Resgate Pelo Tempo e Espaço escrita por Karina A de Souza


Capítulo 1
O Doutor e Mallory conhecem os Hargreeves


Notas iniciais do capítulo

A fanfic se passa após a segunda temporada de The Umbrella Academy, mas alguns fatos foram alterados para se encaixar na história.



Este capítulo também está disponível no +Fiction: plusfiction.com/book/793992/chapter/1

A TARDIS já tinha parado, mas o Doutor não tinha se movido para sair, parecendo intrigado com alguma coisa nas telas. Eu só via números sem sentido, e não sabia por que isso supostamente era preocupante.

—E aí... A gente vai sair ou...?

—O que?-Olhou pra mim, como se tivesse se esquecido da minha presença, o que era bem possível.

—Tem algo errado?

—Não. Talvez. Ainda não sei, preciso terminar as equações. Por que não vai lá fora e tenta não se perder ou ser exterminada?

—Vou tentar, obrigada pela dica. -Me virei, indo para as portas. -Vê se não fica aí o dia todo, eu quero aventuras!

—Até mais, Mallory.

Revirei os olhos. O velho era um doce.

Saí da TARDIS, tentando fazer suposições. Século 21, com certeza. O céu era feio e cinza, o que talvez indicasse chuva. Devia ser segunda feira. Segundas feiras eram as piores.

Caminhei um pouco na calçada, me perguntando em que confusão íamos nos meter dessa vez, que raça alienígena esperava para se revelar e talvez tentar nos matar...

Alguma coisa bateu na minha cabeça com força e o mundo girou num ângulo estranho, acho que caí no chão.

—Olha aí o que você fez, grandalhão!-Uma voz masculina gritou, parecendo ficar mais próxima. -Seu tapado, custou cem pratas!

—Como se isso fosse o mais importante, Klaus!-Outra voz masculina.

—Ah, pobrezinha...

—Você acha que ela está bem?

—Está quebrada, seu brutamontes...

—Eu estava falando da garota.

—Ah. É. Oi. -Um rosto apareceu na minha linha de visão, mas tudo estava borrado e escuro. -Oi, você tá me ouvindo? Puta merda, acho que você matou ela...

***

Acordei num sofá. Minha cabeça doía pra caramba na parte de trás e eu me sentia tonta. Nada bom. Recapitulei os últimos instantes antes de apagar e conclui que alguém tinha sido o responsável pelo meu desmaio repentino.

—Ah, você tá viva. -Olhei na direção da voz. Um homem magro de cabelos castanhos até os ombros me encarava de uma poltrona. Segurava um copo e tinha as pernas cruzadas. -Eu estava esperando seu fantasma.

—Onde...?

—Bem vinda à Mansão Hargreeves. Pensamos em levá-la para a enfermaria, mas eu disse “Ninguém gosta de acordar numa enfermaria, dá uma sensação assustadora”. No mínimo você ia pensar que a gente tinha te sequestrado pra fazer experiências médicas bizarras. O que é bem o estilo do nosso velho pai, mas nós somos mais legais. Sou Klaus.

—Mallory. -Murmurei, perdida.

—Que nome bonitinho.

—O que houve?-Me sentei devagar, sentindo a cabeça doer mais.

—O idiota do meu irmão acertou uma garrafa em você.

—Foi sem querer. -Um homem loiro disse, como se fosse a milésima vez. Ele era grande, com braços grossos como os de um lutador. -Eu não teria feito isso se você não estivesse bebendo tão cedo... E claro, não mirei na sua cabeça. -Olhou pra mim.

—O bobalhão ali é o Luther. Você pode processá-lo se quiser. -Colocou uma mão ao lado da boca como se fosse contar um segredo. -A gente tem uma herança considerável. Boa parte foi para a reforma da casa. -Fez um gesto sinalizando em volta. -Tivemos uns... Bons estragos por aqui. Valeu, Vanya.

—Menos, Klaus.

—Você não disse isso quando tava rolando o apocalipse.

—Eu não disse para banirmos essa palavra?-Uma voz feminina perguntou. A dona dela entrou na enorme sala: uma mulher negra, segurando algumas bolsas de compras. -Ah. Não sabia que tínhamos visita.

—Essa é a Allison, minha outra irmã. Allison, essa é a Mallory. O Luther acertou uma garrafada na cabeça dela.

—O que?-A garota apareceu espantada e largou as bolsas, lançando um olhar para o grandalhão e se aproximando de mim.

—Foi sem querer. -Luther repetiu.

—Você está bem?

—Estou. -Respondi. -Só dói um pouco...

—Por que não deram um saco de gelo pra ela?-Olhou para os irmãos.

—Eu acabei usando todos na bebida. -Klaus confessou, erguendo o copo para ilustrar sua resposta. Allison suspirou.

—Eu realmente sinto muito...

—Tudo bem. -Interrompi. Na verdade, a cada segundo as coisas ficavam mais confusas e eu só queria ir embora. -Preciso ir encontrar meu amigo... -Tentei ficar de pé, mas as coisas giraram muito rápido e Allison me ajudou a sentar de novo.

