Isso não é Romeu e Julieta escrita por Lady Black Swan


Capítulo 12
Reúnam os Cappelletes e os Agregados!


Notas iniciais do capítulo

Último capítulo do ano, então Boas Festas!



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Os “jogos aleatórios Cappelletes (e agregados)” fora como Romeu chamara aquele “evento” e, como se a situação toda já não fosse bizarra o bastante, ele ainda havia sido bastante incisivo ao insistir que Aaron levasse comida.

—Tipo alimentos não perecíveis? — sorriu de lado, só um pouquinho desconcertado. — Para doação?

—Não. — Romeu respondeu muito sério — Estou falando de “besteiras”, batatas fritas, minhocas de goma, M&Ms, coca-cola… qualquer coisa que possa ser aberto e consumido na mesma hora e, de preferência, com baixo ou nenhum valor nutricional.

Ok… nenhum pouco estranho.

—Certo. — concordou. — Nada que seja saudável.

—Então te vejo no domingo as dez, e use roupas confortáveis.

Romeu sorriu amigável pondo a mão em seu ombro… logo antes de dar-se conta de que Julieta e o porquinho já estavam quase fora de vista, e sair pedalando a toda velocidade chamando pela sua Julieta — e quase atropelando o pé de Aaron no processo.

E agora ali estava ele, trazendo não exatamente o que Romeu havia recomendado, mas que culpa ele tinha de sua mãe ser tão maluca?

—Olá Aaron! — Romeu parou a bicicleta ao seu lado — Bom dia!

—Achei que já estaria na casa da Julys, como da última vez. — Aaron enfiou as mãos nos bolsos, inclinando a cabeça de lado — Eu estava realmente me perguntando se você ia para sua própria casa alguma hora.

—Só eu posso chamar a Julys de Julys! — Romeu afirmou ofendido.

—Tá, tudo bem.

Assim não dava, se Julieta parecia irritada sempre que Aaron dizia o nome dela, e Romeu se irritava se mais alguém a chamasse de “Julys” como se supunha que ele deveria chamá-la? Aaron girou os olhos.

Quando Aaron recomeçou a caminhar, Romeu desmontou da bicicleta e passou a acompanhá-lo a pé, havia uma sacola de supermercado feita de pano, provavelmente estampada com alguma espécie de animal ameaçada de extinção, na cesta da bicicleta e parecia bem cheia.

—Eu trouxe cookies! — Romeu anunciou quando seguiu seu olhar — E também oreos e clube social.

—Legal, mas eu estava reparando que estamos combinando.

Tirando a mão do bolso ele ergueu o braço para mostrar a sacola de pano, com a estampa de um mico leão dourado, pendurada no pulso… embora certamente o seu conteúdo fosse bem diferente daquela trazido por Romeu.

—Tio Carlos comprou uma dúzia dessas sacolas ano passado. — Romeu contou — Ele deu umas quatro para a mamãe, o consumo de plástico é reduzido na casa da Julys.

—Gostaria que você tivesse me avisado isso antes. — Aaron comentou enfiando a mão no bolso novamente.

—Ah não se preocupe com isso, hoje o tio Carlos não vai estar em casa!

Romeu riu batendo em suas costas e subindo na calçada com a bicicleta.

Um pré-adolescente baixo e gordo com cabelos cacheados ruivos e sardas no rosto abriu a porta para eles, na verdade ele se parecia um pouco com aquele personagem de Paranorman, mas esse aqui estava usando suspensórios, ele viu-os ali, olhou por cima do ombro esquerdo e gritou:

—Ju, é o Romeu e um agregado! — então se virou para eles e estendeu as mãos — As sacolas.

Aaron já estava prestes a entregar a dele, quando Romeu o impediu.

—Tem que merecer primeiro, Benjamin. — afirmou seriamente. — Abre logo o portão do lado para eu guardar a bicicleta, por favor.

