O amor é uma rosa - Gingerrose escrita por EloiseFeh


Capítulo 2
Every Rose Has Its Thorn


Notas iniciais do capítulo

Olá, pessoas, como estão? Vamos aqui para mais um capítulo, dessa vez com Rose seguindo sua missão. Espero que gostem, boa leitura ♥



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"Foi algo que eu disse ou algo que eu fiz
Minhas palavras não soaram direito?
Embora tivesse tentado não te ferir
Embora tivesse tentado
Mas acho que é por isso que dizem
Toda rosa tem seus espinhos
Assim como toda noite tem seu amanhecer"

 

 

A caminho de Gane, embarcada em um cargueiro apertado pêgo numa estação em outro planeta próximo a Ajan-Kloss, Rose perguntava-se o quão difícil seria sua tarefa. Havia tentando disfarçar todos os indícios de que poderia ser uma soldado da Resistência. O cabelo preto, na maior parte do tempo preso em um coque apertado, estava solto sobre seus ombros. Já não tinha mais a franja de meses atrás, quando havia confrontado diretamente a Primeira Ordem, de forma que o cabelo atual lhe dava um aspecto mais adulto; não marcando muito seu rosto redondo.

 

A blusa clara folgada e levemente amassada, sendo coberta por um casaco de couro, lhe dava mais uma aparência de contrabandista ou viajante do que de alguém que passava o dia consertando portas e motores. Mas o blaster e o bastão de choque estavam firmemente presos ao seu cinto e ela não pensaria duas vezes antes de usá-lo quando fosse preciso. E o Comlink em seu bolso era de fácil acesso caso precisasse pedir ajuda. Estava preparada. E era isso que importava.

 

O entreposto de Gane era, no mínimo, um local até agradável. Uma estrutura circular que concentrava os mais diversos tipos de negócios, dando acesso às vilas ao redor que eram sustentadas pelo comércio variado e agricultura na região. Era um lugar pequeno, mas até então pacifico. Rose passava por cada canto curiosa e cuidadosa, havia visto naves da primeira ordem pousarem na mata de forma quase discreta. Seria questão de tempo até chegarem ao local, mas já podiam-se ouvir sussurros e avisos nas mais diversas línguas que pudessem ser faladas ali.

 

A moça fez seu caminho até uma cantina, sentando em um canto afastado da entrada e percebendo uma movimentação incomum nos fundos, onde homens e mulheres de várias espécies entravam e saíam através de uma cortina espessas com olhares satisfeitos ou desconfiados. Não fui muito difícil deduzir que ali era o acesso aos bordéis, Rose pediu uma bebida e esperou pacientemente.

 

Não demorou muito para ver os primeiros Stormtroopers passar do lado de fora. Rose espreitou por um janela, levantando a cabeça para olhar o pátio do entreposto do lado de fora. Pouquíssimos, como Finn havia dito, e acompanhados de um capitão em traje prateado. Claro, o jeito como seguravam os blasters e seguiam o seu superior lhe davam um aspecto intimidador. Mas o capitão parecia apenas interrogar alguns comerciantes, que respondiam amedrontados e sem demora.

 

Ela voltou a se sentar, esperando mais um pouco antes de sair para verificar a situação de perto. Tomou mais um gole da bebida, esperou mais alguns minutos. Foi o tempo em que os soldados da Primeira Ordem entraram no estabelecimento.

 

A música cessou, as conversas mudaram de volume e todos levantaram o olhar para a porta, onde dois soldados se postaram um de cada lado, antes de olharem ao redor e saírem. A música voltou a subir, os burburinhos aumentaram e o local voltou ao seu volume inicial. Aquilo havia sido um movimento estranho, Rose não entendeu o motivo para tal atitude por parte dos soldados. Até o próximo entrar.

