Legado de Sangue escrita por Nathy Negrelli


Capítulo 1
Capítulo 1


Notas iniciais do capítulo

Olá, estou postando a epígrafe junto com o primeiro capítulo, devido a limitação de palavras.



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EPÍGRAFE

 

“Há mais perigo em teus olhos do que em vinte espadas!”

— William Shakespeare

 

 

CAPÍTULO 1

 

“Meu sangue ferve, minhas garras se levantam, as presas doem, meus sentidos 

se aguçam e meus olhos sangram, a besta então toma minha alma à 

luz da lua, e aquilo que eles chamam de monstro... Vem à tona!”

Edvaldo Augusto Pedroso Da Silva

 

Ao norte de Konoha, cortando toda a estrada principal existe uma montanha, lá as nuvens agem de um jeito diferente, um tanto como, peculiar, parecem abraçar o lugar como se os protegessem de algo, ou nos protegessem de lá. O denso nevoeiro de nuvens grossas e pesadas que embalam as montanhas, tornam quase impossível enxergar algo com clareza no meio daquele amontoado de árvores e pedras, transformando toda a atmosfera em algo sombrio e macabro. Dando vida à floresta da morte!

A árvore seca, que demarca a entrada dos portões, é cercada por corvos, animais de estimação da família, o leque entalhado pela bainha de uma adaga, marca a árvore seca como sua propriedade, símbolo dos moradores.

Toda noite sangrenta, noite de eclipse, um raio ousa cair na árvore, iluminando assim, toda a mansão, fazendo um barulho estrondoso enquanto queima suas raízes. Isso acontece há décadas! Há mais tempo que podemos lembrar;

Mas no final, ela sempre está lá, dê pé, como se nunca tivesse sido tocada. Como uma maldição, uma maldição lançada na árvore e nos moradores da mansão, a maldição lançada pelo próprio demônio.

Os olhos vermelhos que observam em uma das grandes janelas, feitas de vitrais tão antigos como a humanidade dos moradores da mansão, são os olhos mais sombrios já vistos no mundo, olhos do carcereiro, olhos que transmitem dor.

O olhos de um demônio!

— Sasuke. - A cabeleira loira adentrou o grande salão com um olhar triste, quase desesperado. - Ela morreu!

— Eu sinto muito, Naruto. - O olhar triste que o garoto Uzumaki lançava para seu amigo perfurava toda a camada protetora que ele levou anos para construir.

— Não foi sua culpa. - Naruto seca suas próprias lágrimas que escorriam veemente pelas suas bochechas marcadas. - Você também perdeu ela.

Ele sabia que o loiro estava tentando ser forte e tentando não o culpar pela morte dela, mas ele era culpado. Ele sempre foi culpado.

— Hm. - Foi tudo o que o rapaz com o rosto já pálido conseguiu expressar com toda aquela situação.

Karin Uzumaki era sua “companheira” a pouco menos de um ano, eles se conheciam desde criança, pois ela era irmã de Naruto, seu grande amigo. Mas nunca sentiu amor por ela. Amor, um sentimento tão inexistente na sua humanidade, se é que o jovem se lembrava o que era humanidade, esse amor ele ousava não querer conhecer e não querer sentir. Aquela palavra te dava repulsa.

Não podia negar que atração física, por ela, ele sempre sentiu, era inegável que a pobre ruiva era uma mulher muito bonita, mas se recusava a sentir qualquer afeto pela garota. Mesmo ela merecendo muito.

A ruiva era uma pessoa tão bonita, tanto por fora, quanto por dentro, que em algum momento daquele ano, ele procurou conforto em seus braços, depois de anos se negando aquilo, se negando a ter qualquer contato carnal com qualquer uma mulher, ele se deixou levar pela luxúria. Sua sexualidade o traiu e sem nem mesmo perceber, ele estava sugando toda a alma daquela pobre mulher, se afundando friamente em seu corpo. Corpo, que muitas vezes amanhecia marcado. Marcado por tamanha agressividade que ele tomava como seu. O que não era de se espantar! Ele sentia tanta sede de sangue, sede de dor e o pobre corpo inocente da ruiva estampava o quão cruel eram suas carícias.

— E sei que você não a amava, mas se precisar conversar. - O loiro depositava uma das mãos sobre o ombro do Uchiha mais novo, tentando trazer algum conforto para sua alma miserável.

A frieza que ele tratou esse assunto era típica do Uchiha, ele deu as costas para seu amigo, andando a passos lentos até um dos tronos e se sentou, à direita do trono principal. Trono que era seu por direito, seu pelo sangue, mas que se recusava a se sentar. Se recusava, veemente, a se sentar no trono amaldiçoado, amaldiçoado pelo rei dos demônios.

— Mesmo no meio disso tudo, você continua se recusando a se sentar no trono principal? - A voz de um dos seus subordinados ecoava pelo grande salão, assustando Naruto que se lamentava aos pés do Uchiha. - Pare de chorar, menino ingênuo. Na vida você nasce e morre!

— Oras, seu. - Naruto fechou suas mãos em punho, o chakra da raposa, seu animal guardião, exalava por todo o seu corpo. O manto vermelho, tentava tomar forma.

— Orochimaru, não provoque o Naruto. - Sasuke estava perdido em seus próprios pensamentos quando sentiu a ira de seu amigo emanar pelo salão.

