Rosana: A Dariganiana que conquistou Meridell escrita por Anne Claksa


Capítulo 5
Descoberta e Decepção


Notas iniciais do capítulo

Olá!
Este é um capítulo bem triste e aqui se começa a entender o motivo do título.
Palavras utilizadas: Portentoso. Significado: Considerado milagroso,prodigioso,miraculoso.
Amainar. Significado: Acalmar; afrouxar; abrandar ( usei como acalmar).
{Palavra do desafio de drabbles 2020} Imberbe. Significado: Que ou aquele que é novo e não tem grande conhecimento ou experiência.
Boa leitura!!!



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Era uma manhã de estudos. Rosana estava na casa de Olga, aprendendo sobre diversas matérias, e uma ajudava a outra quando havia dificuldade em algum exercício. E entre uma questão e outra, elas conversavam.

— Olga, ontem no baile, comecei a me interessar por um garoto. — Confessou Rosana. — Conversamos por um bom tempo.

— Hm! Então foi por isso que a senhorita sumiu ontem. — Olga riu e fez Rosana ruborizar. — Então, quem é ele? É o Alexsei, filho do pintor? Inácio, amigo do Kevon?

— Nenhum deles, aliás, ele nem mora aqui.

— Não?

— Não. O nome dele é Álvaro, ele é príncipe de Meridell.

— Meridell? — Olga torceu o nariz. — Aquele reino pobre, que não tem o que oferecer?

— Não diga isso, Olga. Cada reino oferece o que pode, nem todos são como o Reino de Darigan. O Álvaro me falou que quando for rei, vai trabalhar duro para fazer o reino dele prosperar e tenho certeza de que será um excelente rei.

— Está bem, me perdoe pelo comentário. Afinal, você não deve o ver mais. Será uma boa história para contar a seus filhos e netos.

— Olga! Nem sabe se irei me casar um dia e já está planejando o meu futuro?

— É claro que irá. E será, como manda a tradição do reino, com um dariganiano. Imagina, Rosana. Você, morando em uma bela casa, com lindos filhos, um marido devotado e usufruindo da riqueza que vocês conquistaram.

Rosana riu.

— Só você mesma, Olga.

Assim que terminaram de estudar, as duas desceram e foram para o galpão. Lá encontraram Jhudora, que mexia um caldeirão com misturas que iriam se transformar em produtos de beleza. Ela estava com um sorriso nos lábios, o que despertou a curiosidade das garotas.

— Olá, meninas. — Disse Jhudora.

— Olá, Jhudora. — Disse Olga. — Não pude deixar de notar o sorriso em seu rosto. Tem alguma novidade para contar?

Jhudora parou de mexer o caldeirão, ajeitou o seu cabelo marrom escuro atrás da orelha e disse, com um brilho em seus olhos verdes:

— Nosso acordo com Moltara avançou mais uma etapa. Ah! Almas desafortunadas.

— Por que almas desafortunadas. O acordo não é uma ajuda aos moltaranos?

— Ajuda? Ora, Rosana. Não se faça de desentendida. Tu sabes muito bem o que esse acordo significa.

— Não, não sei, mas começo a desconfiar de que não é algo bom.

— Jhudora, a perdoe, ela não participa muito das nossas conversas, então, não sabe do que se trata esse acordo. — Olga tentou amenizar. — Rosana, sabes que o nosso reino é rico, se sobrepõe aos outros, é natural que tiremos proveito de outras terras.

— Do que estais a falar, Olga? Tirar proveito de quê? — Perguntou Rosana, com um misto de curiosidade, medo e revolta.

— Já que tu ainda não entendeste, Rosana, vou lhe falar. Nós estamos explorando o minério de Moltara e avançamos mais uma etapa, vamos os escravizar para nos fornecer esse minério. — Disse Jhudora.

Foi um choque, Rosana ficou desnorteada, não conseguia acreditar no que acabou de ouvir, o acordo portentoso, na verdade, era um modo de explorar e escravizar um povo inocente.

— É mentira, não é? Não estamos fazendo essa crueldade com os Moltaranos, não quero acreditar nisso, é um povo imberbe, não merecem passar por isso. Eles já sofrem por não aparecerem para Neopia e agora isso?

— Calma, Rosana. — Olga tentou amainar.

— Calma? Eu fico sabendo que um povo vai ser escravizado por nada, apenas por capricho e soberba e você me pede calma, Olga? — Disse Rosana, já com lágrimas nos olhos.

