R.I.P. escrita por MarcosFLuder


Capítulo 1
O Forasteiro


Notas iniciais do capítulo

Essa é mais uma história minha do fandon da minha série de TV favorita de todos os tempos, a maravilhosa Arquivo-X. No entanto, há alguns diferenciais. Primeiro é uma história com co-autoria. Ela foi escrita quase 20 anos atrás, como uma tentativa minha, e de outros autores de fanfics, de criar uma décima temporada virtual da série que tinha acabado de ser cancelada. Acabou que não foi adiante e essa fanfic ficou dormitando no meu computador esse tempo todo. Esse ano, no entanto, tem sido complicado para mim, pelo menos em termos de inspiração para escrever fanfics. Como não queria que o ano passasse em branco, resolvi postar essa fanfic até então deixada de lado. É claro que fiz uma revisão total antes, e creio que a história irá funcionar bem nesse novo formato. Por fim, quero deixar o meu agradecimento à equipe do litera Fanfic por mais uma capa maravilhosa que fizeram para mim. Boa leitura a quem se aventurar.



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OLD FARMER

ARKANSAS

8:34 a.m.

A manhã surgiu calma e monótona naquela cidade e o passar das horas não provocou qualquer mudança. Aquela era uma cidade perdida no meio do nada e que parecia ter parado no tempo. Um observador mais descuidado não veria nela nenhuma diferença em relação a qualquer outra pequena cidade em que já tivesse estado. No entanto, à medida que olhasse com mais cuidado, ele veria que os poucos carros, à vista nas garagens, eram de modelos bem antigos. O mesmo poderia se dito da arquitetura das casas. Um olhar ainda mais atento perceberia e inexistência de qualquer prédio por perto.

Uma conclusão precipitada levaria alguém a crer que aquela era uma dessas cidades históricas, esquecidas pelo tempo e imunes às mudanças do progresso, mas seria um erro. Alguém que viesse de fora acharia que as pessoas dali não gostavam de forasteiros. Pelo menos essa era a impressão que aquele homem teve, ao parar seu carro e pedir uma informação para as três únicas pessoas que encontrou. Era um homem que lavava um velho Ford T anos 40, um sujeito que concertava uma cerca e uma mulher que regava um jardim excessivamente úmido. Foi possível reparar que o excesso de água não permitia que nada crescesse. Nenhuma dessas pessoas se dispôs a dar qualquer informação ao forasteiro. Na verdade, elas mal pareciam tê-lo escutado. Ele concluiu que as pessoas ali não gostavam mesmo de estranhos, não parecendo nem mesmo estar acostumados a ver algum, pois a única reação que tiveram foi olhar para o seu moderno carro por um bom tempo. O forasteiro concluiu que não deviam estar acostumados a ver carros modernos aqui.

Seguindo em frente, ele pôde ver um prédio que parecia ser uma escola, com o seu estado de conservação indicando que não era usado a muito tempo. Havia um silêncio muito grande, e apenas o barulho do vento se fazia ouvir. Não fosse as três pessoas que encontrara antes, o forasteiro poderia pensar que estava numa cidade fantasma. Ele seguiu com o carro em baixa velocidade e ao virar numa rua, finalmente viu um grande número de pessoas reunido, parou o veículo e fez menção de ir até elas. No entanto, algo o deteve, ele não sabia porque, mas ficou ali parado enquanto todas aquelas pessoas iam na direção da igreja. Ele viu que só as mulheres entraram. Elas estavam com baldes, esfregões e todo o tipo de material para limpeza. Os homens tinham pás e enxadas, todos eles contornando o edifício da igreja, indo para os fundos.

