Regress escrita por Melanie North


Capítulo 2
Capítulo Dois




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Não podemos ignorar as coisas porque temos medo delas [...]

 

— Sara Raasch, "Gelo e fogo"

 

 

Já fazia um mês, talvez mais que isso que Mandrake havia retornado e Ronin designou tarefas e mais tarefas para si mesmo se sobrecarregando, apenas uma forma de evita-lo. Na verdade quanto mais tempo ficasse fora do palácio de Ece, agora lar do rei sombrio também, melhor para si. Havia visto Mandrake algumas vezes, mas nunca falou com ele ou permitiu que surgissem oportunidades para que o outro o fizesse. Tudo estava bem, a floresta estava em equilíbrio novamente. Todos os habitantes da floresta pareciam confiar em Mandrake, todos eles pareciam ter se esquecido do que aconteceu, mas ele não esqueceria. "Todo esse seu rancor não tem a ver com o que aconteceu em sua infância?" Uma voz em sua mente lhe perguntou. "Não é porque um dia Mandrake menor e mais frágil sumiu pela floresta negando sua amizade e quando apareceu estava casado e disposto a mata-lo e também a matar Dara que era como se fosse uma irmã para vocês." Ronin balançou a cabeça com força, não era isso,  era por Dara e apenas por ela. Mandrake a matara e Ronin jamais o perdoaria por isso. Sua distração foi tanta que um galho bateu em seu peito e ele caiu com um baque em um galho mais embaixo. 

 

— Não acredito nisso senhoras e senhores!  O jovem Nod viveu para ver o dia em que o grandioso e inatingível general Ronin estaria distraído o suficiente para cair de seu pássaro!  - o jovem homem folha sorriu para o resmungo que o general soltou. 

 

— Não estou distraído. - o grisalho afirmou e voltou a montar seu beija-flor, segurou a rédea com força. 

 

— Da pra ver que não. - Nod riu, mas estava preocupado. Ronin era como um pai  pra ele e o rapaz nunca havia visto o general daquela forma, tão distraído, tão desligado do mundo ao seu redor. Isso nunca havia acontecido antes, e só havia uma razão que Nod havia cogitado até aquele momento para que o grisalho estivesse agindo daquela forma. - É por causa do Mandrake? - Ronin não esboçou qualquer reação visível aos olhos do mais novo, mas seu estômago se moveu de uma forma incomoda quando o garoto falou o nome do rei. - Ronin ele mudou, eu estava lá quando a rainha Ece tirou ele, ele já parecia diferente mesmo antes das palavras dela sobre recomeço ele está realmente tentando. - o general se manteve em silêncio. - Ronin por favor. -  continuou impassível. - Ronin, fala comigo!  

 

— Falar o quê? - puxou os arreios de seu pássaro e saltou para um galho antes que caísse novamente. - Eu não quero conversar sobre isso! Se eu quisesse teria ficado no palácio para conversar com Mandrake!  

 

— Então quer dizer que você está se sobrecarregando com tantas rondas  realmente é para ficar longe do palácio. -  Nod disse e levou seu pássaro para mais perto do general. - Porque isso? Não é apenas por causa da morte de Dara é?  Você também matou o filho dele. 

 

— Volte para o palácio Nod! - Ronin ordenou um tanto nervoso. - Cuide da rainha. Eu preciso de um tempo sozinho. - Quando Nod ainda ficou alguns minutos o olhando suspirou profundamente. - Conto pra você quando eu achar que estou pronto para isso, agora vá.  

 

Nod negou com a cabeça pensando em como aquele dia nunca chegaria. Ainda assim foi embora sem olhar para trás.

 

*** 

 

Mandrake estava ali parado na varanda de seu quarto, com vista para a saída do palácio, desde que Ronin partiu com um jovem homem folha em sua companhia. Naquele momento o jovem voltava sozinho e não parecia muito feliz. Não era preciso muito esforço para perceber que o garoto foi mandado de volta pelo general, e era necessário menos esforço ainda para perceber que o líder dos homem folha o estava evitando. Não que ele realmente pudesse culpa-lo por isso, os dois tinham mágoas um para com o outro,  e não foi apenas o fato de Mandrake ter matado Dara e  Ronin matar Dagda, havia mais além disso. Suspirou e balançou a cabeça de um lado para o outro com força para manter aqueles pensamentos longe de si. Antes era mais fácil, talvez porque antes não precisava ver o general todos os dias. Antes sempre que eles se encontravam ele estava tentando mata-lo. Agora ele apenas o olhava daquele forma magoada,  como se fosse derramar suas tristezas aos pés do moreno a qualquer momento, mas nunca o fazia, apenas o ignorava e ia embora.  Mandrake suspirou e voltou para dentro, se jogou no crisântemo laranja que era sua cama e ficou ali olhando para o teto alto tentando não pensar em nada, já que o general não saia de seus pensamentos. 

 

***  

 

Ece não ficou surpresa ao ver Nod entrar no salão a céu aberto, onde ela cuidava das flores, batendo os pés um tanto chateado. 

 

— Deixe-me  adivinhar, Ronin te dispensou. - a rainha disse com um sorriso empurrando as flores maiores, acima de si, para os lados para que as menores também pudesse tomar o sol do fim de tarde. 

 

— Qual é o problema dele? Eu só estou tentando ajudar! - Nod se sentou no chão de terra coberto por pequenas plantas salpicadas por minúsculas flores azuis. - Ele não quer nem dar uma chance para o Mandrake. 

 

— Aconteceu muita coisa entre eles Nod. - Ece desviou o olhar das flores para prestar atenção no mais velho. 

 

— Eu sei, a guerra foi terrível para todos nós majestade. - O homem folha disse. - mas ele podia pelo menos tentar. 

 

— Acho que não foi só isso. - Ece olhou para as frestas de céu escurecendo através das enormes flores roxas acima deles. 

 

— O que quer dizer? - perguntou Nod. 

 

— Acho que aconteceu mais ente eles do que nós sabemos.  - disse a rainha paciente. 

 

— Ronin disse algo a respeito. - o rapaz disse brincando com uma florzinha. - Acha que podemos ajudar com alguma coisa? 

 

— Pouco provável. Mas não se preocupe, Ronin só precisa de tempo, vai ficar tudo bem. - Ece sorriu.  

 

— As vezes é difícil lembrar que sua majestade só tem quatorze anos. - o rapaz disse o sorriso da rainha se alargou. 

 

— Você sabe que não precisa ser tão formal o tempo todo não é? Somos amigos. 

 

— Sei sim. - Nod sorriu. - Mas me parece mais adequado assim. 

 

— Como você quiser. - Ece  disse. - Agora o que acha de chamar o rei Mandrake e o general Ronin para o jantar? 

 

— Acho que é melhor nos prepararmos para um silêncio pesado, olhares estranhos que eles acham que não notamos e possibilidades de socos trocados em cima da mesa do jantar. 

 

— Não é para tanto. - Ece disse.

 

— Ah é sim. - Nod se levantou e andou em direção a saída do salão. - Se fosse a senhorita colocaria uma armadura majestade. - disse e a rainha riu, embora soubesse que a situação não era nem um pouco engraçada. Precisava ajudar a acabar com aquela situação, mas talvez só poderia ajudar se soubesse com o que estava lidando. Iria conversar com Mandrake naquela noite, afinal o general não era à pessoa mais comunicativa do mundo, o rei era uma escolha melhor. Com sorte ele lhe contaria a verdadeira história dele e do general Ronin. 


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