Mestre do Poço dos Desejos escrita por Sorima


Capítulo 10
Bianca


Notas iniciais do capítulo

Cá está o último capítulo!

Boa leitura!



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Pedro desceu primeiro, pela sua expressão ele parecia decidido. O homem que tínhamos encontrado ali, o Guardião, me pediu para esperar um pouco antes que descesse, por isso aguardei sentindo como se houvesse borboletas esvoaçando na minha barriga.

— Por que a gente fica tão nervoso por desejar algo? – a pergunta escapou pelos meus lábios.

— Muitas vezes – ele começou a responder – vocês evitam que seus desejos se realizem, seja por crenças erradas que aprendem, ou mesmo por algum ganho de manter essa postura pessimista em relação a vida.

Pisquei surpresa.

— Só por isso? – hesitei por um instante – o medo de encarar o lado ruim dos seus sonhos também pode ser o impedidor, não é?

— Sim – ele respondeu com simplicidade.

Respirei fundo. Tinham muitas imagens negativas do mercado de entretenimento, eu não gostaria de encarar nenhuma delas, mas ainda queria fazer sucesso.

— Sendo assim, não é porquê realizamos nossos sonhos que evitamos o lado negativo, ele continua lá.

— É verdade. Mas não é por ele existir que você não pode evitar.

— Não é o que me disseram – retruquei.

— O que falta para você, querida filha, é se planejar sabendo que tudo o que você precisa vai chegar até você. Interagir ou ser submetida pelo lado negativo é uma escolha sua.

Fechei os olhos. Provavelmente era fácil assim, como minha tia-avó dizia, os seres humanos gostavam de complicar coisas simples.

— Você já pode descer – ele me avisou.

Um passo seguido do outro foram me levando passarela abaixo. Pedro já não estava visível em lugar nenhum da passarela, mas me lembrei que a descida ali não era sobre ele. Comecei, em algum momento, a ouvir um burburinho que foi aumentando conforme eu avançava, até que consegui entender que era uma contagem regressiva. Franzi a testa e continuei em frente parando em frente a uma porta na beirada de um palco com uma pessoa regendo a contagem com um microfone no centro. De repente uma multidão bradou bem alto e ouvi alguém falando no microfone:

— Feliz Ano Novo! Vamos começar com o Rock in Rio 2025. A abertura irá ficar em cargo da mais nova estreante do mundo do Rock, cuja a popularidade cresceu bastante nesse último ano. Senhoras e senhores, uma salva de palmas para Bia e Cia!

Com a boca entreaberta entrei pela porta e o meu visual mudou para o de uma estrela de rock; ‘A’ Estrela do Rock. Do outro lado do palco a garota com a qual eu dividia esse sonho de infância entrou animadamente:

— Feliz Ano Novo, Brasil!

A banda começou a tocar, a multidão gigantesca berrou. Lágrimas saíram pelos meus olhos, era o momento mais esperado da minha vida: o show, a animação de tantas pessoas. Aquela era uma cena perfeita. Cantei mais do que nunca levando a multidão a loucura.

Aquilo era tão bom! O que eu sempre desejei.

Ainda com o peito quente e um sorriso no rosto saí pela porta que retornava para a passarela. Porém, não foi nela que cheguei. Aos meus pés havia grama e ao meu redor árvores. O som de água corrente surgia das minhas costas e ao meu lado estava Pedro com uma expressão satisfeita no rosto.

— Eu já sei o que quero! – falou animado.

— Eu também, mas tem bastante coisa nesse meio de caminho para planejar, afinal o que eu quero não é um simples móvel que vai aparecer sozinho na minha porta.

— Sem dúvidas, vai ser necessário fazer algum investimento nisso – ele concordou.

Sorrimos um para o outro.

— Como viemos parar aqui? – perguntou Pedro olhando para o rio.

Estávamos na margem oposta a que deveríamos estar, não havia nenhuma ponte de cordas que servisse de caminho e nossas mochilas estavam aos nossos pés.

— Eu não faço ideia, há um minuto atrás eu estava em um show.

Rimos daquela situação, talvez nunca fossemos conseguir entender. Então ouvi meu celular tocar, peguei ele despreocupadamente da minha bolsa e o atendi.

— Ah! Finalmente resolver me atender, né? – a voz furiosa da minha namorada chegou até mim.

— Oi, Michelle. Eu estou bem, obrigada. Mas eu quero terminar com você! - falei rápido sem dar-lhe tempo de interromper.

— É... O que? Terminar...– ela balbuciou.

— Sim. Você me desdenha, me diminui, fica querendo que eu continue contigo. Não é como se eu não gostasse de você, mas preciso de alguém que me apoie agora.

Ela pareceu se engasgar do outro lado.

— Fique bem, Michelle. Eu vou desligar agora – falei clicando no botão.

— Que sutil – Pedro comentou divertido.

Dei de ombros, se se esticasse demais eu não ia dar conta.

— Melhor assim! Tenho muita coisa para resolver para ter alguém me segurando. E você, o que vai fazer? – perguntei começando a caminhar de volta para casa.

— Cancelar meu curso de direito, fazer vestibular para gastronomia e procurar emprego em um buffet ou coisa parecida – enumerou.

— E o seu bastão de caminhada? – perguntei dando falta do objeto.

— Deixei para trás, como um presente. Acho que entendi como usufruir do Poço a distância.

— Sério!? Como faço isso? – dei-lhe uma batidinha no ombro, rindo.

Ele me deu um sorriso maroto.

— É como ele nos disse, acessando o mundo invisível e vivendo o que queremos. Não precisamos do Poço físico, já que o temos disponível para nós de qualquer lugar.

Sorrimos com cumplicidade. Sim, era simples assim.


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