—Acho que deve esperar mais um pouco. Podemos ligar pro seu amigo...

—Falando nisso, ele é bonito?-Klaus perguntou.

—Ele tem tipo uns sessenta anos. -Respondi, por que ele parecia corresponder à aparência humana de alguém dessa idade. Quantos anos o Doutor tinha? Difícil saber.

—Não tem problema se ele for rico e estiver com o pé na cova.

—Klaus!-Allison repreendeu.

De repente, uma luz azul piscou e um garoto de cabelos escuros apareceu, literalmente, do nada. Era mais novo que todos os outros e parecia usar um uniforme.

—O que rolou?

—Luther acertou uma garrafada na cabeça dela. -Klaus contou, apontando pra mim.

—Eu já disse que foi sem querer!-O loiro insistiu.

—Por que não estou surpreso?-O garoto perguntou. 

—Cinco!

—Eu realmente preciso ir. -Avisei, finalmente conseguindo ficar de pé.

—Você precisa de uma carona?-Allison perguntou. -Quer que a gente ligue pra alguém?

—Não, eu... Estou bem. Acho que consigo... Talvez se me disser onde me encontraram, -Olhei para Klaus. -eu ache meu amigo.

—Ah, foi aqui na frente... -Ele disse, largando o copo e levantando.

—Ótimo. -Comecei a andar em direção ao que parecia ser a saída da enorme sala, mas outro homem surgiu na minha frente e em segundos tinha uma faca no meu pescoço.

—Diego, que isso?-Allison gritou, me puxando para trás.

—Quem é essa?-Perguntou.

—Mallory. Seu irmão a acertou com uma garrafa...

—Eu já disse que... -Luther começou. -Ah. Desisto.

—Foi mal. -O homem pediu, guardando faca. -Achei que tínhamos problemas... De novo.

—Preciso mesmo, mesmo ir. -Lembrei.

—Claro. -Allison disse. -Por aqui.

A segui, com o resto dos irmãos Hargreeves atrás de nós, implicando com Luther pelo recente ato de acertar uma garota na cabeça com uma garrafa. Eu não o culpava, ele parecia inocente, mas minha cabeça estava me matando. A confusão dos irmãos, um deles surgindo do nada, não ajudava muito.

Quando chegamos em frente à porta principal, a mesma abriu com violência e o Doutor entrou. Pareceu surpreso em me ver.

—O que tá fazendo aqui?-Perguntou.

—Você não estava me procurando?

—Hã... -Cruzei os braços.

—Eu podia ter sido raptada.

—Você parece bem.

—Você é impossível!-Klaus se inclinou na minha direção.

—Então esse é amigo?-Sussurrou. -Ah, safadinha, você tem um sugar daddy.

—O que?-A ideia me deixou, sem ofensas, enjoada.

—Eu estava seguindo umas leituras estranhas que a TARDIS detectou. -O Doutor explicou. -Na verdade, elas vem daqui. Quem são seus amigos?

—São os irmãos Hargreeves...

—Eles sequer se parecem.

—Irmãos não são necessariamente parecidos.

—Você e a sua irmã são idênticas. -Pisquei, meio atônita.

—Nós somos gêmeas. -Ele assentiu, como se um mistério do universo tivesse acabado de ser resolvido.

—Isso explica tudo.

—Por que você tem uma chave de fenda sônica?-O garoto do uniforme perguntou, dando alguns passos para frente. Ele parecia tão adulto, mais do que os irmãos.

—Do que tá falando, Cinco?-Diego perguntou. Espera... Então Cinco é o nome dele?

—Como você sabe o que é uma chave de fenda sônica?-O Doutor retrucou.

—Do mesmo jeito que sei que A Grande Anomalia Destruidora Temporal tem uma. -Cinco disse. -O bichão papão da Comissão.

—Você é novo demais pra saber disso. -Guardou a chave de fenda sônica.

—Posso ser mais velho que você, na verdade. -Meu Deus, eles iam me deixando cada vez mais confusa e perdida.

—Okay, acho que precisamos ir. -Murmurei, me afastando dos irmãos. -É hora de ir, não é, Doutor?

—Doutor?-Cinco parecia ter descoberto que o Anticristo tinha vindo tomar café. -É claro, vejo o padrão aqui. Homem velho, branco, companheira jovem... Você é A Grande Anomalia Destruidora Temporal. Sou Cinco, trabalhei pra Comissão alguns anos. Você é muito conhecido por lá. Tínhamos que ajeitar as suas merdas por toda linha temporal.

—Olha a língua, garoto. -O Doutor disse, se aproximando dele. -A Comissão não contrata crianças.

Quem você chamou de criança?-Se Cinco fosse mais alto, tenho certeza de que estaria encarando o Doutor cara a cara. Mas ele fez seu melhor em ser intimidador com seus 1,60.

—Mais alguém tá tipo muito confuso?-Klaus perguntou, erguendo a mão. Finalmente consegui notar duas tatuagens em ambas as palmas: Olá e Adeus.