Em princípio, nada daquilo pareceu muito fora do normal, mas os instintos do forasteiro diziam que alguma coisa estranha estava acontecendo ali. Foi então que ele se deu conta de uma coisa, era uma típica manhã de quarta-feira, não era feriado, mesmo assim não havia qualquer sinal de crianças em lugar algum. Ele via aquelas mulheres entrando na igreja e nenhuma delas com filhos a tiracolo, o mesmo acontecendo com os homens que foram para os fundos. Olhando para todos os lados, não viu qualquer criança brincando no parque ou correndo pelas ruas e calçadas. De repente, ele percebeu que deveria mesmo estar ali. Agora era só encontrar a pessoa que o chamou e tentar descobrir o que havia naquela cidade. Saindo do carro, ele resolveu procurar os homens que tinha visto contornando a igreja. O forasteiro imaginava ter sido um deles que o chamara a esta cidade. Decidido, ele deu vários passos em direção a eles quando sentiu que alguém tocara em seu ombro.

— Pensei que não fosse chegar mais agente Mulder – Mulder virou-se para dar de cara com um sujeito que devia ter uns 40 anos, era quase tão alto quanto ele e tinha típicos traços indígenas.

— Foi você que me chamou?

— Sim fui eu.

— Você está em vantagem aqui – Mulder disse – eu não sei o seu nome

— Meu nome é Jerônimo.

— Interessante, como me achou?

— Eu não achei, foram os espíritos que o acharam para mim.

— Dá para explicar melhor?

— Está na hora da verdade ser conhecida agente Mulder – disse o homem – mas é melhor que o senhor veja com os seus olhos – Mulder e o homem seguiram por uma estrada até um local em ruínas. Eles pararam num ponto e caminharam a pé, atravessando o que Mulder percebeu ser os restos de uma prisão.

— Que lugar era esse?

— Acho que já percebeu que era uma prisão agente Mulder

— A quanto tempo ela foi fechada?

— Quase 60 anos.

— Qual foi a razão?

— Olhe naquele buraco e você vai saber

— O que tem ali?

— Algo que foi enterrado a muito tempo e que um tremor de terra trouxe de volta

Mulder aproximou-se do lugar e antes mesmo de ver o que havia lá ele pôde sentir o cheiro infecto de morte que dali era exalado. Foi com horror que ele viu o porquê disso. Uma imensa quantidade de ossadas estava no lugar. Numa olhada mais atenta, Mulder notou que eram apenas crânios. Dezenas de cabeças decapitadas que haviam sido jogadas ali. Elas boiavam sob um pequeno lago, e eram tantas que mal se via a água. Mulder lembrou-se daqueles documentários sobre os campos de concentração da Segunda Guerra Mundial. As montanhas de ossos de Judeus vítimas do Nazismo.

Ele pegou o seu celular de última geração, presente de seus amigos, conhecidos como Pistoleiros Solitários. Mulder bateu uma foto de tudo aquilo e depois transmitiu-a para seus colegas. Era algo que precisava ser visto. Ele já tinha batido e enviado várias fotos e agora conversava com Jerônimo. Seu objetivo era saber a razão de ter sido chamado ali, mas as respostas que obtinha eram muito pouco esclarecedoras. Jerônimo insistia em dizer que não tinha permissão de dizer muito, e que o próprio Mulder teria que descobrir a verdade. Ambos já estavam nessa conversa a quase meia-hora quando dois carros pararam ali perto. Alguns homens saíram com expressões nada amistosas. Mulder também notou que as roupas e mãos deles estavam sujas de terra

— O que está acontecendo aqui?

— É a verdade se revelando senhor Cornor – disse Jerônimo – os espíritos querem ser ouvidos e ninguém vai impedi-los.

— É o que você pensa – ele deu um sinal e vários homens agarraram Jerônimo e Mulder, Cornor dirigiu-se a ele – não sei quem é você moço, mas vai aprender que não pode se meter onde não é chamado.

— Se acontecer alguma coisa comigo ou com o meu amigo aqui, essa cidade vai estar cheia de agentes do FBI em menos de 48 horas – Mulder mal tinha terminado de falar quando um pequeno terremoto ocorreu e um dos homens caiu no buraco.

