Sob o Teto do Palácio escrita por whofarmiga


Capítulo 1
1


Notas iniciais do capítulo

Leitores e Swens de plantão! Essa história é baseada numa fanfic que escrevi em 2019, totalmente repaginada e melhorada. Aproveitem!



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— Emma, você tem certeza de que pegou tudo? — Mary pergunta novamente, tirando os olhos da estrada.

— Peguei, mãe. — um sorriso fraco estampava o rosto da mulher sentada no banco do passageiro. Os fios dourados presos indicavam a correria na qual saiu do apartamento recentemente alugado, e as olheiras, a noite de sono mal dormida em excitação por aquele momento. — Tenho tudo aqui, cópia do contrato de posse, identidade, carteira de trabalho... E o lanchinho que você me fez.

— Mentira que você lembrou! Você sempre esquece, Emma.

— Viu só? Estou mudada. — Ambas riem em memória à mente esquecida de Emma Swan.

Mãe e filha dirigiam em direção a uma universidade que ficava cerca de 30 minutos do centro da grande cidade de Nova Iorque. Emma acabara de ser aceita na maior oportunidade de sua carreira, que já não dispunha de um currículo grande, por assim dizer. Formada em História na Universidade de Maine, a mulher nunca teve um grande sonho que a faria mover mundos para alcançar. Até o momento, vivia pacatamente na pequena cidade de Storybrooke e sob o teto de seus pais, Mary e David. Ambos sempre fizeram de tudo pela filha, e ela sempre retribuiu o afeto com muita gratidão. Mas, aos 28 anos, Emma estava cansada. Apática até. Não entendia o fato que nunca se apegara a nada nem ninguém, o porquê de continuar a morar naquela cidade deserta e o sentido de continuar vivendo do jeito que estava. Ela queria desbravar o mundo, só não sabia como. Era apenas uma professora de História. O máximo que ela conseguiu foi um emprego melhor em uma cidade maior. E, para Emma, isso já era o paraíso.

Quando terminou a graduação e se mudou de Orono, a capital de Maine, de volta para Storybrooke, Emma estagnou. Sabia que sua vida estaria destinada à simplicidade, sem aventuras e até mesmo problemas. Seria uma vida tediosa. Não que isso seja errado ou ruim, mas ela nunca se viu morando naquela cidade, dentro daquelas fronteiras tão pequenas. Mary também sempre fizera o possível para mantê-la perto e protegida, mas era inviável que ela continuasse daquela forma. Ao ver a oportunidade de sair dos muros invisíveis de Storybrooke, ela sabia que tinha que aceitar, senão acabaria definhando como professora do Ensino Médio.

Chegando aos pés do portão da Northfield University, as duas desceram do carro.

— Seja feliz, minha pequena. — A emoção tomou conta de Mary. Afinal, era sua única filha, seu porto mais seguro. Envolvendo-a num abraço apertado, Emma limpou suas lágrimas e se despediu. — Vou deixar seu carro na garagem antes de ir para o aeroporto. — A mãe fez questão de dirigir até a universidade, simplesmente para ficar o maior tempo possível com a filha.

— Eu te ligo no fim do dia. Eu te amo!

Emma ficou ali, observando a mãe entrar no fusca amarelo e ligar o motor. O carro que guardava tantas memórias. Ela não havia se emocionado desse jeito quando saiu de Storybrooke para a faculdade. Na verdade, Emma nunca havia sentido uma emoção tão profunda como aquela. Claro, Nova Iorque não era longe de Storybrooke dessa maneira, mas essa mudança significava tanto e, mesmo assim, era um passo minúsculo para o que viria pela frente.

Passados mais de cinco minutos, Emma finalmente tomou coragem para adentrar aquela construção imensa. Era como um castelo digno de contos de fadas. Parada sob o portão de ferro, observou o grande campo verde, os jardins tão meticulosamente cuidados e as árvores que rodeavam o campus. Era tudo muito mágico. O prédio era imponente, forte, repleto de gárgulas e esculturas. "Que gótico!", pensou ela. E realmente estava certa. O prédio foi construído em 1895 e inspirado nas mais famosas obras da arquitetura gótica, como a Catedral de Notre Dame e outras várias basílicas francesas.

