Quase um mês escrita por annaoneannatwo


Capítulo 14
Capítulo 14




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— Tem alguma coisa de errado com o Bakugou? — o Todoroki pergunta de repente quando se senta ao lado dela em um banco, do qual dá pra ver o Bakugou conversando com o Kirishima, próximo a uma barraquinha de tiro ao alvo na qual eles estão tentando a sorte.

— Hum? — Ochako pergunta de volta, meio distraída.

— Você não para de olhar pra ele, é porque tem algo de errado, não é? O que é? — o Todoroki estreita os olhos, como se realmente estivesse examinando o Bakugou em busca de algo diferente ou esquisito.

Ele não vai encontrar, porque não tem nada de errado. 

O Bakugou só tá… muito lindo.

Quer dizer, o que tem de diferente é que ele tá de yukata. Ochako nunca o viu usando um, e isso é sim fora do normal, mas… ficou tão bem nele, a cor escura da roupa combina com a pele bronzeada e os cabelos cor de areia e… nossa, ela deve estar mesmo passando muito tempo com a senhora Mitsuki, porque tem certeza que o yukata é feito para ressaltar a cor dos olhos dele, tal qual sua chefe lhe ensinou quando apresentou esquemas de cores e explicou qual tom complementa qual. Tudo ali parece ter sido pensado para deixar a presença dele ainda mais marcante e, ao mesmo tempo, é como se ele não tivesse posto esforço nenhum, como se só tivesse se vestido assim no impulso, e… só deu muito certo.

Talvez tenha sido ingenuidade sua, mas Ochako realmente acreditou por um breve momento, quando estava a caminho do festival, que não seria nada demais vê-lo aqui hoje. Eles estão em um grupo grande que meio que se subdividiu naturalmente entre os chamados Bakusquad e Dekusquad (apelidados pelo Kaminari e pela Mina). O Iida mostrou um itinerário que preparara para a noite de hoje, o Bakugou reclamou disso e saiu andando na direção oposta, logo seguido pelo Kirishima, Kaminari e Sero. Mas o local do festival nem é assim tão grande, são duas fileiras de barraquinhas espalhadas por uma viela em um parque ao pé de um templo, uma hora os grupos iam inevitavelmente se reencontrar, e como o Kaminari parece bastante decidido a ficar perto da Kyouka, que não foi com o Bakusquad e preferiu ficar com ela e a Tsu, eles não vão se separar tão cedo, o que levou Ochako a esbarrar com o Bakugou algumas vezes, uma até literalmente, e como ela tá bem sem jeito e tentando manter uma distância respeitável do filho de sua chefe, esses esbarrões resultaram em um pedido de desculpa tenso por parte dela e algumas olhadelas dele medindo-a de cima a baixo, o que só a deixou mais tensa. Ele deve estar estranhando demais a mudança de comportamento dela, achando-a uma esquisitona, com certeza.  Então tudo o que lhe resta é observá-lo de longe quando ele não está olhando, aproveitando-se do fato de que a Tsu, o Iida e a Kyouka foram comprar comida, o que lhe deixa com menos pessoas por perto que poderiam perceber sua fixação no garoto explosivo.

O azar dela é só que as duas pessoas presentes são o Deku e o Todoroki. 

— Não… acho que tá tudo certo, Todoroki-kun. — ela finalmente responde, balançando a cabeça e tentando afastar a imagem dos olhos dele observando-a da cabeça aos pés, igual aquele dia na praia.

— Aconteceu alguma coisa na praia, Uraraka-san? — o Deku se senta do outro lado, assustando-a ao dar a impressão de que estava lendo seus pensamentos.

— P-por que você tá perguntando isso, Deku-kun?

— Então aconteceu. — o Todoroki responde.

— Não!

— Não? — o Deku pergunta.

— Sim.

— Sim, não aconteceu? Ou sim, aconteceu? — o Todoroki indaga.

— Não, quer dizer… sim, não aconteceu. Quer dizer… nada demais.

— Mas então aconteceu.

— Só… como você sabe, Deku-kun? — ela olha rapidamente pra onde o Bakugou está — O Bakugou-kun comentou alguma coisa?

— Não, ele só… quis saber de você.

— De mim?

— É, se você tinha falado dele pra mim.

— Oh… só isso?

