A Missão Final escrita por Gaia


Capítulo 14
Sentimentos




Sakura arregalou os olhos e abriu a boca, completamente incrédula.

- O serial killer que matou mais de cinquenta homens?! – ela perguntou com a voz trêmula.

Sasuke apenas fez que sim com a cabeça e saiu do carro, abrindo a porta de trás em seguida.

– Eu-eu achei que ele estava preso. – ela falou tentando se conformar que estava na frente da casa de um serial killer.  – Me desculpe, mas eu não entendo como entrar na casa de um assassino vai me ajudar a fugir de outros.

Sakura cruzou os braços e não saiu do carro, decidida de que aquilo era uma armadilha de Sasuke ou uma péssima idéia. Este, já impaciente, pegou o braço da rosada e a arrastou para a porta, que estava visilmente desgastada.

- Não encare muito a cicatriz. – Sasuke avisou, com uma mão na boca dela, impedindo-a de reclamar.

Ele suspirou e bateu na porta. Ao ouvir um movimento vindo de dentro da casa, soltou Sakura, que imediamentamente endureceu seu corpo, tensa. Ela pensou em correr, mas sabia que não era capaz de fugir de dois assassinos profissionais, então apenas esperou pacientemente a porta abrir e ver qual era o destino que a esperava.

A porta abriu fazendo um rangido e rasgando algumas teias de aranhas. Era impossível enxergar a figura que apareceu, a luz da lua só refletia parcialmente os cabelos brancos e arrepiados.

– Kakashi. – Sasuke falou ao notar os cabelos.

- Uchiha? – o outro perguntou surpreso. – O que está fazendo aqui?

- Você me deve. – o moreno murmurou.

Kakashi não respondeu, apenas abriu espaço para que eles entrassem e só então notou a presença de Sakura, que estava tremendo ao lado de Sasuke. Kakashi ergueu as sombrancelhas e tentou não estranhar a companhia do Uchiha.

- Sentem-se. – ele pediu quando já estavam todos na sala.

Ao contrário do exterior, a sala era totalmente limpa e organizada. Sakura localizou o sofá e esperou Sasuke sentar-se para fazer o mesmo.

Finalmente teve a oportunidade de olhar para o serial killer que tanto temia quando adolescente. Ela o encarou e, apesar de estranhar a máscara que cobria metade de seu rosto, achou que ele aparentava ser um homem normal. Procurou a cicatriz a qual Sasuke havia mencionado, mas não encontrou.

 - No que posso lhe ajudar, Sasuke? – Kakashi perguntou tentando ignorar Sakura, que ainda estava o encarando.

A rosada desviou o olhar um pouco decepcionada, afinal, estava esperando uma aparência medonha. Finalmente seus olhos rolaram para Sasuke, ela também queria saber a resposta da pergunta de Kakashi.

- Abrigo. Eu preciso ficar aqui até completar minha investigação. – o Uchiha respondeu sério.

Kakashi arregalou o olho que não estava coberto e soltou um pigarro.

– Que tipo de investigação necessita uma estadia como a minha? – ele perguntou curioso. Sasuke não era do tipo que pedia ajuda se não fosse realmente necessário.

O moreno apontou para Sakura com o olhar e Kakashi entendeu na hora o que ele queria dizer.

- Senhorita… - Kakashi falou se aproximando da rosada.

– Ha-haruno. – ela gaguejou amendontrada.

– Senhorita Haruno, creio que você está cansada por causa da viagem. Você pode se acomodar no andar de cima, no segundo quarto a esquerda. – ele disse sorrindo por trás da máscara.

Ela percebeu imediamente o que estava acontencedo, mas estava tão assustada que não contestou. Foi até o carro, pegou a sua mala e se dirigiu para o aposento indicado por Kakashi.

Entrou no quarto e se espantou com a beleza do lugar, era muito estranho para ela a casa de um assassino ser tão bem arrumada e bonita. A aparência exterior a impressionava menos que a interior.

Sakura respirou fundo, apesar de ter dormido o caminho todo, ainda estava cansada. Não fisicamente, mas psicológicamente. Olhou em volta e pensou no que faria a seguir. Sem nenhuma idéia, resolveu arrumar seus pertences no quarto, presumindo que ficaria algum tempo ali.

“Até ele completar sua investigação.”, ela pensou insatisfeita. O que significava aquilo? Milhares de perguntas vieram a tona na mente de Sakura e ela ficou frustada em pensar que não sabia responder nem metade. Mas havia uma que se sobressaia sobre as outras, era a que mais a incomodava.

– Por que eu? – ela sussurrou para si mesma. Não entrava na sua cabeça o fato de a quererem morta, ela nunca havia feito mal para ninguém.

Um tanto impaciente, resolveu descer e beber água. Já nas escadas, começou a ouvir as vozes de Sasuke e Kakashi na sala e não resistiu, se posicionou furtivamente no corredor que dava da sala para a cozinha e encostou a orelha na parede.

– Você sabe que isso não é possível, se esse fosse realmente o motivo, Itachi iria fazer questão de te ajudar. – Sakura ouviu dificilmente a voz de Kakashi através da parede.

- E é exatamente por isso que eu quero descobrir a verdade. Por que ele não me falaria o real motivo? Eu nunca hesitei em matar pessoas por motivos banais. – Sasuke disse, fazendo Sakura se arrepiar e temê-lo mais do que já temia.

- Talvez ele não saiba. Você entende, depois da morte de seu pai, aquela organização nunca foi a mesma. Ou melhor, depois que Uchiha Madara entrou no controle. Ele obviamente está manipulando o seu irmão. – Kakashi refletiu analisando os fatos.