O ruivinho estalou a língua e girou os olhos, mas lhes deu as costas e entrou.

—Espero que goste de porco. — disse para Aaron enquanto se afastava.

—Frito ou assado? — perguntou automaticamente.

Não houve tempo para uma resposta:

—Mas por que você tem um porco?! — Margô gritou encolhendo-se no sofá — A maioria das pessoas tem cães ou gatos, sabia?!

—Eu já tinha te dito que tenho um porco, e como você pode ter medo de um porquinho fofo? — Julieta reclamou batendo o pé no chão.

—É uma fobia reconhecida, ta bem?! — Margarida defendeu-se — Orlando Bloon tem pânico de porcos também!

Enquanto isso Astolfinho estava sentado no chão com um brinquedo na boca assistindo ao show.

Julieta colocou as mãos nos quadris.

—Se tem medo de porcos por que concordou em vir?

—Eu não sabia que tenho medo de porcos, só de frangos! — Margarida defendeu-se com os olhos arregalados, abraçando as próprias pernas.

—Frangos? — Julieta repetiu pasma.

—Eu fico bem se eles estiverem numa gaiola ou bem saborosos no meu prato, mas você já foi perseguida por um frango enfurecido louco?! — Margarida retrucou — E por que foi chamá-lo de Astolfinho? Eu tive pesadelos com aquela música!

—Que música?! — Julieta desesperou-se.

O mini porco roncou feliz em resposta ao seu nome, e Margarida emitiu um gritinho horrorizado, Aaron não se aguentou mais: ele começou a rir descontroladamente.

—Então se ele estivesse em uma travessa com uma maçã na boca, você se sentiria melhor? — perguntou entre risadas.

Julieta voltou-se irritada para ele:

—Eu já te disse que o Astolfinho não está no cardápio! — reclamou.

—Na verdade… talvez um pouquinho. — Margarida concordou.

Julieta foi da fúria ao choque em menos de um segundo:

—Margô!

Ainda rindo, Aaron aproximou-se um pouco mais enquanto enfiava a mão na sacola de pano, tateando em busca do que precisava.

—Ei feijoada de domingo, por que não vem aqui um pouquinho? — chamou suavemente. — Eu tenho uma coisinha para você…

—Astolfinho não!

Julieta gritou entrando em pânico quando o porquinho largou o brinquedo e começou a se aproximar inocentemente de Aaron que sorria sombriamente e tirava da sacola de pano um… tomate.

—Foi mal, linguiça, mas eu não tenho uma maçã hoje. — desculpou-se entregando a fruta para o porco. — Agora deita… — comandou passando a mão em sua cabeça, pois sabia que era um porco treinado, já havia visto Julieta dar outros comandos a ele — Isso, quietinho agora, muito bem…

O porquinho ficou imóvel deitado no chão de olhos fechados com o tomate na boca, Aaron se levantou lentamente e sorriu confiante para as garotas.

¡Listo! — Gabou-se com um sorriso convencido.

—Hã… o que é que está acontecendo aqui?

Romeu perguntou chegando à sala pelos fundos, olhando do porco deitado no chão com um tomate na boca para a garota descendo do sofá.

—Resolução de crises. — Aaron informou-o tirando uma foto do suíno com o celular, e aquela ia para sua irmã que não acreditou nele quando falou sobre o porquinho de estimação.

—Ok… — Romeu disse lentamente e, sem querer fazer mais nenhuma pergunta a respeito daquilo, virou-se para Julieta: — Quem mais ainda falta chegar?

—Só o Heleno. — Benjamin respondeu, também retornando.

Aquilo trouxe a mente de Romeu um recado de última hora que ele ainda precisava dar a Aaron:

—Aaron! Já te falamos sobre Heleno?

—Sobre ele ser tio da Julieta e ser uma espécie de bruxo vidente ou sei lá o que? — perguntou distraído, revendo as fotos do porco no celular e escolhendo qual enviaria para Adila. — Já sim.

