Romance Natalino? escrita por Fofura


Capítulo 1
Natal e...


Notas iniciais do capítulo

Tava travada nessa one já tem um tempo e eis que (puff!) consegui terminar agora hsauhsajk ia postar no natal, mas vai demorar, quem sabe saia mais uma até lá :P
Boa leitura ♥



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Mais um natal chegou e claro que eu não estava me importando.

Eu sempre passo sozinha, independente do lugar, mas virou tradição ir na lanchonete da esquina. Eu faço minha ceia, com hamburguer, batata frita e refrigerante e está ótimo pra mim já tem uns cinco anos.

Os funcionários devem me odiar, pois eu sou a única que frequenta a lanchonete na noite de natal e eles tem que ficar abertos até o último cliente ir embora. Não que muitos funcionários fiquem nesse dia, é só o dono e um garoto que parece ter a minha idade. Todo ano é ele que trabalha no natal. Ou o chefe dele é muito babaca, ou ele quem escolhe não folgar dia 24.

E pra quê abrir no natal? Não é como se todas as pessoas fossem sozinhas, sem família unida e sem espírito natalino pra não ter motivos pra comemorar o natal como eu.

O dono fazia questão de todo ano decorar toda a lanchonete no tema pra atender os clientes no clima.

— Com licença.- meu devaneio foi interrompido por uma voz enquanto eu mastigava uma batata frita. Parei e olhei pra cima. — Vai querer mais alguma coisa?

Ele nunca me perguntava isso antes de eu terminar de comer. Era sempre quando a mesa já estava só com embalagens vazias, e aí eu dizia que não, pagava e ia embora com medo da rua levemente escura. Geralmente às onze da noite. Ainda eram nove.

Terminei de mastigar enquanto o olhava. Ele olhava pra mim, paciente e sem graça.

— Você me odeia.- eu não perguntei, eu afirmei, assim que engoli.

— O que?- o vi franzir o cenho e apertar o cardápio que estava segurando. — Eu nem te conheço.

— Sophie. Prazer, eu sou a garota que estraga o seu natal há cinco anos.

— Que estraga o meu natal? Que história é essa?

— Você não odeia ter que me atender toda noite de natal em vez de estar em casa com a sua família?

— Não.

Ele nem hesitou em responder. Fiquei surpresa.

— Quer dizer, não é que eu goste de te atender, mas eu prefiro estar aqui do que em casa.

Fiquei mais surpresa ainda.

— Olha só! Uma alma irmã!

— Hã?

— Por que não quer estar em casa hoje?- ele olhou para os lados, sem jeito de novo. — Desculpe. Não precisa responder.

— Ben!- ele olhou para trás, em direção à porta, e eu também. — Eu já estou indo. Cuidado na hora de fechar.

— Pode deixar, Brad.

— Feliz natal!- ele gritou já correndo pra pegar o carro.

Nenhum de nós respondeu e ficamos observando ele ir embora. Eu quebrei o silêncio depois.

— É melhor eu ir. Você precisa fechar.

— Não vai terminar de comer?

Fiquei confusa.

— Posso colocar pra viagem. Você deve estar com pressa.

— E… por que acha isso?

— Ãhn… não sei. Deve ser porque você veio me perguntar se eu queria mais alguma coisa, mesmo que eu não tivesse terminado ainda, então, eu supus que fosse uma indireta, tipo “vai logo, porque não aguento mais todo ano ter que esperar até às onze pra poder ir embora”.

Ele riu. Confesso que foi a primeira vez que vi Benjamin sorrir desde que comecei a frequentar a lanchonete. Gostei disso.

— Desculpe, não foi isso.- ele coçou a nuca. — Eu só queria ter certeza pra poder adiantar o serviço lá dentro. As vezes sua fome pede por mais um hamburguer, e eu ficaria irritado se tivesse que limpar a chapa duas vezes.

— Isso já aconteceu, não é?- tentei não rir, mas fiquei um pouco sem graça também.

— Não tem problema. Como eu disse, prefiro estar aqui. É um dia comum, eu nunca tive um natal em família, então… tanto faz.

— Espera, você…- eu quase gaguejei. — Nunca teve um natal? Tipo, nunca ganhou presente, nunca teve ceia, nunca sentiu o espírito natalino ou o amor da sua família em você?

Ele só balançou a cabeça em negativa e um nó formou em minha garganta. Ok, e eu achei que a minha situação fosse ruim. Eu já tive tudo isso, então eu tenho do que sentir falta. Benjamin nem sequer sabe como é! Algo dentro de mim quis mudar isso.

— Sim, eu quero!- respondi do nada depois de refletir.

Ele não entendeu.

— Hã? Quer o que?

— Mais alguma coisa. Você me perguntou.

— Ah.- ele coçou a nuca novamente. — O que vai querer?

— Um combo pra você também.

— O que?- ele ficou surpreso. — Não, não, eu… não posso.

— Eu pago.

— Estou em horário de trabalho, Sophie.

— Ora, ninguém nunca aparece aqui depois das 19h, Benjamin! Só eu.

Ele tentou dar outra desculpa, mas eu cortei.

