Quebrada escrita por MarcosFLuder


Capítulo 16
Epílogo


Notas iniciais do capítulo

A jornada finalmente chegou ao fim. Assim como foi emocionante a despedida da série de TV na última quarta-feira, também me emociono ao me despedir de mais esta jornada. Quem me acompanhou nas outras fanfics que postei, todas até então do fandon Harry Potter, sabe o quanto eu prezava manter a regularidade nas postagens, o quanto me orgulho de nunca ter deixado uma fanfic minha cair em hiato. Esse foi um compromisso que sempre assumi com todos que me honraram em acompanhar as minhas fanfics, da mesma forma que sempre procurei responder aos comentários rapidamente. Enfim, mais essa jornada se encerra. Espero que outras venham. Aproveitem a leitura do último capítulo.



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Aquela era uma manhã linda de sol, agraciada com uma temperatura amena e um vento fresco correndo pelo ar. Nada disso, por sua vez, combinava com o que Daisy Johnson estava sentindo naquele momento. O que via à sua volta, era a natureza se mostrando totalmente indiferente ao seus sentimentos. Ela estava num parque, vendo as pessoas passando, crianças correndo e brincando juntas, todas sob o olhar, ao mesmo tempo vigilante e relaxado, de pais e mães. A despreocupação à sua volta era motivo de inveja da parte dela. Contudo, também sentia-se capaz de aproveitar o ambiente tranquilo e relaxado diante de si, para deixar de lado suas angústias. A jovem inumana fazia isso, fechando os olhos e inspirando fundo, sentindo o ligeiro calor do sol em sua pele, o vento suave acariciando-a.

Ela tivera uma noite difícil. Não que os antigos pesadelos tivessem voltado, nada disso. Apenas fora incapaz de dormir. Daisy tentava se convencer que tudo terminara bem no final. O Senhor H estava morto, toda a pesquisa que financiara tinha sido confiscada. Não havia mais soldados aprimorados. Ela tinha a maleta em suas mãos, podendo fazer o que quiser com a mesma e seu conteúdo. Ainda assim, permanecia a frustração de saber que o soro não seria totalmente destruído. Saber que Nick Fury manteria aquele único exemplar consigo ainda a incomodava. No fundo, tinha consciência de que havia um quê de irracionalidade nesse incômodo, mas não conseguia evitar de sentir-se mal por isso.

Em verdade, ela sabia que estava mesmo era se apegando a uma tola fantasia. Acreditar que a simples destruição total do soro, sua inexistência, apagaria tudo o que vivera, tudo o que fez, durante o período em que estivera sob a influência de Hive, era exatamente isso. Essa tola fantasia não mudaria nada. Daisy ainda continuaria sentindo a mesma culpa que a afastou de seus amigos, das pessoas que ama, e de quem sente muita saudade. Ela ainda não conseguia se perdoar pelo que fez com Fitz, pelo que quase fez com Mack, e por tudo de ruim que, ela sabia, teria feito com todos os demais, se Hive tivesse lhe imposto essa escolha na época. Nenhuma tola fantasia iria mudar isso. A jovem inumana tinha consciência de que não havia o que fazer, que precisava seguir em frente. Ela precisava retornar ao seu objetivo original, que era a sua caçada aos Watchdogs. Daisy deu um longo suspiro, levantou-se e dirigiu-se a um setor mais afastado daquele parque.

 

*********************************

 

A jovem inumana estava sozinha agora, numa área isolada do parque. Olhou em volta, vendo se não havia alguém por perto. Verificado que estava sozinha, Daisy se pôs de joelhos, colocando a maleta diante dela, fechando os olhos por alguns breves segundos, respirando fundo e tratando de abri-los de novo. Buscou concentrar-se ao máximo, erguendo suas mãos sobre a maleta, usando seus poderes sobre a mesma. Pouco a pouco foi exercendo um poder de compressão sobre o objeto, com este tendo a sua massa cada vez mais concentrada em torno de si próprio. Ela nunca havia feito algo assim antes, mas a cada segundo via a massa do objeto metálico cada vez mais comprimida. Daisy começou a sentir os efeitos do uso cada vez mais concentrado de seu poder, mas insistiu, até a massa da maleta, junto com todo o seu conteúdo, ficar reduzida a um objeto redondo, quase do tamanho de uma bola de golfe.

Ainda não acabara. Usou seu poder para abrir uma pequena cratera, jogando o objeto dentro. Mais uma vez usou o seu poder para enterrá-lo, bem fundo. Foi só então que se deu por satisfeita. Ela estava cansada e quase sem fôlego. Tirou um breve minuto para recuperar suas forças. Daisy estava muito contente, até levantar os olhos e ver a criança um pouco a frente. Ela levou um susto quando a viu, levantando-se de imediato. Esse gesto se refletiu na criança, uma menina, esta devendo ter pouco mais de 6 anos. A jovem inumana a viu dar um passo atrás, a boca aberta e os olhos arregalados.