Me senti tentada em erguer a mão também, não entendia nada desde que acordei. Tinha muita informação naquela casa.

Sem se importarem com todas as pessoas confusas na sala, o Doutor e Cinco se retiraram para uma conversa particular da qual fui excluída sem rodeios.

—Quem topa ouvir atrás da porta?-Klaus perguntou. Os irmãos o ignoraram.

—Que diabos é a Comissão?-Questionei.

—É tipo uma organização secreta bizarra que controla a linha do tempo ou algo assim. -Diego disse. -Eles também tem assassinos profissionais.

—O que?

—O Cinco trabalhou pra eles, e até onde entendi, seu amigo era um problema.

—Ah, ele sempre é.

—Você não reconheceu a gente. -Luther disse.

—Eu deveria?

—A Umbrella Academy. -Fez um gesto para os irmãos e ele mesmo. -Ninguém mais fala da gente?-Ah. Ótimo. Mais confusão.

—Vocês são tipo... Famosos?

—Resumindo... -Klaus tomou a liderança. Ele adorava falar. -Nós somos todos irmãos, adotados pelo finado Reginald Hargreeves, por que temos dons especiais, poderes. Super heróis, dignos de quadrinhos. O Luther ali não é grandão sem motivo, ele é super forte. Meio burro, mas forte. A Allison pode te convencer a fazer o que ela quiser, só precisa começar com “Eu ouvi dizer...” e pronto. Eu basicamente vejo os mortos e posso fazer eles terem força física nesse mundo. Aliás, tem uma velhinha assustadora atrás de você.

—O que?-Olhei por cima do ombro.

—É brincadeira, é brincadeira. -O encarei. -Diego tem telecinese, talvez seja isso que o faça ser um ótimo atirador de facas. O Cinco viaja no tempo e no espaço, sai aparecendo por aí... É uma loucura. A Vanya, que tá lá em cima... Você tá ouvindo ela tocar?-Assenti, podia ouvir um violino muito bem tocado. -Ela manipula o som e tem uma facilidade enorme pra causar o apocalipse. -Riu, até levar uma cotovelada de Allison. -E o Ben aqui, -Apontou pro nada. -controla criaturas extradimensionais. Ah. Eu sei que ela não pode te ver, bobão, mas seria falta de educação te ignorar. Cala a boca, eu não faço isso. Ah, vai se f...

—Klaus. -Allison interrompeu.

—Foi ele que começou. -Apontou para o nada de novo.

—Isso deve estar sendo informação demais. -Olhou pra mim, com um pouco pena.

—Na verdade, sim. -Murmurei. -Vocês tem aspirina?

Então, como se essa fosse uma palavra mágica, pessoas foram surgindo, todas de ternos azuis, máscaras variadas e maletas. Ah. E o mais importante: armas.

—Que porra é essa?-Diego gritou, sacando duas facas do cinto.

Foi aí que o caos começou.

Os mascarados começaram a atirar, e os irmãos se moveram como se estivessem acostumados com isso. Diego e Luther partiram pra cima dos novos convidados, cortando, socando e chutando.

Klaus tinha companhia: um rapaz azulado e de traços asiáticos surgiu de repente, tentáculos saíam de sua barriga, atacando os invasores.

Allison me puxou pelo pulso, se afastando da briga. Fomos interceptadas por alguém, o que claramente ia acontecer com tanta gente na casa.

—Eu ouvi dizer que você vai atirar na sua cabeça. -Ela disse calmamente.

O Sr. Máscara de Coelho moveu a arma que apontava pra gente e mirou a própria cabeça. Fechei os olhos. Bang. O cara tinha se matado.

Olhei para Allison, meu cérebro pifando sem saber que sentimento vinha primeiro: pânico, medo, pavor, surpresa, choque...

—Suba as escadas e se esconda. -Ela disse, apontando. -Vai!

Corri escadaria acima, como se Allison tivesse começado com “Eu ouvi dizer".

Dei de cara com um corredor enorme e estava nele quando uma porta abriu e uma mulher magrinha saiu. Devia ser Vanya, a violinista.

—Não estou com os caras armados!-Avisei.

—Ótimo. -Seus olhos brilharam em branco de um jeito meio assustador, enquanto ela ficava pálida feito uma folha de papel. -Esconda-se.

A observei enquanto ela e afastava, então entrei no quarto e fechei a porta, sentindo o coração martelar no peito.

Um som altíssimo veio do primeiro andar e tudo silenciou.

O que tinha acontecido agora? Todo mundo tinha morrido e eu era próxima? Ainda não tinha entendido nada sobre os Hargreeves, nem sabia o que tinha interessado o Doutor, fazendo-o sair por aí seguindo leituras estranhas, e nem terminado de ler Volta ao Mundo em 80 dias... Tinha muitas coisas inacabadas, não queria morrer agora.

—Mallory, já pode sair!

Era a voz de Klaus, o que por alguma razão me deixou mais calma. Saí do meu esconderijo improvisado e desci as escadas devagar, vendo os muitos corpos mascarados e a destruição.

