R.I.P. escrita por MarcosFLuder


Capítulo 5
Os espíritos querem descanso


Notas iniciais do capítulo

Último capítulo da fanfic postado. Espero que quem acompanhou a história goste do desfecho.



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OLD FARMER

RESIDÊNCIA DE HAROLD CORNOR

— O que querem aqui?

— Queremos falar com o senhor – disse Doggett.

— Não tenho nada para falar e vocês não são bem vindos à minha casa.

— Isso não é uma visita de cortesia Cornor – disse Doggett – abra essa porta ou iremos arrombá-la.

— Iremos é? – disse Mulder.

Mulder não conseguiu evitar um sorriso ao ouvir aquilo, um que desapareceu de seu rosto quando Doggett meteu o pé na porta com violência e entrou na casa. Mulder Janeth e Jerônimo entraram também. Harold Cornor veio de um cômodo com uma espingarda na mão e atirou na direção de Doggett, mas Jerônimo pulou na frente e recebeu o tiro. O nativo americano cambaleou na direção de Cornor, atracando-se com ele antes que pudesse atirar de novo. Janeth tirou várias fotos enquanto Mulder e Doggett separavam os dois. Mulder socorreu Jerônimo enquanto Doggett algemava Cornor.

— Você tem muitas explicações a dar meu caro – disse Doggett.

— Vocês é que não deviam se meter no que não lhes diz respeito – grita Cornor.

— Eu não te entendo Cornor, aliás, eu não entendo ninguém nessa cidade – disse Mulder – duvido muito que você goste de passar as manhãs cavando buracos num cemitério. Viver essa vida de repetição permanente a que estão submetidos.

— Isso não é da sua conta – ele grita.

— Isso está para acabar senhor Cornor – disse Jerônimo – os crânios estão sendo trazidos de volta e serão enterrados no cemitério.

— Não! Eles não têm esse direito! Eles não têm!

— Era o que você pensava Cornor – disse Doggett – você mandava jogar as cabeças dos presos que morriam naquele buraco. O que fez com o restante dos corpos.

— Mandei queimá-los senhor FBI – havia uma expressão de loucura no rosto dele ao dizer aquilo – eles queimaram até virar cinzas e estas foram enterradas em outro buraco.

— Porque isso senhor Cornor?

— Porque eles mereciam senhorita jornalista. Onde já se viu aqueles animais quererem ser enterrados no nosso cemitério como se fossem gente decente.

— Havia uma ordem judicial que o obrigava a fazer isso – disse Doggett -  você era um oficial da lei, tinha que cumpri-la.

— Uma ordem dada pela mesma justiça que achava a nossa cidade a lixeira do estado – enquanto falava ele tentava soltar-se da algema – eles mandavam para cá a pior escória das prisões e nunca perguntaram se nós os queríamos. Negros, índios, chicanos, somente a pior escória, e ainda queriam que fossem enterrados em nosso cemitério.

— Acho que se procurarmos bem vamos encontrar muitos capuzes brancos nessa cidade – a ideia de Mulder era quebrar a tensão. Ele viu logo que não havia conseguido – o que fizeram com a ordem judicial que receberam?

— Nós a queimamos junto com os corpos daqueles imprestáveis.

— Vocês mataram todos os presos? – Doggett perguntou.

— Eles se rebelaram por causa dessa ideia ridícula de serem enterrados no cemitério, como se fossem iguais as pessoas dessa cidade. Vocês sabiam que perdi dois bons guardas na rebelião que fizeram? E o que foi que a justiça decidiu? Que eles estavam certos! Nós nunca íamos aceitar uma coisa dessas – um sorriso insano surgiu no rosto dele.

— Fale a verdade seu desgraçado – Doggett pegou-o pelo colarinho – não houve rebelião nenhuma, foi um massacre.

— Estávamos cansados daquele presídio, daqueles animais.

.

— O que houve na igreja? Todo aquele sangue... – Mulder perguntou.

— O Pastor Jenkins também era Capelão no presídio. Na noite em que fomos acabar com aquela escória ele conseguiu tirar vários deles de lá numa caminhonete.

— E os levou para a igreja – completou Mulder – ele provavelmente achou que vocês não teriam coragem de profaná-la.

— Nós já havíamos ido longe demais, tínhamos matado até um oficial de justiça, não havia motivo para recuar.

— Então vocês invadiram a igreja – exclamou Doggett.