 

Rose não soube dizer o que sentiu, mas seu sangue gelou em suas veias e seus olhos se arregalaram ao ver a figura de Armitage Hux surgir sozinho. Um general não devia estar ali e, dado a arrogância do homem, Rose duvidava que ele se sujeitasse a uma simples missão de reconhecimento. Mas as dúvidas e o choque inicial teriam que esperar, dando lugar ao pânico crescente por estar no mesmo ambiente que um comandante de alta patente da Primeira Ordem, que a conhecia, que havia ordenado sua execução meses antes.

 

Trêmula, Rose fez de tudo para sair discretamente enquanto o olhar de Hux varria o lugar. Sair pela frente estava fora de questão, com certeza chamaria a atenção dele. Tudo pareceu ficar mais rápido, em uma contagem regressiva torturante, e seu única instinto era de correr antes de seu tempo acabasse. Sua única saída era o bordel. Não tirou os olhos do general até que o momento fosse certo e, no movimento de cabeça em que ele iria encontrar seu olhar, ela virou-se e correu para os fundos.

 

Parou para respirar contra a parede ao lado da cortina, observando os corredores que levavam aos aposentos privados. Sua mão foi levada até o blaster e ao bastão em sua cintura. Queria evitar qualquer conflito com a Primeira Ordem naquele dia, a Resistência ainda não podia se dar a esse luxo. Mas não podia deixar de se defender. Respirou fundo mais uma vez, queria sair dali logo, mas não correria o risco de ser vista. Com cuidado, ela passou a mão pela fresta da cortina e tentou espreitar, torcendo para que o general já tivesse ido.

 

A cortina abriu-se com rapidez do outro lado e a moça imediatamente levou sua mão a cintura em busca de seu bastão, em busca de uma saída rápida para atordoar o ruivo alto que se colocava em sua frente. Em um movimento rápido, Armitage Hux segurou suas mãos e fechou a cortina, a colocando contra a parede em que encontravam.

 

— Não, para! - Hux pediu, colocando uma das mãos em sua boca e olhando um pouco para os lados. - Eu acho que… Aí!

 

A mordida em sua mão o fez retroceder, dando espaço para Rose sacar o bastão com mais facilidade. Hux a parou antes que a corrente elétrica encostasse em sua pele.

 

— Pode parar por um segundo?! - disse Hux, ríspido. - Céus, se nos virem aqui é seu fim e o meu!

 

— Você pode morrer em um compactador de lixo se for por mim… Me solte! - Rose debateu-se mas era ridículo lutar contra o ruivo.

 

— Pare! Eu recebi uma transmissão... Eu enviei a transmissão com as coordenadas daqui! - disse Hux. - Você foi quem as interceptou?!

 

A expressão de Rose passou de raiva para surpresa e ela não escondeu isso nem por um segundo.

 

— Você é…?

 

— General - uma voz quase robotizada chamou por de trás da cortina.

 

O ruivo fez um gesto para que ela ficasse quieta e passou pela cortina. Rose aproximou o ouvido.

 

— Não sabia que estava por aqui - disse o stormtrooper, um tom quase de julgamento. - Tenho certeza que ouvi um discussão.

 

— Uma prostituta - respondeu Hux, Rose revirou os olhos. O ruivo continuou com um tom intimidador. - Algumas vezes me dou o luxo de me dar prazer com elas. Não que saiba o que é isso ou que o que faço durante meu ócio seja de sua conta, Capitão.

 

— Não, senhor. - respondeu o Stormtrooper. - Terminamos a inspeção inicial, não há vestígios da resistência, vamos continuar nossas negociações.

 

— Ótimo. Sairei na minha nave assim que terminar - dispensou o General.

 

Hux voltou pra dentro do bordel aos poucos, tendo certeza que seus subordinados já estavam longe. Sua atenção voltou-se para a moça ao seu lado que, apesar da expressão de incredulidade, não disfarçava sua raiva.

 

— Já parou de querer me matar? - perguntou o ruivo, sério, mas ainda estranhamente próximo dela.

 

Naquele momento, Rose percebeu o quanto ele estava diferente. Continuava com o semblante sério e a aura ditatorial, mas, diferente de meses antes a bordo da Supremacy, o General assumia uma aparência mais informal. O cabelo se encontrava um pouco desgrenhado e Rose podia ver uma rala barba alaranjada sugerindo que ele não havia se barbeado naquela manhã. Suas roupas, em tons escuros, também estavam mais parecidas com um contrabandista do que com a de um comandante.