—Não, sobre o que acontece quando Julieta encontra Heleno.

—Não. — Aaron guardou o celular no bolso — O que acontece?

De repente Astolfinho levantou-se e saiu correndo — a deixa perfeita para Margarida gritar e pular de volta para o sofá.

Romeu agarrou seu braço e puxou-o de lado.

—Você já vai descobrir, só evite ficar no caminho da Julieta. — garantiu. — Dá mais dois passinhos para o lado, pode ser?

Aaron ainda não estava entendendo coisa alguma, mas, como alguém que já havia sido nocauteado por aquela mesmíssima mulher em um passado não tão distante, “evitar ficar no caminho dela” parecia um conselho bem sensato a se dar, então, só por precaução, quando a porta começou a se abrir, ele deu cinco passos para o lado.

—Julieta, adivinhe quem eu encontrei chegando em casa! — D. Alice anunciou entrando com duas sacolas de pano em cada mão.

—Heleno!

Julieta atravessou a sala correndo como um raio e pulou sem qualquer receio nos braços do recém chegado alto e magro, de cabelos castanhos ondulados que só por milagre — ou quem sabe por anos de prática? — conseguiu firmar os pés no chão e se segurar com ambas as mãos no batente da porta a tempo de não ser derrubado quando ela pendurou-se a ele com os braços em volta de seu pescoço e as pernas em volta de sua cintura, cruzando os tornozelos nas suas costas.

—Oi Julieta! — ele riu sem ar, já ficando com o rosto vermelho pelo esforço, apesar do tamanho. — E eu já disse que você precisa me chamar de “tio”.

—Meu Deus, por que você tem que fazer isso toda vez Julieta? — D. Alice suspirou balançando a cabeça, e então sorriu para o restante dos presentes na sala — Oi gente.

Romeu e Benjamin responderam igualmente com “oi tia Alice”, enquanto Margarida, que ainda estava encolhida no sofá, imediatamente colocou os pés no chão ao responder:

—Olá, bom dia senhora!

Ela reparou em Aaron perto da parede.

—Ah… oi de novo. — ele respondeu, mas não conseguia tirar os olhos de Julieta pendurada feito um macaco no tio, que ria e implorava para que ela descesse…

—Oh, isso é normal, Julieta sempre faz isso quando vê meu cunhado. — D. Alice explicou-lhe.

—Ela também sempre corre para me abraçar quando me vê. — Benjamin acrescentou. — Mas ela não tenta me fazer carregá-la.

—Ai! Ai! Ai! Julieta não morde! Ai! — Heleno começou a reclamar da porta.

Aaron arqueou as sobrancelhas e fez uma anotação mental: aquela maluca não tinha só uma força monstruosa no braço direito, ela também era capaz de atacar a jugular de alguém em milésimos de segundos, tipo aquelas criaturas sobrenaturais assassinas dos filmes de terror.

—Ah… e ela faz isso. — D. Alice admitiu levemente constrangida.

—Ela também gosta de me morder. — admitiu Benjamin.

Romeu colocou a mão sobre o ombro de Aaron.

—Mas não se preocupe a Julys não morde todo mundo. — disse como se tentasse tranquilizá-lo.

—É verdade. — concordou Benjamin. — Ela só morde garotos de quem ela gosta.

—Ei espere um pouco aí…! — Romeu começou a protestar.

—Não, não. — Margarida intrometeu-se — Eu acho que a Julieta só morde garotos bonitos.

—Eu tenho certeza que não é isso também! — Romeu reclamou.

—Não é nada disso. — D. Alice ergueu as mãos — Julieta só morde os homens da família!

—Eu estou sinceramente tentando não levar isso para o lado pessoal aqui! — Romeu reclamou levando as mãos ao peito.

Alguma coisa dizia a Aaron que Julieta nunca havia mordido Romeu. Ele riu discretamente.