— Aqueles animais resistiram e na confusão o Pastor Jenkins foi morto – o sorriso insano continuava estampado no rosto dele – é claro que nós o enterramos no cemitério, ele era um idiota, mas ainda era da nossa... “espécie”. Quanto aos outros, nós demos o tratamento habitual.

— Vocês os decapitaram, jogaram as cabeças deles no buraco e queimaram o resto dos corpos – disse Mulder – mas não eram todos que faziam isso, o cara lavando o carro, o outro que concerta a cerca e a mulher que regava o jardim.

— É verdade eles... não tinham estômago para isso, mas não ficaram no caminho como o Pastor Jenkins.

— Tudo teria terminado muito bem se não fosse a maldição que o pai do Jerônimo lançou sobre vocês – disse Mulder, nesse mesmo instante Harold deu uma sonora gargalhada.

— Quer dizer então que você não contou para eles índio – ele dizia enquanto olhava para Jerônimo – conte o resto da verdade para eles.

— Do que ele está falando Jerônimo?

— Porque quer saber se não acredita em nada disso agente Doggett?

— Deixa de conversa Jerônimo – Doggett estava realmente irritado – o que falta ainda para nós sabermos nessa história toda?

— Foi ele quem lançou a maldição meu caro – disse Harold – ele foi o responsável por tudo o que temos passado nos últimos 60 anos.

— Obrigado senhor Cornor – Jerônimo sorria enquanto era ajudado por Janeth a manter a ferida fechada – eu não podia contar nada a eles, tinha que esperar que eles descobrissem sozinhos ou então que alguém contasse e foi isso que você fez.

— Foi você mesmo Jerônimo?

— Sim agente Mulder. Eu vinha para cidade com o oficial de justiça quando fomos atacados por Harold e seus capangas. Eu consegui fugir, mas o oficial não teve a mesma sorte – ela parou pra tomar fôlego e retomou a história – eu cheguei na cidade a noite e vi o que eles haviam feito. Fiquei enlouquecido de ódio. Meu pai era inocente. Ele foi preso por um crime que não cometeu. Ele me ensinou os costumes antigos, dentre eles como lançar a maldição da imortalidade, e foi o que eu fiz naquela mesma noite.

— E no dia seguinte todas as crianças e adolescentes da cidade estavam mortos – Harold já não ria mais. Havia ódio nos olhos dele – eu tinha três filhos, o que acha que senti quando os encontrei mortos.

— Eu não me arrependo de nada. Todos vocês tiveram o que mereceram. Eu faria tudo de novo – disse Jerônimo – mas os espíritos querem descanso, por isso me fizeram chamar você até aqui agente Mulder – ele olhou pra Mulder – você já sabe o que fazer, não é?

— Não! Você não tem esse direito – gritou Harold – prefiro viver amaldiçoado por toda a eternidade a aceitar isso.

— Não acho que você tenha escolha senhor Cornor – Doggett disse – há uma ordem judicial que precisa ser cumprida, mesmo que seja com um atraso de 60 anos.

Uma pedra estilhaçou a vidraça de uma das janelas e todos se assustaram. Doggett foi até a janela e viu uma multidão vindo em direção à casa. Eles atiraram coquetéis molotov que começaram um pequeno incêndio na sala.

— Temos que sair pelos fundos – Doggett gritou enquanto arrastava Harold. Mulder carregava Jerônimo com a ajuda de Janeth, mas ela parou do lado de fora.

— O que houve?

— A minha câmera agente Mulder, ela ficou lá dentro.

— A essa hora já deve ter queimado – disse Mulder

Eles já estavam na rua quando viram a multidão avançando e foram abrigar-se na igreja. Todos entraram e bloquearam a entrada com os bancos. Mulder, Doggett perceberam que estavam cercados naquela pequena e singela igreja, juntamente com o amarrado Cornor e com o ferido Jerônimo. Janeth estava colocando a mão sobre o ferimento de bala que Jerônimo sofreu, seus olhos estavam cheios de lágrimas, enquanto em desespero ela fala:

— John, ele está sangrando muito.

— Não se preocupe senhorita Crane, sabe muito bem que as pessoas não morrem nessa cidade, não é Cornor.

— Vá para o inferno!

— Eu iria se a verdade estivesse lá, mas não está – Mulder deu-lhe um violento chute, o que fez Harold contorcer-se de dor.