 – Isso é rídiculo, mesmo que tenha outro motivo, Madara não seria tão burro para mandar o Itachi me falar que a Haruno ajudou a matar meu pai. Era óbvio que eu iria estranhar. – Sasuke disse indiferente, fazendo com que Sakura colocasse as mãos na boca, para evitar um gritinho histérico.

– Que eu me lembre você não chegou a falar com o seu irmão sobre isso depois que descobriu, certo? Talvez ele mentiu para você matá-la logo, e só depois iria te contar o motivo… - Kakashi falou pensativo.

Sakura afastou a cabeça e subiu as escadas exasperada. Deitou-se na cama e ficou pensativa, apenas mais perguntas surgiram em sua cabeça, aquilo foi inútil. Nem mesmo Sasuke sabia porque a queriam morta e ela agradeceu com todas as forças o fato dele querer saber a verdade e não matá-la como fez com as outras pessoas.

Por um momento, ela sentiu pena do Uchiha. Pelo que ela havia ouvido, ele não tinha pai, o seu irmão era problemático e obviamente também não tinha mãe. “Ele é sozinho.”, pensou triste.

Ouviu alguns passos no corredor e saiu do quarto, esperando encontrá-lo. Felizmente, era ele quem estava andando, pronto para entrar no quarto ao lado.

- Que foi? – ele perguntou impaciente quando a notou o encarando.

Sakura se aproximou lentamente, olhou para baixo e soltou os braços, que estavam cruzados. Por um momento desistiu da idéia e suspirou. Levantou a cabeça para dar alguma explicação e encarou os olhos ônix que sempre a hipnotizavam. Imediatamente, ela sentiu um calor percorrendo a sua espinha, este, penetrava na sua pele sem a esquentar, tornando aquela sensação única, e perfeitamente confortável. Assim, a sua idéia inicial voltou a tona e sem hesitar novamente, envolveu Sasuke em uma abraço.

- Sinto muito. – ela sussurrou em seu ouvido.

“Sinto muito pelos seus pais, pela carta que eu mandei te xingando – que você não deve ter recebido, senão teria comentado -, sinto muito por ter feito você vir até aqui só pra descobrir mais sobre mim…”, ela pensou desejando que ele pudesse ler pensamentos.

Sasuke estava completamente congelado, ele não sabia o que falar, nem pensar. A rosada o soltou, deu um pequeno sorriso envergonhado e voltou para o seu quarto, deixando Sasuke totalmente atônito, imóvel no meio do corredor.

Ele perdeu a noção do tempo, não sabia dizer se passou horas ou minutos apenas parado ali, totalmente perplexo. Nada lhe vinha a mente, ele simplesmente não sabia o que pensar.

Sasuke desconhecia o carinho, ele não se lembrava da última vez que alguém havia o abraçado daquela forma, de um jeito tão puro, suave, verdadeiro. Apenas havia uma vez que fora abraçado assim, e foi nos seus oito anos, pela sua falecida mãe. Ele deixou que aquela lembrança o dominasse e sentiu um pingo de felicidade, um que havia perdido faz muito tempo.

Um ruído interrompeu sua nostálgica lembrança. Ele se sobressaiu e olhou para o local a que seu ouvido informava. Por um instante, pensou não ser nada, mas observou novamente com mais atenção e notou um pequeno pingente rolando pelo assoalho. Curioso, aproximou-se e o pegou.

Conhecidentemente, o pingente era uma cereja. Ele bufou insatisfeito com a ironia pregada pelo destino e guardou-o no bolso, esperando a oportunidade de devolvê-lo para a dona, que supôs ser Sakura. Não saberia como encará-la depois daquele momento importuno, ele certamente não seria capaz de agradecer e muito menos de fingir que nada aconteceu.

Resolveu entrar no quarto que lhe foi designado por Kakashi, esfriar a cabeça e planejar o que faria no dia seguinte. Conversar com Sakura seria uma opção inegociável, ele não podia se dar ao luxo de evitá-la e deixar as perguntas, que martelavam frequentemente em sua mente, sem respostas.  

Convenientemente, o sentimento passado através do abraço recebido anteriormente fez com que ele esquecesse todos os seus problemas e, pela primeira vez em muito tempo, dormisse em paz.

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Sakura se encontrava encostada na porta, que parecia absorver todo o calor que ela sentira à minutos atrás. Ela ofegava nervosa e a cor vermelha não abandonava seu rosto.

“Ótimo, ele vai achar que eu sou uma pervertida. Não, maluca.”, ela pensou se condenando. A idéia de ir ao quarto dele e pedir perdão crescia cada vez mais na mente dela, mas algo a impedia. O mesmo que a impedia de ir lá e gritar com ele sobre seu comportamento misterioso e frio.  

“Ele é um assassino. Acho que ele tem que ser misterioso e frio.”, Sakura se convenceu, acreditando fielmente em seus pensamentos. Ela suspirou derrotada e cambaleou até a cama, precisava descansar de toda aquela loucura que a cercava.



Notas finais do capítulo

Oooi, ai mais um capítulo, tomara que tenham gostado, eu coloquei um romance mais sutil, o lance é aos poucos quando se trata do Sasuke. AOUIEHUIAE

Os reviews abaixaaaram no último capítulo, poooxa, quero saber se estão gostando, e se não estiverem, quero saber o que eu posso mudar. Então comentem ok?

Mesmo assim, obrigada a todos que deram reviews *---*

Beeijoos :*



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