R.I.P. escrita por MarcosFLuder


Capítulo 4
A verdade revelada


Notas iniciais do capítulo

Esse era para ser o último capítulo, mas ficou grande demais, pois gosto de me ater aos limites que os administradores do site colocaram para o tamanho dos capítulos. Enfim, a verdade será revelada e semana que vem teremos o desfecho da história. Aproveitem.



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Eles olharam por todo canto. Havia um cheiro de mofo por todo o lugar. Um cheiro forte que atingiam suas narinas até o ponto do grave incômodo. Poeira e teias de aranha acumulavam-se em todo o lugar. Doggett abriu as gavetas de um arquivo e viu algumas pastas que estavam bem corroídas pelo tempo. Ainda assim, chamaram a atenção deles, pois apesar do mal estado delas, ainda dava para ler muita coisa. Doggett e Mulder trataram de examiná-las.

— Isso é uma lista dos presidiários que estavam aqui – Doggett constata.

— E olhe só para data em que foi atualizada – Mulder mostrou a capa da pasta – isso foi uns 15 dias antes da morte daquelas crianças.

— Essa relação mostra o nome e número de série dos prisioneiros, mas aqui só tem 54 pessoas e eu tenho certeza de que aquelas ossadas eram de no mínimo 100 – Doggett olha pra Jerônimo ao dizer isso – quem sabe os espíritos não permitem que você nos diga o porquê dessa discrepância.

— É só pensar um pouco agente Doggett que você e o agente Mulder podem chegar a alguma conclusão – Doggett olhou pra Jerônimo, uma expressão de raiva no rosto que logo tornou-se de espanto e horror.

— Você não pode estar querendo dizer que... meu Deus.

— O que foi agente Doggett?

— Meu Deus, Mulder eles... eles... eles enterravam os prisioneiros que morriam naquele buraco.

— Vamos pegar todas essas pastas – disse Mulder.

Eles estavam saindo dali quando Doggett viu algo no fundo de uma das gavetas do arquivo. Ele pegou e logo notou que era um diário, com o nome era de um dos que estavam na relação de presos. Os agentes começaram a ler o diário ali mesmo. No começo não parecia nada demais, ao relatar as brutalidades vividas numa prisão, mas ao chegar nas últimas anotações eles descobriram que os presos ameaçavam rebelar-se ao exigir o direito de serem enterrados no cemitério da cidade. Na última anotação havia sido escrito que eles finalmente haviam conseguido o direito de serem enterrados e que só estavam esperando chegar uma ordem do juiz para que isso fosse efetivado. Esta última anotação não chegou a ser completada, havia um enorme risco de cima pra baixo indicando que o diário havia sido arrancado das mãos de quem o escrevera.

— Então foi isso Jerônimo? – Mulder olhava para ele – houve uma rebelião e os presos foram massacrados nela. E a ordem judicial que os beneficiaria?

— Ela nunca chegou agente Mulder – disse Jerônimo – tudo o que os presos receberam foi a visita da morte.

— Pare de falar desse jeito pelo amor de Deus! – gritou Doggett – nós queremos respostas.

— Eu não posso dar essas respostas, já disse.

— E quem é que pode? – Mulder olha pra Jerônimo como se o estudasse.

— O que foi Mulder? Por que está olhando para Jerônimo desse jeito?

— Lembra das figuras que vimos Doggett?

— Nós só as vimos por um segundo, nem acho que tenha sido real.

— Um segundo é o suficiente para que eu não as esqueça – Mulder volta a olhar para Jerônimo com a mesma intensidade de antes, foram apenas uns poucos segundos mas ele ainda lembra bem das figuras que vira, e de uma em especial que chamou-lhe a atenção – por acaso você tinha algum parente preso aqui Jerônimo?

— Meu pai esteve preso aqui agente Mulder.

— Por acaso ele era um feiticeiro? Foi ele quem lançou a maldição contra os moradores da cidade? – Jerônimo deu um ligeiro sorriso.