— É, basicamente.

— E agora você quer saber se ele falou algo de você pro Midoriya. — o Todoroki aponta.

— Pois é… vocês brigaram?

— Não! Claro que não! É só… é meio esquisito… trabalhar pra mãe dele e vê-lo aqui. — ela oferece um resumo bem pobre da situação, omitindo um monte de coisas por razões mais que óbvias.

— Por quê? É pra mãe dele que você trabalha, não pra ele. — o Todoroki aponta como se ela não soubesse disso.

— Sim, mas é só… é que como a senhora Bakugou trabalha em casa, as coisas ficam… um pouco pessoais demais às vezes.

— E elas não podem ficar?

— Não. Não deveriam.

— Ah. — ele olha pra frente — Então, Midoriya, acredito que tanto eu quanto você, meu pai e o Bakugou podemos todos ser denunciados. Você pode testemunhar a meu favor e contra o Endeavor, e eu faço o mesmo por você.

— O- o quê? — Ochako arregala os olhos, perguntando-se se por acaso se distraiu e perdeu uma parte da conversa.

— Do que você tá falando, Todoroki-kun? — o Deku não chega nem a demonstrar espanto, apenas franzindo o cenho.

— Acho que muita coisa ficou bem pessoal bem rápido durante o estágio que a gente fez com meu velho, e nem foi culpa só dele. — ele analisa — Então, pela lógica da Uraraka, nós nem podemos ser amigos. Esqueça o que eu disse sobre nos ajudarmos no depoimento.

— Todoroki-kun, não é bem assim… — Ochako intervém, notando que o Deku não tá conseguindo acompanhar o raciocínio aqui. Não que ela esteja também — Eu não tô… dizendo que ninguém pode ser amigo por causa de trabalho, é só que… eu acho que… me aproximei do Bakugou-kun de um jeito que… não é certo agora.

— Uraraka-san, vocês…? — o Deku não termina a pergunta, mas o jeito que o rosto dele se avermelha já é o suficiente.

— Não… NÃO! Não, Deku-kun! A gente não… não fez nada disso que você tá pensando!

— M-mas eu… eu não tô pensando em… não… não daquele jeito!

— Não, eu sei! Mas a gente também não fez nada disso aí também! — Ochako balança as mãos energicamente, sabendo que seu rosto está rivalizando com o dele em rubor nesse momento.

— EU SEI! Eu só… aaargh! — ele esconde o rosto com as mãos.

— Pessoal, há uma barraca de yakitori com ótimos preços- o que houve? — o Iida se interrompe ao se aproximar, e Ochako o olha para encontrá-lo segurando um algodão doce e uma expressão preocupada, o que seria um contraste engraçado se ela não estivesse prestes a entrar em combustão de tanta vergonha.

— N-não foi nada, Iida-kun! A gente só tava conversando! — ela diz nervosamente.

— Devia ser um assunto muito constrangedor pra vocês terem ficado desse jeito, ribbit.

— Acho que era sobre sexo, mas não tenho certeza. — o Todoroki martela o último prego no caixão da humilhação, e tanto ela quanto o Deku dão um gritinho de exasperação.

— Mas gente, isso é assunto pra se falar em público? — a Kyouka pergunta.

— De fato, Uraraka-kun, Midoriya-kun, mantenham a compostura. — o Iida ajusta os óculos.

— A GENTE NÃO TAVA! —  os dois dizem juntos.

— Por favor, você acha mesmo que esses dois estariam falando sobre isso? Até parece que não conhece eles. — o Shinsou também se aproxima, olhando com tédio como costumeiramente faz.

— Bom, realmente, mas… de toda forma, abaixemos o volume, este não é um comportamento adequado para um herói.

— Você tá falando isso pras pessoas erradas, Iida. — a Kyouka diz, apontando na direção de onde o Bakugou está — Aquilo ali é volume alto.

— REPETE O QUE VOCÊ FALOU, SEU MERDINHA! — o Bakugou vocifera, e mesmo que ele esteja a uma distância considerável, eles o ouvem como se ele estivesse bem aqui ao lado.

— Ora, além de problemas de pontaria, você também está com problemas auditivos? Eu disse que você é PÉSSIMO nesse jogo, Bakugou-kun! — o Monoma soa igualmente alto.

