Como tudo deve ser escrita por Carol Bandeira


Capítulo 5
Confia em mim


Notas iniciais do capítulo

Esse capítulo aqui foca no relacionamento do Grissom com o Warrick. Espero que vocês gostem.



Este capítulo também está disponível no +Fiction: plusfiction.com/book/803913/chapter/5

Apesar de ser a última coisa que ele queria, Grissom volta para Las Vegas sem a companhia de Sara. A noiva sentia que precisava de mais algum tempo em São Francisco com sua mãe. Ela não sabia explicar o porquê, e Grissom não queria forçar nada com ela. Deste modo, Gil voltou ao trabalho e aos cuidados de Hank enquanto a morena continuava sua busca por paz interior a uma distância de 916 km.

Durante esse tempo, Gil tentava se ocupar como podia, para não ficar sempre com a cabeça em Sara- já que seu coração era caso perdido. A pedido da noiva, ele tentou não ficar muito recluso e nem passar o tempo todo no trabalho. Algo difícil para o supervisor, mas ele prometeu a Sara que o faria.

Foi por isso que, quando Grissom começou a notar um comportamento estranho em Warrick que ele acendeu um alerta. Seu “perito favorito” estava deixando sua performance no trabalho cair. Além disso, era nítida a mudança de comportamento. Warrick nunca fora um livro aberto- era até parecido com Grissom nesse quesito- mas ele na maioria das vezes era um rapaz cheio de energia e charme. Nos últimos tempos ele parecia que tinha perdido o gosto de viver.

Assim, quando o moreno chegou mais uma vez atrasado para o trabalho, Grissom decidiu que precisaria agir. Ele só precisava do momento certo para fazê-lo, e Warrick o entregou de bandeja quando puxou o assunto.

— Olha, Grissom... sobre o meu atraso...

— Você tem um celular pago pelo departamento. É só você avisar que vai chegar atrasado- Grissom sentiu que como supervisor ele tinha que chamar a atenção dele por isso. Mas era a chance que ele tinha e não podia deixar escapar só com assuntos do trabalho- O que está acontecendo com você?

— Eu não sei... essa coisa do divórcio com a Tina..., mexeu muito comigo, sabe? Eu costumava ter o time para me distrair disso tudo, mas até isso mudou com a Sara indo embora... eu me sinto... meio perdido...

Em primeiro plano, Grissom conseguia entender a dor de Warrick. Ele não se separara de Sara definitivamente, é claro, mas não deixava de ser dolorido. Agora quando o perito colocou o nome de Sara no meio daquilo tudo... como se a saída da noiva tivesse piorado a situação dele... Grissom somente se controlou pois tinha muitos anos de experiência em gerenciar suas emoções, mas ainda assim ele respondeu ainda um pouco contrariado.

— Você ainda tem o seu trabalho... não estrague isso.

Ao se pegar pensando naquela conversa mais tarde, em seu escritório, Grissom se arrependera de não ter dado outra resposta a Warrick. Era óbvio que o rapaz estava sofrendo. Todos estavam vendo aquilo, mas como se ajudava alguém quando seu coração também estava estilhaçado? “Você pode ser mais dramático, Gilbert?” o supervisor pensou consigo mesmo. Ele não era assim, dado a rompantes emocionais. Ele era o supervisor, não podia deixar um membro importante de sua equipe sofrer daquele jeito. Além do que, fora também um pedido de Sara que ele ajudasse ao moreno. Se mesmo em sua dor- a qual ele julgava ser infinitamente maior que a dele- sua noiva conseguira um espaço em sua cabeça para se ocupar de um amigo, como ele não conseguiria fazer o mesmo?

Grissom então resolveu pegar seu celular para tentar falar com Warrick, mas foi surpreendido com uma chamada sobre o caso no qual estava trabalhando. Como de costume, o perito se envolveu no trabalho e só foi pensar no colega mais tarde, quando o subdelegado McKeen chamou por ele na delegacia de polícia, enquanto Grissom falava com um policial.

—Grissom! Você precisa ajudar o seu CSI. O que ele tem aqui é apenas circunstancial, baseado apenas em feridas estranhas e uma cadeira de barbeiro. CSI Brown precisa arrumar provas melhores e deixar o resto com a gente.

— Deixar o que com vocês, a grana de Gedda?