— Mulder o que está fazendo – diz severamente Doggett.

— Apenas relaxando a tensão, Doggett.

Do lado de fora as pessoas batiam na porta de madeira da igreja, eles queriam entrar a qualquer custo, como se suas vidas dependessem disso.

— Agente Mulder essa porta não vai manter essas pessoas fora por muito tempo.

— Eu sei senhorita Crane – ele pega o celular e liga para Scully – Droga fora da área de serviço.

— Mulder a verdade pode ser enterrada, mais ela sempre vem a tona – diz Jerônimo.

— Vocês são uns loucos, e quando as pessoas dessa cidade botarem abaixo essa porta vocês terão o mesmo fim que aqueles animais de 60 anos atrás.

Parecia até uma profecia, segundos depois de Harold ter dito aquilo a porta veio abaixo e uma multidão entrou. Todos tinham aparências ferozes, estavam armados de pás, enxadas e porretes. Mulder, Doggett, Janeth e um ferido Jerônimo recuaram para perto do altar enquanto o xerife levantava Harold. Ambos ficaram entre a multidão e os quatro junto ao altar.

— Agora vocês vão poder saber como nós acabamos com aqueles bastardos – disse Harold – e aí Larry, ainda lembra como nós comandamos o pessoal na noite do massacre?

— É o que tem me sustentado nesses malditos 60 anos senhor Cornor – eles riram ao ver Doggett e Mulder apontando suas armas – não creio que tenha bala suficiente para todo mundo, até porque não vai adiantar nada.

— Isso mesmo não é pess... – Harold parou de falar ao mesmo tempo que o sorriso morreu no rosto do xerife. Doggett e Mulder baixaram as armas. Janeth não conseguia articular qualquer palavra, apenas Jerônimo exibia um sorriso no rosto

— Eu avisei senhor Cornor – disse ele – os espíritos querem ser ouvidos.

A multidão tinha um olhar inexpressivo quando avançou para Harold e o xerife. Estes nem mesmo tiveram tempo de se defender dos golpes que vieram de todos os lados. Janeth virou o rosto para não ver. Mulder e Doggett ficaram parados e sem ação, apenas Jerônimo parecia apreciar aquilo tudo. A multidão continuou golpeando os dois homens de todas as maneiras e só pararam quando ambos não eram mais do que restos de carne e sangue no chão.

OLD FARMER

DIA SEGUINTE

Mulder, Doggett e Janeth Crane estão em frente aos pequenos túmulos feitos por eles mesmos. Os três passaram o dia inteiro cavando. Os homens que trouxeram os crânios pareciam apavorados. Simplesmente os deixaram na cidade e foram embora o mais rápido que puderam. Scully e Monica não vieram, pois naquele exato momento estavam dando explicações a um comitê sobre o que ocorreu em Quântico, e a respeito do sumiço dos corpos de 6 homens que estavam sob os cuidados do FBI. Todos os crânios haviam sido identificados e enterrados e os moradores da cidade não estavam à vista. Na noite anterior, todos haviam corrido para suas casas após saírem da possessão. Mulder e Doggett foram procurá-los. Ambos entraram em todas as casas, mas tudo o que encontraram foram cinzas que pareciam de corpos carbonizados. O mesmo aconteceu com os corpos de Harold e do xerife. O único corpo encontrado foi o de Jerônimo. Ele morreu assim que os crânios chegaram. Janeth colocou uma flor no túmulo dele com uma inscrição: Descanse em paz.

— O que vai fazer agora senhorita Crane?

— Como assim agente Doggett?

— Bom, seu filme foi destruído no ataque da multidão, e sem o filme eu acho que sua matéria fica invalidada. Eu acho que no final das contas você acabou perdendo.

— Será mesmo? – com essas ultimas palavras a jornalista beija Doggett de uma maneira calorosa e apaixonante. Após o termino do beijo ela diz para ele.

— Não agente Doggett, este trabalho foi perfeito e espero revê-lo – ela entra no seu carro, coloca seus óculos escuros e sai daquela cidade fantasma. Mulder se prepara para falar, mais é impedido por Doggett que diz:

— Não quero ouvir nenhuma palavra sobre isso Mulder.

— Eu só ia perguntar que horas são.

FIM


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Notas finais do capítulo

Fim de mais uma jornada. Espero que tenhamos mais uma em breve. Até mais.



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