Os Hargreeves pareciam bem, mas faltava um deles e...

—Doutor?-Perguntei. Allison olhou pra mim.

—Eles o levaram. Também levaram o Cinco.

—Por quê? Quem eram eles e por que...

—São agentes da Comissão. -Diego respondeu. -Pelo menos se vestem como eles.

—Achei que a Vanya tinha matado todos eles. -Klaus comentou, recebendo olhares repreensivos. -O que não é uma coisa ruim, claro.

—Por que estavam tentando nos matar?-Luther perguntou. —Achei que com a mulher assustadora morta...

—A Gestora. -Diego interrompeu.

—... Eles estavam de bem com a gente.

—Eu não sei por que vocês acham que eu tenho as respostas sobre o que aconteceu aqui.

—Por que você namorou uma agente da Comissão e quase trabalhou pra eles?

—Você não pode falar com a Lila sobre isso?-Vanya perguntou. Diego apenas olhou pra ela. -Entendi.

—Onde fica a Comissão?-Questionei. Todo mundo me encarou. -O Doutor é bom fugindo de lugares, mas preciso ter certeza de que ele está bem.

—Por que não deixa que a gente cuide disso?-Luther perguntou. -Nós temos poderes e impedimos o fim do mundo duas vezes.

—O Doutor impede o fim do mundo o tempo todo.

—Acho que tá na hora de você falar quem é ele. -Diego disse, os outros pareceram concordar.

Contei à eles sobre o Doutor viajar pelo tempo e espaço numa nave maior por dentro do que por fora; que ele não precisava de poderes para salvar o dia ou impedir apocalipses e que tinha salvado minha vida anos antes, mas que eu estava viajando com ele há apenas dois meses.

No fim, eu até me senti quite com os Hargreeves ao notar que eles eram os confusos agora.

Depois, todos se juntaram para dar um jeito na bagunça e nos corpos espalhados.

Segui Vanya até um armário com baldes e produtos de limpeza, e ajudei a trazer tudo para a sala.

Allison estava repreendendo Klaus por sentar e beber, em vez de ajudar. Enquanto isso, Luther observava, apoiado numa vassoura, com uma cara boba.

Franzi a testa. O que era isso agora?

—Ah. Oi. -Olhou pra mim e limpou a garganta, como se pego no flagra. -Como tá a cabeça?

—Melhor.

—Desculpa, eu não queria ter te acertado. Só joguei a garrafa e aí... Você sabe.

—Tudo bem. -Largou a vassoura, pegando três corpos de uma vez e jogando em cima de uma lona preta que estava esticada no chão. Luther com certeza tinha super força, e seus músculos estranhos davam uma boa indicação disso.

—Eu sei. -Olhou pra mim. -É bizarro. -Apontou para os seus braços. -As pessoas normalmente notam.

—Eu não...

—Não tem problema.

—Talvez se você malhar o resto para que tudo fique uniforme...

—Ah, não. Não é bem esse o caso. Eu tenho partes de gorila, literalmente. Klaus diz que sou um gorila padrão, mas é brincadeira... Eu acho. -Franziu a testa. -Então casacos e luvas são... Você sabe, ou talvez não... -Olhei em volta e arregacei a manga esquerda do meu suéter rosa, mostrando a pele queimada do meu braço.

—Vai do pulso até o ombro. Aconteceu num acidente há alguns anos. Eu prefiro usar mangas longas à ter que aguentar as perguntas e os olhares. A nossa sociedade não suporta algo não perfeito. Mas um dia, vou usar uma regata ou um biquíni de novo e sair por aí, feliz comigo mesma. -Abaixei a manga. -Até lá, minhas marcas são só minhas.

—Então... Você acha que um dia eu posso exibir meu... Gorila não tão interior?

—Se você se sentir bem com isso, por que não?-Assentiu, pensativo.

A faxina pós massacre de inimigos levou mais ou menos uma hora e meia. Depois, os irmãos se sentiram bem o suficiente para pedir pizza. Meu estômago estava embrulhado com tanto sangue, miolos e corpos. Eu não conseguia sequer pensar em comer.

—Você deve estar cansada. -Allison disse, ficando de pé. -É melhor dormir e amanhã lidamos com o sequestro do Cinco e do seu amigo. Pode ficar no meu quarto, eu durmo com... -O olhar dela passou por Luther rapidamente. -a Vanya.

—Ah, então sem festa do pijama das garotas?-Klaus perguntou, chateado. -Eu queria uma festa do pijama das garotas.

—Agora não, Klaus. -Ele suspirou e ficou de pé quando me levantei, passando o braço pelo meu. -Por aqui.

Seguimos Allison até o quarto dela, onde a cama foi arrumada rapidamente.

—Se quiser pegar alguma coisa emprestada. -Apontou para um armário.

—Obrigada, Allison. -Sorriu.

—E você, deixa ela descansar. -Olhou para Klaus, que bateu continência. A mulher revirou os olhos e saiu.

Me sentei na cama, tirando os tênis. Klaus se jogou numa poltrona, olhando pra mim.