Grissom teve medo que McKeen mandasse demitir Warrick naquele instante. Como o subdelegado apenas encarou o perito com seriedade e depois saiu Grissom passou a mão no braço dele e o levou embora dali.

—Escuta aqui, prender o Gedda não vai resolver os seus problemas. Vá para casa, estou te dando o resto do dia de folga.

Grissom precisava de um tempo para pensar em como ajudar Warrick e, com o perito descontrolado como estava, sabia que tê-lo nas ruas só iria dificultar as coisas. Warrick era um homem sensato- disso Grissom tinha certeza. Imaginava que ele iria realmente para casa descansar.

O problema para Grissom foi que o jovem CSI estava descontrolado. Pensando que a única forma de pegar Gedda naquele momento seria o provocando, Warrick partiu em direção ao Pigalle, na intenção de aproveitar as mordomias da casa e não pagar, incitando assim a fúria da casa. O que ele não contava era que Gedda não era principiante.

A sorte do perito foi que Grissom, desconfiando da sanidade de seu subordinado, resolveu passar na casa dele antes de encerrar o trabalho. Não o encontrando, foi direto a boate e chegou na hora para evitar mais confusão. Warrick estava com uma das dançarinas em seu colo, e Grissom não quis nem saber do que estava falando. Cutucou o moreno e ordenou:

—Paga isso e vamos embora!

A dançarina logo meteu o pé, e Warrick retrucou:

— Como sabia que eu estava aqui?

—Você já esteve duas vezes aqui hoje- como se não fosse fácil deduzir o paradeiro dele- Anda, vamos embora!

—Grissom... senta aí e bebe comigo...

—Estou trabalhando.

—Eu também!

—Então quer ser demitido.

Warrick se levantou e respondeu, como se tudo o que estivesse fazendo agora fosse legitimado por um propósito maior.

— Não, eu quero que ele saiba que estou aqui. Quero ver o que aconteceria se pedisse uma garrafa e não pagasse por ela.

—Você acha que ele é idiota?!

—Vale apena tentar.

A discussão terminou quando uma garçonete veio até eles e entregou a Warrick a conta- paga pela casa.

—Agora vai ter que pagar- Grissom comentou ao ver o que estava escrito na comanda- Não podemos aceitar presentes...

Grissom então tomou conta da situação e, resolvendo tomar medidas drásticas, mandou uma mensagem para Cath dizendo que tinha coisas a resolver e que não aparecia mais no trabalho hoje, e levou Warrick- muito a contragosto- de volta para sua casa.

∞∞∞∞∞CSI∞∞∞∞∞

Warrick acordou com a claridade o incomodando. Estranho, pois o blecaute da janela do seu quarto sempre fizera o seu trabalho. A não ser que...

O perito foi despertando devagar e percebendo que não estava exatamente em seu quarto. A cama na qual ele estava deitado não era a sua. E definitivamente não era uma cama, Warrick descobriu quando foi se virar e caiu no chão.

—Merda!

Abriu os olhos e viu o sofá marrom. Passando a mão na cabeça ele se sentou e passou a observar o cômodo em que estava. Não era um lugar conhecido, mas era uma sala ampla e clara, com suas paredes em um tom claro de amarelo, vários móveis espalhados e cheios de objetos, plantas e quadros. Warrick coçou a cabeça e tentou se lembrar do que havia acontecido na noite anterior. Ele só se lembrava de ter ido até a boate de Gedda para investigar, e nada além disso.

—Warrick, você acordou.

Warrick se assustou com a chegada repentina de seu chefe e se levantou no susto.

—Grissom! - o perito reparou nas roupas casuais que seu chefe usava por debaixo de um robe, e então ligou uma coisa à outra- Como eu vim parar na sua casa?!

O homem mais velho sorriu e respondeu:

—Não se lembra da sua noite louca no Pigalle Boulevard?

—Ah!-  Warrick levou a mão a cabeça – Droga! Achei que tivesse sonhado com isso...

—Infelizmente não.

—Olha, Gris... eu sinto muito!

—Nós falamos nisso depois... Você precisa de um bom café para acordar... Venha comigo.

Como Grissom era um homem guardado com seus sentimentos Warrick não conseguia avaliar se seu mentor estava muito irritado com ele. O moreno não sabia o que era pior, essa aparente calma do homem ou se ele realmente brigasse com ele. Assim sendo, seguiu Grissom escada abaixo até a cozinha em estilo americano. Na bancada havia um pequeno café da manhã e o cheiro da comida fez o estômago de Warrick revirar. A ressaca o estava matando.

