Tales of Star Wars escrita por Gabi Biggargio


Capítulo 18
Máquina do tempo (Ahsoka x Hera / Ahsoka x Kanan)


Notas iniciais do capítulo

Mais um conto, amores!

Nesse, eu dou continuidade aos contos 8 e 9, sobre a Ahsoka. Espero muito que gostem ♥



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A porta se abriu de repente e uma nuvem de fumaça tomou uma parte do terraço do Palácio Imperial. Jatos de luz vermelha cruzaram o ar e, do meio desses, uma figura mascarada se afastou em direção ao guarda-corpo, seu blaster mirando os stormtroopers que se o seguiam. Assim como ele, sua companheira também tinha o rosto coberto por uma máscara, mas, diferentemente dele, ela não se preocupava com os stormtroopers imperais. Com dois sabres de luz com lâminas brancas, sua atenção estava completamente voltada para o mortal duelo que travava com aquele Inquisidor.

            — Hera – disse o homem mascarado com a boca próxima ao comunicador preso ao seu pulso logo após atingir um tiro no capacete de um stormtrooper. – Onde você está?

            “Estou chegando, Kanan”, uma voz feminina respondeu. “Aguente firme!”

            Mas o terraço se enchia cada vez mais com stormtroopers e não havia um único lugar que ele pudesse se esconder enquanto atirava. Ou Hera chegava nos próximos segundos, ou ele e Ahsoka seriam presos. Na verdade, seriam mortos logo que suas verdadeiras identidades fossem confirmadas.

            — Hera...

            “Olhe pra cima.”

            Mas Kanan Jarrus nem sequer teve a oportunidade, precisando se jogar ao chão para se proteger dos tiros. Surgido do meio do movimentado céu em Coruscant, o Fantasma passou sobre o terraço do palácio em um rasante. Uma sequência de tiros destruiu um trecho do terraço, matando e ferindo muitos dos stormtroopers. A nave deu a volta, preparando-se para uma segunda investida. Pilotando a nave, estava Hera Syndulla.

            “Saiam dai!” ela gritou. “Agora!”

            Kanan e Ahsoka obedeceram. Ele se aproximou ainda mais do guarda-corpo e Ashoka, com um rápido movimento de um de seus sabres de luz, desarmou seu oponente e lhe chutou o peito antes de se afastar, na direção de Kanan.

            A segunda investida do Fantasma foi ainda mais mortal. Dessa vez, Hera não só atirou com lançou uma bomba. A explosão foi violenta. Stormtroopers e pedaços do piso se misturaram com a fumaça que subiu há metros de altura no ar. E havia fogo. Muito fogo. Por todo o lado. Era praticamente impossível ter uma visão de qualidade de seus adversários.

            Mas era exatamente isso que Hera queria. Diante do caos que criara, ela conseguiu descer o Fantasma quase a ponto de pousá-lo. Quando estava a poucos metros de Kanan e Ahsoka, ela baixou a rampa.

            “Entrem logo!” ela gritou.

            Não era necessário mandar por uma segunda vez.

            Kanan e Ahsoka pularam no exato instante em que o Fantasma iniciou sua subida. Com os dois à bordo e com a rampa ainda baixa, Hera desviou a nave para a direita, ascendendo ao céu no exato instante em que três caças TIE surgiram, obviamente indo em direção a eles. A essa altura, Kanan e Ahsoka já estava no cockpit com a capitã.

            Mas os caças não seriam um problema.

            No exato momento em que Hera fechou a rampa, ela entrou no hiperespaço. Pela janela, Ahsoka viu Coruscant e tornar um borrão, dissolvendo-se em seguida. No instante seguinte, o Fantasma saiu do hiperespaço. Ao redor deles, apenas uma imensidão escura com milhares de estrelas cintilantes.

            — Conseguiram? – Hera perguntou.

            Apenas nesse momento, Ahsoka guardou seus sabres de luz e, do interior do bolso da capa que usava, retirou um holoprojetor. Nesse momento, ela e Kanan tiraram suas máscaras.

            — Conseguimos – disse Ahsoka, ainda não conseguindo acreditar que estavam vivos. – Obrigada, Hera. Eu te devo uma.

            — Não, Ahsoka – a Twi’leik respondeu, sorrindo pra ela. – A minha dívida com você que ficou apenas um pouco menor. Vocês estão bem? Foram feridos?

