Di Nascosto escrita por Katy Clearwater


Capítulo 1
Capítulo um





NOITE DE SAUDADE

"A noite vem poisando devagar

Sobre a Terra,que inunda de amargura...

E nem sequer a bênção do luar

A quis tornar divinamente pura...

Ninguém vem atrás dela a acompanhar

A sua dor que é cheia de tortura...

E eu ouço a Noite imensa soluçar!

E eu ouço soluçar a Noite escura!

Por que és assim tão escura,assim tão triste?!

É que,talvez,o Noite,em ti existe

Uma saudade igual à que eu contenho!

Saudade que eu sei donde me vem...

Talvez de ti,ó Noite!...

Ou de ninguém!...

Que eu nunca sei quem sou,nem o que tenho!!"

Florbela Espanca



Capítulo um:


      Pensei em escrever várias historias, mas porque não essa? Não é muito romântica ou para fazer grande alarde, mas se o objetivo é contar uma historia porque não uma que me marcou.

       Nada disto fala sobre mim, mas me afeta de formas inexplicáveis. Afeta os seres humanos normais, assim como os seres místicos que nos cercam. Eu sou normal, mas muitas pessoas contidas aqui e as quais vão ter esse relato como lembranças vivas na nossa época não serão. Enfim, deixe-me começar.

       Era só mais uma tarde na tão tranqüila cabana dos Cullens. Rennesme tinha acabado de completar seis anos, ou seja, aparentava por volta dos quatorze anos de idade. Bella se preocupava cada vez mais com o desenvolvimento exacerbado da filha, sabendo que logo seu desenvolvimento iria ter fim. Um fim definitivo como o dela e pronto, acabava ali! Rennesme seria eterna, assim como ela, assim como Edward e assim como todos os Cullens.

       A idéia de ser eterna não incomodava Bella, mas lhe trazia a sensação estranha de... Estagnação. Isso! Essa seria a palavra para descrever o que Bella sentia no momento. Nada nunca mudaria depois que a transformação de Rennesme fosse completa. Nada nunca mais mudaria para ela. Nada! E um vazio a frente começou a tomá-la.

       Nessas horas ela mesma pensava em como, agora, era seu máximo desejo que nada deixasse de mudar. Mas um dia seu máximo desejo era estar com Edward e que sua sede de sangue não interviesse nisso. Ela alcançara seu primeiro desejo e porque agora o nada a incomodava como agulhas cravadas em baixo da unha constantemente? Era como se sentisse falta de algo que nunca mais sentiria em toda eternidade. Dor! A palavra dor era tão distante para ela como essa sensação. E novamente estagnação.

– Oi princesa! – a voz aguda e alegre enchia os ouvidos dela. Jacob!

– Jake, Jake, Jake. – a menina saia gritando pelas escadas como se não tivesse sido ouvida no primeiro berro.

– Oi, Jake. – ainda sentada no sofá da sala Bella encarou sua linda menina abraçando seu melhor amigo.

       Melhor, a palavra fazia seu estômago dar voltas quando pensava em quanto Jacob a dizia que seria melhor para ela. Mas lá estava ele, ainda em sua vida e agora ele não era mais seu sol. Ele era o sol dela. Ele teve um imprinting por ela. Um imprinting pelo meu bebê. Os olhos dela pegavam fogo ao lembrar-se de voltar para casa de sua primeira caçada e ver que havia ganhado seu melhor amigo para sempre, mas que a filha ganhará um grande amor assim que nasceu.

– Bella, eu posso levar a Nessie no cinema? – a voz de Jake indicava seu biquinho de cachorro sem dono bem atrás dela.

– Claro. – ela respondeu o encarando e realmente seus olhos se depararam com um lindo biquinho se formando em um lindo sorriso.

     Os dois saíram a deixando sozinha com seus pensamentos sendo consumidos por um sentimento amargo. Algo que ardia na boca do seu estômago e tinha gosto de bile. Algo que fazia seu coração arder de ódio muito mais que Jane Volturi. O ciúme.

