O Desejo Ominoso de Sophie Drown escrita por Weslley De Sousa


Capítulo 8
Capítulo 8: Devotion




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A solidão era como um grande campo aberto em ondas marítimas de escuridão, suas ascensões e quedas atingiam extremos picos adversos dos quais sua mente nunca estava preparada, ainda que se convença de estar acostumada com este ambiente. Você seria sempre a responsável por criar suas próprias armadilhas e encruzilhadas, treinada artificialmente por seus próprios medos e inseguranças ao longo do caminho. E isso não somente tornava cada passo cansativo, como exaustava e estagnava seu coração de formas que conjecturas literais jamais conseguiriam. Tamanha ironia cósmica de estar inserida em uma história onde você não é a protagonista transforma sua sombra no próprio bicho papão que puxaria suas pernas durante todos os seus pesadelos.

Dirigir pela noite evitando todas as luzes de segurança, até mesmo aquela em seu telefone, sem falar do bom senso comum, era opcional. Afinal de contas, nesta parada em que sua vida se encontra, até mesmo o bicho papão temia o que sua mente seria capaz de construir.

As manhãs na praia não me trouxeram a virada de página que esperava em relação aos pesadelos da noite anterior. A moeda de troca nesta promessa com o diabo foi a pior forma de pagamento que qualquer vítima da minha profissão poderia esperar: a esperança. E até mesmo ela deveria ser complicada, pois não se apresentou como via única. Em uma manhã sou apresentada a um anjo, na outra estou de volta na porta do demônio que achei estar distante. Numa primeira instância, estou conhecendo um novo calor, aquele que me faz corar, respirar fundo e temer que a perda nunca se torne uma probabilidade. Em uma segunda instância, abraço aquilo que sempre esteve em meu peito e discorro para com aquele que nunca desconfiou estar aqui dentro, mas nunca havia recebido tamanhas demonstrações que o fizesse estar certo disso. Ao invés disso, o aproximei de um fogo do qual sua origem não lhe dizia respeito. E quem brinca com fogo, acaba queimado. E minha insegurança iria continuar brincando com esse vai e volta.

Sua mente é levada até a borda do precipício, uma resposta precisa ser dada enquanto você mesma anseia por uma. Eu sempre soube que onde quer que estivesse a presença da fumaça, o fogo se originava, e de sua região me distanciava. Sozinha ou acompanhada, os dias, tardes e noites sempre se passavam em câmera lenta, cada segundo se tornava um momento transcendental, pois cada milésimo passou a contar. Sua perspectiva muda quando você se queima pela primeira vez, o perigo se torna tangível e familiar, a experiência é absorvida por um muro de proteção construído em volta. Há linhas que você não cruza e é dentro dessa bolha que você passa a absorver com maior cuidado tudo ao seu redor. Eu sabia disso agora. E tentaria me agarrar.

Uma dualidade dos diferentes tipos de calor ressoavam em minha mente, mas independente da ambiguidade sobre qual estrada dirigir em destino, as duas me levariam para uma casa através desta pacífica brisa que parecia lhes acompanhar. Cedo ou tarde, uma escolha eu deveria tomar.

Porém, o telefone tocou.

No meio deste momento interpessoal, ainda que de todas as luzes fugisse, era aquela que esperava evitar. E foi assim que a verdade veio à tona. A resposta que o coração ansiava não agradou, era como receber uma martelada de prego no coração e observar cada gota se transformar num grande hotel composto dos mesmos monstros que fugia. As janelas deste hotel haviam sido abertas e à minha frente se encontrava o limiar do que se tornaria meus próximos anos de culpa e arrependimento em conflito com possível descanso. Nada glorioso, mas o que todos da minha profissão apenas sonhariam pelo resto de seus míseros anos. Os raios de sol lentamente eram libertos do longo cativeiro que estiveram durante toda noite, ainda receosos com as batalhas travadas durante a escuridão que agora se dissipa. Esse seria o antibiótico para tratar minha insegurança existencial.

Um sentimento familiar atingiu meu peito enquanto encostava a arma sobre a mesa, e fazendo jus a frase onde a vida imita a arte, um calor gélido cobriu minha mente enquanto eu me via do outro lado deste reflexo distorcido que era esta vida. As lágrimas dos anjos seria longa, descobriram junto a mim que a luz, os raios de sol que iluminariam minha estrada, viriam do único companheiro que seria capaz de ter em minha vida e suas rodas me levariam para onde a missão apontasse. Suas lágrimas cobririam todas as estradas, mas não os tapetes asfaltados que me levariam ao meu próximo alvo. Despedi-me do semblante que lembrava remotamente uma mulher disposta a viver outras vidas que não a única que lhe trazia um prazer cômico e trágico, li uma última vez o resumo do meu próximo alvo. E tudo havia acabado.


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Notas finais do capítulo

E aqui encerramos este que compõe um dos muitos mundos escritos pela Katelyn Anoma.

Muito obrigado a todos que chegaram até aqui, agradeço fortemente a sua presença e seu reconhecimento durante essa leitura. Se você gostou ou não da história, considere deixar um comentário e me deixar a par dos pensamentos e sentimentos que evoquei em você. Me conte o que você achou e de todas as formas de crítica que deseja passar a minha escrita, assim como a história. Se deseja melhorar a visibilidade e compartilhar com mais pessoas além de mim o que achou dessa história, considere deixar uma recomendação, pois assim nós mostramos ao site e também aos futuros leitores o impacto dessa história em mais pessoas.

Nos vemos nas minhas próximas criações,
Obrigado por ter lido.



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