Lua Minguante escrita por Mandy Blanche


Capítulo 5
Capítulo Quatro


Notas iniciais do capítulo

Obrigada pelos reviews pessoal!
Aproveitem o capitulo.
Beijos




Bella POV

Acordei cedo, parecia que ainda era madrugada, acho que todos ainda estavam dormindo, já que eu não ouvia ninguém conversando. Cansada de ficar na cama me levantei e comecei a andar pela casa.

A casa era enorme, parecia mais uma mansão, e tinha um lindo estilo vitoriano. Depois de muito andar entrei em um lugar que parecia ser uma biblioteca. Era enorme com alguns sofás e varias estantes de livros - o que me parecia incrível - e também tinha um lugar cheio de bebidas.

Comecei a olhar os títulos dos livros nas estantes, tinha muitos aqui, talvez eu pudesse pedir alguns emprestados para eles. Continuei olhando livros por um bom tempo, só que ao passar pela mesa algo me sobressaltou. Era uma foto, só que não qualquer foto, a foto era antiga, do ano de 1864 de uma garota chamada Katherine, isso seria totalmente normal para mim já que eles eram vampiros, só que a garota da foto era idêntica a Elena.

A foto estava em minhas mãos e eu tive que sentar em um dos sofás para não cair por causa do meu assombro. Será que Elena sabia disso? E se sabia qual seria a ligação das duas? Porque realmente a semelhança das duas era assombrosa.

– Esta acordada – disse uma voz ao meu lado. Quando a ouvi pulei de susto.

– Você me assustou – disse para Damon, então percebi que ele olhava para a foto que eu tinha na mão.

–Ai desculpe! Eu estava olhando os livros então eu vi essa foto e... - fui parando de falar quando percebi que não havia motivo aparente alem da curiosidade para olhar a foto

– E ficou curiosa – ele completou com um sorrisinho divertido nos lábios

– Acho que é isso. Mas eu realmente não quis bisbilhotar – disse em tom de desculpas

– Não foi nada – ele disse

Então se instalou um silencio desconfortável, ate que eu realmente não agüentei a curiosidade e perguntei:

– Quem é ela?

– É uma vampira – disse com uma voz inexpressiva, mas eu podia muito bem perceber a dor oculta em seus olhos.

– Onde ela esta? – perguntei

– Eu não faço a mínima idéia, ate poucos dias eu acreditava e ela estava presa em uma tumba de baixo da terra, mas não estava. Nunca esteve – disse ele. Era impossível não perceber a dor enorme que isso o causava.

– Pode me contar. Algo me diz que eu vou te entender – disse em um tom compreensivo

Ele olhou para mim por um tempo. Parecia que podia ver minha alma, e eu não neguei isso, minha alma já não era a mesma a um bom tempo, e eu também queria que ele confiasse em mim, não sabia o porquê, mas queria.

–Era 1864, eu e meu irmão morávamos aqui em Mystic Falls mesmo, nossa família era uma das fundadoras. Um dia ela se mudou para a cidade, ela dizia ter ficado órfã, os pais haviam morrido em um incêndio. Então ela começou a passar um tempo em casa, e foi se aproximando de mim e de Stefan. Ela ficava com nós dois, só depois de um tempo ela nos contou o que era.

“Ela podia controlar nossas mentes, ela sempre controlou a de Stefan, só que nunca precisou fazer isso comigo, eu já a amava. A amaria de qualquer jeito – disse ele sorrindo – Eu e meu irmão acabamos nos unindo mais, afinal amávamos a mesma mulher.Mas eu sempre pensei que ela só transformaria a mim no final,ela já estava me alimentando com seu sangue e me ensinando como era ser como ela, afinal ela não poderia ficar com nós dois para sempre.Depois de um tempo nosso pai veio pedir nossa ajuda.Muitos assassinatos estavam acontecendo,ele já sabia o que era que estava matando as pessoas.”

“Eu e Stefan estávamos calmos, Katherine tinha o mesmo anel que a gente que a permitia ficar no sol, e isso a deixava livre de suspeitas. Só que um dia Stefan teve a idéia de falar para nosso pai sobre Katherine, só que eu consegui tirar essa idéia da cabeça dele, meu pai tinha ódio dos vampiros e se ele soubesse sobre Katherine ele mesmo enfiaria uma estaca no coração dela. Só que um dia Katherine estava com Stefan e eu tinha saído um pouco. Já era de noite e percebi que tinha uma agitação pelas pessoas, foi ai que percebi que estavam capturando os vampiros. Eu fui correndo para casa e vi Katherine sendo amarrada e presa, meu pai havia colocado verbena na bebida de Stefan e isso tinha passado para o sangue dele, foi assim que meu pai descobriu que Katherine era uma vampira, verbena é uma erva que nos deixa fracos.”