     Jake e Nessie eram os melhores amigos que se pode imaginar. Quando completou dois anos o pai a contou sobre a condição de Jake em relação a ela. A mãe era contra, afinal ela era apenas uma criança e o que crianças sabem sobre amor? Mas Nessie sabia desde o primeiro instante que Jacob a amava e seria seu para sempre. Sendo assim o imprinting foi apenas à confirmação de seus sonhos dourados com seu cavaleiro andante chamado Jacob Black.

     Jake percebeu Nessie o encarando desde que deixaram à cabana, mas não quis incomodá-la com conversa. Diferentemente de Bella, Nessie não tinha a mínima dificuldade para falar e se quisesse dizer algo teria lhe dito assim que saíram de casa.

– O que vamos ver? – a menina pulava animada no banco do carona.

– O que você quiser. – ele respondeu com um sorriso sincero, mas viu a animação do seu lado murchar.

– Não! Você escolhe e eu escolho onde a gente come. – Jake sorriu com a cara levada que a criança com meio chiclete mastigado entre os dentes lhe mostrava.

– Ok! Mas se eu morrer quero que saiba que foi onde comemos e que você escolheu o que causou isso. – ele disse maldoso e escutou um bufar seguido de risadinha vindo do seu lado.

– Tá bom. – simples e rápida. Assim era Nessie.

      Os dois foram ao cinema e viram um filme de terror. Assim como previsto a menina deixou a sala do cinema com os nervos à flor da pele e andando mais agarrada ao Jake do faria normalmente. Os dois comeram uma pizza, já que mesmo não apreciando muito comida humana Nessie fazia questão de acompanhar Jacob em todos os seus modos comuns.

      À volta para casa foi mais animada e Jake ouvia atentamente os planos da menina para sua festa, primeira e única, de aniversário. Alice organizaria tudo e parecia ser a noite mais linda que uma menina poderia sonhar. A festa seria no seu aniversario de sete anos, ou seja, quando seu corpo terminaria por completo o desenvolvimento. Ainda faltava um ano para essa fatídica data, mas Nessie aguardava ansiosamente como se nesse dia ela pudesse se dizer finalmente adulta. Nesse dia ela realizaria seu nítido desejo de beijar e abraçar Jacob, mas só nesse dia.

– Que bom que está animada com isso. – Jacob disse abrindo a porta do carro para que a até então menina descesse.

– É. – ela respondeu sem jeito e desceu do carro aproximando seu corpo de Jake.

     Como sempre ele a abraçou paternalmente e os dois adentraram a cabana que era seu lar.

      Edward e Bella estavam na sala de música. Enquanto Edward arranhava uma canção no piano sem necessariamente querer tocá-la, Bella ainda devaneava sobre suas possibilidades abandonadas numa outra vida.

       Ela sentiu o cheiro deles, mas não fez questão de se virar e encarar a filha abraçada a Jacob. Não precisava disso para perturbar mais ainda sua mente. As mãos, não mais tão frias, que envolveram seus braços fizeram as dúvidas ficarem turvas. O que não significava exatamente que se emanciparam.

– O que te preocupa? – a voz doce de Edward acariciava seu pescoço.

– Ela está crescendo tão rápido. – afirmou com a voz carregada de tristeza.

– Eu sei. Mas sabíamos que seria assim. – seu marido beijou seu ombro com delicadeza, mas ela se esquivou.

– Sabíamos? – seus olhos amarelos se acenderam, mas logo tentou se acalmar. A dor estampava o rosto de quem mais amava.

– Você tem estado bem arredia comigo. – o marido abaixou os olhos e ela sabia que era melhor matar o assunto ou brigariam.

– Onde eles estão? – perguntou referindo-se a Jacob e Nessie.

– No quarto dela. – Edward respondeu frio e voltou para o piano.

