosa para sua mesa procurando algo, provavelmente a bolsa.

- Não, Ang! Eu não tenho pão, nem leite e nem nada de nada. Hoje eu não tinha dinheiro nem para vir trabalhar. Eu preciso mesmo disso. – enfatizei minha necessidade e ela suspirou derrotada.

- Bella eu vou te anunciar, mas eu não sei não. – a Ang parecia mais nervosa que eu com essa conversa.

    Ela interfonou para sala do “terror” e colocou no viva voz.

- Sr. Black, a Isabella está aqui e deseja falar com o Senhor. – a voz da Ang tremia um pouco enquanto falava.

- Mande-a entrar.

    Antes que Ang o respondesse ele desligou. Ficamos as duas boquiabertas por alguns segundos, mas logo nos recuperamos. Ang ajeitou mais o meu cabelo e sorriu tentando me animar quando eu abri a porta da sala.

    Assim que entrei ele acenou com a mão para que eu me sentasse na cadeira a sua frente. Ele estava enterrado em enormes papeis que assim que me aproximei percebi serem projetos dos outros designers que ele avaliava. Sentei na cadeira e fiquei calada observando-o analisar os desenhos. Ele parecia estar bem descontente com os resultados porque a cada folha que virava fazia uma careta diferente.

- Ótimo! Tá tudo uma merda. – ele murmurou para si e ergueu apenas os olhos para me encarar. – Pode falar, estou te ouvindo.

   Abri a boca, mas o som não saiu. Fiquei totalmente intimidada diante da sua arrogância. Respirei fundo, concentrei meus pensamentos no Josh e tomei um novo impulso para falar.

- Eu pedi um adiantamento, mas o Jared disse que eu teria que falar diretamente com o Senhor. – ele largou os papéis e recostou na cadeira para me encarar.

- Quanto você ganha atualmente? – ele perguntou com um tom desinteressado.

- $1.135,00 dólares Senhor. – respondi intimidada pelo seu olhar.

- Acima da média salarial dos auxiliares de serviços gerais atualmente. Certo? – ele arqueou a sobrancelha me analisando.

- Sim. – abaixei a cabeça e involuntariamente me encolhi a cadeira.

- E mesmo assim quinze dias depois do pagamento você quer solicitar um adiantamento? – ele recostou sobre a mesa.

- Sim. – eu podia jurar que se me sentisse menor do que agora logo estaria do tamanho de um rato.

- Tudo bem. Mas queria sua opinião sobre esse desenho primeiro. – ele apontou para um tripé no canto da sala onde tinha o esboço para um carro.

- Quer mesmo que eu diga o que acho? – apontei para o desenho com cara de espanto, mas ele confirmou fazendo um sinal afirmativo com a cabeça.

   Levantei contando os passos e me aproximei do desenho. Assim que o fiz soube exatamente o que ele queria escutar, no rodapé do desenho estava a assinatura: Jacob Black. Ele queria um elogio para massagear o ego e eu tinha que dar.

   Eu tinha que dar o elogio mesmo sabendo que o desenho não estava tão bom assim. Concentrei-me o máximo para dizer algo, já que nunca fui boa mentirosa.

- Está bom. – murmurei sem encará-lo.

    Ele levantou da mesa e andou vagarosamente até parar ao meu lado encarando o desenho.

- Tem certeza? Sinto dúvida na sua voz. – ele era algum tipo de vidente ou algo assim? Eu nem olhei para ele só para o desenho. O troço não estava perfeito, mas eu disse bom e bom estava sim!

- Pode ficar perfeito, mas está bom. – amenizei minhas palavras e ele virou-se para mim com um sorriso sereno.

- É! Eu também odiei. – ele sorriu abertamente e voltou para sua mesa. – De quanto é o adiantamento que você precisa? – ele perguntou enquanto sentava.

- De $400,00 dólares. – falei um pouco animada demais, mas logo me contive.

- Aqui. – ele me estendeu o vale com sua assinatura. – Pegue o dinheiro com o próprio Jared.

- Obrigado. – peguei o papel rapidamente e sai da sala com o passo apressado.

    Assim que sai da sala Ang veio em minha direção. Ela parecia tão ansiosa quanto eu e ao invés de falar preferi mostra-lhe o vale. Ela me abraçou e nós duas só faltávamos pular de alegria como duas crianças.

- Eu fiquei tão nervosa. – Ang me soltou e parecia respirar mais aliviada agora.

- Eu também. Ele não é grosso, mas realmente assusta. Amiga, eu vou correr para não começar a fazer as coisas tarde. Hoje eu tenho que passar no mercado. – sai correndo, literalmente, pelo corredor e Ang acenou um tchau para mim.

    Eu tinha muitos problemas na vida, mas só a alegria de contornar o problema de agora já me fez sentir melhor.



Notas finais do capítulo

N/A: Olá povo lindo, obrigada pela aceitação a fic só com o prólogo *-*. Eu sei que ele ficou confuso, mas vocês vão entender...

rsrsrs. Bjks, Katy Clearwater


N/B: Quando a Katy me contou da fic eu quase surtei!Agora que eu li/betei estou mais tranqüila... Só porque eu já sei o que vai acontecer depois e vale MUUITOO à pena saber!kkkkkkkkkkk

Então é isso... Mandem muitos reviews para afoguear a autora e ela não agüentar e liberar o próximo para vocês!*suspira*

Beijo galera.

Alemorais.

Obs: Preciso dizer que estou sorrindo de orelha a orelha betando mais uma fic da Katy? Acho que não né?kkkkkkkk