            — Vamos ficar bem – Kanan respondeu. – Mas foi por pouco.

            Onde raios ela estava com a cabeça quando sugeriu aquele plano? Agora que estava feito, ele se tornava ainda mais absurdo, mas já o era desde o começo. Como raios Hera aceitara participar de uma loucura daquelas sem fazer mais perguntas quanto à natureza dos objetivos? Invadir o Palácio Imperial e roubar uma filmagem! Ahsoka jamais teria aceitado algo assim sem saber os mínimos detalhes. E Kanan? Ele deveria ter sido a voz da razão... Deveria ter dito que as duas estavam loucas! Mas ele também aceitou... Talvez, o único com o juízo conservado fosse aquele droide ranzinza e insuportável de Hera. “Malucos, desmiolados e inconsequentes que não conseguiram pensar numa forma menos violenta de cometer suicídio”, Ahsoka se lembrava de tê-lo ouvido bipar.

            —Vocês têm algum lugar onde eu possa ficar sozinha? – perguntou Ahsoka. – Eu queria ver isso, mas não vou conseguir esperar até chegarmos em terra.

            — Claro – disse Hera. – Pode usar minha cabine.

            — Obrigada – disse Ahsoka, mas parou abaixo da porta de saída do cockpit. – E obrigada por não fazerem perguntas. Vocês confiaram em mim quando disse que era importante pra mim e me ajudaram mesmo sem saber. Serei eternamente grata.

            Sem esperar resposta, Ahsoka saiu e a porta se fechou.

            — Você conhece ela melhor do que eu – disse Kanan, sentando-se na cadeira ao lado de Hera. – O que você acha que é aquela projeção?

            — Não conheço ela tão bem assim – rebateu Hera. – Ahsoka sempre foi bem reservada quanto ao passado dela. Nunca mencionou muita coisa.

            — Mas você não suspeita de nada? – Kanan insistiu. – Não faz nem idéia?

            A mulher respirou fundo antes de responder:

            — Desde que eu conheço ela, a Ahsoka está atrás de descobrir o que aconteceu com o antigo metre dela. Anakin Skywalker. É quase uma obsessão para ela. Para ela ter elaborado um plano suicida desses, talvez seja isso. Acho que ela não arriscaria a vida dela desse jeito por outra coisa que não isso.

            — Eu me lembro dele – respondeu Kanan. – Anakin era um dos melhores Jedi que eu conheci no Templo. Deve ter morrido como todos os outros, infelizmente. Não sei porque ela estaria tão obcecada com uma coisa que é tão óbvia.

            — Mas isso não é problema nosso, é? – Hera rebateu. – Ela é minha amiga e eu aceitei ajuda-la. Os motivos dela são problemas dela. De mais ninguém. E nem pense em tentar ouvir atrás da porta. Eu não sou sensível a Força, mas eu te conheço muito bem. Consigo ler os seus planos nos seus olhos, Kanan Jarrus.

***

            Ela esperara tanto tempo por aquilo. Tanto tempo... Mas, quando finalmente podia tirar aquele peso de suas costas, ela tinha medo. Medo do que podia descobri. Ou seria medo daquilo que ela sabia que apenas iria se confirmar? Não! Nem pense nisso... Você conhecia ele, Ahsoka... Ele não faria uma coisa dessas. Ele não seria capaz. Ou seroa...? Durante todos aqueles anos não foram poucas as pessoas que haviam lhe dito que Anakin tinha caído para o lado sombrio. Mas ela se recusava a acreditar. Não podia ser verdade. Não o Anakin que ela conhecia...

            Demoraram alguns anos até que ela começasse a aceitar que, talvez, aquilo fosse verdade. Mas, conhecendo Anakin do jeito que ela conhecia, Ahsoka sabia que algo muito grave deveria ter acontecido para que ele tomasse uma decisão dessas. Mas isso, obviamente, não a justificava. Mas ela não conseguia acreditar totalmente nisso. Como algo tão horrível e cruel quanto Darth Vader poderia surgir do interior daquele homem? Anakin lhe ensinara quase tudo o que ela sabia. Ele viveu aventuras e perigos ao lado dele. Sabia quanto amor e quanto bondade havia em seu coração.

            “Você vai encontrar a sua resposta nos arquivos imperiais”, foi o que Maz Kanata lhe disse, duas semanas antes, após ela retornar de Coruscant. “Você jamais vai acreditar sem ver. Mesmo que isso custe a sua vida, é o que você precisa para ficar em paz consigo mesma.”