— Andrew – o homem chamado Cornor gritou – todos assistiram atônitos enquanto os gritos do homem chamado Andrew eram ouvidos. Parecia que estava sendo puxado para baixo por alguma coisa, mas ninguém conseguia ver o que era. Ele submergiu e voltou a tona várias vezes e sempre gritando que alguém o puxava, até não voltar mais.

OLD FARMER

DOIS DIAS DEPOIS

O carro parou próximo ao que podia ser chamado de centro da cidade. Doggett, Reyes e Scully saltaram, notando de imediato como as pessoas em volta olhavam para eles. Doggett abriu o mapa e reparou mais uma vez como aquela cidade não aparecia em lugar algum. Monica e Scully preferiram olhar em volta. As pessoas ainda olhavam para eles com desconfiança, não passando desapercebido a nenhum dos três o aspecto antigo de tudo em volta. As casas, os poucos carros que circulavam, e também as roupas que as pessoas do lugar usavam, parecia que aquela cidade tinha parado no tempo. Scully estava mais preocupada com Mulder enquanto Monica não podia evitar de sentir estranhas vibrações vindas das pessoas que passavam e continuavam a encará-las. Todos ali pareciam estar escondendo algo, havia medo no olhar deles. Doggett parou de olhar o mapa e virou-se para as duas.

— Antes de mais nada é melhor procurar o xerife – disse ele.

— Estou preocupada com Mulder – disse Scully, ela parecia ligeiramente aflita – ele já devia ter entrado em contato conosco.

— Talvez ele... – Doggett não chegou a terminar a frase pois viu alguns homens chegando, ele reparou logo na estrela pregada no peito de um deles

— O que fazem na nossa cidade?

— Nós somos do FBI xerife – disse Doggett – viemos aqui...

— Não há nada para o FBI fazer aqui – disse o xerife, a aspereza na voz dele não passou desapercebida por nenhum dos três.

— O senhor poderia nos dizer o que é isso? – Doggett tirou uma foto do bolso e entregou ao xerife, ele ficou lívido e isso foi facilmente notado

— On... onde conseguiu isso?

— Acho que a pergunta certa é: de quem são esses crânios?

— Nada disso é da conta do FBI – disse uma voz atrás deles.

— Senhor Cornor , eu...

— Pode deixar que eu mesmo cuido disso Larry – a arrogância daquele homem era evidente, ele era um pouco mais baixo do que Doggett mas comportava-se como se fosse bem mais alto, como alguém que sempre gostava de olhar os outros de cima para baixo – não há nada paro FBI aqui meu amigo, eu acho melhor você e essas mocinhas irem embora daqui – Scully e Monica ficaram rubras de raiva. Ambas já haviam enfrentado esse tipo de coisa antes e mesmo assim ainda se chocavam com tamanha falta de respeito. Apesar disso, foi Doggett quem tomou a iniciativa de falar.

— Número 1: eu não sou seu amigo, número 2: essas mulheres são agentes do FBI e devem ser tratadas como tal, número 3: o FBI é que decide se o que está acontecendo nessa cidade é da nossa conta e isso já foi decidido – a voz de Doggett era calma e pausada, mas a maneira como cravou seu olhar em Harold Cornor não deixava dúvida alguma de que não gostava dele.

— Essa é a nossa cidade – Harold insistia.

— E isso significa o que? Que teremos de chamar uma tropa de agentes para poder fazer o nosso trabalho?

— Escute agente – o xerife interveio – ninguém aqui quer criar confusão com o FBI.

— Onde está Mulder? – Scully perguntou.

— De quem está falando?

— Do homem que esteve aqui antes e mandou essa foto – disse Reyes, um dos homens que estavam com o xerife cochicharam e isso chamou a atenção de Doggett.

— Tem alguma coisa a respeito de Mulder que nós deveríamos saber xerife?

— Ele está preso – respondeu Harold.

— Preso? – Scully e Monica falaram ao mesmo tempo.

— Porque não manda um de seus homens levá-los até ele xerife – Doggett notou algo errado na expressão de Harold, mas nada disse – depois você vai também, nós precisamos conversar – Doggett, Scully e Reyes foram com um dos ajudantes do xerife.