 

— Não - respondeu Rose, fechando a cara. - Não acredito que esteja ajudando a Resistência. Me mate se quiser, mas pare de jogar comigo.

 

Hux ergueu uma sobrancelha, admirado com a bravura da moça. Ele deu um sorriso de canto.

 

— Não seja ridícula. Não acha que seria mais fácil armar uma emboscada? Dar a vocês uma informação importante e destruí-los assim que chegassem ao local? - raciocinou Hux.

 

— Bom…

 

— Ou acha que não seria mais simples mandar uma frota de Destroyers para Ajan-Kloss? - continuou o ruivo.

 

Os olhos de Rose se arregalaram, tanto trabalho que tiveram para encontrar e construir uma base do zero. Tudo agora parecia ser perdido por um simples descuido e ela não escondeu a dor de imaginar perder tudo.

 

— Não me olhe assim - pediu Hux, em um tom incomum, gentil demais para Rose associar a sua figura. - Se eu quisesse, já teria feito isso.

 

— Como você…?

 

— Eu tenho meus contatos com pessoas que não são lá amigas da Primeira Ordem, ou mesmo da Resistência. Achar um canal de comunicação foi pura sorte, mas ainda assim… Foi parar em você.

 

Ele estreitou os olhos e a encarou, de cima a baixo. Rose sustentou o olhar por alguns segundos, mas suas bochechas coraram com os olhos do ruivo sobre si e ela se viu forçada a desviar o olhar, ainda com o maxilar travado em desgosto.

 

— Por que está ajudando? Vai perder tudo que construiu - constatou a moça, voltando a olhar com autoridade para o general.

 

— Não me importo, contanto que eu veja Kylo Ren pagar e sofrer com a própria derrota - respondeu ele com desprezo, apenas a menção ao novo Supremo Líder o enjoava.

 

Rose soltou uma risada abafada.

 

— E eu pensando que você tinha criado algum senso de caráter…

 

— Admiro a boa fé que cultiva - respondeu Hux, ácido. - Mas não pense que vocês, rebeldes, fazem alguma diferença pra mim. Ainda os desprezo.

 

— O sentimento é mútuo - retrucou Rose, aproximando seu rosto em desafio, com o queixo erguido e nenhum pouco intimidada pela diferença de altura de seus corpos.

 

Diante daquilo, por um breve momento, Armitage Hux vacilou. Deixou que seu olhar descesse e encontrasse os lábios da moça, voltando algumas vezes para encará-la nos olhos pequenos, que sem nenhum temor desafiava um general da Primeira Ordem. Era a mesma garota que havia invadido um Mega Star Destroyer para garantir uma chance de vencer, a mesma que de queixo erguido aceitou a morte, cuja ordem fora dada por ele. Estava encantado com a coragem, autoridade e postura que ela apresentava diante de um inimigo. Seus pensamentos se tornaram nublados, tentando ceder ao desejo que sentia naquele momento, sem saber direito de onde havia vindo.

 

— Como posso ter certeza que não vai me matar assim que eu sair? - perguntou Rose, ainda firme.

 

— Não pode - respondeu o ruivo ao seu ouvido, fazendo os pelos de sua nuca se arrepiarem. O homem se afastou. - Mas pode ter certeza de que, caso eu não o faça, continuarei a mandar informações.

 

Hux se afastou, dando espaço para que a garota saísse. A observou sair com um sorriso pintado nos lábios. Rose deu passos desconfiados, com a mão já no blaster em sua cintura e sem tirar Hux de seu olhar. Com um movimento rápido, saiu, não sentindo mais nada além de raiva.


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Notas finais do capítulo

A música do Título é, obviamente, Every Rose Has Its Thorn. Não sei direito se é do Poison ou do Rock of Ages, mas eu escutei a versão da Miley Cyrus ahah
Até o próximo capítulo ♥



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