—Eu te vi conversando com o Luther. Ele é bonitinho, eu sei, mas vai por mim, não vai rolar nada. O bobalhão tá apaixonado, então nada de fugas secretas pra dar uns pegas no meu irmão...

—Eu não costumo dar “uns pegas” em ninguém. -O encarei. -Sou demissexual.

—Ah, você é do vale!-Sorriu, batendo palmas. -Demissexuais são do vale, não são? Eu sou pansexual. Enfim, preciso te levar numa balada LGBTQIA+ que tem na cidade. A gente pode levar a Vanya. Ela é sapatão, ou bi, ainda não dá pra ter certeza. -Ri. -Antes a gente precisa fazer umas compras. Nada contra seu suéter de vovó, mas você ia ficar gata com alguma coisa mais ousada, talvez couro...

Por alguma razão Klaus era meu Hargreeves favorito. Enquanto ele tagarelava sobre compras, reparei que era alguém que poderia muito bem ser do meu ciclo social. Ele era engraçado, falava muito e parecia gente boa. Todos os irmãos pareciam legais, claro. Klaus era meu oposto, com roupas chamativas, tatuagens, desinibido e falador. Como dizem, os opostos se atraem.

Deitei na cama, deixando um bocejo escapar.

—Pode descansar. -Klaus disse, se espreguiçando como um gato preguiçoso. -Você tá segura aqui... Ou algo assim.

—Boa noite. -Murmurei.

—Boa noite.

***

Acordei no dia seguinte surpresa por ter dormido a noite toda. Me sentei na cama, forçando meu cérebro a funcionar o mais rápido possível. Eu estava cercada de heróis incomuns e o Doutor tinha sido sequestrado.

Klaus ainda dormia, sentado no chão, encostado na cama e abraçado à uma garrafa de bebida meio vazia. Ele era uma figura.

Me levantei e saí do quarto sem fazer muito barulho. A casa estava silenciosa, provavelmente era cedo.

Encontrei Vanya na cozinha. Ela parecia ser a mais quieta dos Hargreeves, o que era curioso pra alguém cujo poder envolvia som.

—Oi. -Ela disse, me notando na porta. -Você tá com fome?

—Sim. Não comer nada ontem não foi uma boa decisão. -Ela sorriu. Me sentei à mesa. -Te ouvi tocando. Você é muito boa.

—Obrigada. Não toco faz um tempo, com tanta coisa acontecendo... Achei que pararia para sempre. -Colocou dois pratos e garfos na mesa e trouxe uma panela com ovos mexidos, dividindo o conteúdo.

—Sei como é. Tranquei minha faculdade de psicologia.

—Mesmo?-Me empurrou um dos pratos.

—Não sei mais se é o que eu quero fazer. Antes, quando o mundo parecia normal, era o que eu queria. Agora eu sei que tem muitas coisas lá fora, coisas maiores que eu.

—Entendi. -Se sentou. -Algumas coisas são... Complicadas. -Assenti.

Comemos em silêncio. Era estranho pensar que a tranquila e silenciosa Vanya era irmã do tagarela Klaus. Falando nele...

—Senti cheiro de comida há anos luz de distância. -Comentou, entrando a cozinha e bocejando. -Bom dia, meninas. -Se sentou ao meu lado. Vanya pegou outro prato e serviu o irmão. -Obrigado, maninha. Então, nada do Cinco ou do velho? Digo, o Doutor? Será que eles tão vivos?

—Klaus. -Vanya repreendeu.

—É o que todo mundo tá pensando.

—O Doutor está vivo. -Afirmei. -Quando ele morrer, vamos saber assim que seus inimigos vierem aos montes para a Terra. Confie em mim, ele não está morto.

—Eu definitivamente subestimei o seu sugar daddy.

—Ele não é meu... Deixa pra lá.

A casa despertou logo depois e os Hargreeves encheram a cozinha, falando, discutindo e combinando estratégias. Tanta gente de uma mesma família reunida me lembrou da vontade que eu tinha em ter muitos irmãos. Sempre foi Marie e eu, as gêmeas que foram vestidas iguais pela mãe até os treze anos. Queria ter tido mais irmãos, ter feito viagens em família, rido, discutido e até mesmo lutado junto deles.

—Você fica uma gracinha pensativa. -Klaus disse, eu não sabia se ele estava brincando. -Relaxa, a gente vai resgatar o Doutor e o Cinco.

—Falando nisso, -Diego começou. -talvez seja melhor esperar na sua casa. É perigoso ficar aqui sozinha se formos invadidos de novo.

—Minha casa está em 2020. -Avisei. -Só o Doutor pode me levar de volta. -Olhei de rosto em rosto. -Eu vou com vocês.

—Não é uma boa ideia. -Luther disse.

—Eu enfrentei perigos inimagináveis na Terra e fora dela. Sem poderes. E nunca, nunca fugi de salvar o Doutor. Ele salvou minha vida e sempre irei retribuir.