— Como você mesma disse, Rosana, os moltaranos são um povo imberbe, irão aceitar, aliás, já aceitaram o nosso acordo e não vão querer desfazer, precisam do nosso dinheiro. Quem não iria querer fazer um acordo conosco? Mas se estás preocupada quanto ao acordo financeiro, podes ficar tranquila, vamos continuar a dar dinheiro para eles. — Disse Jhudora.

— Em troca, vão os escravizar. Para o que fazer isso? Para que os fazer sofrer? Os fazer trabalhar por nada, não precisamos desse minério, que serventia terá aqui? — Rosana não conseguia mais conter as lágrimas.

    Rosana saiu correndo do galpão, queria sair o mais rápido dali e foi para casa, tinha certeza de que desabafando com os pais, ela teria apoio, porém, não foi como ela esperava.

— O quê? Vocês estão concordando com isso? Os meus pais aprovam uma atrocidade dessas? — Perguntava Rosana, incrédula.

— Temos o poder, Rosana, nós, dariganianos, somos ricos e têm que se impor acima dos outros povos. — Disse Reginald.

— Não, não têm, pai. E os dariganianos não são ricos, são covardes se acreditam que fazendo um povo inocente e pobre de escravo é o certo a se fazer. E mais covarde ainda é esconder no meio da floresta, para que ninguém os encontrem e cobrem responsabilidades.

— Acalme-se, Rosana. — Pediu Lígia.

— EU NÃO QUERO ME ACALMAR! — Gritou Rosana. — Eu vou embora desse reino, não ficarei mais nenhum segundo aqui.

   Rosana começou a arrumar as malas, Lígia se desesperou, pedia ao marido que impedisse a filha de embora. Reginald tentou argumentar, falava que Rosana não estava pensando direito e que haveria consequências se saísse do reino, seria ignorada pelos outros, tratada como traidora.

— Prefiro ser vista como traidora, do que ficar aqui e compactuar com isso. — Se enraiveceu Rosana.

Ela saiu de casa, mesmo Lígia implorando para ela ficar. A cena chamou a atenção de todos, que se aproximaram, Rosana aproveitou e disse tudo que estava a afligindo.

— Não consigo acreditar, isso ainda não entrou na minha cabeça. Meus pais, meus amigos, meus vizinhos, todos aqui, sabiam e concordam que o povo de Moltara tem que ser escravizado e por pura soberba, pois, o minério de Moltara, não tem serventia aqui. Eu queria mesmo acreditar que estavam sendo generosos, bondosos, mas não, são mesquinhos e sempre serão, nunca vão pensar no outro, nunca vão se preocupar se alguém vai sofrer, pois, são egoístas. Podem até os admirar, mas porque não conhecem como são malvados. Eu irei embora, não ficarei em um lugar em que para se sentir superior, precisa fazer um inocente sofrer.

— Isso, Rosana. Vá embora. Tu nunca foste uma dariganiana de verdade. — Disse Arissa.

— Tens razão Arissa, nunca me senti como dariganiana. — Rosana se virou para Kevon. — Tu és o próximo rei, desfaça esse acordo ou faça um acordo amigável com Moltara. Não prejudique os moltaranos, tenha compaixão, Kevon.

— E se eu não quiser desfazer o acordo? Vais fazer o quê? — Perguntou Kevon, com cinismo.

— Contarei a eles a verdade.

— Tu não irás fazer isso. Aliás, Rosana, devo lhe alertar que não funcionará, os moltaranos precisam do nosso dinheiro, não vão querer perdê-lo e farão tudo para tê-lo, até mesmo aceitar serem escravizados. E saiba que se sair, não poderá voltar.

— Pois, então, fique com seu reino, sua soberba e sua arrogância, Kevon. Como fui tola em acreditar que pudesse tocar seu coração, mas nada o tocará. Ah! Não se preocupe, não tenho pretensão de voltar.

Master Darigan iria para a Central de Neopia e se ofereceu para levar Rosana, ela aceitou, subiu na carruagem, pela janela via seus pais desolados, mas não iria mudar de ideia, estava triste e decepcionada. A carruagem partiu e deixou o Reino de Darigan, Rosana não falou com Master Darigan, queria esquecer que nasceu dariganiana, sentia vergonha, queria apenas ir embora. Quando chegaram à central, Rosana desceu e caminhou até o hotel, dali por diante, começaria uma nova vida.      


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Notas finais do capítulo

Os jovens neopianos estudam em um colégio, para terem uma profissão a além reis, rainhas, membros da realeza e etc. Porém, os dariganianos não frequentam esse colégio, eles vivem escondidos e estudam em suas casas.
Tadinha da Rosana, agora ela terá que pensar como será a sua vida.



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