—Eu mordo quem eu quero. — Julieta afirmou, finalmente largando o tio — E Romeu, eu também nunca mordi meu pai ou meu avô…

—Mordia até os três anos de idade. — D. Alice discordou.

—Mãe! — Julieta protestou.

Mas pouco se importando com as reclamações, a mulher mais velha deu de ombros e foi embora.

—E por que eu não estou incluso nessa sua lista seleta? — Romeu reclamou cruzando os braços.

—E no que isso importa?! — Julieta desesperou-se.

—Está certo, tudo muito bem, mas eu ainda tenho uma grande dúvida aqui. — Aaron pronunciou-se apontando para Heleno — Como é que você é assim tão jovem? Quer dizer, você parece que tem uns…!

Aaron imaginava que o “tio Heleno” de Julieta, que jogou Among Us com eles, mas errava os comandos e deixava seu personagem preso em uma sala se batendo nas paredes, andava quando devia correr e se auto delatava como impostor, deveria estar lá pela casa dos trinta ou então no mínimo estar chegando bem perto, mas aquele ali parecia ter praticamente a mesma idade que eles!

—Acabei de completar dezessete, sou oito meses mais novo que a minha sobrinha. — Heleno contou com um sorriso divertido — Eu sei, também foi uma surpresa para meus pais, principalmente porque mamãe já tinha mais de cinquenta e estava começando a entrar na menopausa.

—Será que dá para saírem da frente logo e me deixarem entrar? — alguém reclamou por detrás de Heleno.

Um pouco mais baixa e magra que Julieta, ela parecia estar vestida somente com uma grande camisa negra estampada com a “noite estrelada — de Van Gogh”, era tão pálida que sua pele quase reluzia na luz do sol, e os cabelos penteados de lado eram lisos mais curtos atrás do que na frente, onde batiam na altura dos ombros, tingidos, na maior parte, com uma cor platinada, exceto nas pontas da frente, onde era cor de rosa, e havia um pircing prateado em forma de anel em volta do centro de seu lábio inferior.

—Quem é…? — Margarida começou a perguntar.

—Tia Helen!

Dessa vez foi Benjamin que correu para abraçar, embora ele não tenha tentado pular nos braços da tia nem mordê-la, igual à prima desvairada.

—Tia? — Aaron piscou.

—Pois é, acontece que a surpresa dos nossos pais foi em dobro. — Heleno sorriu gesticulando para a irmã, que tentava desgrudar o garoto ruivo de si. — Papai costuma dizer que quando eles descobriram isso, ele teve um princípio de AVC.

—Então são irmãos, ótimo. — Margarida sorriu aliviada.

Ela supostamente não estaria…? Aaron arqueou uma sobrancelha.

—Benji solta, e já disse para não me chamar de “tia”! — Helena reclamava ao seu lado — E não sei por que ele ficou tão chocado, na família da mamãe tem pelo menos um par de gêmeos a cada geração.

—Mas Helena você nunca vem aos jogos Capellettes (e agregados)! — Romeu exclamou surpreso. — Da última vez até chamou de “uma grande baboseira que sempre acaba em um passeio de ambulância”!

Ele realmente precisava dizer tudo sempre que fosse mencionar os jogos? Porque aquele nome estava começando a parecer um pouco longo demais, será que não haveria uma maneira de abreviá-lo…?

Ambulância?! — Margarida engasgou-se.

Helena colocou uma mecha de cabelo platinado atrás de uma orelha repleta de brincos.

—Não posso fazer uma visita de vez em quando?

—Nossos pais estão umas araras com ela, talvez nem possa voltar para casa hoje… ou esse ano ainda. — Heleno a delatou. — Podemos não ter conseguido fazer o papai ter aquele AVC durante a nossa gestação, mas Helena com certeza nunca deixou de tentar.