Os irmãos trocaram olhares, parecendo travar uma conversa silenciosa e secreta de irmãos.

—Tudo bem. -Allison disse. -Você vai com a gente.

Os segui até a sala, onde Diego pegou uma das maletas dos mascarados que estava intacta.

—É isso aí pessoal... Todo mundo tocando na maleta. -Nos aproximamos formando um círculo. -E se alguém se perder, não entre em pânico.

—Espera, -Comecei -isso pode...

Então as coisas ficaram ainda mais estranhas.

Eu não devia me surpreender, depois de dois meses viajando por aí pelo tempo e espaço numa máquina maior por dentro do que por fora, que tinha a aparência de uma cabine azul da polícia dos anos 60.

Mas, quando a maleta nos transportou para outro lugar, e talvez até outro tempo, eu não sentia nada além de surpresa, e um pouco de choque. Os humanos tinham dominado a viagem pelo tempo e espaço... E a tecnologia estava numa maleta.

—Se abaixem. -Diego mandou. Eu precisei ser puxada por Allison para trás de uma árvore, por que meu cérebro tinha parado por alguns segundos enquanto tentava assimilar a novidade. -Aquele é o prédio da Comissão. -Apontou. Era uma arquitetura ostensiva. -Vamos nos separar e procurar pelo Cinco e pelo Doutor. Qualquer um que tentar nos matar, vocês matam. Alguma pergunta?

—Por que você está dando as ordens?-Klaus perguntou, erguendo a mão e levando um empurrão de Diego em seguida. —Ai.

—Você vem comigo, seu drogado maluco. Mallory, vem com a gente.

—Eeeh, estamos na mesma equipe. -Segurou minha mão. -O que acham de termos nomes...?

—Cala a boca, Klaus. Foco.

—Eu só tô tentando deixar as coisas mais agradáveis... -Diego revirou os olhos e agarrou a camisa do irmão, puxando-o para andar.

Os dois grupos se separaram. Talvez seja esse o significado de “conquistar para dividir”, mas eu gostava mais de estar num grupo maior. Os Hargreeves tinham poderes, nossos inimigos tinham armas pesadas. Eu? Um pouco de coragem e ansiedade.

Diego se livrou de alguns agentes que estavam guardando uma porta, antes que eu pudesse perguntar “Qual é o plano?”, então entramos no prédio.

Mal tínhamos terminado de entrar quando uma mulher pulou na nossa frente, parecendo um anjo da morte com um cabelo duvidoso.

—Eu sabia que vocês seriam estúpidos o bastante pra vir aqui.

—O que não explica o que você está fazendo aqui, Lila. -Diego disse, abaixando as facas.

—Vim salvar meu namorado e os irmãos idiotas dele. -Olhou dele para Klaus, e finalmente pra mim. -Quem é essa?

—É a Mallory, o amigo dela foi pego junto com o Cinco.

—Tá de olho no meu namorado?-Neguei com a cabeça. -Ótimo. É o seguinte: agentes que sobreviveram ao último massacre decidiram tomar a Comissão, e eles estão bem nervosinhos. Querem tirar do caminho qualquer possível problema, como sua família e A Grande Anomalia Destruidora Temporal. Imagino que eu tenha meu lugar na lista.

—Com certeza tem.

—O plano é matar todos eles.

—E resgatar o Cinco e o Doutor.

—É, isso também. Por aqui.

Diego e Lila eram um casal e tanto (eles eram um casal, não eram?). Tomaram a frente do grupo e derrubavam qualquer um que aparecesse no caminho deles. Klaus e eu apenas observávamos, impressionados com as habilidades dos dois.

—Mallory!-Lá na frente, num corredor, o Doutor e Cinco vinham na nossa direção. Me soltei de Klaus, correndo até o Senhor do Tempo.

—Você está bem?

—Podia estar melhor. -Me entregou um pen drive. -Preciso que delete pra mim, tenho que fazer umas coisas antes de irmos.

—Pode deixar. -O observei se afastar rapidamente. Cinco xingou em voz alta e correu atrás dele, os dois sumindo num corredor. -Onde ficam os arquivos da Comissão?-Mais agentes surgiram, armados e furiosos.

—Suba as escadas, é a primeira porta à sua esquerda. -Lila respondeu.

—Obrigada. -Comecei a correr.

—Aonde você vai, mulher?-Klaus gritou, correndo atrás de mim. -Espera aí, eu vou junto!

Eu sabia exatamente o que o Doutor tinha me pedido pra fazer. Aquele pen drive tinha um programa que deletava toda e qualquer informação sobre ele de um arquivo. Era como se nunca tivesse existido. Agora, ele seria apagado da Comissão, e A Grande Anomalia Destruidora Temporal provavelmente se tornaria uma lenda urbana entre os sobreviventes do resgate à lá Hargreeves.

Isso era o que eu pensava, até abrir uma porta e me deparar com uma sala enorme cheia de arquivos um ao lado do outro, formando corredores intermináveis.

—Papel?-Murmurei, entrando na sala. -Quem guarda informações em papel hoje em dia?

