Reflexões daqui e de lá... escrita por Paloma Her


Capítulo 12
12. A morte senil


Notas iniciais do capítulo

E esse corpo que se transforma estaria alheio de nossa vontade. Não nos pergunta se toda essa mudança nos agrada ou não. As glândulas endócrinas simplesmente orquestram a mutação, pois há no cérebro uma parte que é autônoma e que se regue pelas suas próprias regras. Podemos decidir sobre muitas coisas, como mexer um braço, por exemplo, ou abrir a boca, pois isso se faz conscientemente e por nossa vontade. Mas, ganhar uma ruga em redor dos olhos é algo que simplesmente aparece contra a nossa pretensão.



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Envelhecer e estar senil nem sempre é a mesma coisa.

Na medida em que os anos passam o corpo se transforma dia a dia, ou, minuto a minuto, ou, segundos após segundos.  Com essa transformação o corpo fica mais sensual com a chegada da adolescência, os seios femininos crescem, as pernas dos homens engrossam e o cérebro fica mais esperto, mais sábio, com o acumulo conhecimentos.  Formamos uma biblioteca cerebral interna, pronta para nos dar todas as respostas que nos preocupam.

E esse corpo que se transforma estaria alheio de nossa vontade.  Não nos pergunta se toda essa mudança nos agrada ou não. As glândulas endócrinas simplesmente orquestram a mutação, pois há no cérebro uma parte que é autônoma e que se regue pelas suas próprias regras. Podemos decidir sobre muitas coisas, como mexer um braço, por exemplo, ou abrir a boca, pois isso se faz conscientemente e por nossa vontade. Mas, ganhar uma ruga em redor dos olhos é algo que simplesmente aparece contra a nossa pretensão.

Então, o envelhecimento é autônomo, pois nosso corpo simplesmente muda sem que nada possamos fazer para evitar que fique feio e que os cabelos brancos se espalhem sobre a cabeça. E além da velhice chegam eventos dolorosos, como as múltiplas doenças que a velhice traz. Diabete, cegueira, osteogenia, pressão alta, gordura localizada, colesterol alto, enfim.

Mas, nem todo mundo envelhece igual, tem os velhos charmosos, cheios de energias e pessoas enrugadas aos 50 anos. E temos também a terrível morte súbita, que mata a qualquer idade. Tem ate bebe de berço que morre desta maneira.

Então, onde estaria o segredo da boa vida? Como evitar morrer de câncer, ou ataque cardíaco? Como poderíamos evitar morrer aos poucos, cortando pernas e pés com a diabetes? Pois a morte com Alzheimer é algo que deveria acabar. Toda morte sofrida teria que ser abolida deste mundo, ou deveria pelo menos ser evitada. Ou, quem sabe, com nosso intelecto deveríamos fazer de tudo para impedir essas mortes terríveis.

Mas, enquanto a ciência tenta encontrar remédios para evitar as desgraças humanas, cada pessoa deveria tentar algo pelos seus próprios médios.

Como por exemplo, meditar e viajar aos confins de nossos pensamentos mais íntimos e ter uma conversa com nosso corpo. Falar com nos mesmos, todos os dias, naquele lugar “autônomo” do nosso cérebro.  Perguntar para esse sujeito o que é que ele quer no café da manha? Ou, raciocinar com ele assim: - eu quero ficar linda hoje, então me diz o que devo fazer? Ou: - meu cabelo está caindo, o que eu faço? Ou, simplesmente demostrar no dia a dia o quanto amamos nosso corpo. Passar cremes na pele com carinho, suavemente, passar óleos no cabelo para fortalecê-los e deixa-los brilhantes, passar batom para refrescar os lábios, adotar dietas saudáveis, evitar as carnes vermelhas, comer frutas, ou, sucos de frutas em jejum, caminhar ao ar livre, dar risadas com os amigos, nadar na praia, tomar sol, dançar e o mais importante: amar alguém.

Fazer academia é bom, sem lugar a dúvidas, mas ter uma vida sexual estável é muito melhor. A prática sexual é 10 vezes melhor do que correr, malhar, dançar, caminhar, etc. Então, ter um casamento solido seria o ideal em nossas vidas. Para isso deveríamos  esperar que a fidelidade seja estabelecida, deixando a maternidade para depois dos 35 anos, num relacionamento com amor a toda hora.  Deveríamos estar sempre abraçando o parceiro e beijando-o.  Acariciar o corpo do outro, seja no banho, seja no sofá da sala, seja onde for. Seriam então, o melhor remédio para retardar a chegada das rugas, da pressão alta, do diabetes, problemas na coluna e da feiura que chega com a velhice. Pois, é possível  envelhecer com saúde e com felicidade na alma. Seria bom acrescentar  os salões de beleza, ou, as cirurgias plásticas, ou, massagens com especialistas, academia, bailes, conversas entre pessoais,  numa mesa bem servida. Isso seria envelhecer, que é diferente de ficar senil.

Um dos motivos da senilidade é porque as pessoas não se amam a si mesmas e não tratam seu corpo com carinho. Eles não passam os cremes na pele, deixam os cabelos brancos tomar conta e são tomadas pela tristeza. Não dão risadas gostosas, e quem está envelhecendo sozinho muitas vezes se suicida de tanta dor, de tanto abandono, de tanta indiferença familiar. E a tristeza mata o corpo mais do que nada. Deixa a pele quebradiça e nascem às olheiras ao redor dos olhos. A falta de risadas estampa no rosto um sinal desagradável e a fibromialgia toma conta com aspereza.

Essa senilidade, então, seria diferente do envelhecimento.  Ser senil é outra coisa. É ser uma pessoa que abandonou o corpo para que ele morra por conta própria, sem fazer nada para evitar que ele se degenere. E ser senil é algo que deverá desaparecer no futuro da sociedade terrena. O ideal seria morrermos com felicidade. E partir porque os espíritos do além vieram nos buscar. Nada mais do que isso.

Porque o mais sinistro, é que se reencarna como se morre.

Morreu feliz? Vai reencarnar forte e saudável, dando gargalhadas gostosas de bebes lindas e bem nascidos.

Morreu de diabetes e sem uma perna? Vai nascer com uma perna a menos.

Morreu de câncer? Vai ser uma criança que morrerá antes de atingir a adolescência.

Morreu de diabetes? Terá sérios problemas de saúde desde criança.

Morreu com Alzheimer? Terá uma inteligência baixa e terá problemas para aprender na escola.

E por ali vai, pois assim como está cheio de pessoas que não amam seu corpo, eles não acreditam em reencarnação, nem imaginam que estão desenhando o futuro de uma vida vindoura.


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Notas finais do capítulo

Essa senilidade, então, seria diferente do envelhecimento. Ser senil é outra coisa. É ser uma pessoa que abandonou o corpo para que ele morra por conta própria, sem fazer nada para evitar que ele se degenere. E ser senil é algo que deverá desaparecer no futuro da sociedade terrena. O ideal seria morrermos com felicidade. E partir porque os espíritos do além vieram nos buscar. Nada mais do que isso.



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