Ao chegar no topo de um pequeno morro, Emma entrou na recepção do bloco de Humanas. Era um cômodo bastante detalhado, com toques de ouro e algumas pinturas espalhadas. "Realmente, acho que voltei alguns séculos... ".

— Bom dia, posso ajudá-la? — uma mulher de cabelos acobreados e um sorriso simpático pergunta depois de um tempo, sentada atrás de um imenso balcão.

— Oh! Me desculpe. — Tirada dos seus devaneios acerca daquele lugar, sobressaltou ao ouvir a pergunta. — Acabei me perdendo em tanta beleza.

— Aqui é de tirar o fôlego, até hoje não me acostumei. — As duas mulheres trocam um simples sorriso.

— Eu me chamo Emma Swan. Acabei de ser contratada como professora aqui, sabe onde posso encontrar a sala do reitor?

— Ah, claro! Siga nesse corredor e vire na primeira direita. Vão ter muitas salas, mas procure aquela com o nome Sr. Gold na placa.

— Ótimo. Muito obrigada! Srta...?

— French. Belle French.

— Até mais, Srta. French!

Andando pelo corredor enorme, podia ver várias placas, salas, nomes, quadros... Contudo, ele estava completamente vazio. O ano letivo ainda não havia começado e Emma viera apenas pegar a grade horária e consolidar, de fato, sua posse. Foi contratada como professora do Departamento de História, mas ainda não sabia quais aulas e disciplinas iria lecionar. De qualquer modo, ela não desperdiçaria a oportunidade de trabalhar em uma universidade. Não era a maior do estado nem da cidade, mas foi aquela disposta a contratar uma professora desesperada para sair de Maine.

Ao virar para o corredor à direita, Emma acertou uma pessoa que vinha com pressa. Não só derrubou os papéis que ela segurava, como também deixou cair os seus documentos da bolsa que carregava, misturando-se tudo no chão.

— Porra! Olha por onde anda. — Disse a figura enfurecida abaixada a sua frente.

— Me desculpe! — Abaixou-se também — Não te vi passando, deixe-me te ajudar. — Juntou os papéis restantes, pegou os seus e se pôs de pé. Ao levantar o olhar para a pessoa na qual havia colidido, Emma prendeu o fôlego. Era uma mulher de cabelos negros e lábios cor de sangue. Ela conseguia ver a veia pulsando em sua testa. E os olhos dela... aquele olhar penetrante emitia um poder inexplicável. Era fácil se perder na beleza daquela mulher, assim como Emma acabara de fazer.

— Então faça um exame de vista. — Os lábios vermelhos disseram e deixaram Emma sozinha no corredor novamente, sendo possível ouvir apenas o barulho do salto alto no chão de madeira se perdendo em meio à distância. Em instantes, tudo ficou em silêncio novamente. A mulher ainda estava paralisada no mesmo lugar, procurando entender o que aconteceu e tentando soltar a respiração.

— Droga.

Lentamente, a mulher parou de sonhar acordada e voltou-se para o nome Sr. Gold gravado em uma placa dourada. Bateu três vezes e logo foi atendida.

— Bom dia, você deve ser a Srta. Swan. — Disse o homem vestido em um terno provavelmente caro a sua frente. — Sente-se, por favor. — Ao voltar para sua mesa, Emma percebeu que o homem também mancava.

— Bom dia, Sr. Gold.

— Creio que já encontrou a Sra. Mills, ela saiu daqui enfurecida. — "Sra. Mills? Então é esse o nome dela." — Mas sejamos diretos.

Emma entregou os papéis que lhe mandaram trazer e começaram a discutir sua posição. Sr. Gold contava a ela que lecionaria três disciplinas, Metodologia da História, certamente para os calouros, e História da América Independente I e II, para os veteranos mais avançados. Dada a quantidade de aulas, precisaria estar presente na universidade quatro dias na semana, a sexta-feira era livre. A programação era um tanto boa, ela pensava enquanto Sr. Gold tecia um monólogo acerca de certas regras e normas de conduta.