—Puta merda, isso vai levar séculos. Ei, que isso?-Virei pra ele, vendo-o encarar o nada. -Você tá vendo isso, Ben? É um peixe falante!

—Um o que?

—Ele tá dizendo que sabe onde ficam os arquivos do Doutor... Vem. -Agarrou minha mão, me puxando com ele. -Devagar, Sr. Peixe, nós temos pernas!

Okay. Eu entendia e aceitava que Klaus via fantasmas. Mas um peixe falante? Isso era real ou resquícios da garrafa que ele tinha virado durante a madrugada? E Diego tinha o chamado de “drogado”. Com certeza havia muito mais coisa sobre o falante Klaus que eu não sabia.

—Aqui. -Parou, apontando para um dos armários. -Ele disse que tá tudo aí.

—Qual gaveta?

—Todas. -Isso não me surpreendeu.

—Você tem um isqueiro?-Soltei a mão dele, abrindo as gavetas e puxando todos os arquivos para fora, jogando-os no chão numa pilha.

—Eu sou fumante, é claro que tenho um isqueiro. -Me entregou uma coisinha prateada, onde havia um palavrão gravado na frente e atrás. -Queima tudo, garota!

Pra alguém que teve todo o braço esquerdo queimado, eu não era alguém que tinha medo do fogo. Abri o isqueiro, mas antes que pudesse queimar os arquivos, alguém me agarrou por trás, me tirando do chão.

—Ei!-Klaus gritou, mas ele tinha o próprio problema mascarado. -Calma, espera aí, eu fiz as unhas ontem...

O aperto na minha cintura estava me deixando sem ar e com muita dor. Me imaginei sendo partida ao meio e isso me fez reagir. Acendi o isqueiro, encostando a chama nos braços que me seguravam. O homem atrás de mim berrou, me largando e agitando os membros enquanto o fogo se espalhava.

De repente, Ben, o garoto fantasma com poderes, surgiu, atacando os mascarados e salvando Klaus e eu.

—Obrigada. -O garoto olhou pra mim, surpreso, então sorriu antes de sumir.

—Não vai se achando não, bonitão. -Klaus provocou. -Você não faria nada sem mim.

Ri, balançando a cabeça negativamente e me abaixei, ateando fogo à enorme pilha de arquivos que falava sobre o Doutor. Resolvido.

Levantei, observando as chamas consumindo os papéis. Klaus se aproximou, passando um dos braços por cima dos meus ombros.

—Mallory, a gente faz uma dupla foda pra caralho.

Encontramos os Hargreeves restantes na entrada do prédio. Eles pareciam bem e satisfeitos em eliminar todos os alvos. Cinco tinha o rosto sujo de sangue como se fosse um serial killer de 14 anos. O Doutor estava com eles, mas um olhar bastou para que eu soubesse: a mente dele estava muito, muito longe dali.

—Eu devia ter imaginado que ela estava metida nisso. -Murmurou, sem me notar ao seu lado. Quem era “ela” e metida no que eu não fazia ideia.

Os Hargreeves conversaram com um homem baixinho antes de ir, então partimos agora com Lila, Cinco e o Doutor de volta pra mansão.

—Viagem pelo tempo e espaço numa maleta. -Apontei. Ele não parecia surpreso.

—Vocês humanos tem gostos estranhos. -Decidi não responder.

—Seus arquivos foram deletados... Com fogo. E recebemos ajuda de um peixe fantasma falante.

—Cinco tem quase sessenta anos. -Ergui uma sobrancelha.

—Okay, você venceu.

—Bom, é isso. -Se virou para os Hargreeves, que calaram suas conversas rapidamente. -As leituras estranhas foram decifradas...

—Foram?

—Vinham do Cinco, por causa do poder dele de viajar pelo tempo e espaço. -Assenti. Fazia sentido. -Agora que a Comissão já voltou ao normal e mistérios foram resolvidos, é nossa hora de ir.

Ah. Okay. Eu sabia que essa aventura chegaria ao fim. Não significava que eu queria que fosse tão rápido. Já me tinha me acostumando aos Hargreeves. Eles eram estranhos, engraçados e uma família grande. Sempre quis uma família grande.

—Espera, você tem que mostrar pra gente. -Luther disse. Todo mundo o encarou. -A máquina do tempo. Mallory falou sobre ela.

—Ah, a Mallory falou. -Me encarou. Dei de ombros. -Tudo bem. Mas se tocarem em alguma coisa, jogo vocês no buraco negro mais próximo.

***

As expressões de surpresa e choque dos Hargreeves foram maravilhosas. Cinco disfarçou bem, acho que com aquele atrito entre ele e o Doutor, o garoto (não tão garoto assim) não queria dar pontos pro Senhor do Tempo.

Lila não parecia tão surpresa assim. Ela tinha ouvido muitas histórias sobre A Grande Anomalia Destruidora Temporal e havia mais alguma coisa ali, suspeitei que ela já conhecia o Doutor.

