Como tudo deve ser escrita por Carol Bandeira


Capítulo 6
Buscando o inimigo


Notas iniciais do capítulo

Eu precisei ver os episódios da oitava temporada várias vezes antes de conseguir criar um enredo que me permitisse algumas coisas: 1º: deixar a saída da Sara mais palatável; 2º: salvar o Warrick.

Depois de muito pensar e de ter me emocionado ontem- assistindo os episódios do assassinato do Warrick- eu consegui finalmente esboçar um caminho a trilhar.

Eu espero de coração que vocês gostem.



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Grissom levou Warrick até a delegacia de polícia, no intuito de fazer o homem se acalmar antes de prestar o depoimento.

— Foi ele, Gris... você sabe que foi- Warrick lamentou ao seu lado, já sem o mesmo ímpeto de antes, o que já era um ponto bom na opinião de Grissom. Seu plano parecia estar dando certo.

O supervisor esperou até que eles chegassem à delegacia. Estacionou o carro, desligou o motor e só então encarou seu colega.

— A única coisa que eu sei, Warrick, é que não foi você o responsável pela morte da garota. Você vai entrar lá, responder as perguntas da Corregedoria e não vai dar um pio sobre o Gedda- Grissom falou em um tom baixo, porém carregado de ordem. Como sua fala só serviu para fazer o moreno se inquietar novamente, Grissom o cortou antes mesmo de Warrick falar algo- Gedda não é o problema aqui.

—Gedda é o problema, Grissom! Ele me mandou uma mensagem. Matou uma mulher inocente porque eu cheguei perto demais dele!

— E se você não se controlar o próximo pode ser você! - Grissom estava próximo de implorar para que Warrick compreendesse- Por favor, Warrick, responda as perguntas da Corregedoria e esqueça o Gedda por enquanto. Deixe a poeira baixar.

— E deixar ele se safar, como sempre?

—Não tem muito tempo que eu pedi para que confiasse em mim. Eu estou do seu lado, e você, está também?

Foi somente o grande respeito de Warrick para com Grissom que permitiu ao moreno fazer o que o chefe lhe pediu. Warrick sofreu um interrogatório intenso, assim como Grissom, depois do supervisor ter dado o álibi que Warrick tanto precisava. Como era esperado, o moreno foi inocentado e, com alguma ajuda de Brass, Grissom pode continuar investigando o caso, não sem antes dar uma chamada no supervisor.

— Gil, eu não quero que você ache que estou me metendo onde não devo, mas o Warrick precisa se afastar. Você sabe muito bem que caras como Lou Gedda não se safam de condenações criminais por nada.

Os dois estavam na sala do capitão de polícia, as luzes de um novo dia já adentrando pela janela.

— Como? Você acha que ele tem amigos no departamento?

Gil estava curioso a respeito da leitura de Jim nessa situação. O entomologista não era burro e sabia muito bem que ninguém que trabalhasse ali poderia ser considerado isento. Não era só porque algum cara era policial que ele era bonzinho. Mas Gil nunca precisara se aprofundar nesse tema, não como agora. E se tinha alguém em que Gil podia confiar era o homem sentado à sua frente.

— Não sou como Warrick. Não saio fazendo acusações precipitadas. Até ter provas, isso sim.

— E chegamos ao ponto crucial... como conseguir provas...

— Eu não sei, Gil- o detetive se levantou e ajeitou seu terno- Só sei que o melhor a fazer é deixar passar. A gente não pode ter cuidado o suficiente com essas coisas.

Gil também se levantou. Estava desapontado, não com Jim em si. Ele entendia muito bem o instinto humano de se defender. Mas ele havia feito uma promessa para Warrick e não queria decepcionar o rapaz.

— Por que nós não nos encontramos qualquer dia desses? Faz tempo que não saímos, só para relaxar. Você está com cara de quem está precisando.

Grissom franziu a testa, tendo sido pego de surpresa por esse comentário. Afinal, ele e Brass não tinham o costume de se ver fora do escritório- como ele dissera a Greg há uns meses... A não ser que...

—Eu te ligo e marco, ok? Assim a gente pode ficar mais à vontade. Agora estou morto...

Grissom acompanhou o detetive até a garagem, muito grato por ter o apoio dele. Sabia que com Jim a seu lado a luta seria mais justa.

∞∞∞∞∞CSI∞∞∞∞∞

Mais tarde no mesmo dia, Jim apareceu na casa de Grissom munido de uma garrafa de Uísque, mas sem seu sarcasmo habitual. O detetive ficou surpreso ao conhecer o grande, mas dócil, cão de seu amigo.

— Engraçado... eu nunca te imaginei sendo dono de um cachorro- o detetive comentou enquanto o boxer pulava em suas pernas, quase o derrubando.

— Hank, senta! - Gil ordenou e o cão logo obedeceu- Você achou que encontraria o que? Uma aranha gigante de recepcionista?

—Alguma coisa assim...

— Ela está no porão. Junto com as baratas de Madagascar.

O capitão entrou na casa e deu a garrafa para o amigo, que falou para ele ficar à vontade. Jim então tirou o casaco e se fez confortável no sofá da sala, e ficou brincando com Hank enquanto esperava o dono da casa voltar.

Gil chegou com dois copos com gelo e Uísque, a garrafa embaixo do braço. Os amigos brindaram e ficaram um minuto em silencio, apreciando a bebida e imaginando como começariam aquela conversa.