As duas ficaram paradas, uma diante da outra. Nenhuma delas falava, mas Daisy sabia que precisava encontrar um modo de não deixar a menina diante dela apavorada. Ela não sabia bem o que fazer. Sua experiência com crianças era quase nula. Com a exceção de Robin, e do filho de Mike Peterson, praticamente não tivera contato com qualquer uma, depois que saiu do orfanato onde fora criada. Ambas permaneciam paradas, olhando uma para a outra. Daisy olhou mais detidamente para a menina. Ela tinha um tom de pele ligeiramente morena, os cabelos e olhos de um castanho escuros bem intensos. O olhar dela refletindo, não só o susto, mas também curiosidade. Isso fez com que a jovem inumana notasse na menina, muitos traços semelhantes aos seus, nessa mesma idade. Essa lembrança a fez sorrir, no que foi retribuída.

 

— Você está sozinha? Onde estão seus pais?

 

— Eu estava andando e me perdi deles – o tom de voz infantil, evocando inocência, deixou Daisy desarmada.

 

— Eu posso te ensinar um jeito de encontrá-los se quiser – ela se aproximou com cuidado, evitando ao máximo qualquer gesto que parecesse agressivo – basta seguir em sentido contrário o caminho que te levou até aqui. Você quer a minha ajuda?

 

— Meus pais me disseram para não andar com estranhos – a voz dela soava como música nos ouvidos de Daisy, que não conseguia parar de sorrir.

 

— Seus pais estão certos. Meu nome é Daisy – a jovem inumana se abaixou, ficando mais próxima da criança – é a primeira vez que eu venho a esse parque e estou meio perdida também. O que acha de seguirmos pelo caminho que você fez e encontrar os seus pais? Aposto que estão preocupados e procurando por você.

 

Toda a desconfiança inicial da menina foi deixada de lado e logo as duas seguiam de mãos dadas. A criança, que disse chamar-se Melody, meio que guiava as duas, ambas seguindo por uma pequena trilha. A jovem inumana sabia onde esta ia dar, mas deixou que a pequenina sentisse que estava guiando-as. Em pouco mais de 10 minutos de caminhada, já encontraram algumas pessoas, chegando na parte mais movimentada do parque. Daisy viu dois policiais e decidiu falar com eles. Ambos já tinham sido mobilizados para encontrar a menina e um deles fez uma chamada pelo rádio. O outro policial, entretanto, olhou fixamente para ela, como se tentasse reconhecê-la. A jovem inumana manteve-se calma, mas já se preparando para sair dali assim que pudesse.

Não demorou muito e os pais da menina chegaram. Melody correu para junto deles, sendo abraçada pelo casal, estes visivelmente aliviados. Daisy sentiu-se tocada ao ver a imagem dos três juntos, mas logo se deu conta que precisava sair dali, pois os dois policiais confabulavam claramente sobre ela. Um deles voltou a chamar alguém pelo rádio. A jovem inumana sabia que não poderia se demorar demais, mas não queria ir embora sem se despedir de Melody de algum jeito. Tratou de olhar em volta, vendo que a saída do parque não estava longe. Os dois policiais se mantinham ligeiramente afastados, mas agora tinham os olhos fixos nela. Daisy sabia que não havia porque perder tempo com discrição, se dirigindo à menina que estava junto a seus pais.

 

— Ei Melody – a criança se voltou para ela – quer ver uma coisa legal? – a menina apenas sorri, até ver quando Daisy começa a correr em direção à saída. Os dois policiais correm atrás dela, até que a jovem inumana usa seus poderes, erguendo-se no ar, quase como um foguete, deixando os policiais, e todos em volta espantados. Apenas Melody olhava encantada, enquanto a via desaparecer da vista de todos ali.

 

********************************

 

A chamada para Los Angeles interrompeu a leitura do jornal que comprara, apenas pela foto de capa. Daisy não imaginava que alguém teria a possibilidade de bater aquela foto. Ela decolando para fugir dos policiais, parecendo um foguete humano. Havia também uma pequena entrevista com Melody, ilustrada por uma foto dela sorridente, junto com os pais. A jovem inumana estava feliz, embora toda aquela situação tenha lhe gerado alguns contratempos, obrigando-a a praticamente mudar de aparência para poder embarcar no aeroporto. Felizmente ainda não havia nenhuma imagem sua que lhe mostrasse o rosto, o que facilitou bastante que ela pudesse passar na checagem sem maiores problemas.

Daisy estava embarcando para uma viagem importante. Era a hora de retomar a caçada aos Watchdogs. As pistas que tinha sobre suas atividades eram preocupantes e não podiam mais ser ignoradas. Enquanto se acomodava no avião, verificou a quantidade de pílulas para os seus ossos que ainda tinha. O estoque se encontrava preocupantemente perto do fim. Felizmente já tinha entrado em contato com Io-iô, marcando de encontrá-la em Los Angeles. Ela sabia que precisaria de um bom estoque. Não tinha ideia do que a esperava na cidade dos anjos, mas tinha certeza de que precisará estar no melhor da sua forma para lidar com o que fosse encontrar pela frente. A jovem inumana acomodou-se na cadeira do avião, aproveitando a viagem para mergulhar num sono sem sonhos. Foi dessa forma que passou toda a viagem, com as lembranças ruins devidamente guardadas, bem fundo em sua mente.

 

 

 

FIM


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Notas finais do capítulo

Último capítulo postado como prometido. Até a próxima jornada.



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