Essa reclamação lhe rendeu um chute da gêmea, que o fez gemer e abaixar-se massageando a canela.

—Você mereceu por ser fofoqueiro. — ela lançou um olhar autoritário para o irmão e então lhe deu as costas e atravessou a sala — Tá bem, já que já estou aqui mesmo, o que é que vocês fazem nesses jogos malucos antes de termos que chamar a ambulância?

—Esse negócio de ambulância é só uma piada, não é? — Margarida perguntou já claramente ficando nervosa.

Mas só Aaron parecia estar escutando-a, talvez porque ele também estivesse com a mesma dúvida.

—Helena, o que foi que você fez dessa vez? — Julieta perguntou fechando o portão e a porta. — É outro pircing?

—Com certeza não. — Heleno, que não havia aprendido a lição, negou se levantando.

—É pior que a vez em que ela roubou a garrafa de champanhe e ficou bêbada no ano novo? — Romeu tentou adivinhar.

Heleno balançou os ombros.

—Papai com certeza diria que sim…

—Heleno será que dá para calar a boca?! — Helena reclamou jogando-se no sofá ao lado de Margarida.

Afinal ela não estava usando aquela camisa gigante: o movimento revelou uma faixa de tecido rosa choque por baixo.

Mas, querendo entrar na brincadeira, Margarida estalou os dedos e apontou-a:

—Você começou a fumar?

—Que isso garota?! — Helena assustou-se, como se só agora tivesse reparado nela ali — Eu nem te conheço!

Julieta aproximou-se.

—Helena essa aqui é minha amiga Margô, Romeu decidiu chamar um agregado então eu chamei a minha também para equilibrar as coisas, mas claro que eu não sabia que você viria…

Foi interrompida pela indignação das duas garotas:

—Quer dizer que eu sou um tapa buraco?! — reclamou Margarida.

—Está me chamando de “agregada” Julieta?! — Helena reclamou ao mesmo tempo.

Como já diz o velho ditado: quando não se pode vencê-los junte-se a eles!

Assim, Aaron comentou:

—Você por acaso tentou fazer uma tatuagem? A maioria dos pais tendem a ficar bem loucos com isso porque é meio que permanente, e aí você chega em casa e já leva aquela sandália no meio da cara…

Romeu avaliou-o.

—Por que parece que você está falando isso por experiência própria?

Aaron coçou o pescoço.

—Eu não disse nada sobre tatuagem. — negou.

Quando o olhar afrontado de Helena transferiu-se imediatamente para ele, Julieta logo esclareceu:

—E esse aí é o Aaron. — ela girou os olhos — O agregado do Romeu.

Dando de ombros, Aaron nem tentou contestar, mas Helena, pelo contrário, sentiu a imediata necessidade de defender-se, apontando de Margarida para Aaron:

—Eu não estou fumando e não fiz tatuagem nenhuma! E chega de darem palpites sobre o que eu posso ou não ter feito…!

—Dessa vez. — Heleno salientou.

—Dessa vez…! — Helena completou automaticamente, até dar-se conta do que havia falado — Heleno dá para calar a boca?!

—Una lástima, porque yo tenía referencias a un gran tatuador. — Aaron comentou.

Romeu apontou-o.

—Eu tenho certeza que você falou de um tatuador agora!

Aaron sorriu-lhe de lado sem dizer nada.

—Quem é o louco que trouxe tomates e pimentas para os jogos?! — Benjamin reclamou de repente.

Ninguém havia visto como ou quando ele havia reunido todas as sacolas na mesa de centro e começado a vasculhá-las, mas depois de uma breve troca de olhares, toda atenção acabou se concentrando em Aaron que, encurralado, ergueu as mãos admitindo culpa:

—Minha mãe quem planta, eu não tive escolha!

Parecia que Benjamin iria começar a chorar a qualquer instante.

—Mas o que foi que eu te fiz? — reclamou — Foi a minha mãe e a Ju que falaram com a sua?!