— VAI SE FODER! E QUE PORRA VOCÊ TÁ FAZENDO AQUI? QUEM TE CONVIDOU?

— O Shinsou-kun.

— QUEM CARALHOS É ESSE?

— Qual é, cara, ninguém mais acredita que você não sabe o nome da galera da sala. — o Kaminari tenta interferir.

— Só pra deixar bem claro, eu não o convidei. Eu disse que estava pensando em vir e ele não só me infernizou até que eu concordasse como veio também. — o Shinsou suspira — Sinto muito, gente.

— O Bakugou ia arrumar briga com alguém de qualquer jeito, relaxa. — a Kyouka dá de ombros.

— Impossível relaxar desse jeito. — ele coça a nuca e se dirige até onde eles estão, aproximando-se do Monoma e dizendo algo que o faz parar com a risada maníaca segundos depois. Quase parece que ele usou sua individualidade, mas o Monoma o acompanha de volta a seu grupo e aparenta ser por sua própria vontade — Pronto, me responsabilizo por esse aqui. Deixo o Bakugou com vocês.

— Ha, ele é algum tipo de criança birrenta que precisa de supervisão para sair em público ou algo assim? —  o Monoma ergue uma sobrancelha. Seus comentários sarcásticos com ele vestido em um yukata quase o faz parecer um personagem saído de alguma peça de teatro.

— Você também não tá muito longe disso, né? — mas a Kyouka é igualmente mordaz em se tratando de deboche.

— Jirou-san, você está sendo procurada pela polícia ou algo do tipo?

— Hã? — ela faz cara feia pra ele.

— Desde a hora em que chegamos, você está se escondendo atrás do Iida-kun, isso é medo da polícia ou… — ele dá uma olhada para o Bakusquad — tem alguém ali naquele grupo que você está tentando evitar?

— Não sei porque isso seria da sua conta. — ela desvia o olhar, e Ochako consegue ver o rubor nas bochechas dela. Não que ela estivesse gostando dessa trocação, mas… se estivesse, ela estaria torcendo por sua amiga, e sente que ela acaba de perder.

— Ha ha, vocês da turma A são hilários. — o Monoma encerra.

— Obrigado. — o Todoroki agradece, aparentemente não captando o sarcasmo — Mas então, sobre aquilo que você e o Bakugou fiz-

— AÍ, DEKU! MEIO A MEIO! — o Todoroki é felizmente interrompido pelo Bakugou, que surge na rodinha deles… com uma espingarda??? — Anda, duvido vocês serem melhores que eu, seus perdedores do caralho!

— Melhor no quê? — o Todoroki não parece minimamente abalado.

— Na barraquinha de tiro, imbecil. Os três idiotas ali nem chegaram perto de acertar!

— Você também não foi lá tão bem, parceiro. — o Sero diz.

— Pau no seu cu, Fita Crepe.

— Só acho que tem umas garrafinhas ali que tão coladas, hein? O tiozinho da barraquinha tá trapaceando. Eu tenho uma mira bem boa por causa da minha individualidade e não derrubei quase nada. O Kami também.

— E eu também, porra. — ele percebe o ato falho e imediatamente se cala. Ochako o observa com curiosidade, notando como ele a olha rapidamente antes de virar a cara.

Ok, ela merece essa, mas ainda assim, isso aperta seu coração.

— Então por que eu perderia tempo com isso? — o Todoroki questiona.

— Ué, vai que não tem trapaça nenhuma e você ganha algum prêmio, Todoroki. — o Sero sugere.

— Quais são os prêmios?

— Você tá com algum problema na perna, meio a meio? Levanta e vai lá ver, idiota.

— Não, eu só quero continuar a conversa com o Midoriya e a Uraraka sobre se-

— AH, VAMOS LÁ VER, TODOROKI-KUN! Essas barraquinhas de tiro são bem legais! — o Deku praticamente pula e puxa o Todoroki pelo braço, e Ochako só pode agradecer a ele silenciosamente. Imagina o Bakugou ouvir que ela poderia estar tendo uma conversa desse tipo com o Deku, isso é-

Aaargh, por que ela se importa tanto com o que o Bakugou pensa ou deixa de pensar sobre ela???

— Uraraka, você também é boa de mira, né não? Por causa daqueles cabos que você dispara. — o Sero comenta.