— Os espíritos estavam certos quando me mandaram chamar você.

Jerônimo saiu dali depois de dizer isso. Todos vão atrás dele, atravessam as ruínas e chegam no carro. Eles saem daquele lugar ligeiramente aliviados. Ao chegar na casa de Jerônimo, Doggett liga para o FBI e tenta saber notícias de Scully e Monica.

QUANTICO 

10:35 p.m.      

Monica caminhava ansiosa pelos corredores com o relatório nas mãos. Ela mal podia esperar que Scully desse uma olhada naquilo, pois mesmo para ela era difícil acreditar no que estava ali. No entanto, era um fato que não admitia contestação. Seus pensamentos foram interrompidos quando viu um homem parado na frente da sala onde estavam os crânios e logo imaginou o que estaria acontecendo. O sujeito na porta fez menção de barrá-la e eles começaram a discutir. Lá de dentro ouviu-se a voz do Dr. Stevens permitindo a sua entrada; ela e o agente que tentou barrá-la não perderam tempo.

— O que está acontecendo aqui?

— Estou apenas exercendo a minha autoridade como chefe desse departamento agente Reyes.

— Ele mandou suspender todo o nosso trabalho Monica – disse Scully – também fui “convidada” a me retirar.

— Não tem o direito de fazer isso..

— Ele tem sim agente Reyes – O diretor-geral Allen Harris fez-se anunciar. Tanto Monica quanto Scully notaram o sorriso vitorioso do Dr. Stevens – o Dr. Stenvens deveria ter sido comunicado sobre o que estava acontecendo aqui, principalmente a respeito da presença de uma pessoa não autorizada no local – as últimas palavras dele bem como o olhar que deu a Scully não deixavam dúvidas sobre quem ele estava falando.

— O agente Doggett e eu estamos investigando um caso oficial senhor, e a presença da Dr. Scully foi solicitada por nós para dar uma colaboração dentro de sua especialidade.

— Isso nós iremos discutir depois. Por enquanto tudo isso aqui está suspenso até segunda ordem.

 

Foi de repente que tudo aconteceu. A luz da sala apagou sem qualquer motivo e todos começaram a tremer de frio. As pessoas na sala perguntavam o que estava acontecendo. Scully e Monica ficaram apreensivas. A luz voltou de novo e todos olharam espantados para os crânios, em cada um deles haviam números diferentes. O Dr. Stenvens era o mais apavorado.

 

— O... o... o que significa isso?

— Benvindo ao Arquivo X Dr. Stevens – disse Reyes, havia ironia na voz dela ao dizer aquilo, mas ela deixou isso de lado ao ver o olhar inexpressivo do agente que tentou barrá-la antes. Ele estava junto a uma das mesas e pegou um bisturi, avançando em direção ao diretor Harris que, paralisado pelo medo, nada fez. Antes que fosse atingido, Monica atracou-se com o sujeito. Os dois rolaram no chão. Scully pegou sua arma e acertou a cabeça do agente aparentemente possuído, fazendo-o desmaiar.

— O que está acontecendo aqui? – o diretor Harris perguntou.

— Meu Deus, olhem.

 

O Dr. Stevens foi para baixo da mesa logo depois de dizer isso, e todos viram o porquê. Eram várias figuras que estavam paradas próximas das mesas onde estavam os crânios. Scully e Monica logo perceberam que uma delas parecia familiar e os seus traços claramente indígenas não deixavam dúvidas sobre quem ela lembrava. As luzes voltaram a apagar e no instante seguinte acenderam de novo. Os números ainda estavam nos crânios enquanto todas as figuras fantasmagóricas tinham sumido. Scully foi a primeira a matar a charada.

 

— Esses números – ela disse – são números encontrados em uniformes de presidiários.

— E combinam exatamente com os desta relação – Monica passou a Scully uma parte do relatório que tinha, ela leu uma relação de nomes e números e percebeu que eram os mesmos encontrados nos crânios – se compararmos tudo vai dar para identificar a quem pertencem esses crânios.