— Por favor, prepara mais um combo e mais um hamburguer pra mim, enquanto eu passo o cartão. Eu sei que você não jantou ainda, eu te ajudo a limpar tudo depois.

Vencido, ele cedeu. Enquanto ele estava na cozinha, eu paguei tudo e tratei de dar um jeito na mesa.

Peguei algumas decorações da parede e do balcão, forrei com uma toalha de mesa vermelha que eu vi dobrada na cadeira do caixa. Provavelmente o dono tinha esquecido de levar embora, porque estava em uma sacola.

Alguns minutos depois, um Benjamin confuso atravessou o balcão segurando uma bandeja, parou ao ver o que eu fazia.

— O que foi? É pra entrar no clima.

— Achei que não gostasse do natal.

— Não é que eu não gosto, eu não comemoro mais. É diferente. E você vai ter um agora, aí você também forma uma opinião.

Ele franziu o cenho, mas me acompanhou e sentou na minha frente.

— Pronto, temos nossa ceia. Vou colocar uma música ambiente.

Com o celular, eu coloquei músicas de natal no youtube. Ele me olhava a todo momento com uma expressão confusa, mas eu prossegui.

— Enquanto a gente come, eu penso num presente pra você.

— Você pagou meu lanche. Isso não é um presente?

— Não. O lanche não conta.- antes que ele pudesse expor sua objeção, eu continuei. — Ah, já sei!- vasculhei minha mochila e tirei um livro de dentro. — Esse é meu livro favorito. Já li várias vezes e eu amo a história dele.

— É um romance?

— É, mas tem outros subgêneros… o drama é o que mais pesa. Não sei porque gosto de ler dramas, deve ser a familiaridade.

— Parece ser triste…

— Fala sobre perda. Eu choro sempre que leio o final. Livros me acompanham quase o tempo inteiro, e eu levo esse aí pra cima e pra baixo. Tem minhas partes favoritas marcadas, acho que vai ser legal outra pessoa ler sabendo das partes que eu gostei.

— Você vai mesmo me dar seu livro favorito? É importante pra você.

— Tomara que seja importante pra você também.

Ele ficou em silêncio por um tempinho, admirando o livro, folheando algumas páginas, lendo a sinopse, depois olhou pra mim e sorriu sem mostrar os dentes.

— Obrigado.

Também sorri com o canto dos lábios e assenti, como um ‘não há de quê’.

Com surpresa, o vi levantar e ir até sua mochila. Ele a trouxe pra mesa e tirou de lá um chaveiro com um cachorrinho de pelúcia, um Beagle.

— Também carrego ele pra cima e pra baixo. Ele é igualzinho ao Cookie e quando vi, tive que comprar. Cookie era meu cachorro… foi atropelado quando eu era criança.- minha expressão era de puro pesar, e eu senti como era importante pra ele só pelo jeito como ele olhava pra pelúcia. Não quis aceitar quando ele estendeu pra mim. — Por favor, Sophie… fica com ele. Eu cuido do seu livro, e você cuida do Cookie.

Senti a garganta fechar novamente e engoli o choro, pegando quase que em câmera lenta aquela coisinha fofa. Também agradeci o presente, quase num sussurro, pois nada era mais difícil do que segurar o choro.

Ficamos em silêncio, com a música de natal ainda de fundo, e pegamos o lanche ao mesmo tempo pra comer. Normalmente eu detesto ficar em silêncio com alguém, pois me sinto constrangida, mas esse silêncio não era ruim.

Depois de alguns minutos, eu quebrei o silêncio de vozes, cantarolando Jingle Bells entre uma golada de refrigerante e outra.

— Sabe que…- olhei pra ele ao ouvir sua voz novamente. —... até hoje eu não aprendi a cantar Jingle Bells, mesmo ouvindo todo ano?

— Ah, isso porque você não pegou a letra pra treinar. Você vai ficar afiadíssimo agora.- coloquei um vídeo com letra pra gente ir cantando junto.

— Ah, não, sério?- Ben era a personificação da vergonha naquele momento.

— Ninguém mandou me falar sobre a música.

— Foi só um comentário.- ele tentou se defender e tirar a ideia de fazê-lo cantar da minha cabeça.

— Problema seu.- eu ri e ele fez o mesmo colocando a mão na testa. Segunda vez! Estou mandando bem.

Tivemos que voltar algumas vezes, pois nos enrolávamos com as palavras e tínhamos que começar de novo. Foi a noite de natal que eu mais sorri desde que meus parentes se importavam um com o outro.

— Meu Deus! Eu preciso fechar!

As horas passaram rápido e quando nos demos conta, já tinha virado a noite. Arregalei os olhos junto com ele e levantamos com pressa. Recolhemos a sujeira, organizei a parte do salão enquanto ele organizava lá dentro, e em poucos minutos conseguimos sair.

— Caramba… não sinto isso há muito tempo…- comentei de frente pra ele. A pouca luz da rua de repente não me deixou mais com medo. — Obrigada, Ben.

— Eu que tenho que agradecer, Sophie… Agora eu sei o que é Natal.


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Notas finais do capítulo

Sophie ganhou um amigo... quem sabe até algo mais ♥
Espero que tenham gostado e que me digam o que acharam ^^
Abraço de urso quentinho em cada um que leu e até a próxima :3



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