— Ah, sim. Eu… eu tento pelo menos.

— Tsk, que papinho irritante. — o Bakugou revira os olhos.

—  O quê?

— Não vem com essa carinha de sonsa, você sabe que tem boa mira e fica aí fazendo gracinha, um pé no saco isso!

— Ei, você não-

— Ou então sua mira é uma merda e você tá tentando disfarçar.

— Não, não tô. — Ochako fecha a cara, não gostando do tom dele.

— Não tá o quê? Fazendo gracinha ou tentando disfarçar? Tem que ser um dos dois, Cara de Lua.

— Não é nenhum dos dois!

— Então tenta também. — ele puxa a carteira do bolso, ainda encarando-a — Eu pago pra você.

— N-não, não precisa. — ela recua, não querendo que ele pague nada por ela.

— Tsk, sabia que você ia dar pra trás.

— O quê? — Ochako sabe o que ele tá fazendo, sabe que isso é manipulação e que ele tá tentando atingir um lado competitivo e meio infantil seu que ela não costuma deixar muito à mostra, ela sabe que deveria ignorá-lo e voltar a evitá-lo para o bem deles dois — Pode ficar tranquilo, não vou te deixar ter prejuízo, Bakugou-kun.

Ela sabe de tudo isso, mas ainda assim, Ochako se levanta e o encara, indo em direção à barraquinha de tiro.

 

***

 

Ela é engraçada.

Katsuki já percebeu isso há um tempo, ela diz umas coisas sem pensar às vezes que o fazem se segurar pra não rir alto, e agora ele acaba de descobrir mais uma fonte de entretenimento vindo dela. Provocá-la sobre sua mira não era pra ter feito ela realmente querer tentar a sorte na barraca de tiro, o alvo dele era mais os dois palhaços do Deku e do Todoroki — que tavam grudados nela igual dois carrapatos, imbecis — mas quando ela respondeu o Fita Crepe fazendo aquela carinha de sonsa, Katsuki não resistiu. Ele tava esperando que ela fosse ignorá-lo ou tentar escapar pela tangente como anda fazendo na última semana, mas não, ela bateu de frente. Uma surpresa boa em meio à toda a pataquada que tá sendo esse festival que conta com a presença de muita gente irritante pra seu gosto, principalmente aquele merdinha da turma B, por que raios o sinistrão de cabelo roxo chamou ele? 

Isso não importa agora, porque Katsuki tá se divertindo vendo o nerd e o Meio a Meio se foderem também. Sem poder usar o One for All, o Deku não presta pra nada, e o Todoroki… pfff, patético! Ainda mais quando ele queima todas as cinco chances que comprou e vira pra Katsuki com aquela cara de pamonha, anunciando: "Errei todas." como se ninguém tivesse vendo. 

Mas a atração principal vem agora, quando Katsuki entrega as cinco fichas que comprou pra ela e a vê pegando a espingarda com uma expressão seria e concentrada, examinando as garrafas empilhadas a mais ou menos dez metros de distância em bloquinhos de três. As mais fáceis de acertar são as da fileira de cima, e as mais difíceis são as de baixo, não à toa são as que rendem os melhores prêmios — um joystick temático do All Might e outras coisas do tipo. É mais difícil por conta da posição dos ombros pra se apoiar, ele mesmo não conseguiu, gastando quase todas suas fichas nelas, e quase derrubando um dos blocos das fileiras superiores antes de acabarem suas chances. A cara de deboche do velho da barraca lhe deixou irritado, e Katsuki tava pronto pra puxar um maço de dinheiro da carteira e comprar tantas fichas que o velho ia enjoar da cara dele, mas… bom, é isso mesmo que esse maldito quer: rapar dinheiro de trouxa. 

Então ele vai tentar só mais uma vez, mas vai deixar na mão da Uraraka, assim ele não dá pra esse velho a satisfação de vê-lo se humilhar e ainda vê ela passando vergonha também, é o que ela merece depois de ficar dando gelo nele e cheia de gracinha com o Deku. 

Porra… o Kirishima disse que ouviu ela falando que não tem nada disso com o nerd, mas será que o Cabelo de Merda não entendeu errado? Ele é meio tonto, não é impossível que tenha sido isso. A Uraraka pode não estar a fim de tentar alguma coisa por agora, mas talvez no futuro as coisas mudem, e… 

E o quê? Por que ele se importa? 