— Isso é uma loucura – disse o diretor Harris, ele olhou de novo para as ossadas – deve ter sido uma alucinação.

— Se o senhor quer acreditar nisso tudo bem – disse Monica – só espero que volte atrás e nos deixe terminar o nosso trabalho.

— Bom eu... o que acha Dr. Stevens? – o Dr. Stevens ainda estava em estado de choque e não parecia capaz de decidir nada. O agente que tinha acabado de atacar o diretor Allen acordou sem saber o que tinha acontecido. Todos acabaram se retirando, deixando Scully e Monica sozinhas.

— Acho que vamos poder trabalhar em paz afinal – disse Scully, ao mesmo tempo que Reyes atendia o celular.

— Pode falar John – ele olha pra Scully – nós também achamos a mesma relação e tem mais uma coisa que talvez você não acredite.

 

Scully entendeu o que Monica quis dizer ao ver no relatório que tinha em mãos o nome do diretor do presídio na época, Harold Cornor. Apesar de já ter visto muitas coisas fora do comum em seus anos de Arquivo X, ela ainda relutava em acreditar no que estava pensando. A ex-agente do FBI continuou a ler o relatório que Reyes trouxe, espantada com a imprecisão dos dados. Segundo o que estava escrito ali, houve uma série de protestos a respeito do tratamento desumano a que os presos estavam sendo submetidos. Esses protestos acabaram levando a uma rebelião em que várias pessoas morreram, culminando com uma decisão judicial favorável aos presos.

Estranhamente os fatos se encerravam ali, não havia qualquer referência ao massacre, como se alguém tivesse abafado o caso. Scully imaginou que Harold Cornor pudesse ter usado de alguma amizade influente para conseguir isso. Só que esses fatos ocorreram a quase 60 anos, não poderia ser o mesmo Harold Cornor que conhecera em Old Farmer. Os pensamentos de Scully foram interrompidos pelo toque do seu celular. Ela olhou para Reyes enquanto atendia, vendo que ainda falava com Doggett, obviamente estava tentando convencê-lo de que não havia tido uma alucinação. A voz de Mulder desviou sua atenção.

 

— Scully você está me ouvindo?

— Desculpe Mulder, pode falar.

— Scully eu tenho uma teoria – ouvir aquelas palavras deixou-a muito alegre – você e a agente Reyes tem de trazer os crânios de volta para cá.

— Porque Mulder? Não completamos a identificação ainda.

— Pelo que a agente Reyes contou ao Doggett eu não creio que isso vai ser muito difícil.

— Imagino que esteja falando dos números nos crânios.

— Isso mesmo Scully! – exclamou Mulder – vocês precisam trazê-los de volta pra serem enterrados no cemitério.

— Você acha que essa é a única maneira de acabar com a maldição, não é?

— Essa é a minha ruiva, sempre lendo os meus pensamentos – Scully sorriu ao ouvir aquilo.

— Tudo bem Mulder, assim que tivermos completado a identificação nós levaremos os crânios de volta.

— Estaremos esperando – Scully ouviu o celular ser desligado logo depois, ela viu Reyes fazer o mesmo.

— Mulder acha que devemos levar os crânios de volta.

— Concordo com ele – disse Reyes.

 

OLD FARMER

MEIA HORA DEPOIS

 

— Tem mesmo certeza de quer fazer isso Doggett?

— Nós precisamos de respostas Mulder – Disse Doggett, ele caminhava decidido – Jerônimo se recusa a falar alguma coisa mais concreta e nós precisamos saber o que realmente aconteceu aqui.

— Eu concordo com você. O problema vai ser a reação das pessoas daqui. Já esqueceu o que aconteceu no cemitério?

— Mais um motivo para esclarecer essa história toda de uma vez - eles caminharam em silêncio até uma casa que Jerônimo indicou como sendo de Harold Cornor e bateram na porta.


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Notas finais do capítulo

Capítulo postado como prometido. A postagem do último capítulo está marcada para o próximo domingo. Aguardem.



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