— Como o Warrick ficou com tudo isso? Não deve ter sido fácil...

— Ah... Warrick...- Grissom coçou a cabeça com a mão que estava livre- Assim que a corregedoria terminou com ele, tentou voltar a trabalhar no caso. Eu disse a ele que não iria rolar, mas como ele teimou... precisei suspendê-lo.

Brass franziu o cenho e balançou a cabeça, reprovando a atitude de Warrick.

— Esse rapaz está cavando o buraco dele, escute o que estou te falando...

— Eu sei, Jim... ele quem não parece ouvir. E é por isso que eu preciso ajudá-lo.

— Gil, você só pode ajudar quem quer ser ajudado...

— Eu preciso tentar, Jim...

O detetive analisou o amigo. Desde o acidente com Sara, Gil parecia ter mudado. O emocional dele nunca mais fora o mesmo, e Jim não poderia culpá-lo. Ter a mulher amada nas mãos de um serial killer era uma experiência que ele não desejaria nem para o seu pior inimigo. Isso, somado ao fato dela ter ido embora e a situação com Warrick, a quem Jim sabia ser uma pessoa muito querida para Grissom. Tudo isso culminara para chegar na situação a sua frente. E Jim decidiu que faria de tudo para ajudar Gil naquele momento.

— Sendo assim, Gil... você concorda comigo que qualquer coisa que for ser discutida a respeito de um informante no departamento... bem, precisa ficar entre nós. Eu não confiaria em ninguém, se eu quisesse descobrir quem está por detrás de tudo isso. Por isso é importante que Warrick fique na dele. Não dá para entrar na delegacia e gritar com o subdelegado do jeito que ele fez. Eu não estou dizendo que é o McKeen, mas qualquer pessoa pode ouvir essas coisas e isso chegar nos ouvidos de alguém que não devia.

— Eu compreendo... precisamos fazer “vista grossa”, assim como sempre fizemos, a fim de chegarmos a algum lugar.- a fala de Gil saiu em um tom reprovador

— Sim... esse é o jogo... você sabe... faz um tempo que eu evito pensar nisso, mas quando eu cheguei em Vegas, eu fui convidado para um churrasco, não me lembro na casa de quem. Só sei que era detetive aquela época, e morava numa casa maneirinha, sabe? Nada fora dos padrões do salário dele da época, mas eu lembro que fiquei impressionado. Mas isso aqui é Vegas né. Então ele me veio com uma conversa estranha, e quando eu deixei bem claro que não me interessava por esse tipo de coisa, bem... digamos que eu nunca mais fui convidado para um churrasco dele.

— Vegas sendo Vegas...

— Sim. E como você mesmo disse. Eu não dei atenção aquilo... mas não significa que não está aí, fazendo suas vítimas...

E como fazia. A corrupção era algo que estava entranhado desde a criação de Las Vegas- sem contar em outras partes dos Estados Unidos, é claro. E Grissom, tendo sido sempre uma pessoa com os valores corretos, um homem honesto e trabalhador, não queria acreditar que seus colegas de trabalho, pessoas em quem ele devia confiar a vida, poderiam coadunar com criminosos e seus atos vis. Não quando ele, que sempre seguiu todas as regras e ate as deixou intervir em sua vida particular, pagava por tudo aquilo. Não quando Warrick era feito incriminado por um homem que, por todos os efeitos, devia estar preso. Grissom estava cansado de tudo aquilo. Talvez Sara tivesse razão em abandonar tudo aquilo... talvez ele devesse ir com ela, quando tudo aquilo terminasse.

— Enquanto isso... nós não temos uma única evidência forte o bastante para pegá-los...

O caso de Joana, a dançarina exótica, fora encerrado com o encarceramento do mendigo que morava nos arredores do Piggale. E não adiantaria reabri-lo. Nenhum juiz queria mexer naquele vespeiro, e na pior das hipóteses eles poderiam acabar irritando ainda mais quem quer que fosse que estivesse na folha de pagamento de Gedda. O que não seria uma má ideia, caso nem ele nem Warrick tivessem nada a perder. Tentar atrair a pessoa responsável e fazê-la errar na mão na hora de tentar se proteger. Entretanto, aquele seria um jogo perigoso, e Warrick precisava ver seu filho crescer.

— Gil... seja quem for que estiver por detrás de tudo isso, essa pessoa já está por um fio... o acidente com o carro de lixo o deixou na corda bamba. Precisamos ficar atentos aos próximos movimentos...

— Se eu estivesse no lugar dele, iria ficar quieto até a poeira baixar. Sinto que se não fizermos nada agora, podemos perder o rastro.

— Não vejo da mesma forma. Olhe, ele já está assustado. Qualquer movimento nosso pode fazer com que ele ataque desesperadamente. Só não podemos ser o alvo desse ataque, se não perdemos a oportunidade de desmascará-lo.

Jim tomou o resto do Uísque em um gole e, aproveitando que não estava na escala de trabalho da noite, completou o copo mais uma vez.

— Eu espero que você esteja certo, Jim.

Caso não estivesse, Gil teria medo do que poderia acontecer a Warrick.

∞∞∞∞∞CSI∞∞∞∞∞

No fim, o conselho de Jim não agradou em nada a Warrick. O moreno não conseguiria esperar mais alguma coisa acontecer para agir. Por isto, contratou um detetive particular para conseguir provas de que o gangster havia mandado assassinar Joana. O que poderia lhe custar muito caro no fim das contas.


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