— Vai, Ochako! — a Orelhuda diz empolgadamente.

— Estamos torcendo por você, ribbit!

Ela sorri pras duas garotas e se posiciona contra a grade que limita o espaço disponível que tem para atirar, encurvando-se um pouco. Katsuki a observa sacudir a cabeça levemente para afastar alguns fios de sua franja, o rabinho de cavalo balançando pra cima e pra baixo com o movimento.

Ela é bonita quando tá rindo, é bonita até quando faz cara de sonsa, mas porra… quando fica séria, é de tirar o fôlego, ela…

O primeiro tiro faz uma das garrafas da prateleira do meio balançar, até que cai um segundo depois. O segundo e o terceiro passam meio longe, e ela se ergue, ajustando a arma e olhando o bloco de garrafas.

— Bem que você falou que só tenta ter mira boa. — ele cruza os braços e abre um sorriso debochado.

Ela só o olha, mas não responde à provocação.

Tsk, Katsuki sabe que foi uma coisa meio besta de falar, mas ainda assim tava esperando alguma reação mais forte, sabe-se lá o porquê.

— Você consegue, Uraraka! — o Fita Crepe ergue o punho em animação.

— É, vai lá! — o Pikachu e o Kirishima se juntam ao coro.

Ela se posiciona de novo e atira sem muita preparação, atingindo mais uma garrafa, e essa vai em cheio. Os imbecis todos comemoram como se tivesse um vilão aqui apanhando dela, bando de idiota fazendo alarde e o desconcentrando de observá-la, inferno.

— Eu fiquei surpreso que você não conseguiu ganhar nada, sua mira é perfeita por causa do AP Shot. — o Kirishima se aproxima e diz para que só ele possa ouvir.

— Tsk, não é a mesma coisa.

— Não, claro que não! Mas né? Acho que não é só questão de mira boa e precisão, tem que ter calma também.

— Frieza. — ele corrige.

— Hum, é… frieza. Acho que não é uma palavra que combina com a Ura, mas é bem por aí mesmo.

Katsuki também não acharia. É a última palavra que ele usaria para associar à Uraraka na maior parte do tempo. Mas nessa semana que passou, deu pra ver que ela tem sim, um pouco de frieza dependendo da situação. Pode ser útil em batalha, falta de frieza é o que determinou algumas de suas derrotas ao longo desses anos. Mesmo que ele seja um estrategista que calcula com precisão seus movimentos, vez ou outra se deixa levar pelo calor da batalha, e isso é um risco que às vezes compensa, às vezes não. Já a Uraraka parece ser meio que o oposto, quem olha pra ela pode achar que ela age sempre baseado em suas emoções, mas qualquer um que já a viu em batalha sabe que não. Ela improvisa, sim, mas é muito mais pelos recursos que tem no momento do que por impulsividade. Isso também tem seus riscos, às vezes compensa, às vezes não.

Vai ver ela achou que manter esse lance esquisito que eles tão fazendo não compensaria, e agora tá sendo fria porque não sabe como dizer na cara dele pra deixá-la em paz. Ela é corajosa e já falou umas verdades pra ele como se não fosse nada, mas também já pediu desculpa por falar sem pensar, então… ela também é cautelosa às vezes. E isso é um pé no saco!

— Uraraka-kun, só resta uma! Tenho certeza que você consegue! — o Quatro-Olhos sorri e cruza os braços como se fosse o avô orgulhoso dela.

— Não querendo te apressar nem nada, mas talvez você queira se apressar, os fogos de artifício vão começar logo. — o esquisitão de cabelo roxo diz.

— Não deixa de servir de incentivo, de certa forma. — o merdinha da turma B analisa, dando de ombros.

— Eu sei de um bom incentivo: se você ganhar, vai fazer o Bakugou ficar com cara de bobo. — o Meio a Meio, que é o dono da maior cara de bobo do planeta, tem coragem de falar uma merda dessas.

— Vai se foder, Todoroki. — ele rosna, rapidamente olhando para ele antes de voltar sua atenção à Uraraka.