— Me desculpe, meu senhor. - A língua afiada de cobra era uma das coisas mais nojentas e repugnantes que ambos já viram na vida, mas o Uchiha não podia contestar sua lealdade perante a si e sua família, ele os protegeria com sua vida, se fosse necessário. Naruto olhava para o homem “cobra” atrás de si com olhar de repulsa e nojo. Suas bochechas, vermelhas e arranhadas por garras, escorria um filete de suor que demonstrava que o garoto loiro estava tentando, ao máximo, se controlar.

— É um assunto urgente, meu senhor. - Orochimaru se arrastava com as botas barulhentas por todo o cômodo, pousando em reverência aos pés de Sasuke.

— Você não está vendo que estávamos de luto, pela morte da minha irmã? - Naruto estava possesso de raiva, cuspiu aquelas palavras como se chamas consumissem sua língua. Seu amigo de anos nunca viu seu olhar sombrio como estava agora. Ele poderia jurar que se não estivesse presente o Naruto arrancaria a cabeça do homem e serviria em uma bandeja aos corvos.

— Deixe ele falar, Naruto. - O Uchiha que antes perdera toda a cor do rosto devido a descoberta da morte da senhorita Uzumaki, tinha sua cor voltando ao normal, como se aquilo não passasse de algo momentâneo e irrelevante. Naruto lançava para os dois homens a sua frente um olhar incrédulo, que foi percebido pelo Uchiha mais novo, mas ignorado com tamanha destreza que o garoto Uzumaki não sabia se era de tédio ou indiferença.

— O último doador de sangue morreu hoje, estamos sem sangue! - Orochimaru gesticulava olhando com um olhar sério para seu senhor.

— Como assim? - Naruto que antes estava inerte a fala de Orochimaru olhava para ele com indagação. - Mas eu fiz um pacto, eu tenho minha marcada, assim como quase todos aqui.

— Disse certo, quase todos. - Orochimaru encarava o Uchiha como se indicasse algo.

Ele necessitava de sangue para sobreviver, ele precisava de sangue para se controlar. Esse era seu carma. - Como a Lady Karin nos últimos meses, havia se tornado doadora do mestre Sasuke, com a morte dela, ele ficará sem sangue em breve.

— Droga. - Naruto, que sempre foi um pouco mais lerdo que outros da corte, percebeu o terrível desastre que aquilo poderia gerar se um deles ficasse sem sangue.

Duas opções foram dadas pelo demônio rei, duas cruéis opções. A primeira seria para eles sacrificarem humanos, todo inverno, e seus sangues oferecidos de bom grado para o rei ou eles poderiam, apenas consumir o sangue de humanos em prol de suas novas vidas. Eram opções meio ilógicas, ambas em benefício do próprio rei, que pretendia passar sua linhagem para a família Uchiha, sucessores do legado de sangue.

Fugaku, era cruel demais, ambicioso demais e recebeu de bom grado tamanho feito, ouso dizer que até feliz, o legado de sangue oferecido pelo demônio. Ele só não esperava que aquilo tivesse um preço!

A sede de sangue o consumiu, cada dia mais e mais, levando o então sucessor do trono ao delírio. O patriarca Uchiha sugou todo o sangue doce de sua mulher, sua marcada, sua esposa! Deixando o corpo pequeno desfalecido nos lençóis brancos manchados por sangue. O penhasco que o patriarca da família se jogou o fez afundar tão fundo nas profundezas do desespero que até hoje ele se encontra lá, se autoflagelando, se recusando a beber algum tipo de sangue de novo. Como um zumbi estagnado no tempo.

— Vamos ter que fazer uma colheita. - O Uchiha que encarava uma das janelas falou. Encarando ao longe, longe da mansão, longe dos jardins, talvez até longe de Konoha.

— Acho que você deveria achar uma companheira. - O loiro falava tentando pensar em algo novo. - Está na hora de você se abrir.

— Isso… Jamais. - O moreno passava uma das mãos sobre os lisos fios escuros, depositando uma das mechas para trás.

— Você está com medo. - O loiro gritou.

— Eu não estou com medo. - Retrucou o moreno. - Mas você viu o que acabou de acontecer com Karin.

— Você nem se permitiu sentir nada por ela, Sasuke. - O loiro tinha um olhar triste e vazio, aquelas palavras pareciam magoar muito sua alma. Ele sabia que seu amigo nunca sentiu nada por sua irmã. Sabia o motivo de toda aquela sua relutância, mas também não aceitava a forma que ele se fechou para tudo e todos.

— Ruruhm. - Orochimaru que até então estava apenas observando a troca de farpas dos dois jovens resolveu se fazer ser ouvido simulando tirar algo de sua garganta.

— Acho que vou organizar a colheita, está na hora de recebermos rostos novos aqui na mansão. - Com um sorriso no rosto, Orochimaru fez sua reverência e saiu contente do grande salão.

Os olhos do Uchiha voltaram a encarar algo além da janela, Naruto que ainda estava ao seu lado observando cada movimento feito por seu corpo, encarava o rosto enigmático do rapaz. Não conseguiu segurar a expressão triste que lançou ao jovem Uchiha, não conseguia não sentir pena dele. 

 

 

 


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Notas finais do capítulo

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