“Depois eu e Stefan ate tentamos salva-la, só que nos acabamos levando tiros, que vieram de nosso próprio pai. No outro dia eu acordei em uma cabana que ficava por aqui mesmo, Emilly, que era a criada de Katherine, e que também era uma bruxa, e tinha feito um anel que me protegeria do sol igual ao de Katherine. Eu aproveitei isso e fui tentar encontrá-la. Eu não tive como salva-la, a igreja aonde tinham colocado os vampiros, estava queimando em chamas. Eu pensei que ela havia morrido. Eu deveria beber sangue humano se quisesse completar a transformação, tudo nos forçava a nos alimentar, nossa cabeça doía, a garganta ardia e muitos outros incômodos. Só que eu não queria me transformar, o único motivo que eu tinha para isso, eu pensava que não existia mais.”

“Só que ao contrario do que eu costumava pensar, ela também havia transformado Stefan, só que ele não a amava de verdade. Então ele se transformou e depois me fez beber sangue para continuar vivendo. Só que eu já odiava meu irmão, achava que ela tinha sido pega por causa dele, na verdade ainda acho isso. E fiquei com raiva dele por ele ter sido transformado por ela, e o prometi uma eternidade miserável. E cumpro isso ate hoje. Só que depois Emilly me contou que havia protegido Katherine e todos os outros vampiros. Eles estavam debaixo da igreja em uma tumba. Eu passei anos tentando abri-la, eu só consegui a algumas semanas, Elena, Stefan, Bonnie e sua avó que são bruxas também me ajudaram”

“Só que ela não estava lá dentro. Nunca esteve. Ela sempre soube que eu havia virado vampiro, só que nunca me procurou, ela havia fugido.”

Eu fiquei em silencio absorvendo tudo que ele havia me falado. Quando eu olhava para ele eu não via mais o vampiro que tinha me salvado, nem o cara que Elena me disse que era perigoso. Eu só conseguia ver a dor imensa que o machucava, só um homem que havia sido enganado. Eu o entendia. Ele havia entregado seu coração a Katherine sem receios mesmo sabendo o que ela era, havia passado 145 anos pensando em salva-la só para descobrir que ela nunca o havia amado.

A dor dele era tão grande, e me machucava. Era uma conexão muito estranha, parecia que a dor dele era minha dor. Eu olhava para ele e só queria arranjar um jeito de acalmá-lo e o ajudar a superar isso como eu queria que isso acontecesse com a minha própria dor. E sem pensar em mais nada, eu o abracei.

No primeiro momento ele ficou paralisado, mas depois também me envolveu em seus braços. Eu o abracei forte querendo que com isso sua dor passasse. Mas depois de um tempo eu percebi, que o abraço dele me dava uma sensação de estar completa, como se entre aqueles braços fosse o meu lugar, e eu para minha surpresa tive realmente a vontade de ficar ali para sempre.


Damon POV

Eu havia acabado de contar tudo para Bella. Eu não sei o porque.Eu confiava nela,era como se nós tivéssemos uma conexão que nos deixava ligados um ao outro.

A dor que eu estava sentindo era enorme. Foi torturador e ao mesmo tempo libertador falar tudo isso para alguém. Só que isso não mudava o fato de que eu estava machucado.

Estava esperando ela me falar alguma coisa, eu olhava nos olhos dela e parecia que ela compreendia a minha dor, me fazendo sentir que eu fiz certo em contar isso a ela. Só que o ela fez em seguida me chocou. Ela me abraçou.

Eu fiquei paralisado por um momento, afinal as pessoas não costumavam mais me abraçar, mas depois a envolvi em meus braços e isso pareceu tão certo. Eu me esqueci de tudo, ter aqueles braços ao redor dos meus ombros era totalmente reconfortante. Ela parecia querer me curar com aquele abraço, como se ele pudesse fazer minha dor sumir. E funcionou, pois a única coisa que eu conseguia pensar era naquela garota que eu tinha em meus braços, que nunca um abraço havia sido tão bom, e em como aqueles braços me envolviam com carinho, e em como parecia que o lugar dela ela justamente ali...Nos meus braços, e me passou pela cabeça que eu realmente queria que ela ficasse ali para sempre e não me soltasse nunca.

Então me lembrei de algo. Ela estava me ajudando, só que eu sentia que ela também precisava de ajuda. Lembrei-me de ela chorando a noite.Ela provavelmente não se lembrava, mas enquanto ela dormia eu percebi que a dor dela também a dilacerava por dentro,e eu a via em seus olhos, parecia que parte dela havia sido arrancada.Então me lembre de um nome,um nome que ela havia falado enquanto dormia.E antes que eu pudesse me controlar a pergunta já havia saído de minha boca.