— Você consegue, Uraraka-san! E depois vamos todos ver os fogos de artifício, né? —  o Deku se aproxima e, depois de hesitar por um segundo, leva a mão ao ombro dela e sorri.

— Sim! — ele não consegue ver a expressão dela, mas sabe que ela tá sorrindo. Não os sorrisinhos falsos de quando quer evadir de falar o que tá realmente pensando, é um sorriso de verdade.

Tsk, o Kirishima não sabia mesmo do que tava falando naquele dia.

— Bakugou? Onde voc-

Ele não escuta o Cabelo de Ouriço perguntando, só dá as costas e se retira. Que diferença faz se ela acerta ou não? Aliás, por que ele tá aqui? Por que veio? Katsuki não queria desde o começo, achando que poderia não ser tão merda se fosse pra vê-la se divertindo, quem sabe até com ele. E talvez ela até esteja curtindo, Uraraka gosta de desafios tanto quanto ele, mas se só tá nesse só por causa do que ele falou, só porque se acha na obrigação de dar moral pra ele por se sentir mal, então que se foda, isso não é divertido. Nem pra ela, quanto menos pra ele.

Começa a ficar difícil de andar pela fileira de barraquinhas pois tá juntando mais gente pra ver os fogos de artifício, então ele não consegue meter o pé dali correndo sem se esbarrar nas pessoas. Fora que andar com um par de getas quando não tá acostumado é ruim pra porra, e ele sente que pode tropeçar igual a um idiota a qualquer momento. Tsk, como se não tivesse como essa merda ficar pior!

Desse jeito não vai ter como ir embora a pé, e ele prefere voltar lá e ficar de papo com aquele merdinha da turma B a ligar pra velha ou pro velho virem buscá-lo de carro, já dá pra imaginar a encheção de saco dela e a curiosidade dele querendo perguntar porque Katsuki foi embora tão cedo e não perguntando, só olhando pra ele com aquela cara de piedade, ugh.

O jeito é esperar o ônibus, deve ter pelo menos mais um pra passar até essa hora, mas o ponto é lá embaixo, que porra! 

Katsuki aperta o passo ao máximo que consegue com essa merda de calçado, pelo menos pra esses lados tem menos gente, então ele não esbarra em ninguém, e o barulho do festival começa a ficar distante, menos mal.

Ele desce o primeiro lance de escadas e olha pro céu ao ouvir um chiado: o primeiro rojão subindo e estourando em cascatas de luz dourada. Logo outras cores começam a surgir.

Agora os paspalhos devem estar juntos olhando os fogos como se nunca tivessem visto um negócio desses na vida, se o Pikachu botou aquele cérebro minúsculo pra trabalhar por pelo menos uma vez, ele deu um jeito de chamar a Orelhuda pra um canto mais afastado e assistir aos fogos só eles dois antes de se declarar, não vai ter chance melhor.

Será que a Uraraka e o Deku também…? Não, o idiota não ia ter essa sacada, mas ela teria. Ou então eles não precisam falar nada por agora, vai ver tão vendo os fogos junto de todo mundo, mas o Deku apoia a mão no ombro dela como fez na barraca de tiro, ela se vira pra ele e dá um sorriso iluminado que só ela tem, e aí discretamente leva a mão pra segurar a dele.

— Bakugou-kun?! — a voz sai meio abafada pelo barulho dos fogos, mas ele ainda consegue ouvir vindo do topo da escada e se vira.

Uraraka tá toda esbaforida e com olhos arregalados, tão brilhantes quanto os fogos de artifício.


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Notas finais do capítulo

Oioi, voltando com essa fic depois de muito mais de... quase um mês, risos. E eu podia (deveria, na verdade) fazer um capítulo mais simples já que tô meio enferrujada de escrever e tal, mas eu fui lá e fiz o quê? Isso mesmo, um capítulo com mais de dez pessoas conversando em grupo, por quê? Porque me falta noção e capacidade de facilitar minha própria vida :'))

Eu prometi att em dose dupla, e quis dizer que era att dessa fic mais a att de Eu no Seu Lugar hauhauhus, deixei essa pra hoje e ENSL pra amanhã.

Não sei quando vou atualizar essa aqui agora, mas as férias tão chegando, espero poder ter um tempo pra escrever mais, quero terminar essa fic logo huahuahsu, então espero nos vermos em breve!



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