            Como ela podia estar tão certa disso? Se suas fontes se confirmassem, talvez ela nunca alcançasse paz. Ela já se culpava por pensar que poderia ter ajudado seu mestre a sobreviver. Ahsoka não conseguia imaginar o tamanho da culpa que sentiria se começasse a pensar que sua presença poderia ter evitado a queda de seu amado mestre.

            Mas ela não havia passado os últimos anos atrás daquela informação para, na última hora, desistir. Qualquer que fosse a verdade, não importando as consequências, ela iria saber.

            Sua mão escorregou para o interior do bolso de suas vestes e, dele, retirou o holoprojetor. Ela o acionou e, imediatamente, ela o viu. Igualzinho ao que ela se lembrava. Mas havia algo diferente em seu rosto. Em seu olhar. Como se, por dentro, Anakin não fosse mais o mesmo homem dedicado, imprudente, passional e leal que ela conhecia. Como se houvesse algo (ou alguém) diferente, habitando seu corpo. Um parasita, uma sombra, uma idéia. Qualquer coisa que estivesse ofuscando a capacidade dele de pensar criticamente.

            Foi então que o holograma de uma criança se aproximou.

            “Mestre Skywalker, eles são muitos! O que vamos fazer?”

***

            A porta da cabine do Fantasma se abriu. Imediatamente, Hera e Kanan se viraram. A reação fora puramente instintiva: além deles, apenas Ahsoka estava na nave também. Mas a expressão no rosto da togruta era bem diferente daquele que tinha quando os havia deixado, poucos minutos antes.

            A porta se fechou e, então, houve silêncio.

            Hera não precisava saber o que Ahsoka havia descoberto. Nem sequer tinha essa curiosidade. Ela via dor nos olhos da amiga. E aquilo já lhe bastava.

            — Encontrou o que procurava? – ela perguntou.

            — Mais do que isso – Ahsoka respondeu, sentando em uma cadeira vaga, mas evitando contato visual. – Mais uma vez, obrigada. Eu pedi muito de vocês e vocês me ajudaram mesmo assim. Nunca serei capaz de agradecer.

            Dito isso, Ahsoka se calou. Ela girou em sua poltrona e observou a imensidão do espaço através do vidro. Nos olhos da mulher, Hera e Kanan viram lágrimas. Talvez, a verdade era muito mais dolorosa do que ela jamais imaginara.

            — Ahsoka... – chamou Hera, suavemente. – Você precisa de alguma coisa?

            Mas ela não respondeu imediatamente. No instante seguinte, estava chorando. Sem ao menos tentar esconder. Nem sequer levando as mãos aos olhos.

            — Uma máquina do tempo, se você tiver – ela, finalmente, respondeu.

            Novamente, silêncio. Kanan e Hera se entreolharam por alguns instantes. “Eu devo deixar vocês a sós?”, ele perguntou. Com a cabeça, Hera respondeu afirmativamente, indicando a porta. Kanan obedeceu imediatamente, levantando e se dirigindo para a saída da cabine. No caminho, ele parou ao lado de Ahsoka e segurou seu ombro com firmeza.

            Finalmente, sozinha com a amiga, Hera se abaixou ao lado dela, segurando sua mão.

            — Infelizmente, eu não tenho uma máquina do tempo – ela disse. – Mas, seja lá qual for a verdade que você descobriu, eu vou te ajudar no que for possível ser feito. Você é mina amiga e eu não vou te abandonar. Nunca.

            Abandonar. Sem saber, Hera usara a palavra mais sensível para aquele momento. Anakin abandonara Ahsoka e Ahsoka abandonara Anakin. Nos momentos em que cada um mais precisava de ajuda. Mas, por algum motivo que não sabia explicar, Ahsoka sabia que Hera era diferente. Se ela dizia que não a iria abandonar, ela não ia. Ahsoka tinha certeza disso.

            Em resposta, Ahsoka apertou a mão da amiga com firmeza.

            — Não há mais nada que possa ser feito – ela disse. – Agora, sou eu quem precisa aprender a viver com a dor. Vai passar. Vai demorar, mas eu sei que vai passar.

            E Hera sabia que sim.


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Notas finais do capítulo

Me contem o que acharam!

Beijinhos e até o próximo ♥



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