— Isso é tudo, Srta. Swan. Espero que possa desfrutar ao máximo a Northfield University. Seja bem-vinda!— Muito obrigada!

Após um breve aperto de mãos, Emma saiu do escritório do Sr. Gold e suspirou de alívio. Era, sem dúvidas, o maior passo que ela havia dado em sua carreira. Apesar de estar completamente deslumbrada e aterrorizada por aquele lugar e aquelas pessoas, Emma não podia estar mais feliz. Podia chorar de emoção, mas não agora. O homem de feição misteriosa e terno exorbitante lhe informara de uma reunião dos discentes do Departamento de História daqui a duas horas, o que significava que precisaria achar algo para fazer dentro daquele palácio nessas duas horas. Felizmente, viu Belle, a mulher da recepção, aproximar-se.

— Srta. Swan! Sr. Gold pediu para eu te mostrar sua sala. Venha comigo.

O escritório não ficava muito longe dali. Saíram daquele lugar cheio de portas com nomes importantes e voltaram para o corredor principal, seguindo até que ele terminasse em um cômodo circular enorme. Ele era alto e dispunha de uma escada faraônica bem no meio, com balaústres dourados e bem trabalhados. Se era ouro ou não, Emma se questionou. Era um prédio muito bem construído e decorado, e em relação ao status da universidade era bastante discrepante. Ao redor, havia várias mesas de madeira dispostas em frente às cafeterias. Tinham muitas opções, restaurantes comuns e chiques, veganos e vegetarianos, cafés simples e até uma loja de souvenirs. Realmente, bastante discrepante.

— Aqui é onde muitos alunos vêm para comer nos intervalos das aulas. Como você pode ver, tem de tudo e para todos os gostos. Essa é a cafeteria principal, temos outra perto da biblioteca no segundo andar. — Belle explicou a Emma, que continuava deslumbrada pelos detalhes daquele lugar, e a conduziu às escadas.

No topo, parou em frente a mais um largo corredor e dois outros pequenos nos lados. Virando à esquerda, Emma pôde ver mais um segmento de salas nomeadas, ansiosa para encontrar aquela placa dourada gravada com o seu nome. Quase no fim do corredor, avistou o que queria.

"Professora Emma Swan"

— Vou te deixar sozinha para se acomodar. A sala de reuniões é no corredor principal do primeiro piso. Aqui em cima ficam as salas dos professores, os auditórios e a biblioteca. Até o início das aulas você aprende a andar por aqui. — Com um sorriso amigável, Belle deixou a professora e seguiu novamente para o seu posto.

O cômodo, que só contava com uma janela virada para o corredor, não era nem grande, nem pequeno. Perto da porta, havia um sofá de couro de dois lugares e uma mesa de canto ao seu lado, com uma luminária em cima. Logo a frente, havia outra mesa feita com uma madeira escura e vistosa, uma cadeira preta de couro e, atrás dela, um armário feito com o mesmo material da escrivaninha. Era um lugar bastante aconchegante e Emma não demoraria a amá-lo.

Sentou-se na cadeira acolchoada e logo começou a trabalhar, ligou o computador e começou a organizar a semana. Hoje era uma quarta-feira e nos próximos dias já começaria o ano letivo. Tinha pouquíssimo tempo para planejar uma aula, quem dirá a ementa das suas disciplinas. Era uma corrida contra o relógio.

Sem perceber, Emma ficou cerca de uma hora sentada, planejando, lendo e se acostumando. Quando se preparava para desligar o computador, notou um papel diferente no meio da sua própria papelada. 

Logo no topo da página podia-se ler "Escritório de Advocacia Wright". 

Mais abaixo, lia-se "Ação de Divórcio Unilateral".

 Na metade da folha, Emma viu o erro que cometeu ao ler o nome "Regina Mills".


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