—Se quiser o banheiro é por ali- Grissom indicou o caminho, tendo notado o tom esverdeado de Warrick. O perito pediu licença e saiu dali apressado. Quando voltou, encontrou a mesa vazia exceto por um copo com água e um remédio. Grissom estava do outro lado da bancada tomando café preto.

—Obrigado, Griss.

O homem somente levantou a caneca em uma espécie de saudação. Depois de tomar o remédio Warrick passou a observar melhor a casa, já que encarar o seu chefe o deixava nervoso. O silêncio também o incomodava, então o moreno resolveu quebrá-lo.

—Sua casa é muito bonita.

—Obrigado.

Warrick não pode deixar de reparar em como aquele local era diferente da antiga casa de seu chefe. O ambiente antigo era abarrotado de objetos, como a presente casa, mas o local tinha um aspecto austero, de paredes brancas, e muito funcional. Esta casa, no entanto, tinha um quê de aconchego, era um local definitivamente feito para que o morador pudesse passar horas ali relaxando.

Como Grissom não parecia querer conversa Warrick se calou e se serviu do café que ainda estava na mesa. Uns minutos se passaram e o jovem somente segurou a caneca em suas mãos. Como o moreno não parecia querer tomar o café, tampouco, Grissom ofereceu.

—Se quiser leite, ou água, está na geladeira. Sinta-se em casa.

Warrick decidiu que água seria uma boa e se levantou atrás da bebida, e foi aí que reparou em uma foto de aspecto antigo.

—Uau! Vocês sabem mesmo esconder um segredo! - o moreno não conseguiu conter sua surpresa. A foto era de seu chefe e Sara, os dois nitidamente bem mais novos, com a ponte de Golden Gate ao fundo. O casal parecia muito confortável um com o outro, embora seu chefe não sorrisse abertamente.

—Neste exato momento, não tínhamos nada a esconder.

A voz de Grissom soou bem atrás de Warrick, e o moreno quase pulou de susto. Não ouvira Grissom se aproximar!

—Ela parece bem feliz- Warrick tinha tantas perguntas sobre o casal, mas não se sentia confortável em fazê-las, não naquelas circunstâncias. Por algum motivo Grissom o trouxera para sua casa quando Warrick estava incapacitado de fazer decisões acertadas. O chefe não era muito aberto e Warrick sabia que abrir a sua casa assim para ele era um gesto de muita confiança de Grissom para com ele. Não queria quebrar isso sendo fofoqueiro.

—Sim... foi um dia muito bom...

—Como ela está?

—Está bem... sabe Warrick... antes de Sara ir viajar, nós conversamos...

Grissom voltou para a mesa e Warrick o acompanhou, curioso para onde Grissom ia levar a conversa.

—Falamos sobre como ela chegou aqui em Las Vegas.

—Ah...

Warrick nunca se esqueceria o motivo de Sara ter vindo de São Francisco. A morte de Holly Gribs ainda pesava em sua consciência. Warrick foi tirado de pensamentos funestos com a risada de seu chefe.

—Ela costumava me alfinetar, dizendo que você era o meu CSI favorito... eu nunca neguei – Grissom falou e apesar da risada, ele não parecia muito feliz com aquilo.

Warrick achou graça. Afinal, tendo Grissom afirmado há um tempo que Sara fora a única pessoa que ele amou... bem, dava para imaginar quem era o preferido de quem ali.

—Ela está certa, sabe?

—Como?!

Se Warrick tivesse bebido sua água naquela hora ele teria se engasgado.

—Como sempre... ela me conhece bem- Gil elevou os ombros, naquele eterno jeito de quem quer dizer: fazer o quê, né?

—Gris... eu...

—Não fique surpreso... entenda... eu tenho uma equipe incrivelmente talentosa... todos vocês são sensacionais, mas eu sempre soube que em você... eu vejo algo em você, Warrick... desde o primeiro dia... você tem a capacidade de superar a todos nós. Nick e Cath... eles são ótimos em lidar com o público, mas há uma carga emocional ali que eles ainda não conseguem controlar... Sara nem se fale... e eu... bem, eu acho muito difícil me relacionar fora das evidências... e um bom perito... ele precisa gravitar entre a ciência e as pessoas. Eu nunca soube fazer isso... não sou um bom líder nesse quesito... mas você consegue... e é algo tão natural que não pode ser ensinado. Mas ainda assim... você faz escolhas como essa noite... e isso me deixa tão frustrado...