– Quem é Edward? – eu perguntei e a senti se encolher em meus braços

– Ele foi... alguém que eu amei muito – disse depois de dar um suspiro – Na verdade ainda amo.

– O que aconteceu? – perguntei

– Ele me deixou – ela disse com dor na voz

– Por quê? – perguntei com irritação. Como alguém podia machucar uma pessoa tão... doce

– Eu não era boa o bastante para ele – disse ela

– Como? – perguntei incrédulo. Eu apesar de conhecê-la há pouco tempo achava que era difícil alguém merecê-la, como ela podia achar não merecer alguém?- Acho isso difícil Bella

– Não é não. Ele era um vampiro Damon – disse ela tão baixo que se eu fosse humano não teria escutado – E eu sou só mais uma humana para ele.

– Por que não me conta tudo? – eu disse incapaz de falar outra coisa.

Ela hesitou por um momento e então começou a me contar tudo. Quando ela terminou eu pude ver que ela estava segurando os soluços, e eu vi o quanto doeu para ela reviver tudo.O pior de tudo era que ela ainda amava aquele vampiro ...o tal do Edward, e que provavelmente se ele a quisesse de volta ela não hesitaria e correria para os braços dele.Eu estava revoltado,aquele vampiro devia ser muito retardado para não amá-la...Eu tinha vontade de destroçá-lo só por ver esses olhos chocolates cheios de dor.

– Ele não a merece – disse sereno, segurando a minha raiva

– Eu acho isso difícil – disse ela respirando fundo. Ela parecia estar tentando não desmoronar.

– Não seja ridícula! – disse nervoso – Você é a garota mais forte, corajosa e verdadeiramente boa que eu já conheci!Aquele vampiro fajuto é que não a merece e nem é bom o bastante para você!

– Fajuto? – perguntou ela com um traço de humor na voz. Olhei para ela e expliquei feliz por meu bom- humor ter tirado um pouco da dor daquele rosto de anjo

– Sim, fajuto!Assim como meu irmão. Sangue de animais? – disse incrédulo – Onde já se viu vampiros tomando sangue de animais. Como eu disse... são fajutos!

– É para preservar a humanidade deles – disse ela compreensiva com aqueles vampiros falsificados – Mas perai! Se você não toma sangue humano o que você toma? –perguntou de olhos arregalados

De repente então me bateu uma insegurança. Eu iria falar a verdade a ela, mas e se ela se afastasse?Pela primeira vez em todos esses anos eu não estava tão certo sobre o que eu queria ser.

– Sangue humano – disse devagar

Ela olhou para mim por um tempo de olhos arregalados, e eu vi muitos sentimentos passa por aquelas poças de chocolate: medo, insegurança, tristeza e preocupação. Mas quando esse flash de emoções acabou em vez de ver repulsa naquelas feições delicadas eu via uma completa aceitação e compreensão.

– Eu não posso esperar que todos vocês lutem contra sua natureza – disse ela – Vocês são o que são.

– Obrigada por compreender. Mas se serve de consolo, eu não mato alguém há bastante tempo – disse me lembrando que eu ou estava roubando o banco de sangue do hospital ou apagando a memória das pessoas de quem eu bebia.

– Tudo bem, isso não é da minha conta. – disse ela constrangida.

– Ok – disse eu disse

Nós ficamos em silencio por um tempo. Então eu comecei a pensar que isso realmente não é normal para mim. Eu não me importava com os sentimentos nem com a opinião dos outros sobre o que eu faço ou o que deixo de fazer. Eu sou Damon Salvatore, não devia me importar.

Mas de algum jeito agora eu me importava. Não sei se era por nós dois termos sido magoados ou simplesmente porque eu a admirava e sentia um estranho carinho por ela, só sabia que eu me importava com o que ela pensava... Na verdade acho que eu me importava com ela.

Sentia como se nós dois agora estivéssemos conectados por algo. Era uma ligação estranha que fazia eu me sentir como se eu não me conhecesse mais. Fazia eu me sentir como se tudo fosse diferente, como se finalmente eu pudesse ter alguém para contar para tudo. Ela era minha amiga. E eu realmente sentia que ela fazia parte de mim.

– Sabe... Eles bebem sangue animal para preservar sua humanidade. Mas apesar de você manter sua dieta normal... – disse ela sorrindo e me encarando com carinho – Você me parece bem humano.

Então era isso! Eu realmente sentia algo. Eu estranhamente me sentia humano.