—Não tem nada de errado com tomates! — Julieta defendeu cruzando os braços.

—Claro… quando estão no meio de um x-bacon! — Benjamin protestou.

Antes que um debate se iniciasse, Romeu foi para o centro da sala e começou a bater palmas para chamar a atenção de todos.

—Agora que já estamos todos reunidos aqui, deveríamos começar! — anunciou.

—A jogada do ponto extra em caso de empate poderia ser tentar adivinhar o que Helena fez dessa vez. — Julieta sugeriu.

—De jeito nenhum! — Helena negou de imediato.

—Não seria justo. — Benjamin opinou — Porque a tia Helen e o tio Leno já sabem o que é.

—Verdade. — concordou Heleno.

—Claro, não seria justo, e também sem falar que não é moralmente certo usar a vida privada de terceiros como aposta. — Helena argumentou entediada.

—Podíamos apostar quem vai passear primeiro de ambulância. — Julieta sugeriu.

—Primeiro? — Margarida recuou. — Quantos acabam em uma ambulância nesses jogos?!

Tudo bem, talvez tenha sido um pouquinho preocupante quando todos os Cappelletes e Romeu fizeram caras pensativas.

—E se a aposta do desempate fosse adivinhar qual a minha tatuagem? — Aaron sugeriu.

—Já chega, você tem ou não uma tatuagem?! — Romeu se impacientou.

— ¿Pero quién hablo en tatuaje? — Aaron olhou-o espantado.

—Não seria justo pela mesma razão da aposta da Helena: você já saberia a resposta. — Benjamin argumentou.

—E nem sabemos se tem mesmo uma tatuagem! — Romeu reclamou.

Aaron sorriu.

—É claro que apostar em “na verdade não existe tatuagem” também seria viável.

—Mas você tem ou não…?!

—Então ficamos com a aposta da ambulância. — determinou Julieta. — Todos de acordo?

—Não! — negou Margarida em pânico.

Mas seu fraco protesto foi engolido pelo “sim” coletivo dos Cappellete e de Romeu… por que Romeu não era categorizado como “agregado” também?

—Está certo, mas antes de começarmos tem mais uma coisa que precisamos discutir: algumas regras gerais. — declarou Heleno.

—Eu tenho uma! — Romeu precipitou-se esticando o braço para cima o máximo que conseguiu — Nada de “verdade ou desafio” dessa vez! As coisas ficaram um pouco violentas da última vez…

—Mas quantas vezes eu vou ter que dizer que eu não estava tentando esfaquear ninguém com aquela garrafa quebrada?! — Julieta foi logo se estressando.

Ninguém lhe deu ouvidos.

Será que isso tinha alguma coisa haver com a ambulância que eles mencionaram?

—E seria bom acrescentar também que ninguém pode morder, chutar, empurrar, ou cuspir também. — Romeu acrescentou, ele havia dito “ninguém”, mas seu olhar estava fixo em Julieta — Sob pena de expulsão imediata da modalidade, é claro!

—E expulsão dos jogos em caso de três faltas. — pontuou Benjamin.

Todos os olhares se concentraram em Julieta, cuja face já estava se tornando vermelha — provavelmente de raiva, não de vergonha.

De alguma forma parecia que todas aquelas regras eram pensadas especificamente por causa dela, com base em tentativas e erros de experiências passadas.

—Regra n°03: — prosseguiu Helena — Se Heleno começar a falar aleatoriamente de qualquer assunto perigoso ou minimamente bizarro, a competição deve ser interrompida de imediato!

—Isso é meio desnecessário, não é? — Heleno objetou rindo — Eu já disse que não prevejo futuro algum.

—Claro que não. — Helena concordou sombria — Você o causa!

De repente Aaron estava com um péssimo pressentimento sobre aqueles “jogos”.


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Notas finais do capítulo

Até 2022!



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