—Grissom... eu sinto muito... eu vou...

—Eu quero te ajudar, Warrick. Eu realmente quero ajudar você a alcançar todo o seu potencial, mas eu preciso que você colabore comigo... eu preciso que me conte o motivo de estar tão descontrolado a ponto de ir sem apoio nenhum a um local como aquele...

Warrick se largou na cadeira e abandonou o copo. Como ele poderia explicar a Grissom algo que nem mesmo ele conseguia entender? A verdade era que o perito estava esgotado. Ele tentara tanto, a todo custo, ser o homem que Grissom via nele, o homem que sua querida avó, que Deus a tenha, vira nele há muitos anos. Mas era muito difícil. Não importa o que ele fazia, parecia que a vida jogava obstáculo em cima de obstáculo na sua frente.

 Primeiro foi crescer sem os pais presentes...a adolescência difícil em um bairro hostil. Depois, o vício nos jogos de azar, que quase o custaram o emprego. Mas Warrick superou tudo isso. Ele trabalhou firme, foi honesto, ajudou a quem precisava.... casou-se e tentou constituir uma família. Ele seria diferente de seu pai. Ele tinha que ser! Mas então... ele não sabia onde nem porque, mas tudo desandou. E ali estava ele, de ressaca na casa do seu chefe. Se havia um jeito mais certo de perder o emprego, Warrick desconhecia.

—Desculpe, Gris... eu... não sei o que dizer- Warrick falou aquilo com a cabeça baixa. Não queria olhar nos olhos de Grissom e ver ali o desapontamento que o homem sentia por ele, e com toda a razão- Eu não queria nada disso, não queria te decepcionar...- e parou de falar pois se continuasse ele choraria.

Grissom suspirou fundo, levantou-se e foi em direção ao jovem CSI. Com uma mão em seu ombro ele falou.

— A única forma de você me decepcionar é se você deixar abater por tudo isso, Warrick.

O perito se levantou rapidamente, assustando a seu chefe. Mas ele não conseguia mais se conter. As emoções tomavam conta dele.

— E como você sugere que eu faça isso?! Como que eu lido com meu casamento fracassado? Com uma mulher que me odeia e não quer que eu veja o meu próprio filho?! Eu não sou que nem você, Grissom, que consegue levar na boa o fato de ter sido abandonado!!

Ao perceber que havia levado a discussão um pouco longe demais, Warrick fechou os olhos e teve vontade de se dar um tapa na cara.

—Olha, Grissom, eu sinto muito... eu não queria descontar em você... é, eu vou deixar você sozinho agora- ele se preparou para sair, novamente sem olhar para o supervisor um momento sequer.  

— Ela não me abandonou... a Sara- Grissom falou ainda sentado, sem tentar impedir que o outro homem fugisse, mas ainda assim suas palavras contiveram Warrick- E defletir suas atribulações em mim não vão te ajudar em nada a superar o que está passando, Warrick. Repito o que disse ontem, essa luta ensandecida de ir atrás de Gedda não vai te ajudar.

Desta vez Grissom se levantou e foi em direção ao seu subordinado, mas passou do lado dele e foi em direção ao corredor.

— Eu sei que eu sou última pessoa nesse mundo de quem você gostaria de ouvir conselhos sobre sua vida pessoal, Warrick. Eu nunca... soube muito bem me relacionar com as pessoas, mas quando ela entrou em minha vida... e quando eu realmente a deixei entrar em minha vida... ela me salvou de mim, Warrick. O amor dela me salvou... e acho que você tem alguém em sua vida que quer te dar muito amor também... então, se você está se sentindo para baixo, como se o mundo te desapontasse... pense no seu filho, Warrick... ele merece ter o pai dele inteiro, você não acha?

Gil encarou seu perito de frente enquanto falava aquelas últimas palavras. E antes que Warrick pudesse responder, Grissom continuou.

—Bem... era isso que eu tinha a dizer. Agora, se você estiver disposto, posso te deixar no Pigalle para buscar o seu carro antes de  pegar o Hank na creche...

—Ah?- mas o que diabos ele estava falando... Hank não era o ex...

— O meu cachorro, Hank?

