Martírio escrita por Lótus e Annye


Capítulo 5
Capítulo 5




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Cinco semanas depois do retorno de Madara e duas semanas depois que a rede de espiões de Izuna informou a mobilização de um regimento de Kumo para auxiliar as forças de guerra que no momento estavam sendo facilmente contidas nas fronteiras, chega a notícia de que Senju Tobirama atacou sozinho o reforço de Kumo, dizimando quase mil homens com uma armadilha de selos e um jutsu de sangue, ironicamente um jutsu que Hashirama havia abominado e classificado como kinjutsu, antes de ser morto pela Força Kinkaku, seu corpo não foi recuperado. 

Izuna retornou do reconhecimento ao campo onde o massacre aconteceu pálido e trêmulo, a portas fechadas ele contou ao irmão o que omitiu dos relatórios oficiais, o sangue coagulado de centenas de homens encharcava o chão de tal forma que parecia lama pútrida, nas bordas do massacre uma área totalmente arrasada onde Tobirama lutou contra a elite de Kumo e perdeu seu hapuri, o interior da peça estava coberto de selos que melhoravam a visão, Madara engoliu em seco, Tobirama havia morrido sozinho e no escuro.

—Aniki, ele poderia ter me matado. - Izuna proferiu como uma sentença - Aquele dia quando me acertou com a espada, ou antes, ele tinha poder para me matar, ele só não quis e eu… só...

—Sim, ele poderia, mas não fez porque o sonho de Hashirama era mais importante, ele só agiu quando achou que você poderia matá-lo. - Madara concordou - Ele me disse isso na praia, quando fui atrás dele.

—Então você o achou? Porque mentiu para Hashirama?

—Achei que ele não faria nada, não queria dizer ao meu amigo que todos nós tínhamos magoado tanto Tobirama que ele não conseguia pisar em Konoha mesmo em uma situação assim.

—Oh…. Eu sinto muito, Aniki. Parte disso é minha culpa.

—Não, Izu. Isso foi o preconceito do Senju, do Uchiha e de Konoha, mas principalmente meu e de Hashirama. - Madara abraça seu irmão e sente que o abismo entre eles está se abrindo mais e isso parece tanto um adeus. - Vou ter que viver com isso.

O ato heroico de Tobirama permitiu que a maré da guerra mudasse e Kumo recuou para lamber as feridas, apressando-se a propor tratados de paz, Hashirama pranteou seu irmão, Mito vestiu luto e Tōka se entregou a uma fúria sangrenta nos últimos dias de combate, mas a vida seguiu e depois que os mortos estavam enterrados ninguém mais lembrava dele, nem sua família, não havia um altar para Tobirama na casa de Hashirama, seu nome não estava na pedra memorial e Madara doía.

Os dias passavam e ele não conseguia mais olhar para Konoha, nem para seu amigo ou seu irmão, seu sobrinho, um bebê que não tinha nada a ver com isso, lhe causava raiva e dor, ele precisava ir embora antes que isso apodrecesse dentro dele e se tornasse ódio. Konoha não era mais sua casa, talvez não fosse mais desde que Tobirama a deixou e só agora Madara estava se dando conta disso, entendendo o vínculo de suas almas, não importava realmente, ele tinha que ir embora. Ele deixou seu hitai-ate e sua carta de renúncia para Hashirama, uma carta para Izuna e o tanto que havia sido de sua mãe para que fosse dado a seu sobrinho quando ele crescesse, então partiu silenciosamente no meio da noite e correu sem parar para a praia onde encontrou Tobirama pela última vez.

Ele não sabia o que esperava encontrar, mas certamente não era uma casa entalhada no penhasco, quando desfez o selo simples que cobria a entrada Madara imaginava um lugar provisório, um acampamento desmontado, ao invés disso havia uma pequena e aconchegante casa, repleta de livros, com um altar para sua mãe e irmãos, pequenas flores brancas plantadas em um vaso sob uma das claraboias e alguns desenhos incrivelmente realistas nas paredes representando Hashirama, Mito, Tōka, a Lady Senju, Itama, que ele sabia ser o garoto com cabelo bicolor, Kawarama, o com a cicatriz na bochecha e sua convocação, um lince majestoso. 

Tudo era tão estranho e diferente do que ele pensava do homem e ao mesmo tempo tão Tobirama que doía, sua garganta ardia e quando seus olhos pousaram na moldura na cabeceira da cama, um desenho seu sorrindo durante o primeiro festival da aldeia, a ardência se transformou em lágrimas e tudo que ele pode fazer foi cair na cama e abraçar a gola de pelo branco que ainda conservava o cheiro que ele nunca pode sentir de verdade na pele do albino.


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