Falando nele, eu sabia que aquela coisa de “aff, tenho que mostrar minha TARDIS", era encenação. Ele adorava ver a reação de quem passava pelas portas azuis pela primeira vez. Quer saber? Eu também.

—Eu devo tá muito chapado. -Klaus murmurou, andando devagar pela sala de controle, sem saber pra onde olhar primeiro. Me aproximei dele.

—Não, você tá sóbrio.

—O que é espantoso. Você tipo... Mora aqui?-Olhou pra mim.

—Não. O Doutor mora. Eu vivo numa casinha ao norte de Londres. Mas passo um certo tempo aqui sim. A TARDIS é minha segunda casa.

—Legal. Ei, quem é a loira?

—Quem?-Olhei na direção que ele encarava, mas não tinha ninguém.

—Você podia levar a gente numa viagem. -Luther disse.

—Eu teria que estar louco. -O Doutor avisou.

—Modos. -Repreendi. Ele deu de ombros.

—Vocês são a própria definição de confusão, Hargreeves.

—Como se você também não fosse. -Olhou pra mim.

—Bom, obrigada pelo tour. -Allison agradeceu. -Acho que precisamos deixar vocês irem agora.

Saímos da TARDIS para as despedidas. O Doutor foi rápido e logo estava num canto, discutindo com Cinco de novo. Okay, isso estava ficando engraçado e meio irritante.

—Foi bom tê-la com a gente, Mallory. -Allison disse.

—Obrigada pela hospitalidade, e por me deixarem ir com vocês. Foram boas companhias. -Ela sorriu e me abraçou.

—Sinta-se convidada a voltar quando quiser.

—Não vai ter mais garrafas voadoras te esperando. -Luther prometeu. Rimos.

—Acho que isso me convenceu. -Brinquei.

—As coisas ainda podem ser meio doidas. -Vanya avisou.

—Eu tô acostumada. -Apontei para o Doutor.

—A gente pode te ensinar alguns golpes. -Diego sugeriu. Lila apenas olhou pra mim. Ela continuava assustadora.

—Seria legal.

Me aproximei de Klaus, ouvindo as discussões dos irmãos e da dupla de velhos viajantes do tempo.

—Foi bom ter te conhecido também, Ben. -Klaus sorriu.

—Ele disse o mesmo. Não acredito que vai embora. Eu tava com tantos planos... -Fez uma pausa. -Volte pros nos ver. Em 2020. Daqui um ano, se você bater naquela porta, eu vou atender.

—Quer que eu viaje o mundo pra te ver?

—Londres não é tão longe. Vai, diz que sim. Diz...

—Okay. Eu venho.

—Eu vou estar esperando. -Apontou pra mim. -É bom você vir mesmo. Eu não acho que vão me deixar entrar num avião bêbado. -Ri.

—Provavelmente não. -O Doutor chamou meu nome, entrando na TARDIS. -Preciso ir.

—Um ano.

—Até mais, Klaus. -Comecei a me afastar. -A gente se vê...

Entrei na TARDIS, fechando as portas e me aproximando do console, onde o Doutor já colocava as novas coordenadas.

—Você tem uma grande facilidade em arrumar amigos estranhos.

—Olha quem fala. -Provoquei. -E tudo isso começou com uma garrafada... -Suspirei. -E aí, quer me contar o que descobriu?

—Não faço ideia do que está falando.

—Okay então, fique com seus segredos...

Lembrei do que Klaus disse, sobre ter visto uma mulher loira fantasma na TARDIS. Apostava tudo que era outro segredo do Doutor.

***

11 DE AGOSTO DE 2020

Meus pais disseram que eu era maluca em viajar em plena pandemia, mas depois de enfrentar tanta coisa pelo tempo e espaço, eu estava me achando com sorte. Então comprei alguns frascos de álcool em gel, algumas máscaras fofinhas e peguei o primeiro voo que consegui.

A fachada da Mansão Hargreeves parecia a mesma e tudo parecia normal, mas, até onde eu sabia, podia haver corpos de vilões lá dentro e uma certa destruição.

Passei a mala para a outra mão e bati na porta. Não precisei bater muito até que a mesma abrisse e revelasse Klaus.

—Você veio!-Abriu os braços, animado. -Vem, -agarrou minha mão, me puxando para dentro. -você não sabe a confusão que a gente se meteu agora...


Não quer ver anúncios?

Com uma contribuição de R$29,90 você deixa de ver anúncios no Nyah e em seu sucessor, o +Fiction, durante 1 ano!

Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!


Notas finais do capítulo

Mais alguém tá shippando Mallory e Klaus? Por que eu tô kkkk
Será que vocês pegaram todas referências? Quem é "ela"? E quem é o fantasma na TARDIS?
Eu planejo mais contos sobre esse grupo, então fiquem ligados.
Já que terminou, que tal deixar um comentário?



Hey! Que tal deixar um comentário na história?
Por não receberem novos comentários em suas histórias, muitos autores desanimam e param de postar. Não deixe a história "Resgate Pelo Tempo e Espaço" morrer!
Para comentar e incentivar o autor, cadastre-se ou entre em sua conta.