—Ah, sim...- que nome mais peculiar para um cachorro, sendo quem ele era... – Grissom... sobre o Gedda...

— Vamos fazer assim... tem algo de muito errado aí, Warrick. Eu concordo com você, são pessoas do alto escalão da polícia metidos aí... quem sabe até no judiciário também. Por isso não podemos criar alarde... eu te prometo que vamos investigar isso, mas temos que ser inteligentes... eu vou te ajudar nisso... mas eu preciso que você confie em mim...

—Eu confio, Griss... muito obrigado, por tudo.

Finalmente Grissom sentiu que conseguira convencer Warrick a se cuidar... ele esperava que isso fosse o suficiente.

∞∞∞∞∞CSI∞∞∞∞∞

Grissom então deu carona para Warrick até a boate para recuperar seu carro, tendo feito Warrick prometer que não voltaria mais lá depois disso. O que eles não contavam era a cena que os aguardava ali.

Grissom estacionou a SUV e ficou um tempo parado, tentando fazer algum sentido no que via. Warrick estava do mesmo modo a seu lado. Com o coração na mão, o supervisor saiu rapidamente em direção ao local no estacionamento que estava marcado com fita amarela, ordenado a Warrick que não se aproximasse.

— Eu não sei se deveria deixar vocês a frente desta investigação- Brass apareceu repentinamente ao lado de Grissom- que havia parado ao lado do carro de Warrick, que estava no momento ocupado por um corpo de uma mulher- a mesma a quem Warrick dava atenção quando ele o encontrou horas antes.

O supervisor fez menção de olhar no relógio de pulso antes de responder:

—Ainda estamos no horário do turno da noite...- ele retirou as luvas de dentro do bolso do colete antes de terminar a fala- Até me dizerem o contrário, esse caso é nosso- e foi andando em direção ao corpo.

Brass suspirou, mas não tinha intenção alguma de mudar a cabeça do amigo. A bem da verdade, ele nem queria. Havia algo de muito errado naquela situação toda- seus anos todos de detetive gritavam isso. E quem melhor para resolver aquela situação se não Grissom?

— O que você acha ?- perguntou o detetive.

— O que eu acho não tem lugar em uma investigação, Jim. O que aconteceu é o que importa.

— Sim, claro. Mas qual é a sua leitura dessa situação toda?.

Grissom tomou mais um tempo antes de responder.

— Que alguém fez um trabalho muito porco.... se sua intenção é  matar alguém, ou até mesmo incriminar - Grissom apontou para o corpo a sua frente – Você vai querer ao menos tentar encobrir o crime... a não ser que seja alguém tentando passar uma mensagem...

— Foi o que pensei também... Mas Gil...- alguém precisava bancar o advogado do diabo, se quisessem ajudar Warrick- há também a possibilidade de Warrick estar descontrolado.

Grissom suspirou e , desistindo de vez de examinar o corpo , levantou-se e encarou o amigo.

— E ele está, Jim. Mas o Warrick não foi responsável por isso- ele apontou para o carro- Ele pode não ser intocável nessa história toda, mas Warrick passou o restante da noite na minha casa, assim que saiu daí. E essa moça estava viva..

Foi então que ouviu um carro parar ali por perto e , do nada, Warrick saltar de um pulo de lá e tentar passar pela fita amarela. Apesar do cansaço, Grissom reagiu no instinto.

— Não, não, não- ele afastou Warrick com a mão no peito dele- Você não pode passar por aqui desta vez.

— Por quê-.

— Esse carro é seu.

Warrick olhou com mais atenção para o local que Grissom apontou e foi aí que se desesperou.

—NÃO!NÃO! Isso está errado! Ela não fez nada!

O perito gritava como se estivesse falando com Gedda em pessoa, Grissom sabia. De repente, nada importava. Ele precisava ajudar Warrick. Tinha que tirá-lo dali.

—Vamos, Warrick... você precisa sair daqui...


Não quer ver anúncios?

Com uma contribuição de R$29,90 você deixa de ver anúncios no Nyah e em seu sucessor, o +Fiction, durante 1 ano!

Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!




Hey! Que tal deixar um comentário na história?
Por não receberem novos comentários em suas histórias, muitos autores desanimam e param de postar. Não deixe a história "Como tudo deve ser" morrer!
Para comentar e incentivar o autor, cadastre-se ou entre em sua conta.