       Um ódio profundo lhe consumiu. Como assim sozinhos no quarto? Respirando fundo e tentando ser tomada por uma calma que há muito havia abandonado seu ser Bella permaneceu sentada. Voltando para dentro de si, tentava entender o que se passava em sua mente de uns tempos para cá.

        Andava sentindo falta de memórias que agora insistiam em ficar borradas na sua mente. Fazia muito não via a mãe e sentia falta daquele abraço. Nunca mais sentiria o calor do sol californiano ou a água gelada do mar lhe causando calafrios. O pai pouco a visitava e devido a seus hábitos noturnos mal se cruzavam mesmo estando tão perto um do outro.

      Coisas simples como o gosto da água escorrendo por sua garganta lhe faziam ter vontade de chorar. Mas as lágrimas não estavam mais lá. Nunca estariam no seu corpo morto. Bella levantou os olhos e deparou com um Edward melancólico e arrasado. Pensou em lhe dizer algo, mas as palavras faltavam tanto na sua mente como no seu coração.

       Como se nada pudesse ficar pior seu cheiro a aplacou. Ela sempre gostará do seu cheiro, mas agora seus sentidos aguçados a faziam se arrepiar com mais facilidade com ele.

– Eu vou indo. Boa noite. – Jacob se despediu com um breve aceno e deixou a casa fria dos Cullens.

       Para Bella agora era uma casa fria e ela se dera conta, tarde demais, que o seu incomodo vinha disso. Ela amava Edward mais que sua alma, mas porque ela não permaneceu humana o amando? Esse amor não teria mudado se depois de seis anos a horrível verdade não estivesse gritando na sua porta... Estagnação.

       Rennesme cresceria e se passaria por uma humana normal. Ela iria à faculdade com Jacob e casaria. Passearia na praia, sentiria o mar e ainda teria Jacob. Teria a vida que ela se recusou a ter com Edward. Ele teve um imprinting pelo seu bebê. Seus olhos cravaram sobre Edward, seu marido com eternos dezessete anos. Estagnados no tempo, congelados para sempre... E logo todas as pessoas que conhece estarão mortas.

– Edward... – sua voz saia com dor e num piscar de olhos ele estava a sua frente envolvendo seu rosto com as mãos.

– Eu tive medo que um dia se sentisse assim. – ele falou com dor e a abraçou com carinho.

– Como pode saber como eu me sinto? – raiva e medo impregnavam sua voz, mas ele suspirou sobre sua pele.

– Seus olhos dizem tudo de você que eu preciso saber. – Edward levantou o rosto da esposa, mas o vermelho de suas maças não estava lá e isso o fazia despedaçar por dentro.

– Eu te amo. Acho que é só uma fase. – Bella envolveu novamente o pescoço de Edward com seus braços e os aproximou.

– Eu sinto muito. – ele murmurou contra os lábios de sua amada.

     Edward sabia que era uma fase. Ele mesmo passará por ela. Mas isso é o que ele estava tentando evitar ao recusar o pedido dela quando quis se tornar vampira, quando quis ter um bebê mesmo sem saber o que poderia ser que crescia dentro dela e até mesmo quando não quis tomá-la com sua mulher enquanto humana. Tanto receio para agora de qualquer forma estar amparando em seus braços a tristeza de sua amada.

– Não sinta. – ela disse depois de um longo silêncio.

        E assim ficaram abraçados sem pressa, já que tempo era algo que nunca iria lhes faltar.



Notas finais do capítulo

N/A: Bem amores, mais uma curtinha ^^. Espero que gostem da hístoria, pela primeira vez estou postando sem decidir o fim...rsrsrsrs. Não se aproveitem para fazer campanhas do mal. Mas eu vou logo avisando para as fãs da Nessie não se animarem muito, por enquanto eu ainda estou num: Pode ser. Então eu quero reviews para saber o que vcs acharam. E se me apedrejarem me escondo atrás do muro com os caps de todas as fics e ainda solto os cachorros...rsrsrsrs. Dramática! Mas vcs sabem que eu sou assim ^^.
Bjks, Katy Clearwater