— O que quer falar comigo senhor?

— Tente segurá-los o máximo que puder enquanto eu reúno alguns homens para dar um sumiço naqueles crânios, já era para isso ter sido feito desde que aquele terremoto abriu o buraco onde eles estavam. Assim que tiver dado as ordens eu me reúno a vocês

— Pode deixar senhor – eles foram cada um para o seu lado.

**********************************

Mulder e Jerônimo estavam deitados a um bom tempo. Eles conversaram bastante, mas agora nenhum deles parecia disposto a dizer nada. O barulho de diversos passos chamou a atenção dos dois. Ambos já estavam de pé quando o xerife chegou, acompanhado de Scully, Doggett e Monica.

— O serviço de quarto melhorou desde a última vez que estive preso. – disse Mulder.

— Isto está parecendo um deja-vú Mulder e continua a não ter graça. – disse Scully, os outros não entenderam nada.

— Solte esses homens xerife. – disse Doggett.

— Não é tão simples assim agente.

— Porque não? – disse Scully.

— Esses homens criaram tumulto na cidade e por isso foram presos.

— Isso não é verdade! – protestou Mulder – Vocês nos prenderam porque eu insisti em chamar o FBI.

— Vocês vão ter de arranjar um advogado para eles. – disse o Sherife.

— Esses homens infringiram as leis da cidade e desacataram as autoridades daqui – disse Harold com um sorriso presunçoso no rosto – mesmo o FBI tem que respeitar isso - Doggett já ia responder quando Mulder chamou-lhe a atenção.

— Esqueça isso agente Doggett... – disse ele.

— Mas Mulder...

— Eles estão retendo vocês aqui para ganhar tempo, vão logo antes que eles sumam com os crânios.

***********************************

O carro parou bem próximo de onde estava o buraco, cinco homens saltaram e foram direto para lá.

— Como vamos fazer para nos livrar disso? – um deles perguntou.

— Tem bastante álcool no carro – disse um outro – vamos queimar tudo e depois jogar o máximo de terra que pudermos para enterrar as cinzas, do jeito que fizemos com o resto dos corpos.

Eles caminharam até o carro e pegaram os galões com uma ideia bem definida em mente. No entanto, ao chegar onde estava o buraco eles nada fizeram. O grupo de homens ficaram ali parados, como se esperassem algo, parecendo paralisados. Estavam em tal estado que nem notaram a chegada de outros dois carros. Scully, Doggett e Reyes saltaram de um deles e apontaram suas armas.

— Soltem esses galões – os três disseram em uníssono. Os homens viraram-se e podia-se ver os olhos deles inexpressivos e sem vida. Harold e o xerife também chegaram.

— Abaixem essas armas agentes – o xerife falou, instigado por Harold.

— Mande-os largar os galões xerife – disse Doggett.

— Não creio que esses homens irão obedecer essa ordem John. – Monica olhava para aqueles homens como que entendendo o que estava acontecendo – tudo foi muito rápido. Os homens que tinham vindo com a intenção de queimar as ossadas derramaram os galões de álcool em si mesmos. Doggett pareceu ter percebido a intenção deles.

— Não! – Doggett gritou e foi até eles, mas não conseguiu impedir que ateassem fogo em si mesmos. As chamas espalharam-se rápido.

— Cuidado John – Monica gritou e com a ajuda de Scully puxou seu parceiro para longe das chamas, mas elas não conseguiram evitar que ele tivesse algumas queimaduras. Tanto os três como Harold e o xerife observaram horrorizados, enquanto os cinco homens tinham seus corpos consumidos pelas chamas.


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Notas finais do capítulo

Espero que quem leia goste da experiência. Como a história foi escrita a quase 20 anos, tendo sido devidamente revisada, não há perigo de hiato. De fato, já posso confirmar que a partir de agora teremos um novo capítulo todo o domingo de manhã. Não é uma história muito longa, então deve estar toda postada até o final do próximo mês. Um bom dia a todos e todas.



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